{"id":61526,"date":"2024-03-17T09:59:26","date_gmt":"2024-03-17T09:59:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=61526"},"modified":"2024-03-17T10:37:49","modified_gmt":"2024-03-17T10:37:49","slug":"descobrimentos-portugueses-despoletaram-a-globalizacao-jose-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/descobrimentos-portugueses-despoletaram-a-globalizacao-jose-luz\/","title":{"rendered":"Descobrimentos portugueses despoletaram a globaliza\u00e7\u00e3o | Jos\u00e9 Luz"},"content":{"rendered":"<p>No seio da vast\u00edssima flora alimentar do continente americano, difundida pelos portugueses no chamado \u00abVelho \u00abMundo\u00bb, h\u00e1 um historial de muitas plantas de import\u00e2ncia crucial na economia e na subsist\u00eancia dessas popula\u00e7\u00f5es e das que se lhes seguiram. Exemplo disso ser\u00e1 o da batata doce. Os portugueses fizeram chegar a batata doce \u00e0 grande comunidade chinesa atrav\u00e9s do norte da \u00cdndia. Sem o que, segundo diversos autores o Grande Imp\u00e9rio do Meio n\u00e3o conseguiria suportar a enorme massa da sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho, paciente, primorosamente organizado, dos portugueses \u00abtransformou de tal maneira a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e os h\u00e1bitos alimentares de algumas regi\u00f5es fora da Am\u00e9rica que hoje seria quase imposs\u00edvel compreender os seus esquemas agr\u00edcolas sem elas\u00bb. Estas e outras informa\u00e7\u00f5es constam de um estudo muito interessante intitulado \u00abPlantas tropicais de que \u2018Os Lus\u00edadas\u2019 n\u00e3o falam\u00bb. Longe de criticar Cam\u00f5es, o autor do estudo, conferencista do VI F\u00f3rum Camoniano de Const\u00e2ncia (1998), professor catedr\u00e1tico Mendes Ferr\u00e3o, justifica Cam\u00f5es e aproveita para elogiar os feitos dos Descobrimentos e a sua import\u00e2ncia quanto \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o que se seguiu.<\/p>\n<p>\u00c0 nossa voca\u00e7\u00e3o universalista, de intento estrat\u00e9gico, podemos sempre aditivar o compromisso cient\u00edfico, do conhecimento. Sim! Fomos originais e surpreendemos. Quer no improviso organizacional quer nos dom\u00ednios da dita informa\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica e no incrementalismo, no fundo \u00abo peito ilustre lusitano\u00bb de que nos fala o grande Cam\u00f5es.<\/p>\n<p>Numa vila ribatejana, guardi\u00e3 de mem\u00f3rias \u00fanicas do nosso maior Poeta, acontecia em 1998, o VI F\u00f3rum Camoniano, iniciativa que coincidiu com a Exposi\u00e7\u00e3o Mundial da Expo\u201998. Uma oportunidade rara de recentramento da hist\u00f3ria, do nosso legado universal. O nosso contributo para a globaliza\u00e7\u00e3o que lan\u00e7amos h\u00e1 cerca de 600 anos a partir de Ceuta\u2026<\/p>\n<p>Sob o tema \u00abOs mares de Cam\u00f5es\u00bb acontecia em Const\u00e2ncia, em 1998, o VI F\u00f3rum Camoniano em que um dos oradores, o professor catedr\u00e1tico Mendes Ferr\u00e3o abordava uma tem\u00e1tica pouco comum (?), com o sentido \u00faltimo de enaltecer os feitos dos Descobrimentos e a obra de Cam\u00f5es: \u00abPlantas tropicais de que \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb n\u00e3o falam\u00bb.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-61527 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/thumbnail_Foto-10.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"488\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/thumbnail_Foto-10.jpg 500w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/thumbnail_Foto-10-333x420.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/p>\n<p>No in\u00edcio dos Descobrimentos a alimenta\u00e7\u00e3o dos portugueses incidia sobre os produtos que estes ent\u00e3o conheciam, diferentes dos actuais. As pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, da antiga tradi\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, ainda n\u00e3o tinham sa\u00eddo do \u00abhorto\u00bb. A sacha haveria de conquistar mais tarde o seu lugar na grande cultura, pois eram escassas as culturas agr\u00edcolas estivais.