{"id":59288,"date":"2023-06-17T13:11:33","date_gmt":"2023-06-17T12:11:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=59288"},"modified":"2023-06-17T13:11:33","modified_gmt":"2023-06-17T12:11:33","slug":"indicios-da-tradicao-de-camoes-em-constancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/indicios-da-tradicao-de-camoes-em-constancia\/","title":{"rendered":"Ind\u00edcios da tradi\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Para alguns investigadores a liga\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es \u00e0 antiga vila de Const\u00e2ncia \u00e9 hist\u00f3rica, isto \u00e9, de facto existiu e aconteceu no s\u00e9culo XVI, na medida em que, por exemplo, o poeta se aparenta, por meio da sua ascend\u00eancia, aos Cam\u00f5es, Senhores de Punhete (designa\u00e7\u00e3o que o ent\u00e3o lugar detinha).<\/p>\n<p>\u00c9 facto assente que em 1373 Dom Fernando doou Punhete ao trisav\u00f4 de Cam\u00f5es, Vasco Pires de Cam\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro facto importante para se entender a eventual liga\u00e7\u00e3o do poeta ao local, ocorreu durante a sua presen\u00e7a em Goa, entre 1553 e 1568. Trata-se do convite que Lu\u00eds de Cam\u00f5es fez ent\u00e3o a uns fidalgos portugueses na \u00cdndia, dirigindo-se a uma pequena nobreza, ligada a Punhete, que naquela altura se encontrava na sede do Estado da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Sobre este assunto, recomenda-se o artigo de M\u00e1rcia Franco, publicado na Revista da rede internacional <em>\u00abElyra\u00bb<\/em>, Outubro, 2014. A autora fundamenta-se tamb\u00e9m na excelente monografia de M\u00aa Clara Pereira da Costa, de 1977.<\/p>\n<p>No fim do s\u00e9culo XVI vivia inclusive em Punhete<em>\u00abMaria Cam\u00f5es\u00bb<\/em> casada com Sebasti\u00e3o Pais, segundo o testamento do padre Manuel Carvalho Barreto, do arquivo da Miseric\u00f3rdia de Const\u00e2ncia. Pelo testamento j\u00e1 referido concluiu a investigadora Maria Clara Costa que: <em>\u00abSebasti\u00e3o Pais estivera em Angola e sua mulher, Maria Cam\u00f5es, teria ido com ele ou, na aus\u00eancia do marido, ficariam em Cabe\u00e7o de Vide em casa de seus pais de onde ent\u00e3o escrevera ao dito padre Manuel Barreto. Ser\u00e1 esta a raz\u00e3o do assento indicar apenas o nome dos filhos, omitindo o do marido\u00bb.<\/em><\/p>\n<p>Em 1592 , Dom Francisco de Almeida, neto da castel\u00e3 de Punhete, Dona Guiomar Freire, foi nomeado Governador de Angola, tendo levado <em>\u00abseiscentos soldados e muita fazenda\u00bb<\/em>. Teria Sebasti\u00e3o Pais acompanhado Dom. Francisco na sua armada?, pergunta a investigadora.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos quando come\u00e7ou a tradi\u00e7\u00e3o oral local do desterro do poeta (se \u00e9 que alguma vez foi desterrado de verdade). A tradi\u00e7\u00e3o oral existiria em 1855 segundo o testemunho do Visconde de Juromenha o qual, na primavera desse ano, no regresso de uma visita a um primo em Alvega, desceu o Tejo num albringel. Relata o Visconde que intentava<em> \u00abfazer uma inspec\u00e7\u00e3o ocular ao s\u00edtio onde se reputa que o poeta, estando desterrado, escreveu algumas das suas composi\u00e7\u00f5es (&#8230;)\u00bb<\/em>. Numa outra passagem da sua obra monumental, o Visconde, referindo-se a Const\u00e2ncia, chega a referir-se \u00e0 <em>\u00abtradi\u00e7\u00e3o que me dizem ali existe\u00bb.