{"id":61654,"date":"2024-03-24T19:05:43","date_gmt":"2024-03-24T19:05:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=61654"},"modified":"2024-03-24T19:06:21","modified_gmt":"2024-03-24T19:06:21","slug":"leituras-alegoricas-sobre-camoes-em-constancia-jose-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/leituras-alegoricas-sobre-camoes-em-constancia-jose-luz\/","title":{"rendered":"Leituras aleg\u00f3ricas sobre Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia\u2026 | Jos\u00e9 Luz"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que \u00abUrbano\u00bb, personagem da \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb, esconde a biografia po\u00e9tica de Cam\u00f5es? Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o, estudioso desta novela pastor\u00edcia, de Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente, assim o defende, como hip\u00f3tese n\u00e3o gratuita. A presen\u00e7a de Cam\u00f5es, debaixo das mais variadas facetas, do homem ao poeta, do l\u00edrico ao \u00e9pico, \u00e9 uma constante na obra de Fern\u00e3o \u00c1lvares. O desterro aqui em causa, ter\u00e1 sido f\u00edsico e para as margens do Nab\u00e3o, na conflu\u00eancia com o Z\u00eazere, perto de Punhete (Const\u00e2ncia). Cam\u00f5es ter\u00e1 conhecido Fern\u00e3o \u00c1lvares na \u00cdndia. E, por curiosidade, s\u00f3 h\u00e1 tr\u00eas indiv\u00edduos registados na Universidade de Coimbra no s\u00e9culo XVI, com esse nome. Um deles \u00e9 de\u2026 Punhete. Na nossa cr\u00f3nica apresentamos ainda prov\u00e1veis ind\u00edcios (pontas soltas\u2026) de que o desterro do poeta pelo Ribatejo (Punhete?) poder\u00e1 ter sido f\u00edsico.<\/p>\n<p>\u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb \u00e9 uma novela em prosa e verso, constando de tr\u00eas livros. A obra, de Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente, veio a p\u00fablico pela primeira vez , postumamente, em 1607, atrav\u00e9s de Luys Estupinan, sob responsabilidade do livreiro Domingos Fernandes, o qual declara que o autor j\u00e1 tinha morrido. A primeira reedi\u00e7\u00e3o surgiu em 1781, na Academia Real das Ci\u00eancias de Lisboa, sendo da responsabilidade do seu s\u00f3cio, o padre Joaquim de Foyos.<\/p>\n<p>Obra profundamente simb\u00f3lica em que o autor critica fortemente o esp\u00edrito demasiado mercantilista dos portugueses a fazer lembrar o epis\u00f3dio do &#8220;Velho do Restelo&#8221; de \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a do que sucede na literatura buc\u00f3lica e nas novelas pastoris, tamb\u00e9m aqui realidade e fic\u00e7\u00e3o parecem de m\u00e3os dadas\u2026<\/p>\n<p>Uma obra de literatura portuguesa que, nas palavras de Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o (literato que melhor estudou o livro e em que nos apoiamos bastamente), \u00abmelhor reflecte a letra e o esp\u00edrito da arte maneirista, tal como foi definida e caracterizada por Jorge de Sena\u00bb. Nesta obra tudo est\u00e1 em crise: A Na\u00e7\u00e3o, o patriotismo, a austeridade de princ\u00edpios, a poesia, a religi\u00e3o oficialmente institu\u00edda, a santidade dos costumes, a sociedade familiar, o amor entre o homem e a mulher\u2026 a pr\u00f3pria vida. Para resolver a crise da poesia Fern\u00e3o \u00c1lvares (segundo Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o) prop\u00f5e o exemplo de Cam\u00f5es; para resolver a crise da vida prop\u00f5e o culto da arte. O autor faz da alegoria recurso para atacar pessoas reais e institui\u00e7\u00f5es religiosas e sociais. O leitmotiv da \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb? Diz Cirurgi\u00e3o: \u00ab\u00e9 o esfor\u00e7o constante que o homem faz para se transcender, para resolver em Deus a sua condi\u00e7\u00e3o humana\u00bb. N\u00e3o \u00e9 pois ao n\u00edvel terreno que as personagens da \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb procuram realizar-se: \u00e9 ao n\u00edvel divino. Da\u00ed, a condena\u00e7\u00e3o da guerra, do mercantilismo, das vaidades mundanas, da vida f\u00fatil da corte, e a busca angustiosa da paz em Deus, explica a eminente professor que nos anos 90 estimulou pessoalmente o autor da presenta cr\u00f3nica a prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 obra de Fern\u00e3o \u00c1lvares.