<\/p>\n<p>Todas as modifica\u00e7\u00f5es que hoje sentimos e que se estenderam a numerosos lugares da Terra-M\u00e3e, ter\u00e3o resultado segundo o professor, dos Descobrimentos em que and\u00e1mos empenhados e das plantas que troc\u00e1mos. A conclus\u00e3o consta dessa not\u00e1vel recens\u00e3o sobre plantas tropicais n\u00e3o citadas por Cam\u00f5es, estudo fascinante &#8211; como fascinante \u00e9 tudo o que encerra o mundo camoniano. Toda a presente cr\u00f3nica procura sintetizar o n\u00facleo de ideias-chave e a informa\u00e7\u00e3o ali contida naquela li\u00e7\u00e3o de Mendes Ferr\u00e3o, intento sempre dif\u00edcil de se conseguir dado o imenso manancial informativo e a arte de bem contar do autor, que se inveja.<\/p>\n<p>Vivemos nos fins do s\u00e9culo XV e princ\u00edpios do s\u00e9culo XVI o per\u00edodo considerado mais glorioso da hist\u00f3ria de Portugal. A voz un\u00e2nime dos patriotas ecoa nas palavras sublimes do nosso orador. Tivemos um Poeta que cantou e enalteceu esse per\u00edodo, assim prestando um servi\u00e7o \u00edmpar em favor da humanidade: Cam\u00f5es!<\/p>\n<p>Merc\u00ea do nosso esp\u00edrito universalista, aspira\u00e7\u00e3o nunca apagada a realiza\u00e7\u00f5es colectivas, fomos motor inequ\u00edvoco de uma globaliza\u00e7\u00e3o que, diz-se, deu in\u00edcio \u00e0 Era Moderna, a partir da expans\u00e3o em Marrocos. Os historiadores dividem-se, mas o processo do expansionismo ter\u00e1 sido marcado pela conquista de Ceuta em 1415. A aventura marroquina acabou por direccionar os portugueses para um imp\u00e9rio mar\u00edtimo global, superando o m\u00f3bil inicial e dando aso a novas empresas e uma pol\u00edtica mais complexa do que se possa julgar \u00e0 partida.<\/p>\n<p>Neste ano de 2024, que \u00e9 \u2013 ou deveria ser &#8211; de comemora\u00e7\u00e3o dos alegados 500 anos de Cam\u00f5es, recordemos aqui uma nota sempre actual da escritora Manuela de Azevedo, fundadora da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia, proferida no evento do j\u00e1 citado VI F\u00f3rum camoniano de boa mem\u00f3ria: \u00abO Culto de Cam\u00f5es \u00e9 uma constante da cultura universal. A quinhentos anos da sua obra esse culto permanece entre os homens. O facto de ser de algum modo alvo de sucessivas tradu\u00e7\u00f5es, quer de \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb, quer da L\u00edrica, documenta essa esp\u00e9cie de nostalgia que anima os leitores mais cultos e reflexivos\u00bb.<\/p>\n<p>O tema dos \u00abMares de Cam\u00f5es\u00bb do VI F\u00f3rum Camoniano em Const\u00e2ncia surgia assim com os actos evocativos desse evento que foram as comemora\u00e7\u00f5es dos Descobrimentos em 1998 e constituiu no dizer da minha saudosa amiga, o acento t\u00f3nico mais significativo e fascinante desse encontro \u00e0 beira-rios.<\/p>\n<p>O testemunho que representam os cadernos de cada F\u00f3rum Camoniano promovido pelo Centro Internacional de Estudos Camonianos foi , sem d\u00favida, um esfor\u00e7o e uma devo\u00e7\u00e3o de cada um dos seus participantes.<\/p>\n<p>Cam\u00f5es \u00e9, nas palavras de Mendes Ferr\u00e3o, passo a citar \u00abo Poeta que enaltece \u00abo peito ilustre lusitano\u00bb, a coragem dos seus guerreiros, a per\u00edcia dos seus navegadores, o esp\u00edrito pioneiro dos seus colonizadores, a doa\u00e7\u00e3o dos seus mission\u00e1rios, a compet\u00eancia das suas estruturas de rectaguarda dos Descobrimentos que, por nosso interm\u00e9dio, deram a conhecer \u00abnovos mundos ao mundo\u00bb. Acertada s\u00famula, dif\u00edcil de superar.<\/p>\n<p>Enquanto decorria na Vila de Const\u00e2ncia a VI F\u00f3rum Camoniano, \u00abl\u00e1 em baixo, nas margens do mesmo rio bem a montante do Velho do Restelo e do seu simbolismo cauteloso e conservador, o mundo assistia e participava numa das \u00faltimas grandes Exposi\u00e7\u00f5es Universais deste s\u00e9culo, evento grandioso, digno de um grande pa\u00eds, orgulho de todos n\u00f3s, homenagem \u00e0 capacidade dos portugueses que nela mais uma vez se prova e comprova\u00bb.