{"id":60767,"date":"2024-02-14T16:16:25","date_gmt":"2024-02-14T16:16:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=60767"},"modified":"2024-03-27T11:33:57","modified_gmt":"2024-03-27T11:33:57","slug":"a-gentil-arte-de-fazer-inimigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-gentil-arte-de-fazer-inimigos\/","title":{"rendered":"RICARDO ALVES | A Gentil Arte de Fazer Inimigos"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo desta cr\u00f3nica \u00e9 um embuste. \u00c9 um embuste porque n\u00e3o fui eu a cri\u00e1-lo. Foi uma banda, os Faith No More. \u201cThe Gentle Art of Making Enemies\u201d. Na l\u00edngua inglesa fica sempre bem, j\u00e1 cantava Manuela Azevedo dos Cl\u00e3, uma das melhores (n\u00e3o maiores) bandas portuguesas.<\/p>\n<p>Fazer inimigos \u00e9 muito menos complicado que fazer amigos. Basta pensar. Sim, pensar, indagar, refletir. Depois deste processo, acaba o sol e come\u00e7a a chuva.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma turba de pessoas que est\u00e3o sempre com o dedo no gatilho das suas pr\u00f3prias inseguran\u00e7as. Quando sentem um pensamento independente e, acima de tudo, contr\u00e1rio \u00e0s suas perenes convic\u00e7\u00f5es, disparam com desaforos, amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1, neste nosso Portugal, quem pense que a solu\u00e7\u00e3o para os nossos problemas \u00e9 regressar ao passado. Aquele que n\u00e3o nomeio ou descrevo. Aquele no qual n\u00e3o vivi mas tive a sorte de ter uma fam\u00edlia que me o descreveu e me fez ler sobre o mesmo.<\/p>\n<p>H\u00e1, neste nosso Portugal, uma for\u00e7a pol\u00edtica que, independentemente das asneiras que faz, e s\u00e3o muitas, cresce nas inten\u00e7\u00f5es de voto. E essa for\u00e7a pol\u00edtica, a qual n\u00e3o vou nomear, ainda nem sequer provou o \u201cdoce\u201d sabor do poder.<\/p>\n<p>S\u00e3o asneiras atr\u00e1s de asneiras. Mentiras e aldrabices. Um l\u00edder eterno. Sopranos a comandar surdos.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, crescem.<\/p>\n<p>Asneiras sobre asneiras. Pod\u00edamos trazer \u00e0 baila todos os partidos que n\u00e3o direi o nome. Mas s\u00f3 erra quem tenta fazer. N\u00e3o \u00e9 uma desculpa, \u00e9 a realidade. Grande parte do sucesso dos sopranos que comandam surdos \u00e9 o falhan\u00e7o, ou por outras palavras, o sucesso em fazer asneira.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o entremos t\u00e3o depressa nessa noite escura. O verdadeiro enigma \u00e9 este: como \u00e9 que uma organiza\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o chegou ao poder, que tem tantos problemas internos, que elege autarcas apenas para os perder por desaven\u00e7as, que mente constantemente (constantemente \u00e9 menorizar a realidade), consegue ser a terceira for\u00e7a pol\u00edtica em Portugal e, mais, duplicar a sua presen\u00e7a na Assembleia da Rep\u00fablica, segundo avan\u00e7am as sondagens?<\/p>\n<p>A culpa \u00e9 de todos. Quando deixamos que hajam sauda\u00e7\u00f5es nazis em plena capital, sob o olhar atento de pol\u00edcias em protesto, quando deixamos que deputados sejam declaradamente mis\u00f3ginos e racistas na casa da nossa democracia, quando deixamos que mintam repetidamente e tenham um discurso demag\u00f3gico sem nos sentirmos ofendidos e at\u00e9 dizemos \u201c\u00e9 preciso pulso para estes corruptos\u201d.<\/p>\n<p>Sem dizer nomes. Mas com embustes. Estamos numa fase decisiva deste nosso Portugal. H\u00e1 culpas disparadas certeiramente para todos os lados. Mas, apesar da confus\u00e3o, tenhamos arte para fazer inimigos. Pelo menos sabemos com o que contamos, gentilmente. Pensar, hoje em dia, \u00e9 uma arte. A chuva \u00e9 s\u00f3 uma consequ\u00eancia de um largo per\u00edodo de seca de ideias, comportamentos dignos e auto flagela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 algo de que n\u00e3o devemos abdicar: da verdade. E nessa balan\u00e7a o embuste pesa. Mas s\u00f3 para os cegos. Um viva aos amigos. Cada vez mais raros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-gentil-arte-de-fazer-inimigos\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo desta cr\u00f3nica \u00e9 um embuste. \u00c9 um embuste porque n\u00e3o fui eu a cri\u00e1-lo. Foi uma banda, os Faith No More. \u201cThe Gentle Art of Making Enemies\u201d. 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