<\/p>\n<p>Biografia da personagem Fel\u00edcio ou autobiografia po\u00e9tica de Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente? Seguindo de perto os estudos de Cirurgi\u00e3o podemos dizer que o protagonista,Ol\u00edvio\/Fel\u00edcio se estabelece numa arc\u00e1dia pastoril, mas margens do Nab\u00e3o, na sua conflu\u00eancia com o Z\u00eazere. E tem dois nomes, para o nosso ilustre professor: \u00abChama-se Ol\u00edvio enquanto peregrino pelo Oriente, pela \u00c1frica e pelas ilhas do Mar da China, do Oceano \u00cdndico e do Atl\u00e2ntico; e chama-se Fel\u00edcio a partir do momento em que, em virtude de um rito de inicia\u00e7\u00e3o ou de passagem, t\u00e3o caracter\u00edstico de algumas novelas pastoris, mudando de estado, encontra a felicidade e passa a viver a vida de pastor nas margens do Nab\u00e3o, numa aut\u00eantica Arc\u00e1dia, em companhia de outros pastores. Qual metamorfose. Mas, prossigamos nas cita\u00e7\u00f5es: \u00abFel\u00edcio d\u00e1 fim \u00e0 sua hist\u00f3ria, com palavras que fazem lembrar Cam\u00f5es, quando chega com Lusmeno e outros companheiros \u00e0 vista das \u00abdouradas \u00e1reas do celebrado Tejo, douradas antigamente na opini\u00e3o de estrangeiros e regadas agora com as l\u00e1grimas dos naturais\u00bb. Uma breve nota a de que nos inqu\u00e9ritos paroquiais a seguir ao terremoto de 1755 se encontra not\u00edcia sobre o ouro de antigamente existente nas areias do Tejo em Punhete.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o fez uma leitura atenta quer da obra de Montemor (poeta, dramaturgo e m\u00fasico que passou os \u00faltimos tempos em It\u00e1lia), quer de Lu\u00eds de Cam\u00f5es e de Diogo Bernardes e, recorrendo ao m\u00e9todo anal\u00f3gico, quanto ao sentido oculto dos cript\u00f3nimos, usados pelos poetas em quest\u00e3o, revela: \u00abn\u00e3o nos foi dif\u00edcil chegar \u00e0 conclus\u00e3o que o Sireno e o Lusitano da \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb \u00e9 Jorge de Montemor, que o Almeno e o Urbano \u00e9 Lu\u00eds de Cam\u00f5es, e que o Alcido e o Limiano \u00e9 Diogo Bernardes\u00bb. E, mais importante e para o nosso caso, a conclus\u00e3o de que \u00abem Urbano se esconde a biografia po\u00e9tica de Cam\u00f5es, com tantos pontos de coincid\u00eancia com as que constam de documentos irrefut\u00e1veis\u00bb.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Cam\u00f5es, debaixo das mais variadas facetas, do homem ao poeta, do l\u00edrico ao \u00e9pico, \u00e9 uma constante na obra de Fern\u00e3o \u00c1lvares. Ser\u00e1 a biografia po\u00e9tica de Urbano um eco long\u00ednquo da vida real de Cam\u00f5es?<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o admite que o pastor pelo qual Fern\u00e3o \u00c1lvares quer representar Cam\u00f5es, al\u00e9m de \u00abAlmeno\u00bb, ser\u00e1 \u00abUrbano\u00bb, afinal o pastor que vive onde o Nab\u00e3o entra no Z\u00eazere, isto \u00e9, junto a Punhete (actual vila de Const\u00e2ncia).<\/p>\n<p>Urbano surge-nos pela primeira vez na \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb, na prosa II do livro primeiro. O narrador apresenta-no-lo como sendo do Tejo e como desterrado:<\/p>\n<p>\u00abViera Urbano com parte de seu rebanho da ribeira do Tejo, p\u00e1tria sua, desterrado \u00e0 seu pesar, c com o sentimento desta aus\u00eancia jazia t\u00e3o esquecido de si, como de seu gado, o qual em redor dele balado parecia, que celebrava ex\u00e9quias ao seu pastor.\u00bb<\/p>\n<p>Aproxima-se dele um outro pastor, chamado Frondoso, o qual \u00abpor lhe dar algum al\u00edvio amigavelmente (l.T., fl 18), come\u00e7a a dialogar com ele em versos.<\/p>\n<p>E surge assim uma \u00e9gloga cujos interlocutores s\u00e3o Frondoso e Urbano, como na \u00c9gloga I de Cam\u00f5es s\u00e3o Frond\u00e9lio e Umbrano, \u00e9gloga que Fern\u00e3o \u00c1lvares se refere expressamente pela boca de Urbano. Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, desde logo, para a semelhan\u00e7a dos nomes das personagens.