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, segundo o nosso interlocutor, \u00abneste evento grandioso exaltava-se muito pouco a contribui\u00e7\u00e3o que os portugueses deram ao longo dos tempos para o conhecimento dos mares, atrav\u00e9s dos quais fizemos circular riquezas, nos consumiu muitas vidas e haveres, bem salpicado das alegorias l\u00e1grimas de sal de Pessoa vertidas pelos que partiram e tamb\u00e9m por aqueles que, ficando em terra, aguardavam um regresso que nem sempre se concretizou\u00bb.<\/p>\n<p>O acad\u00e9mico aludia a esse ano da efem\u00e9ride de meio mil\u00e9nio da chegada de Vasco da Gama \u00e0s costas do Indost\u00e3o, \u00absem d\u00favidas um dos marcos mais salientes da hist\u00f3ria universal e cuja import\u00e2ncia ningu\u00e9m legitimamente esconde\u00bb, para logo lamentar \u00abque a Expo\u201998 n\u00e3o tenha dedicado uma refer\u00eancia mais alargada, parecendo, a quem olha do exterior, que a chegada \u00e0<\/p>\n<p>\u00cdndia \u00e9 epis\u00f3dio para abafar, como planta que nasceu entre espinhos ou que os portugueses, talvez pressionados por for\u00e7as internas ou externas, vencidos talvez sem combater, meteram a viola no saco como mau e envergonhado cantador\u00bb.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sua evoca\u00e7\u00e3o de Vasco da Gama no Jardim-Horto em Const\u00e2ncia Mendes Ferr\u00e3o justificava-a deste modo: \u00abpelo relevo que Cam\u00f5es deu \u00e0 sua viagem a terras de Calecute e como ela serviu dos suporte ou de sustent\u00e1culo ao desfraldar dos quadros da hist\u00f3ria portuguesa desde a funda\u00e7\u00e3o da nacionalidade\u00bb.<\/p>\n<p>As plantas que Cam\u00f5es n\u00e3o referiu em \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb segundo Mendes Ferr\u00e3o<\/p>\n<p>O pedido feito ent\u00e3o ao convidado pelo Centro Internacional de Estudos Camonianos orientava-se para que, dentro da sua especialidade de professor de agronomia tropical e tendo em conta o ambiente camoniano, trouxesse alguma contribui\u00e7\u00e3o naquele F\u00f3rum sobre plantas de grande interesse que Cam\u00f5es n\u00e3o referiu n\u2019\u00abOs Lus\u00edadas\u00bb, algumas das quais nesse tempo j\u00e1 tinham enorme import\u00e2ncia em muitas das regi\u00f5es por onde o poeta peregrinou. Assim o resume no seu estudo.<\/p>\n<p>Na sua interven\u00e7\u00e3o Mendes Ferr\u00e3o chamava a aten\u00e7\u00e3o para alguns aspectos relacionados com as mudan\u00e7as que se verificaram no mundo no \u00faltimo meio mil\u00e9nio em termos de agricultura e de difus\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de novas plantas em consequ\u00eancia do que identifica como \u00aba interpenetra\u00e7\u00e3o dos conhecimentos que os descobrimentos provocaram\u00bb.<\/p>\n<p>Na sua an\u00e1lise salientava \u00abalgumas plantas de grande interesse econ\u00f3mico que j\u00e1 existiram no Oriente quando Cam\u00f5es por ali passou e a que \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb s\u00e3o omissos e algumas outras de origem americana, que, levadas pelos espanh\u00f3is e portugueses nos s\u00e9culos XVI e seguintes a todos os cantos do mundo, e por isso tamb\u00e9m ao Oriente, modificaram a composi\u00e7\u00e3o flor\u00edstica, a bot\u00e2nica utilit\u00e1ria, os sistemas agr\u00edcolas e nutricionais e permitiram que certos grupos populacionais pudessem sobreviver at\u00e9 hoje, enquanto lhes fizemos chegar plantas alimentares sem as quais dificilmente se entender\u00e1 como poderiam ter continuado a existir\u00bb.