{"id":54088,"date":"2022-09-23T12:27:48","date_gmt":"2022-09-23T11:27:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=54088"},"modified":"2022-09-27T15:54:32","modified_gmt":"2022-09-27T14:54:32","slug":"no-agrupamento-de-escolas-cidade-do-entroncamento-a-sociedade-das-nacoes-aterrou-nas-nossas-salas-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/no-agrupamento-de-escolas-cidade-do-entroncamento-a-sociedade-das-nacoes-aterrou-nas-nossas-salas-de-aula\/","title":{"rendered":"No Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento | A Sociedade das Na\u00e7\u00f5es aterrou nas nossas salas de aula"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do atual ano letivo, no conjunto global das escolas b\u00e1sicas e da secund\u00e1ria, mais o agregado de jardins-de-inf\u00e2ncia existentes, estavam matriculados no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento (AECE) 2854 alunos, dos quais 474 eram estrangeiros, e correspondentes a 23 nacionalidades distintas. A informa\u00e7\u00e3o foi-nos prestada por Am\u00e9lia Vitorino, a diretora do agrupamento, sublinhando que, comparando com o ano letivo de 2019\/2020, que registou a matr\u00edcula de 192 alunos estrangeiros, o acr\u00e9scimo destes estudantes foi de cerca de 150 por cento. Entre as nacionalidades mais presentes no novo perfil da popula\u00e7\u00e3o escolar do Entroncamento, e para al\u00e9m, naturalmente, da portuguesa, contam-se a brasileira, a mais representativa, seguindo-se a angolana e a ucraniana, e depois, em menor n\u00famero, os jovens do Nepal, Moldova, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau e mais de dezena e meia de outras origens. Cada turma das escolas p\u00fablicas da cidade, tal como o agrupamento, tal como a pr\u00f3pria cidade ferrovi\u00e1ria do Entroncamento, converteram-se de uma forma abrupta nos \u00faltimos anos numa Sociedade das Na\u00e7\u00f5es. Poder-se-\u00e1 considerar que \u00e9 a globaliza\u00e7\u00e3o em marcha e a todo o vapor, um sinal dos tempos e do mundo, mas nas escolas, e para al\u00e9m dos poblemas mais comuns e quotidianos, isso traz, enormes e in\u00e9ditas dificuldades acrescidas e nem sempre de resolu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil para os professores e os pr\u00f3prios alunos.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar, em abstrato, que numa turma de 25 jovens da cidade, haja cerca de 15 portugueses, incluindo duas ou tr\u00eas crian\u00e7as de alguma etnia e alguma necessidade espec\u00edfica, tr\u00eas brasileiros oriundos do Rio de Janeiro, do Nordeste ou da Amaz\u00f3nia, dois ucranianos, dois angolanos, e mais um ou outro menino ou menina da \u00cdndia, da China e do Nepal. Claro que h\u00e1 problemas de l\u00edngua, de comunica\u00e7\u00e3o, de ra\u00e7as, mas tamb\u00e9m de usos e costumes, mentalidades, e eventualmente de se irem acentuar as desigualdades naturais e de variada ordem. Uma das bandeiras da Escola em Portugal (e h\u00e1 de ser para consumo interno e tamb\u00e9m para as comunidades imigrantes, que provavelmente ser\u00e3o parte do nosso futuro como pa\u00eds, mas isso \u00e9 outro assunto e outra conversa) \u00e9 a de desejar e at\u00e9 dar prioridade \u00e0 integra\u00e7\u00e3o, \u00e0 inclus\u00e3o, \u00e0 inser\u00e7\u00e3o e ao melhor acolhimento dos seus alunos. Todos. Mas \u00e9 indiscut\u00edvel que dos ideais e da teoria \u00e0 realidade da sala de aula vai por vezes uma diferen\u00e7a que mata as ilus\u00f5es, e essa diferen\u00e7a manifesta-se logo \u00e0 primeira oportunidade. H\u00e1 que registar ainda que nestas diferen\u00e7as no AECE se devem incluir as 233 crian\u00e7as e alunos com necessidades educativas especiais e jovens com problemas de vis\u00e3o mais ou menos graves, e mais outros abrangidos no espetro do autismo, sendo de salientar que o AECE se preparou j\u00e1 devidamente para ambos os casos, constituindo-se como escola de refer\u00eancia no \u00e2mbito da vis\u00e3o, e como unidade de apoio ao autismo, com professores de educa\u00e7\u00e3o especial preparados para ajudar os alunos autistas e de baixa vis\u00e3o. E, por outro lado, a multiculturalidade est\u00e1 bem patente tamb\u00e9m no pr\u00f3prio Plano Anual do Atividades do agrupamento.<\/p>\n<p>\u201cEstamos preparados para a nova situa\u00e7\u00e3o e para as dificuldades que vai criar. H\u00e1 professores de Portugu\u00eas L\u00edngua N\u00e3o Materna nas escolas, e est\u00e3o previstos apoios; e h\u00e1 o desdobramento de turmas e a coadjuva\u00e7\u00e3o de professores, entre outras medidas em implementa\u00e7\u00e3o\u201d, refere Am\u00e9lia Vitorino, notando que o problema das l\u00ednguas \u00e9 mais marcante em rela\u00e7\u00e3o aos jovens provenientes da Ucr\u00e2nia, 24 alunos que frequentam desde o ensino pr\u00e9-escolar ao secund\u00e1rio. Am\u00e9lia Vitorino nota que h\u00e1 um conjunto de medidas, planos e estrat\u00e9gias capazes de dar resposta, na medida do que \u00e9 poss\u00edvel, \u00e0s necessidades particulares dos