<\/p>\n<p>A certo momento, e dando continuidade ao racioc\u00ednio de Cirrugi\u00e3o, na \u00e9gloga de Fern\u00e3o \u00c1lvares, citemos, \u00abUrbano alude ao seu desterro e declara, inequivocamente, que o castigo que lhe impuseram \u00e9 injusto\u00bb. Desterro real ou imagin\u00e1rio, quest\u00e3o velha e bem controversa?<\/p>\n<p>Percorrendo a obra de Cam\u00f5es, alega o professor, diversas s\u00e3o as passagens em que ele se queixa de ter sido posto em ex\u00edlio, sem que o tenha merecido.<\/p>\n<p>\u00abDos bens passados nada mais lhe resta que uma magra lembran\u00e7a. Urbano tinha sido feliz na vida, ainda que por escassos momentos\u00bb. O lugar da felicidade? \u00abAli onde levado do for\u00e7oso\/\u00cdmpeto o Tejo com licor mistura\/Do mar salgado o seu licor gostoso\u00bb. Por outras palavras, tinha sido Lisboa, conclui Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0s analogias: \u00abConv\u00e9m esclarecer que Almeno, personagem de duas \u00e9glogas de Cam\u00f5es, encontrou em Lisboa escassos momentos de felicidade e grandes desilus\u00f5es. Tamb\u00e9m o poeta Cam\u00f5es, na elegia que come\u00e7a \u00abO Sulmonense Ov\u00eddio desterrado\u00bb, estende \u00abos olhos saudosos\u00bb para o Tejo e revive os dias de ventura que a\u00ed conhecera, ao mesmo tempo que suspira pelo regresso\u00bb.<\/p>\n<p>Quem ter\u00e1 sido o causador da desgra\u00e7a de Urbano? Responde Cirurgi\u00e3o que algu\u00e9m movido pela inveja, \u00abEm trajos disfar\u00e7ada d\u2019honra, e zelo\u00bb. Mas algu\u00e9m que tinha valor e influ\u00eancia, pois, opina o nosso professor, acusou Urbano ao rei: \u00abCom esse nosso gr\u00e3o pastor fizeram\/Que em pris\u00e3o dura me pusesse, alheio\/D\u2019erros, que sendo seus, em mi puseram\u00bb.<\/p>\n<p>Na c\u00e9lebre Carta de Perd\u00e3o, descoberta pelo Visconde de Juromenha na Torre do Tombo, diz-se que Cam\u00f5es esteve preso no Tronco de Lisboa. Os dados do documento emanado de D. Jo\u00e3o III e os dados da transcri\u00e7\u00e3o da Lusit\u00e2nia Transformada,\u00a0respeitar\u00e3o a pris\u00f5es diferentes, no entender do autor da presente cr\u00f3nica. Tratam -se de motivos e de lugares diferente. E, aqui, permitam-me alguma especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O local da pris\u00e3o? \u00abUma rocha mui alta est\u00e1 no meio\/Das \u00e1guas, onde o Tejo caminhando\/Penetra de Neptuno o largo seio.\/Ali, onde com sonoro som, e brando\/Das claras \u00e1guas leva a o mar o peso\/Que d\u2019elee n\u2019outra parte est\u00e1 tomando\/Me teve em pris\u00e3o dura hum odio aceso.\/Por me livrar d\u2019outras pris\u00f5es estranhas\/Em que do amor me tinha o la\u00e7o preso\u00bb.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o p\u00f5e a hip\u00f3tese de Fern\u00e3o \u00c1lvares se referir \u00e0 Torre do Bugio, dizendo que foi pris\u00e3o no tempo. Face aos dados que actualmente temos dispon\u00edveis, \u00e0 data, por conseguinte, antes de 1550, seria a Torre de Bel\u00e9m o local da alegada pris\u00e3o, concordando n\u00f3s neste ponto, com Maria Clara Costa. \u00c9 verdade que n\u00e3o sabemos se houve pris\u00e3o em Lisboa e, depois, degredo para o Ribatejo. Ou se a pris\u00e3o, a ter existido, foi cumprida em mais do que um s\u00edtio. O que releva de tudo isto s\u00e3o os ind\u00edcios de um eventual desterro f\u00edsico e a necessidade de em torno destes se avan\u00e7ar na investiga\u00e7\u00e3o. Porque a biografia do poeta n\u00e3o se pode desligar da sua obra. E ligada \u00e0 sua obra est\u00e1, de forma muito arreigada, a tradi\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 pessoa que mandou prender Lu\u00eds de Cam\u00f5es e Urbano? Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o interpreta assim os dois textos: \u00abSegundo a Carta de Perd\u00e3o (referente \u00e0 pris\u00e3o no Tronco, citamos), outra autoridade que n\u00e3o o rei, deve ter ordenado a pris\u00e3o; segundo a Lusit\u00e2nia Transformada, a pessoa que ordenou a pris\u00e3o de Urbano foi \u00abo nosso gr\u00e3o pastor\u00bb. Que o \u00abgr\u00e3o pastor\u00bb seja o rei, n\u00e3o parece haver d\u00favidas para Cirurgi\u00e3o que invoca a conven\u00e7\u00e3o buc\u00f3lica, para justificar \u00abuma das maneiras de se referir ao soberano. Segundo a lei do tempo, prendia-se em nome do rei\u00bb, aduz.