<\/p>\n<p>Para o professor, Cam\u00f5es n\u00e3o era nem um bot\u00e2nico nem um agricultor e, em \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb o poeta, explica-nos, \u00abserve-se da flora europeia, da da Ilha dos amores e da flora tropical n\u00e3o como o fim \u00faltimo do seu discurso mas como sustent\u00e1culo dos seus conceitos e desenvolvimento do seu programa\u00bb. Dito isto, reconhece-lhe \u00abo m\u00e9rito de saber das plantas o suficiente para nunca exprimir conceitos errados\u00bb.<\/p>\n<p>As plantas em Cam\u00f5es \u00abs\u00e3o um dos bord\u00f5es do seu lirismo\u00bb. Lugar para cita\u00e7\u00f5es do \u00abvetusto carvalho, o oloroso loureiro, as humildes ervas dos nossos campos, profusamente referidas\u00bb.<\/p>\n<p>A partir destes bord\u00f5es, e continuando a seguir de perto o interessante estudo dado revelado no dito F\u00f3rum, Cam\u00f5es, depois, \u00abalarga-se, com alguma vol\u00fapia, mas sempre como enquadramento de um cen\u00e1rio ed\u00edlico, na flora da Ilha dos Amores, menos pela utilidade de cada uma das esp\u00e9cies mas incluindo-as frequentemente num comum arvoredo em que o conjunto se sobrep\u00f5e ao espec\u00edfico, o efeito global ao interesse relativo\u00bb. Quest\u00f5es da est\u00e9tica<\/p>\n<p>que podem complementar os coment\u00e1rios da elegia \u00abVergel de amor\u00bb de Manuel de Faria e Sousa.<\/p>\n<p>Recorda o professor que Cam\u00f5es cita 24 esp\u00e9cies na Ilha dos amores, explicando que todas elas j\u00e1 s\u00e3o familiares nesse tempo na Europa e apenas 3 a laranjeira, cidreira e limoeiro, s\u00e3o origin\u00e1rias do sueste asi\u00e1tico, se bem que j\u00e1 conhecidas na Europa desse muito antes de Portugal existir como na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando Cam\u00f5es entra na flora tropical n\u00e3o lhe passam em v\u00e3o \u00abos rudes paus tostados\u00bb com que os cafres selvagens faziam guerra. Nota ainda para as folhas de palma com que os orientais confeccionavam as velas das suas embarca\u00e7\u00f5es, para as madeiras com que as constru\u00edram, as fibras com que confeccionavam as vestimentas que usavam, os venenos com que embebiam as setas usadas na ca\u00e7a ou nas artes da guerra. Ricos apontamentos estes, de Mendes Ferr\u00e3o.<\/p>\n<p>Indaga-se o professor sobre as personalidades que Cam\u00f5es ter\u00e1 conhecido no Oriente e que o devem ter influenciado? Garcia da Orta e, talvez, Jo\u00e3o de Barros, Tom\u00e9 Pires, Gaspar Correia.<\/p>\n<p>E, assim, por via, de um conhecimento progressivo, Cam\u00f5es, \u00abcanta mais alto as especiarias do Oriente, em parte, a grande raz\u00e3o da viagem de Vasco da Gama\u00bb, o que o orador assume como uma consequ\u00eancia natural dessas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0s especiarias, ao comedimento das cita\u00e7\u00f5es do \u00e9pico avulta o rigor extraordin\u00e1rio quanto \u00e0 sua origem, acrescentando Cam\u00f5es o \u00abquantum satis\u00bb da sua import\u00e2ncia econ\u00f3mica, fornecendo-nos desse modo a informa\u00e7\u00e3o suficiente em cada caso.<\/p>\n<p>Diz Mendes Ferr\u00e3o que o poeta trata com cuidado quanto \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, o betel t\u00e3o usado pelos povos orientais, as madeiras olorosas como o s\u00e2ndalo, o lacrimejante incenso, as drogas e plantas medicinais como o alo\u00e9s.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia dos Descobrimentos (que o poeta cantou), Portugueses e Espanh\u00f3is atingiram o continente americano nos finais do s\u00e9culo XV: \u00abEra um continente novo, um mundo deslumbrante que desfilou perante os olhares at\u00f3nitos de Fernandez de Oviedo e de P\u00earo Vaz de Caminha (\u2026) plantas novas, ricas, produtoras de alimento abundante, f\u00e1ceis de cultivar, algumas delas semeadas \u00abnunca mais se desin\u00e7am\u00bb, como dizia o cronista, com sabores novos\u00bb.<\/p>\n<p>Os povos da pen\u00ednsula viram ent\u00e3o nas plantas, algumas delas descritas com grande pormenor e precis\u00e3o, cita-se, \u00abum manancial de potencialidades que quiseram levar de presente a novas terras que conheciam e que estavam menos bem dotados de recursos que sustentassem uma popula\u00e7\u00e3o em que as crises alimentares era j\u00e1 sentidas\u00bb.