{"id":58505,"date":"2023-04-25T18:36:09","date_gmt":"2023-04-25T17:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=58505"},"modified":"2023-04-25T18:36:09","modified_gmt":"2023-04-25T17:36:09","slug":"o-25-de-abril-na-sua-versao-mais-secreta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/o-25-de-abril-na-sua-versao-mais-secreta\/","title":{"rendered":"O 25 de Abril na sua vers\u00e3o mais secreta&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O abandono das popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios ultramarinos consistiu em entregar o poder aos movimentos terroristas que sustentaram a luta armada contra o regime administrante portugu\u00eas. Permitindo a apropria\u00e7\u00e3o do poder por certas ideologias e seus correspondentes dos sistemas totalit\u00e1rios. A descoloniza\u00e7\u00e3o fez-se sem se auscultar a sociedade civil ou seja, contra os seus interesses. No caso de Angola, Rosa Coutinho, pr\u00f3-comunista, armou uma armadilha a Sp\u00ednola (federalista) ao envolver-se em Angola, com o MFA local e ao obter o apoio de cerca de 500 oficiais. Tornando-se um dos protagonistas que iria ditar o rumo do processo sobre o futuro de Angola. Sabemos que em Setembro Sp\u00ednola resignou. E que o seu discurso foi censurado em Angola. A esquerda sabia que s\u00f3 o afastamento de Sp\u00ednola permitiria mudar o plano de descoloniza\u00e7\u00e3o para Angola. Para que a alian\u00e7a MFA-PCP descolonizasse a seu modo&#8230;<\/p>\n<p>No dia do livro aconselhei publicamente a leitura da obra \u00abSegredos da descoloniza\u00e7\u00e3o de Angola\u00bb, da jornalista Alexandra Marques. Recomendo em particular, a leitura da parte sobre o anexo secreto do Acordo de Alvor, a recusa da &#8220;amnistia&#8221;, do tal &#8220;perd\u00e3o&#8221; aos portugueses e administrados em Angola que, no limite, permitia na pr\u00e1tica chacinar os portugueses que estavam ainda em Angola. S\u00f3 acreditei depois de ler. A delega\u00e7\u00e3o do M\u00e1rio Soares acabou por aceitar que os ditos \u00abmovimentos de liberta\u00e7\u00e3o\u00bb n\u00e3o se comprometessem com uma amnistia formal irrevog\u00e1vel e, mais, deram assim carta branca aos ditos movimentos para definir o que eram &#8220;actos criminosos&#8221; alegadamente contra o &#8220;povo angolano&#8221;. M\u00e1rio Soares e os seus, conformaram-se com esta rejei\u00e7\u00e3o E exigiram que n\u00e3o se tornasse p\u00fablica, tendo-a omitido aos jornalistas. N\u00e3o foi lida esta parte do acordo de Alvor. A vers\u00e3o que acabou votada e aprovada em Alvor, em que os ditos movimentos admitem conceder perd\u00e3o a todos os que tivessem integrado organiza\u00e7\u00f5es militares e para-militares, por iniciativa da autoridade colonial, n\u00e3o \u00e9 uma certeza. O que se l\u00ea \u00e9 o seu contr\u00e1rio. Se se admite um perd\u00e3o eventual \u00e9 porque houve crime. E \u00e9 a\u00ed que Portugal \u00e9 delator dos seus. Savimbi exigiu que esta parte, sendo secreta, ent\u00e3o, nunca deveria ser lida. Est\u00e1 bom de ver. Um perd\u00e3o que n\u00e3o o \u00e9 de verdade. Como se poder\u00e1 garantir um perd\u00e3o se o governo seria sempre transit\u00f3rio? E, depois? N\u00e3o havendo lei nem publicidade desse tal eventual perd\u00e3o que garantias ele daria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o? \u00c9 a hipocrisia dos pol\u00edticos no seu melhor. A hist\u00f3ria veio revelar a credibilidade desses tais l\u00edderes africanos. N\u00e3o h\u00e1 clem\u00eancia nem perd\u00f5es. \u00c9 \u00e0 catanada!&#8230; No fundo, ningu\u00e9m confiava em ningu\u00e9m e todos tentavam salvar a face. A diplomacia com terroristas d\u00e1 nestas coisas. E n\u00e3o choca os pol\u00edticos. S\u00f3 nos choca a n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 mau demais! \u00c9 trai\u00e7\u00e3o \u00e0queles que juraram fidelidade a Portugal, enquanto pot\u00eancia administrante. \u00c9 abandonar as popula\u00e7\u00f5es \u00e0 sua sorte. Em nome de que princ\u00edpios?