<\/p>\n<p>O motivo da pris\u00e3o, verdadeiramente? O pastor Urbano foi metido na pris\u00e3o porque algu\u00e9m, levado pela inveja, lhe cobi\u00e7ou a pessoa amada. Assim o entende Cirurgi\u00e3o: \u00abE porque o gado que eu pr\u00f3prio tinha\/Possu\u00edssem estranhos\u00bb.<\/p>\n<p>O nome da amada de Urbano \u00e9 Laur\u00e9lia. Porque raz\u00e3o Fern\u00e3o \u00c1lvares, admitida a hip\u00f3tese de estar a pensar no poeta cam\u00f5es e na sua biografia, ao falar, de Urbano, chama Aur\u00e9lia \u00e0 sua amada? Cirurgi\u00e3o lan\u00e7a a hip\u00f3tese: \u00abPara o aproximar de Petrarca, que celebrou Laura? Tamb\u00e9m isso \u00e9 poss\u00edvel numa obra t\u00e3o impregnada de simbolismo\u00bb.<\/p>\n<p>Batendo na tecla\u2026\u00abA Lusit\u00e2nia Transformada \u00e9 expl\u00edcita em nos apresentar Urbano desterrado (desterro f\u00edsico, que n\u00e3o moral), n\u00e3o em Santar\u00e9m, mas nas margens do Nab\u00e3o, na conflu\u00eancia deste com o Z\u00eazere, perto de Const\u00e2ncia. Isso nos diz Urbano na \u00e9gloga : \u00abQue do meu C\u00e9u mais apartado \u00abagora\/Nestas ribeiras do Nab\u00e3o misturo\/Com suas \u00e1guas, que est\u2019alma chora\u00bb.<\/p>\n<p>Em a \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb, argumenta Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o, \u00abtodos os pastores se sentem felizes na nova vida que abra\u00e7aram voluntariamente. E se h\u00e1 algum que permanece temporariamente triste e infeliz, como \u00e9 o caso de Urbano, isso s\u00f3 significa que o corpo vive no campo, mas a alma ainda continua presa ao mundo e aos seus enganos\u00bb.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 quest\u00e3o de fundo: \u00abH\u00e1 duas passagens na Lusit\u00e2nia Transformada em que talvez possamos apoiar-nos para provar que na personagem Urbano quis Fern\u00e3o \u00c1lvares celebrar Cam\u00f5es. Trata-se de duas glosas: a primeira de uma oitava expressamente atribu\u00edda a Cam\u00f5es e a segunda de um soneto que tem sido atribu\u00eddo a v\u00e1rios autores, entre os quais se conta Cam\u00f5es. Ambos os poemas em que se encontram as glosas s\u00e3o \u00e9glogas. Tanto num caso como noutro, um dos interlocutores \u00e9 Urbano. No primeiro dialoga com Frondoso e no segundo com Jacinto. Em ambas as ocasi\u00f5es os interlocutores pedem a Urbano que abra o caminho: \u00abPorque no campo agreste se conhe\u00e7a\/O brando som, de que a Cidade goza\/E dele tamb\u00e9m goze o nosso outeiro\/Eu quero te seguir vai tu primeiro\u00bb.<\/p>\n<p>Para satisfazer o pedido de Frondoso, Urbano come\u00e7a ent\u00e3o a glosar a oitava da \u00c9gloga I de Cam\u00f5es \u2013 oitava que come\u00e7a assim: Toda alegria grande e sumptuosa\u00bb.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o revela-nos que aqui, Fern\u00e3o \u00c1lvares, \u00abempresta ao conflito entre a corte e o campo, um car\u00e1cter pol\u00e9mico, fazendo eco de uma querela contempor\u00e2nea de todas as idades (a velha f\u00e1bula do rato da cidade e do rato da aldeia)\u00bb.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-61655\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__-473x800.jpg\" alt=\"\" width=\"473\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__-473x800.jpg 473w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__-768x1299.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__-908x1536.jpg 908w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__-696x1177.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__-248x420.jpg 248w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto1__.jpg 1025w\" sizes=\"auto, (max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 quanto a os versos supracitados, postos na boca de Frondoso, a preced\u00ea-los temos uma fala de Urbano que Cirurgi\u00e3o destaca: \u00abDesta mudan\u00e7a de que j\u00e1 cantaram\/Frondelio l\u00e1 no Tejo Umbrano outr\u2019ora\/Quando de seu Theonio celebraram\/Exequias, que inda entoa o Eco agora: Cantemos n\u00f3s tamb\u00e9m (pois se declara\/Em nosso dano os tempos mais cad\u2019ora)\/Tomando aquela est\u00e2ncia por sujeito\/De que sempre te vi t\u00e3o satisfeito: Aquela est\u00e2ncia, digo, que come\u00e7a\/Toda alegria grande e sumptuosa\/J\u00e1 pode ser que assi cantando esque\u00e7a\/Tantas magoas est\u2019alma saudosa\u00bb.