<\/p>\n<p>Um trabalho, paciente e primorosamente organizado que, segundo Mendes Ferr\u00e3o, \u00abtransformou de tal maneira a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e os h\u00e1bitos alimentares de algumas regi\u00f5es fora da Am\u00e9rica que hoje seria quase imposs\u00edvel compreender os seus esquemas agr\u00edcolas sem elas\u00bb.<\/p>\n<p>Continua o orador: \u00abCom as liga\u00e7\u00f5es muito frequentes entre o Brasil e a \u00cdndia, que quase sempre ficavam situados em pontos da mesma viagem do Reino para a \u00cdndia ou vice-versa, fizeram-se chegar muito rapidamente \u00e0s terras indost\u00e2nicas as plantas americanas de ecologia tropical que os portugueses haviam eleito no Brasil como as priorit\u00e1rias\u00bb.<\/p>\n<p>Este movimento de troca de plantas, de acordo com o nosso interlocutor, \u00abfez chegar \u00e0 \u00cdndia numerosas plantas durante a segunda metade do s\u00e9culo XVI\u00bb. Mas Cam\u00f5es n\u00e3o ter\u00e1 tido tempo para as conhecer e avaliar. \u00abQue partido delas poderia tirar do seu poema\u00bb, interroga-se.<\/p>\n<p>Nota para o anan\u00e1s perfumado, coroado como um rei, no conjunto das iguarias da llha dos Amores.<\/p>\n<p>A difus\u00e3o das plantas americanas tem ligadas hist\u00f3rias curiosas, afirma-nos: \u00abMuito embora a maior parte dos estrangeiros chame a si a prioridade na difus\u00e3o de muitas delas, h\u00e1 documentos bem seguros \u2013 mas que a maior parte deles parece desconhecer, talvez por n\u00e3o dominarem a l\u00edngua de Cam\u00f5es, que d\u00e3o a prioridade indiscut\u00edvel aos portugueses e aos espanh\u00f3is, a n\u00e3o menosprezar\u00bb.<\/p>\n<p>Refere-se o professor, brevemente, a algumas, seleccionando certas delas que se adaptaram na Europa.<\/p>\n<p>No texto que se segue e poupando os leitores a sucessivas cita\u00e7\u00f5es, optou o autor da presente cr\u00f3nica por resumir a informa\u00e7\u00e3o do estudo de Mendes Ferr\u00e3o, ainda que socorrendo-se da sua prosa sobre a qual, recai todo o m\u00e9rito, cuja leitura integral se aconselha.<\/p>\n<p>Algumas plantas americanas trazidas pelos Descobrimentos<\/p>\n<p>O ananaseiro (\u00abAnanas comosus\u00bb)<\/p>\n<p>A cultura existia nos A\u00e7ores em 1864 em estufa e servia para o abastecimento dos mercados europeus em frutos frescos. Desde os tempos dos Descobrimentos, os portugueses haviam reconhecido que o fruto se deteriora rapidamente e, por isso, seria incapaz de suportar os longos per\u00edodos das viagens praticadas nesses tempos. Mas, apreciando-o e enaltecendo-o, com ele faziam \u00abconserva dur\u00e1vel\u00bb que abastecia os barcos e chegava aos mercados da Europa. Afinal, apesar da celeridade dos transportes e do avan\u00e7o da t\u00e9cnica, este \u00e9 ainda hoje o destino de cerca de 60% da produ\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Pio Correia vai mesmo ao ponto de afirmar que a sua difus\u00e3o pela Europa, \u00c1frica e \u00c1sia se fez t\u00e3o rapidamente \u00abcomo n\u00e3o h\u00e1 exemplo na hist\u00f3ria de qualquer outra planta frut\u00edfera\u00bb.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1505 a planta teria chegado \u00e0 ilha de Santa Helena levada pelos portugueses do Brasil. Em 1549 \u00e9 referenciada em Madag\u00e1scar. Ter\u00e1 chegado \u00e0 \u00cdndia em 1550.<\/p>\n<p>Alguns historiadores defendem a presen\u00e7a do anan\u00e1s na \u00cdndia em tempos mais antigos, alega Mendes Ferr\u00e3o, evocando aqueles uma designa\u00e7\u00e3o em s\u00e2nscrito. Teria sido, provavelmente, um anan\u00e1s bravo e de outra planta (de acordo com o estudo de Crist\u00f3vao da Costa), conclui o nosso professor.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outras quest\u00f5es complexas: \u00aba melancia brava em terras americanas, de origem africana, quando a\u00ed chegaram os europeus; a pacoba ou pacobeira (identificada como bananeira ou bananeira-p\u00e3o que alguns consideram de introdu\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana). Situa\u00e7\u00f5es por esclarecer, ressalva.