<\/p>\n<p>Este acordo \u00e9 um crime contra a humanidade. Porque ao rejeitarem comprometerem-se publicamente com uma amnistia os ditos movimentos e a delega\u00e7\u00e3o portuguesa rejeitaram precisamente comprometer-se com a Paz. Nem sequer aceitaram comprometer-se formalmente com uma \u00abclem\u00eancia\u00bb geral, a ser publicada.<\/p>\n<p>O Governo portugu\u00eas sa\u00eddo da revolu\u00e7\u00e3o torna-se assim delator dos pr\u00f3prios portugueses, numa clara viola\u00e7\u00e3o do direito internacional. Por n\u00e3o garantir a prote\u00e7c\u00e3o dos direitos do homem atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es e de forma p\u00fablica, v\u00e1lida.<\/p>\n<p>O resultado destes acordos? J\u00e1 se conhece. Uma trag\u00e9dia. A dos retornados e dos refugiados e a trag\u00e9dia da guerra civil.<\/p>\n<p>Se a liberdade de uns implica a morte de milh\u00f5es de africanos nas d\u00e9cadas que se seguiram, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdadeira liberdade.<\/p>\n<p>\u00c9 um engano. A miopia pol\u00edtica revelou-se numa mortandade fratricida. Ainda hoje estamos a pagar a factura. E os africanos? S\u00e3o as principais v\u00edtimas!<\/p>\n<p>O 25 de Abril deu origem a uma trag\u00e9dia pol\u00edtica e social nas col\u00f3nias.<\/p>\n<p>S\u00f3 por puro ego\u00edsmo ou ideologia cega poderemos ignorar as consequ\u00eancias desta aventura para as popula\u00e7\u00f5es ultramarinas.<\/p>\n<p>25 de Abril sempre, apesar de tudo!<\/p>\n<p>Que os erros cometidos sejam motivo para se fazer justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Sempre olhei para a Revolu\u00e7\u00e3o de forma cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A nossa Constitui\u00e7\u00e3o defende a solidariedade entre os povos. E n\u00f3s passamos a vida em almo\u00e7os e discursos a olhar para o umbigo.<\/p>\n<p>Os erros e crimes da descoloniza\u00e7\u00e3o ou secess\u00e3o s\u00e3o mat\u00e9ria independente dos crimes hediondos praticados durante o Estado Novo. Um erro n\u00e3o desculpa ou justifica o outro. M\u00e1rio Soares e Almeida Santos, Jorge Sampaio mais o Cravinho andaram a fazer diplomacia paralela quer a Sp\u00ednola, quer a Costa Gomes. E o que dizer de Rosa Coutinho?<\/p>\n<p>Bem tentam e tentaram defender-se, os ide\u00f3logos de Abril, argumentando que se fez o que foi poss\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que tentam salvar a pele. Desde o in\u00edcio deste processo criminoso que M\u00e1rio Soares rejeitou que as popula\u00e7\u00f5es das col\u00f3nias pudessem exercer o seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Dizia que era \u00abindepend\u00eancia pura e simples\u00bb. Em parte alguma do \u00abPrograma do Movimento das For\u00e7as Armadas\u00bb constava que se iria dar a independ\u00eancia \u00e0s col\u00f3nias. Esse \u00abD\u00bb n\u00e3o estava l\u00e1, como at\u00e9 admitiu \u00c1lvaro Cunhal.<\/p>\n<p>Os milh\u00f5es que morreram nas guerras civis nas antigas col\u00f3nias que se seguiram, merecem mais respeito.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o secreta que tem sido publicada nos \u00faltimos dez anos faz-nos pensar que a prociss\u00e3o ainda vai no adro&#8230;<\/p>\n<p>Marcelo Caetano foi s\u00e1bio e prudente na forma como actuou no dia 25 de Abril.<\/p>\n<p>Sabedoria e prud\u00eancia s\u00e3o compet\u00eancias que aqueles que promoveram o abandono do ultramar j\u00e1 n\u00e3o conseguiram revelar.<\/p>\n<p>Porque estavam comprometidos at\u00e9 \u00e0 ra\u00edz dos cabelos com os protagonistas da guerra fria. N\u00e3o tinham alternativa quanto \u00e0 inevitabilidade da descoloniza\u00e7\u00e3o? Os ingleses conseguiram um modelo alternativo.