<\/p>\n<p>A arg\u00facia do nosso professor, novamente: \u00ab Reparando bem, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil verificar que Urbano prop\u00f5e a Frondoso a glosa de uma oitava de um poema seu (de Urbano) que Frondoso admirava tanto. Quanto \u00e0 outra glosa, em que Urbano e Jacinto discutem o assunto, pra melhor compreender a raz\u00e3o de ser do argumento a fim de provar que Urbano deve representar Cam\u00f5es: O poema glosado \u00e9 o bel\u00edssimo soneto \u00abHoras breves de meu contentamento\u00bb.<\/p>\n<p>Jacinto \u00e9 poeta do Douro e Urbano \u00c9 poeta do Tejo. E se esses versos que Urbano canta fossem, como os outros eu ele cantara antes, em circunst\u00e2ncias id\u00eantica, a pedido de Frondoso, do poeta Cam\u00f5es?, pergunta Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Faria e Sousa e citando Cirurgi\u00e3o, Fern\u00e3o \u00c1lvares apenas glosou versos de Cam\u00f5es na Lusit\u00e2nia Transformada. Quanto a este soneto Cirurgi\u00e3o n\u00e3o tem d\u00favidas: \u00abapresenta uma vers\u00e3o muito pr\u00f3xima da que aparece na Terceira parte das Rimas (1668), de Cam\u00f5es. O soneto \u00abHoras breves do meu contentamento\u00bb, adita o professor, foi atribu\u00eddo pela primeira vez a Cam\u00f5es, em obra impressa, por Pedro de Espinoza, em \u00abFlores de Poetas ilustres\u00bb (Madrid, 1605). O C\u00f3dice Riccardino, citado por Jorge de Sena, tamb\u00e9m o atribui a Cam\u00f5es.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 presen\u00e7a de Cam\u00f5es sob o cript\u00f3nimo Urbano, remetemos os leitores do jornal para as obras abaixo citadas, sem o que n\u00e3o poder\u00e3o obter mais perfeita conclus\u00e3o acerca da tese de Cirurgi\u00e3o, acad\u00e9mico da maior simplicidade e honestidade intelectuais que chegou a integrar os \u00f3rg\u00e3o sociais da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 1550, Cam\u00f5es, pretendeu embarcar para a \u00cdndia e teve de apresentar fiador. Isto, para Jos\u00e9 Hermano Saraiva, \u00absignifica necessariamente que j\u00e1 ent\u00e3o fora objecto de persegui\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria, porque a exig\u00eancia do fiador representa que j\u00e1 estava condenado\u00bb.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Domingues, jornalista e historiador tamb\u00e9m andou no p\u00e9 da investiga\u00e7\u00e3o camoniana: \u00abQuanto \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de seguir para a \u00cdndia nesse mesmo ano (1550, recordamos n\u00f3s), parece confirmada por Manuel Faria e Sousa que, estando em Madrid em 1643, diz ter ali conhecido em forma de extracto ou resumo dos Livros da Casa da \u00cdndia, esta inscri\u00e7\u00e3o, referente a 1550:\u00abLu\u00eds de Cam\u00f5es, filho de Sim\u00e3o Vaz e Ana de S\u00e1, moradores em Lisboa, \u00e0 Mouraria, Escudeiro, de vinte e cinco anos, barbirruivo; trouxe por fiador a seu pai; vai na Nau S\u00e3o Pedro de Burgaleses\u00bb.<\/p>\n<p>Maria Clara Pereira da Costa, antiga conservadora da Torre do Tombo e admitia \u00abser poss\u00edvel que a leitura do assento na Casa da \u00cdndia, revelado por Faria e Sousa, tenha sido incorrecta, at\u00e9 porque este n\u00e3o o viu\u00bb. A ent\u00e3o investigadora da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Const\u00e2ncia fundamentou a sua tese em como o poeta ter\u00e1 nascido por volta de 1517, aconselhando o regresso \u00e0 simplicidade da informa\u00e7\u00e3o de Severim de Faria.<\/p>\n<p>Faria e Sousa comenta assim o seu achado (seguindo a obra de M\u00e1rio Domingues: \u00abEsta Nave era la en que iba el Vi-Rey que entonces passava a la India; e su nombre Don Alonso de Norona. Estos assentos se hazian en t\u00edtulos diferentes, conforme el puesto en que cada persona iba a servir. Y el Poeta estava sentado en el titulo de los \u2013 Hombres de Armas.\u00bb<\/p>\n<p>E acentua, por fim, o comentador: \u00abAunque el Poeta se huviesse alistado el anno de 1550, no se embarc\u00f3.