{"id":58111,"date":"2023-04-05T11:55:16","date_gmt":"2023-04-05T10:55:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=58111"},"modified":"2023-04-05T11:55:16","modified_gmt":"2023-04-05T10:55:16","slug":"marcelo-o-prestidigitador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/marcelo-o-prestidigitador\/","title":{"rendered":"Marcelo o prestidigitador&#8230;\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Talvez imitando Hor\u00e1cio, ou mesmo C\u00edcero, qui\u00e7\u00e1, Marcelo, O Presidente, \u00a0n\u00e3o se tem coibido nos \u00faltimos anos de recorrer ao cl\u00e1ssico conceito exposto por Erasmo em &#8220;Ad\u00e1gios&#8221;, assim tergiversando pensamentos \u00a0que n\u00e3o raro, parecem desconhecer\/esquecer a alma lusitana (?). Onde h\u00e1 pouco sobrepujava o cristianismo parece abundar agora o isl\u00e3o?&#8230; Que seja ent\u00e3o uma met\u00e1fora para iludir o pragmatismo marcelista, dir\u00e3o os mais condescendentes&#8230;<\/p>\n<p>Ao ter recorrido a Fernando Pessoa para justificar o seu elogio ao isl\u00e3o, afinal, o &#8220;fundo da alma portuguesa\u00bb, o Chefe de Estado permitiu-se ir bastante longe no ent\u00e3o cinquenten\u00e1rio da CIL \u2013 Comunidade Isl\u00e2mica de Lisboa, chegando mesmo<\/p>\n<p>a atribuir ao isl\u00e3o \u00abpor excel\u00eancia\u00bb, \u00abos valores humanistas\u00bb. O prestidigitador espantara a audi\u00eancia. Ontem era o cristianismo personalista, afinal, a origem desses mesmos valores. \u00abO Estado e a Na\u00e7\u00e3o devem muit\u00edssimo ao Portugal crist\u00e3o\u00bb \u00a0ditava da \u00a0sua c\u00e1tedra na Aula Magna \u00a0comentando o livro \u00abPortugal cat\u00f3lico\u00bb, talvez recordando-se da sua participa\u00e7\u00e3o na Assembleia Constituinte (interven\u00e7\u00f5es que uma aturada pesquisa \u00a0que intentei aos di\u00e1rios oficiais \u00a0em tempos, me suscitaram e agu\u00e7aram\u00a0 o interesse e a curiosidade mortais).<\/p>\n<p>H\u00e1 cem anos Pessoa (que ter\u00e1 inspirado por escassos momentos, Marcelo) havia escrito em &#8220;Ib\u00e9ria&#8221;: &#8220;vinguemos a derrota que os do norte infligiram aos \u00e1rabes nossos maiores. Expiemos o crime que cometemos, expulsando da pen\u00ednsula os \u00e1rabes que a civilizaram&#8221;. Pessoa escreveu que chegou a ter pavor pelo \u00abmist\u00e9rio\u00bb dos ideais da teosofia. E demonstrou um certo apre\u00e7o pela \u00abrevela\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica\u00bb, dita sint\u00e9ctica e integrante, no fundo, uma aparente mensagem \u00fanica e coerente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s revela\u00e7\u00f5es anteriores&#8230;<\/p>\n<p>S\u00e3o not\u00f3rias em Pessoa as influ\u00eancias de Annie Besant, \u00a0mormente, dos ideais da teosofia. Numa carta dirigida a M\u00e1rio de S\u00e1 Carneiro, a sua alma g\u00e9mea, Pessoa parece comparar a teosofia \u00a0&#8211; a qual diz admitir todas as religi\u00f5es \u2013 a uma esp\u00e9cie de \u00abPante\u00e3o\u00bb. \u00abEureka!\u00bb. Marcelo ter\u00e1 lido esta carta? Marcelo devorou esta carta! Marcelo que para citar Pessoa teve de ler umas coisas sobre o assunto &#8211; comendo umas sandes de queijo pela noite dentro &#8211; funda deste modo a sua interven\u00e7\u00e3o sobre a liberdade religiosa com todo este enquadramento? \u00c9 poss\u00edvel \u00a0at\u00e9 encontrar aqui uma linha de investiga\u00e7\u00e3o do pensamento marcelista\u2026<\/p>\n<p>Um facto curioso para o \u00abcaso pensado\u00bb do nosso Marcelo ecum\u00e9nico. Numa obra de Espronceda, Pessoa ter\u00e1 colocado um tra\u00e7o lateral numa frase sobre o exerc\u00edcio da chamada \u00abtoler\u00e2ncia religiosa\u00bb exercida pelos \u00e1rabes para com os crist\u00e3os aquando da invas\u00e3o da pen\u00ednsula em 711. Como \u00e9 sabido os crist\u00e3os pagariam um m\u00f3dico tributo, acreditava Pessoa, &#8221; em absoluta liberdade para praticar a sua religi\u00e3o &#8220;. A hist\u00f3ria e a investiga\u00e7\u00e3o ocidentais j\u00e1 provaram \u00e0 saciedade que a argumenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede. A fronteira entre a \u00abtoler\u00e2ncia\u00bb (esta j\u00e1 de si muito fr\u00e1gil) e a viol\u00eancia dependiam mais da vontade do detentor da for\u00e7a e da autoridade, isto \u00e9, das armas, do que propriamente de um \u00abHomem novo\u00bb sa\u00eddo da nova revela\u00e7\u00e3o ou de qualquer religi\u00e3o\/filosofia ou teosofia\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 de mestre.\u00a0 Marcelo remata a sua interven\u00e7\u00e3o na CIL com a evoca\u00e7\u00e3o da nossa carta magna \u00abonde cabem todas as religi\u00f5es em s\u00e3o ecumenismo\u00bb e, sem citar o \u00ablivro\u00bb do anfitri\u00e3o, faz uma religi\u00e3o maior do que outras, do que a sua, ainda que <em>en passant\u2026 <\/em>No essencial \u00e9 isto: \u00e9 preciso maximizar o potencial inato das mensagens \u00a0que se passam para a imprensa. Por\u00e9m, \u00e0 mulher de C\u00e9sar, n\u00e3o basta parecer\u2026<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da cultura \u00e1rabe-islamica em Pessoa ter\u00e1, por conseguinte, influenciado Marcelo\u00a0 ao imerecido elogio do isl\u00e3o. Mas s\u00f3 por alguns momentos. Ao ponto de esquecer por umas horas os valores personalistas crist\u00e3os anteriores ao pr\u00f3prio isl\u00e3o que &#8220;ontem&#8221; afirmava estarem indelevelmente associados \u00e0 nossa alma lusitana.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel a contribui\u00e7\u00e3o do isl\u00e3o na propaga\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de rega, da b\u00fassola, do papel e do aumento do pomar na pen\u00ednsula. Ant\u00f3nio Borges Coelho em &#8220;Portugal na Espanha \u00c1rabe&#8221;, 1973, sobrevaloriza o papel dos \u00e1rabes e outros povos incursionistas na transmiss\u00e3o dos cl\u00e1ssicos gregos na difus\u00e3o da filosofia. \u00c9 \u00a0uma vis\u00e3o parcial. N\u00f3s sabemos que aquando da invas\u00e3o \u00e1rabe da pen\u00ednsula em 711 j\u00e1 existia uma igreja organizada com grande vitalidade. Em 180 j\u00e1 havia not\u00edcia de igrejas por aqui segundo Irineu de Le\u00e3o. No s\u00e9culo lll havia comunidades crist\u00e3s instaladas. A organiza\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica produziu conc\u00edlios: Elvira (300-303), Toledo (400, com tr\u00eas bispos da Lusit\u00e2nia), Braga (561). E com Recaredo houve grande convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula poder\u00edamos recorrer a t\u00edtulo de exemplo: Carta aos Romanos, Carta de S\u00e3o Clemente Romano, excerto do C\u00e2none de Muratori, poema lit\u00fargico do Beato de Lieb\u00e1ne.<\/p>\n<p>A alma crist\u00e3, fundo da alma lusitana vai continuar perene na nossa hist\u00f3ria, apesar do Canto Marcelista da Palin\u00f3dia\u2026<\/p>\n<p>Sete s\u00e9culos de crescimento do cristianismo, ainda hoje s\u00e3o os alicerces fundantes da nossa matriz crist\u00e3.<\/p>\n<p>Temos pena!<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS \u2013 n\u00e3o uso o dito AOLP<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/marcelo-o-prestidigitador\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez imitando Hor\u00e1cio, ou mesmo C\u00edcero, qui\u00e7\u00e1, Marcelo, O Presidente, \u00a0n\u00e3o se tem coibido nos \u00faltimos anos de recorrer ao cl\u00e1ssico conceito exposto por Erasmo em &#8220;Ad\u00e1gios&#8221;, assim tergiversando pensamentos \u00a0que n\u00e3o raro, parecem desconhecer\/esquecer a alma lusitana (?). 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