<\/em> Parece que desembarcou na vila mas n\u00e3o ter\u00e1 indagado sobre a tradi\u00e7\u00e3o pois ele mesmo afirma: <em>\u00abdesembarquei em Const\u00e2ncia, e subi ao monte elevado (Outeiro da Concei\u00e7\u00e3o, leia-se, anotamos n\u00f3s) que \u00e9 banhado pelo dois rios que ali confluem(&#8230;)\u00bb.<\/em><\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o oral poder\u00e1 ter tido origem na tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria ou vice-versa. Ou poder\u00e3o as duas serem independentes. N\u00e3o sabemos.<\/p>\n<p>Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente (que poder\u00e1 ter nascido em Punhete, segundo uma linha de investiga\u00e7\u00e3o j\u00e1 conhecida), era um suposto amigo de Cam\u00f5es segundo alguns historiadores e colocou a ac\u00e7\u00e3o principal das suas \u00e9clogas junto a Punhete . O investigador Ant\u00f3nio Cirurgi\u00e3o j\u00e1 identificou a Personagem Urbano da obra <em>\u00abLusit\u00e2nia Transformada\u00bb<\/em> com o pr\u00f3prio Cam\u00f5es. Da\u00ed a infer\u00eancia aparentemente l\u00f3gica do desterro para aqui do poeta identificado como Cam\u00f5es. J\u00e1 aflorei este assunto noutras cr\u00f3nicas. Acresce aqui um facto a n\u00e3o descurarmos relativo a Fern\u00e3o \u00c1lvares e que respeita ao \u00abPalmeirim de Inglaterra\u00bb, cuja primeira parte contendo uma novela localizada no castelo de Almourol \u00e9 da autoria de Francisco de Morais. D\u00e1-se o caso da segunda e terceiras partes desta obra andarem atribu\u00eddas quer a Baltasar Gon\u00e7alves Lobato (impressa em 1602) quer ao pr\u00f3prio Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente (obra que ficou in\u00e9dita). A pol\u00e9mica das autorias surgiu pela m\u00e3o de Diogo Barbosa Machado, autor da <em>\u00abBibliotheca Lusitana\u00bb<\/em> ao que consta pois este escritor cat\u00f3lico atribui o mesmo texto aos dois autores. A investigadora Maria Clara Costa, citando Serra Xavier revela-nos que este \u00faltimo resolveu o problema: <em>\u00abcada um dos autores (&#8230;) escreveu a continua\u00e7\u00e3o do Palmeirim, dando-lhe ambos o mesmo t\u00edtulo\u00bb. O problema, segundo Maria Clara, \u00abn\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de resolver\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p>De dif\u00edcil resolu\u00e7\u00e3o parece ser tamb\u00e9m o problema do roubo a Cam\u00f5es da sua obra \u00abParnaso\u00bb escrita em Mo\u00e7ambique. Os plagiatos de certas l\u00edricas de Cam\u00f5es alegadamente apenas descobertas no s\u00e9culo XVII s\u00e3o atribu\u00eddos por exemplo a Fern\u00e3o \u00c1lvares do Oriente&#8230; acusado por alguns de roubar o \u00abParnaso\u00bb a Cam\u00f5es. Roubo contestado \u00e9 certo. Te\u00f3filo Braga andou a tratar deste assunto.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (ex-presidente do Conselho Fiscal da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia)<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/indicios-da-tradicao-de-camoes-em-constancia\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alguns investigadores a liga\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es \u00e0 antiga vila de Const\u00e2ncia \u00e9 hist\u00f3rica, isto \u00e9, de facto existiu e aconteceu no s\u00e9culo XVI, na medida em que, por exemplo, o poeta se aparenta, por meio da sua ascend\u00eancia, aos Cam\u00f5es, Senhores de Punhete (designa\u00e7\u00e3o que o ent\u00e3o lugar detinha). \u00c9 facto assente que em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-59288","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}