\u00bb<\/p>\n<p>N\u00e3o embarcou de facto, segundo o confirmam os acontecimentos em que Lu\u00eds Vaz andou envolvido, desde princ\u00edpios de 1550 a meados de 1553.<\/p>\n<p>Este passo camoniano \u00e9 assim interpretado por M\u00e1rio Domingues: \u00abAdmite-se, por infer\u00eancia, que ele se alistara em 1550, no seu regresso de \u00c1frica. Mas quando investigadores procuraram nas fontes os elementos que confirmassem a asser\u00e7\u00e3o de Faria e Sousa, que deviam existir no Manuscrito N\u00ba 123 da Colec\u00e7\u00e3o Pombalina, que tem o t\u00edtulo de \u00abMem\u00f3ria das Pessoas que passaram \u00e0 \u00cdndia nos anos de 1504 a 1628\u00bb, descobriram que faltavam as folhas que abrangem os anos em que se devia registar a Armada na qual Cam\u00f5es partiria para a \u00cdndia. Poder-se-ia admitir que o autor do furto visasse outra pessoa que n\u00e3o fosse o poeta. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel duvidar do verdadeiro alvo dessa an\u00f3nima persegui\u00e7\u00e3o, porque, elucida-nos Te\u00f3filo Braga \u2013 o mesmo vandalismo se deu com os Manuscritos geneal\u00f3gicos de Manuel Severim de Faria (ainda parente do poeta) extra\u00eddos da Torre do Tombo, quando ela estava no Castelo de S\u00e3o Jorge, ficando em branco as p\u00e1ginas relativas \u00e0 fam\u00edlia Cam\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p>Contudo, as folhas que faltam no Manuscrito N\u00ba 123, relativas aos anos em que Lu\u00eds Vaz teria embarcado para a \u00cdndia, parecem confirmar mais veementemente a sua inscri\u00e7\u00e3o. Diz M\u00e1rio Domingues ainda: \u00abNo extracto que Faria e Sousa diz ter visto Madrid cerca de um s\u00e9culo depois (em 1643) \u00e9 que surgem alguns pontos de d\u00favida. H\u00e1, pelo menos, um pormenor que nos desconcerta: \u00abtrouxe por fiador a seu pai\u00bb. Seria Sim\u00e3o Vaz ainda vivo nesse data? Por outro lado, confirma que, depois de o poeta regressar da \u00c1frica, a fam\u00edlia Cam\u00f5es (pelo menos, a m\u00e3e, a que se atribui o nome de Ana de S\u00e1) vivia na Mouraria. \u00c9 de estranhar que o registo apenas anotasse como sinais particulares a barba ruiva \u2013 barbirruivo. Porque n\u00e3o apontou a falta da vista direita, que passou a ser nele um sinal caracter\u00edstico, facto bem eloquente e corroborado por inilud\u00edveis testemunhos\u00bb. Tudo visto e apreciado, haver\u00e1 nestas mat\u00e9rias ind\u00edcios de uma pris\u00e3o que n\u00e3o a do Tronco? \u00c9 o que parece. N\u00e3o h\u00e1 como ignorar estas pontas soltas\u2026<\/p>\n<p>A elegia do desterro \u00e9 um dos poemas mais vezes citados pelos bi\u00f3grafos que t\u00eam procurado esclarecer o mist\u00e9rio passional que antecedeu a partida para a \u00cdndia. Hermano Saraiva defendia que a import\u00e2ncia da elegia como documento autobiogr\u00e1fico est\u00e1 precisamente na significa\u00e7\u00e3o do conjunto do poema. Do mesmo modo que Ov\u00eddio esteve desterrado no Ponto, o Poeta esta desterrado do bem que noutro tempo possu\u00eda, A ideia do desterro resulta por\u00e9m de outras alus\u00f5es que n\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o sentimental. Exemplo disto, para Saraiva, s\u00e3o os versos \u00abdaqui me vou, com passo carregado\/a um outeiro erguido, e ali me assento\u00bb. Defendia Saraiva que em Cam\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 palavras v\u00e1s. E que o sentido literal, cita-.se \u00ab\u00e9 o de passos dificultados por uma carga e que se usava ent\u00e3o amarrar com correntes de ferro um peso aos p\u00e9s do prisioneiro\u00bb. Saraiva socorre-se, ainda, da linguagem judici\u00e1ria da can\u00e7\u00e3o \u00abTomei a triste pena (a qual figura j\u00e1 na edi\u00e7\u00e3o de 1595, diz) \u00abcuja autenticidade nunca foi posta em d\u00favida por ningu\u00e9m\u00bb. E conclui_ \u00abtoda a can\u00e7\u00e3o \u00e9 referente a um processo judicial\u00a0no qual o poeta ocupava a fun\u00e7\u00e3o de r\u00e9u, tal como o direito das Ordena\u00e7\u00f5es Manuelinas as definia\u00bb.