<\/p>\n<p>Batata-doce (\u00abIpomoea batatas\u00bb)<\/p>\n<p>Reproduzindo: \u00abDe origem americana. Os portugueses conheceram-na no Brasil e rapidamente a introduziram nalgumas ilhas dos A\u00e7ores onde a sua cultura ainda persiste. Levaram-na para a \u00c1frica e para o Oriente atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico. A dispers\u00e3o da cultura criou diversos ec\u00f3tipos e ainda hoje em certas regi\u00f5es do Oriente se torna poss\u00edvel distinguir as cultivares que seguiram o percurso portugu\u00eas e aquelas que seguiram o percurso espanhol (percurso com navega\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do Pac\u00edfico entre Acapulco e Manila).<\/p>\n<p>Os portugueses fizeram-na chegar \u00e0 grande comunidade chinesa atrav\u00e9s do norte da \u00cdndia. Porque se aperceberam muito rapidamente do interesse desta como alimento complementar dos cereais e dos gr\u00e3os secos, de cujas ra\u00edzes tamb\u00e9m se podia fazer p\u00e3o. Diversos autores s\u00e3o de opini\u00e3o de que sem este alimento b\u00e1sico que os portugueses lhes proporcionaram, o Grande Imp\u00e9rio do Meio n\u00e3o conseguiria suportar a enorme massa da sua popula\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Em Portugal a cultura j\u00e1 estaria muito divulgada na segunda metade do s\u00e9culo XVI: \u00abA batateira comum, introduzida mais tarde, foi substituindo a batata-doce nas regi\u00f5es mais frescas. Ficaram alguns santu\u00e1rios no centro e sul do pa\u00eds, acantonados em hortas de batata-doce para do\u00e7aria. Em S\u00e3o Tom\u00e9 a batata-doce era em 1552 o principal sustento dos negros, de acordo com o Piloto de Vila do Conde\u00bb.<\/p>\n<p>Batata comum (Solanum tuburosum L.)<\/p>\n<p>De acordo com o estudo que vimos seguindo, existem milhares de variedades da batata comum na Col\u00f4mbia. Esta, desceu dos Andes, dos contrafortes dos climas frescos para ali. Sendo de origem americana, pouco conhecida no Velho mundo do tempo de Cam\u00f5es. Anchietta, salienta o nosso orador, refere-se \u00e0 batateira em meados do s\u00e9culo XVI ao dizer sobre a batata-doce que \u00aboutras ra\u00edzes parecem-se com batatas\u00bb.<\/p>\n<p>As primeiras refer\u00eancias em Portugal conhecidas s\u00e3o as de Vandelli, \u00abum dos naturalistas vindos de It\u00e1lia aquando da reforma pombalina\u00bb, explica ainda.<\/p>\n<p>Em 1789 segundo este autor citado, ainda era \u00abpouco usada\u00bb. Leite de Vasconcelos deu nota de que \u00abdavam-na aos porcos\u00bb. Havia uma supersti\u00e7\u00e3o transmontana referida por Mendes Ferr\u00e3o de que o seu consumo levava ao aparecimento da doen\u00e7a de Hansen, essa cren\u00e7a da lepra outrora existente al\u00e9m-Pirin\u00e9us.<\/p>\n<p>O tomateiro (Lycopersion esculentum Mill.)<\/p>\n<p>Atenta a informa\u00e7\u00e3o disponibilizada no estudo deste VI F\u00f3rum , a primeira refer\u00eancia conhecida em Portugal a o tomateiro deve-se ao autor das \u00abSaudades da Terra\u00bb, Gaspar Frutuoso, para quem \u00abo tomate \u00e9 ao mesmo tempo fruto, hortali\u00e7a e tempero\u00bb.<\/p>\n<p>Parece que o tomateiro ter\u00e1 sido seleccionado e melhorado na Europa a partir de plantas de proveni\u00eancia americana e de depois reintroduzido no Brasil. \u00c9 que 1730 Sebasti\u00e3o da Rocha e Pita na sua Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica inclui o tomateiro na lista de hortali\u00e7as introduzidas a partir do Reino. Diz Mendes Ferr\u00e3o que os espanh\u00f3is trouxeram a planta para a Europa em 1523 ap\u00f3s a conquista do M\u00e9xico, \u00abtalvez como ornamental\u00bb, aduz. Atribui-se aos espanh\u00f3is a introdu\u00e7\u00e3o da planta no Oriente atrav\u00e9s de Acapulco e Manila e, aos portugueses, em data ainda n\u00e3o determinada, no continente africano.