<\/p>\n<p>Marcelo Caetano tinha em curso solu\u00e7\u00f5es de autonomia e apenas a situa\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9 era a mais preocupante. Mas esse caminho tinha de abortar for\u00e7osamente pois ia contra os interesses geopol\u00edticos das grandes pot\u00eancias&#8230;<\/p>\n<p>Entr\u00e1mos para a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O mundo mudou. Mudaria sempre<\/p>\n<p>Quando se compara o Portugal do 24 de Abril com o que se lhe seguiu, v\u00eam \u00e0 baila as estat\u00edsticas da escolaridade e da taxa de natalidade e, claro, a liberdade, a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Nesta marcha da hist\u00f3ria, n\u00e3o temos como negar que era preciso uma nova ordem para os territ\u00f3rios ultramarinos e direitos dos povos.<\/p>\n<p>O sistema pol\u00edtico estava cansado. O pa\u00eds j\u00e1 n\u00e3o conseguia suportar a guerra, em particular na Guin\u00e9. Dessem ent\u00e3o a palavra aos povos.<\/p>\n<p>Tinha havido v\u00e1rias tentativas de alterar a situa\u00e7\u00e3o e era uma quest\u00e3o de tempo, dizem&#8230;<\/p>\n<p>Ainda assim, nada justifica a trag\u00e9dia do abandono do ultramar. S\u00f3 na Guin\u00e9 o Governo de Portugal dito revolucion\u00e1rio ter\u00e1 permitido que se fuzilassem cerca de 600 comandos. Abandonou-os \u00e0 sua sorte. Enganou-os.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o pessoas que me relataram que os batedores dos l\u00edderes apareciam nas estradas \u00ablimpavam\u00bb toda a gente com rajadas para que a zona ficasse \u00ablimpa\u00bb para os chefes dos ditos \u00abmovimentos de liberta\u00e7\u00e3o\u00bb passarem de seguida em seguran\u00e7a&#8230; Um verdadeiro terror. Nas negocia\u00e7\u00f5es dos tais \u00abacordos de liberta\u00e7\u00e3o\u00bb os ditos movimentos exigiram que n\u00e3o houvesse \u00abbrancos\u00bb no novo governo transit\u00f3rio. S\u00f3 quem n\u00e3o viu e ouviu falar os retornados \u00e9 que pode ignorar o drama que muitos viveram nesta fase.<\/p>\n<p>N\u00e3o se podia evitar o processo de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Por\u00e9m, a forma seguida veio revelar que a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava preparada nem \u00e0 altura das exig\u00eancias. Prepararam muito bem os primeiros dias da revolu\u00e7\u00e3o mas esqueceram-se de preparar as \u00abaulas\u00bb at\u00e9 ao final do curso&#8230;<\/p>\n<p>Dir\u00e3o que nesta situa\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m estaria sempre a contento de todos . E que os protagonistas fizeram o seu melhor e que n\u00e3o havia outros&#8230;<\/p>\n<p>Os documentos recentemente desclassificados pelos EUA tamb\u00e9m revelam muitas mentiras e incompet\u00eancia dos protagonistas portugueses de ent\u00e3o. E oportunismo. Pessoal e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O Ver\u00e3o quente marcou os territ\u00f3rios pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Viu-se bem que mais do que querer a liberdade para o povo o que queriam era impor o caminho do socialismo \u00e0 sociedade. Que n\u00e3o redundaria propriamente em liberdade.<\/p>\n<p>49 anos depois de Abril continuamos a desconhecer a motiva\u00e7\u00e3o de muitos comportamentos. \u00c9 essa a parte sinistra de Abril de que n\u00e3o gosto.<\/p>\n<p>Suspeito que a liberdade \u00e9 um mero slogan.<\/p>\n<p>Todos os dias nos cerceiam a liberdade. Temos na pol\u00edtica um bando de oportunistas. Saem uns e entram os seus descendentes&#8230;<\/p>\n<p>Depois de ser eleitos, os pol\u00edticos, acomodam-se e fragilizam as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o gosto dos gajos e pronto!<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS &#8211; n\u00e3o uso o AOLP<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/o-25-de-abril-na-sua-versao-mais-secreta\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abandono das popula\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios ultramarinos consistiu em entregar o poder aos movimentos terroristas que sustentaram a luta armada contra o regime administrante portugu\u00eas. 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