<\/p>\n<p>Justino Mendes de Almeida, que tantas vezes nos incentivou a estudar e investigar Cam\u00f5es, tinha por\u00e9m, uma perspectiva mais cautelosa \u2013 porque acad\u00e9mica &#8211; sobre como interpretar a quest\u00e3o do desterro f\u00edsico a partir da poesia:<\/p>\n<p>\u00abE porque o nosso Poeta se compara a Ov\u00eddio, logo houve quem pensasse (Faria e Sousa entre os primeiros) que esta elegia aludia, porque escrita em Portugal, a um primeiro \u00abdesterro\u00bb de Cam\u00f5es, por seus amores il\u00edcitos, algures no Ribatejo, e tamb\u00e9m\u00a0porque nela s\u00e3o usados voc\u00e1bulos como \u00abdegredo, pena, desterrado\u00bb, mas a devida interpreta\u00e7\u00e3o, foi-lhe dada por Costa Pimp\u00e3o: \u00abPor mim, e salvo o devido respeito, n\u00e3o dou a tais palavras sen\u00e3o o valor po\u00e9tico de aus\u00eancia do bem amado, sem me preocupar de saber se tal \u00abbem\u00bb era real, ou imaginado. A poesia vale o que vale, independentemente das congemina\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas que \u00e0 sua volta se t\u00eam forjado, e que n\u00e3o se apoiam na menor base cr\u00edtica. Nela encontra-se o \u00abhomem\u00bb, certamente, mas encontra-se tamb\u00e9m o \u00abpoeta\u00bb, e este interessa mais do que tal ou tal circunst\u00e2ncia imagin\u00e1ria da sua vida\u00bb. Esta passagem consta dos cadernos dos F\u00f3runs Camonianos do Centro Internacional de Estudos Camonianos. Vem ao caso referir que o autor de presente cr\u00f3nica teve por professor de Literatura Portuguesa, Noel Mendes, disc\u00edpulo de Costa Pimp\u00e3o, e conhece bem as reservas do ilustre professor de Coimbra sobre o c\u00e2none camoniano. O que nos distingue (a Const\u00e2ncia) das restantes terras da antiga moirama? O ter recebido no seu seio o maior poeta de todos os tempos lusitanos que aqui ter\u00e1 escrito parte da sua obra, inspirado pelas gentes, amores e paisagens (?). \u00c9 nisso que acreditamos. O que nos move? O amor pr\u00f3prio, senhor Doutor!&#8230;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz<\/p>\n<p>(ex-presidente do Conselho Fiscal e ex-associado da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia).<\/p>\n<p>PS \u2013 N\u00e3o uso o famigerado AOLP.<\/p>\n<p>Nota 1 .- \u00abTendo consultado o Arquivo da Universidade de Coimbra, viemos a encontrar tr\u00eas indiv\u00edduos do s\u00e9culo XVI com o nome de Fern\u00e3o d\u2019\u00c1lvares que estudaram na Universidade de Coimbra: um era filho de \u00c1lvaro Fernandes e natural de Santar\u00e9m. Matriculou-se em 1540 e obteve o grau de bacharel em Medicina em 1555 e o de licenciado em 1557. Outro, natural de Barcelos, depois de ter estudado em Salamanca entre 1553-1554, transferiu-se para Coimbra em 1557 e veio a obter o grau de bacharelado em 1559. Finalmente, um terceiro Fern\u00e3o d\u2019\u00c1lvares, filho de Pantale\u00e3o Rosado, natural de Punhete, matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1573, recebeu o grau de bacharel em 1578 e a formatura em 1580, tendo prestado provas de curso em C\u00e2nones entre 13-11-1573\u00bb. \u2013 In Cirurgi\u00e3o,<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio (1976). \u00abFern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente\u00bb &#8211; O Homem e a Obra\u00bb. Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Centro Cultural de Paris. Paris.<\/p>\n<p>Nota 2 \u2013 Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o, \u00abProfessor universit\u00e1rio e ensa\u00edsta. Estudante de Direito, fez estudos de Filosofia e Teologia. Emigrou para os EUA em 1962. Optou ent\u00e3o pelo curso de Letras, fez o M. A. (Master of Arts &#8211; mestrado) em Franc\u00eas, no Assumption College, Massachusetts, e o Ph. D. (doutoramento) em Espanhol e Portugu\u00eas, na Universidade de Wisconsin, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Lloyd Kasten e Jorge de Sena. Leccionou Espanhol e Franc\u00eas na Kansas State University e Espanhol, Franc\u00eas e Latim na Universidade de Nevada e foi contratado em 1969 pela Universidade de Connecticut, em Storrs, leccionando a\u00ed Espanhol e Portugu\u00eas. Fez contrato vital\u00edcio com esta Universidade em 1973 e foi promovido a professor catedr\u00e1tico em 1980. Em 1983 e 1987 leccionou na Universidade de Santa B\u00e1rbara, Calif\u00f3rnia, na qualidade de professor visitante. Para al\u00e9m das obras abaixo