alunos estrangeiros. \u201cTemos previsto o refor\u00e7o das das aprendizagens, equipas multidisciplinares, um n\u00famero de professores alargado para as necessidades educativas, uma psic\u00f3loga cl\u00ednica para problemas socioemocionais, uma animadora sociocultural e capaz de ajudar ao sucesso dos alunos e a reduzir o abandono escolar\u201d, afirma Am\u00e9lia Vitorino, notando ainda as dilig\u00eancias j\u00e1 efetuadas pela dire\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito da multiculturalidade, para o agrupamento ser apoiado pelo Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es, referindo-se aqui o caso de Francisco Oliveira Neves, atual diretor do Departamento de Apoio \u00e0 Integra\u00e7\u00e3o e Valoriza\u00e7\u00e3o da Diversidade, ter sido tamb\u00e9m durante alguns anos o diretor do AECE e conhecedor da realidade escolar do Entroncamento.<\/p>\n<p>\u201cA dire\u00e7\u00e3o e eu, enquanto diretora, continuaremos a contar com todos para o sucesso educativo e para a promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a, e isso \u00e9 cada vez mais verdade\u201d, salienta a diretora, que sublinha ainda os apoios que o AECE tem recebido da C\u00e2mara do Entroncamento (com uma equipa multidisciplinar para a integra\u00e7\u00e3o de etnias e apois diversos, como o transporte de alunos), as juntas de freguesia de Nossa Senhora de F\u00e1tima e de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista e o pr\u00f3prio Centro de Ensino e Recupera\u00e7\u00e3o do Entroncamento.<\/p>\n<p>O agrupamento debate-se ainda com as dificuldades causadas pela impossibilidade de, por motivos da falta de seguran\u00e7a da estrutura do edif\u00edcio, n\u00e3o poder usar o Jardim de Inf\u00e2ncia Sophia de Mello Breyner, fazendo concentrar as crian\u00e7as do pr\u00e9-escolar nas escolas Ant\u00f3nio Gede\u00e3o, da Zona Verde e do Bonito. Am\u00e9lia Vitorino frisa ainda o papel positivo desenvolvido pelas cinco associa\u00e7\u00f5es de pais do AECE, onde, na Escola EB 2\/3 Dr. Ruy d\u2019Andrade, come\u00e7a j\u00e1 a ser not\u00f3ria a press\u00e3o do n\u00famero de utilizadores no refeit\u00f3rio, onde num dia de maior aflu\u00eancia da \u00faltima semana foram servidas 315 refei\u00e7\u00f5es, n\u00famero bastante superior ao da m\u00e9dia di\u00e1ria do ano letivo anterior.<\/p>\n<p>O impacto escolar devido ao grande e s\u00fabito aumento do n\u00famero de alunos estrangeiros no AECE \u00e9, adiante-se, um natural reflexo do pr\u00f3prio aumento da popula\u00e7\u00e3o proveniente de outros pa\u00edses e que, entre o princ\u00edpio deste ano e o final de agosto, era determinado por 826 novas pessoas imigrantes. \u00c9 claro que a multiculturalidade que chegou \u00e0 cidade do Entroncamento, e a tornou quase instantaneamente num burgo mais cosmopolita, \u00e9 em si um fen\u00f3meno positivo, favor\u00e1vel e bem-vindo, \u00e9 sempre um fator de enriquecimento cultural e pessoal de todos, e ainda mais os jovens em idade escolar e mais perme\u00e1veis e pl\u00e1sticos a novas e diferentes formas de ver o mundo, sobretudo o do futuro. Mas causa mais apreens\u00e3o a forma t\u00e3o s\u00fabita e em grande escala a que tudo est\u00e1 a suceder, n\u00e3o havendo lugar a uma lenta e gradual assimila\u00e7\u00e3o cultural e at\u00e9 \u00e9tnica de todas as partes. De quem estava e de quem chega. \u00c9 um grande desafio que os cidad\u00e3os do Entroncamento, incluindo naturalmente os nossos novos concidad\u00e3os.<\/p>\n<p>E \u00e9 tamb\u00e9m um grande desafio para as escolas, para os professores e professoras (que h\u00e3o de criar decerto novas formas de ensinar e que a realidade concreta os ajudar\u00e1 a descobrir), para as pr\u00f3prias autarquias, e outras institui\u00e7\u00f5es com responsabilidades culturais para desenvolver o cimento capaz de garantir uma coes\u00e3o social em moldes diferentes dos mais convencionais. Os dados est\u00e3o lan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Manuel Fernandes Vicente<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/no-agrupamento-de-escolas-cidade-do-entroncamento-a-sociedade-das-nacoes-aterrou-nas-nossas-salas-de-aula\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do atual ano letivo, no conjunto global das escolas b\u00e1sicas e da secund\u00e1ria, mais o agregado de jardins-de-inf\u00e2ncia existentes, estavam matriculados no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento (AECE) 2854 alunos, dos quais 474 eram estrangeiros, e correspondentes a 23 nacionalidades distintas. A informa\u00e7\u00e3o foi-nos prestada por Am\u00e9lia Vitorino, a diretora do agrupamento, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":54089,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[26,70,32],"tags":[],"class_list":["post-54088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entroncamento","category-mais-noticias","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54088\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}