<\/p>\n<p>Os pimenteiros (Capsicum)<\/p>\n<p>Um produto\/fruto indispens\u00e1vel na dieta dos \u00edndios com um efeito id\u00eantico ao do sal na cozinha europeia, parafraseando Mendes Ferr\u00e3o. A sua utiliza\u00e7\u00e3o remontar\u00e1 h\u00e1 mais de 7 mil anos: \u00abConforme as caracter\u00edsticas, eram consumidos como hortali\u00e7a (crus, cozidos, assados, grelhados, refogados, fritos), outras vezes como especiaria ou condimento tirando partido do seu sabor mais ou menos picante e da colora\u00e7\u00e3o avermelhada que se desejava juntar aos alimentos que acompanhavam\u00bb. Um dado curioso, revelado pelo nosso orador, o de que os povos do M\u00e9xico e da Am\u00e9rica Central chamavam chilli a este frutos, designa\u00e7\u00e3o que, assevera o professor, \u00abhoje est\u00e1 reservada apenas aos pimentos picantes\u00bb. Os espanh\u00f3is gostaram dos frutos e chamaram-lhes pimentos, talvez porque, deduz Mendes Ferr\u00e3o \u00abas primeiras formas que conheceram fossem picantes e desempenhassem efeito id\u00eantico ao da pimenta indiana procurada pelo Colombo na sua viagem para Ocidente\u00bb. Mas os pimentos j\u00e1 haviam chegado ao Brasil em tempos muito antigos e os portugueses foram encontra-los designados por guija ou guiya na l\u00edngua local.<\/p>\n<p>Oi\u00e7amos: \u00abTanto os portugueses como os espanh\u00f3is trouxeram os pimentos para a Europa e introduziram-nos nas terras da sua influ\u00eancia na grande zona tropical. No Oriente, o gindungo ou piri-piri (pertencente ao grupo dos pimentos) \u00e9 a \u00abpimenta dos pobres\u00bb que substitui a pimenta oriental\u00bb.<\/p>\n<p>O milho americano (Zea mays L.)<\/p>\n<p>O voc\u00e1culo \u00abmilho\u00bb possivelmente derivado do latim \u00abmelica\u00bb (infere o nosso professor), j\u00e1 existia na Europa em 1228 e aparece em documentos portugueses do s\u00e9culo XIII. Pode ler-se a este prop\u00f3sito no estudo do VI F\u00f3rum: \u00abOs cronistas dos Descobrimentos fazem v\u00e1rias refer\u00eancias \u00e0 exist\u00eancia de milhos, como principal sustento das popula\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias regi\u00f5es africanas tanto na costa oriental como na ocidental, antes da chegada dos europeus ao Novo Mundo\u00bb.<\/p>\n<p>Designa\u00e7\u00f5es como milho alvo, milho mi\u00fado, milhinho, milho pain\u00e7o, milho das vassouras eram dadas a plantas j\u00e1 cultivadas na Europa e aqui chegadas da \u00c1frica ou da \u00c1sia por influ\u00eancia das Cruzadas. Da mesma forma que se conhecia o milho zaburro, nas sua formas de gr\u00e3os avermelhados e cor de p\u00e9rola.<\/p>\n<p>Os portugueses trouxeram o milho americano do Brasil para Cabo Verde e costa ocidental africana nos princ\u00edpios do s\u00e9culo XVI. Diz-nos Mendes Ferr\u00e3o que h\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o do Piloto de Vila do Conde que, por volta de 1545, refere que em Cabo Verde \u00abse d\u00e1 muito milho branco e grado de ma\u00e7aroca e tanto que carregam dele navios para muitas partes\u00bb e que na Ilha de Santiago \u00abquando chega o m\u00eas de Agosto come\u00e7a-se a semear o gr\u00e3o que chamam milho zaburro: nas \u00cdndias Ocidentais chama-se mays\u00bb\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c0 data da li\u00e7\u00e3o de Mendes Ferr\u00e3o sabia-se que havia historiadores a consultar documenta\u00e7\u00e3o do Pa\u00e7o Episcopal do Porto e de que \u00abj\u00e1 teriam encontrado refer\u00eancias anteriores sobre a cultura do milho em Portugal\u00bb.<\/p>\n<p>O milho, sintetizando, foi introduzido pelos portugueses na \u00c1frica onde veio a ocupar um lugar de extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia na vida dos seus povos situados em regi\u00f5es de m\u00e9dia altitude onde as culturas alimentares americanas, tamb\u00e9m introduzidas neste continente, tiveram mais dificuldades em se desenvolver.