mencionadas, tem no prelo De E\u00e7a a Jorge de Sena e \u00e9 o respons\u00e1vel pelas seguintes edi\u00e7\u00f5es: O Cancioneiro de D. Cec\u00edlia de Portugal, 1972; Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente, Lusit\u00e2nia Transformada, 1985; Duarte Dias, V\u00e1rias Obras em L\u00edngua Portuguesa e Castelhana, 1991; Manuel Quintano de Vasconcelos, A Paci\u00eancia Constante: Discursos Po\u00e9ticos em Estilo Pastoril, 1994; Jo\u00e3o Nunes Freire, Os Campos El\u00edsios, 1996. Tem colabora\u00e7\u00e3o dispersa por v\u00e1rias revistas, nomeadamente Biblos, Revista da Universidade de Coimbra, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, Ocidente, Bras\u00edlia, Nova Renascen\u00e7a, Hispania (E.U.A.), Arquivos e V\u00e9rtice. Colaborou tamb\u00e9m em dicion\u00e1rios de literatura e hist\u00f3ria americanos, brasileiros e portugueses. Em 1981 foi agraciado pelo Presidente da Rep\u00fablica Portuguesa com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. In Dicion\u00e1rio Cronol\u00f3gico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999.<\/p>\n<p>Fontes bibliogr\u00e1ficas da presente cr\u00f3nica<\/p>\n<p>Pereira da Costa, Maria Clara (1977). \u00abCasa de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia\u00bb. Com estudo do arquitecto Jorge Segurado e Nota explicativa Manuela de Azevedo. Obra custeada pelo Fundo de Fomento Cultural da Secretaria de Estado da Cultura.<\/p>\n<p>Severim, Manuel de Faria. \u00abObras do grande Lu\u00eds de Cam\u00f5es \u2013 Pr\u00edncipe dos Poetas Her\u00f3icos e L\u00edricos de Espanha, novamente dadas \u00e0 luz com os seus Lus\u00edadas comentados pelo licenciado Manuel Correia. MDCCXX. Oficina de Joseph Lopes Ferreira.<\/p>\n<p>Cirurgi\u00e3o, Ant\u00f3nio (1976). \u00abFern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente\u00bb &#8211; O Homem e a Obra\u00bb. Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Centro Cultural de Paris. Paris.<\/p>\n<p>Domingos, M\u00e1rio (1968). \u00abCam\u00f5es \u2013 a sua vida e a sua \u00e9poca\u00bb. Edi\u00e7\u00e3o Romano Torres.<\/p>\n<p>Do Oriente, Fern\u00e3o \u00c1lvares. \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o e actualiza\u00e7\u00e3o de texto de Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o. Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 1985.<\/p>\n<p>Cirurgi\u00e3o, Ant\u00f3nio. (1972). \u00abSer\u00e1 Cam\u00f5es a Personagem da \u2018Lusit\u00e2nia Transformada\u2019\u00bb. \u2013 N\u00famero especial comemorativo do 4~centen\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o de \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb. Lisboa.<\/p>\n<p>Saraiva, Jos\u00e9 Hermano (1994). \u00abVida Ignorada de Cam\u00f5es\u00bb. Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica. 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, revista e aumentada. https:\/\/www.e-cultura.pt\/patrimonio_item\/7457 http:\/\/www.monumentos.gov.pt\/site\/app_pagesuser\/sipa.aspx?id=4065<\/p>\n<p>\u00abA Cam\u00f5es\u00bb, colect\u00e2nea de estudos comemorativa da inaugura\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia. Lu\u00eds de Cam\u00f5es, poeta l\u00edrico, Justino Mendes de Almeida. Edi\u00e7\u00f5es Colibri e Centro Internacional de Estudos Camonianos da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia.2002.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/leituras-alegoricas-sobre-camoes-em-constancia-jose-luz\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que \u00abUrbano\u00bb, personagem da \u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb, esconde a biografia po\u00e9tica de Cam\u00f5es? Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o, estudioso desta novela pastor\u00edcia, de Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente, assim o defende, como hip\u00f3tese n\u00e3o gratuita. A presen\u00e7a de Cam\u00f5es, debaixo das mais variadas facetas, do homem ao poeta, do l\u00edrico ao \u00e9pico, \u00e9 uma constante na obra de Fern\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-61654","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61654\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}