<\/p>\n<p>Mendes Ferr\u00e3o cita-nos ainda outras plantas alimentares, casos da mandioca, do amendoim, do cacau, das anonas, da papaia, do maracuj\u00e1, da goiaba e da baunilha, ressalvando, \u00abse bem que existam ainda muitas com hist\u00f3rias mais ou menos curiosas ligadas \u00e0 sua difus\u00e3o\u00bb, ressalva.<\/p>\n<p>Tabaco (Nicotiana tabacum)<\/p>\n<p>O controverso tabaco.<\/p>\n<p>Passando a resumir : \u00c9 uma planta de origem americana. Os nativos tinham o h\u00e1bito de aspirar o fumo de um conjunto de folhas de uma dada planta, enroladas e acesas numa das extremidades. Chegou \u00e0 Europa como planta medicinal. As primeiras sementes, vindas do Brasil, foram semeadas no Real Jardim Bot\u00e2nico em 1558. As folhas foram trazidas para a Espanha como um dos mais eficientes rem\u00e9dios conhecidos, capaz de curar quase todas as doen\u00e7as. Uma ideia que Mendes Ferr\u00e3o diz, \u00abtamb\u00e9m vingou em Portugal quando o jesu\u00edta Lu\u00eds de Goes trouxe do Brasil folhas e sementes de tabaco\u00bb. At\u00e9 ao final do s\u00e9culo passado a designa\u00e7\u00e3o de \u00aberva santa\u00bb era vulgar\u00edssima na terminologia portuguesa, aduz-nos.<\/p>\n<p>Os portugueses introduziram o tabaco em \u00c1frica, onde as popula\u00e7\u00f5es o receberam e utilizaram. Igual situa\u00e7\u00e3o quando do Brasil chegou \u00e0 \u00cdndia. Por\u00e9m aqui, explica Mendes Ferr\u00e3o, \u00aba cultura n\u00e3o prosperou muito porquanto, numa pol\u00edtica concentrada, reservou-se ao Ocidente a grande responsabilidade da produ\u00e7\u00e3o das especiarias e concentrou-se a produ\u00e7\u00e3o do tabaco no Brasil, que depois entrava no consumo do Oriente atrav\u00e9s da Alf\u00e2ndega de Goa\u00bb.<\/p>\n<p>Fez-se tabaco no Douro a partir de 1884 nos terrenos \u00abonde a vinha foi afectada pela filoxera e o\u00eddio\u00bb. Abandonou-se quando a enxertia em videira americana e o uso de enxofre controlaram aqueles agentes. Proibiu-se em 1927 para mais f\u00e1cil dom\u00ednio fiscal atrav\u00e9s de alf\u00e2ndegas e autorizou-se de novo em 1975, quando o pretexto antes disso t\u00e3o invocado era de que se reservava a Angola e Mo\u00e7ambique o exclusivo do abastecimento do mercado metropolitano. Desapareceu por efeito do abandono dos territ\u00f3rios ultramarinos portugueses.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz<\/p>\n<p>(ex-presidente do Conselho Fiscal e ex-associado da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS \u2013 N\u00e3o uso o dito AOLP. Entendo que a difus\u00e3o atrav\u00e9s da imprensa dos estudos sobre Cam\u00f5es e do seu tempo permitem uma maior divulga\u00e7\u00e3o destes trabalhos acad\u00e9micos e, por via disso, presta-se um servi\u00e7o de interesse p\u00fablico nestes 500 anos de Cam\u00f5es.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica principal desta cr\u00f3nica:<\/p>\n<p>-\u00abPlantas tropicais de que \u2018Os Lus\u00edadas\u2019 n\u00e3o falam\u00bb por J. E. Mendes Ferr\u00e3o, Professor Catedr\u00e1tico do Instituto Superior de Agronomia e Director do Departamento de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias de BCT Tropical em \u00abOs Mares de Cam\u00f5es\u00bb. VI Forum Camoniano. Coordena\u00e7\u00e3o de Manuela de Azevedo. Edi\u00e7\u00f5es Colibri. 2000. Centro Internacional de Estudos Camonianos da ACMCC.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/descobrimentos-portugueses-despoletaram-a-globalizacao-jose-luz\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No seio da vast\u00edssima flora alimentar do continente americano, difundida pelos portugueses no chamado \u00abVelho \u00abMundo\u00bb, h\u00e1 um historial de muitas plantas de import\u00e2ncia crucial na economia e na subsist\u00eancia dessas popula\u00e7\u00f5es e das que se lhes seguiram. Exemplo disso ser\u00e1 o da batata doce. Os portugueses fizeram chegar a batata doce \u00e0 grande comunidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-61526","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61526\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}