{"id":53557,"date":"2022-08-27T16:28:13","date_gmt":"2022-08-27T15:28:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=53557"},"modified":"2022-08-30T17:56:05","modified_gmt":"2022-08-30T16:56:05","slug":"manuel-fernandes-vicente-o-entroncamento-tem-mais-826-estrangeiros-desde-janeiro-e-nao-sei-se-isto-nao-esta-a-mudar-rapidamente-demais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-o-entroncamento-tem-mais-826-estrangeiros-desde-janeiro-e-nao-sei-se-isto-nao-esta-a-mudar-rapidamente-demais\/","title":{"rendered":"MANUEL FERNANDES VICENTE | O Entroncamento tem mais 826 estrangeiros desde janeiro e n\u00e3o sei se isto n\u00e3o est\u00e1 a mudar rapidamente demais\u2026"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1176\" aria-describedby=\"caption-attachment-1176\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1176\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelVicente.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"228\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1176\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Fernandes Vicente manuelvicente@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por vezes os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o mais que n\u00fameros. S\u00f3 isso mesmo. \u00c9 um tru\u00edsmo amplamente reconhecido e aceite. E tamb\u00e9m \u00e9 plaus\u00edvel admitir que deviam contar menos do que os seres humanos, embora seja o contr\u00e1rio o que infelizmente mais sucede e se pratica. Mas quando os n\u00fameros s\u00e3o sobre pessoas, e estas pela sua dimens\u00e3o e natureza s\u00e3o nossos concidad\u00e3os, o caso deve dar para refletir com tempo, seriedade e alguma proa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre o in\u00edcio deste ano e a passada quinta-feira, 25 de agosto, o n\u00famero de pessoas estrangeiras que passaram a viver no Entroncamento (ou aqui foram registados pela primeira vez) foi de 826, \u00e9 este o n\u00famero de novos residentes da cidade \u2013 469 novos habitantes estrangeiros de 17 nacionalidades distintas na freguesia de Nossa Senhora de F\u00e1tima (NSF), e 357 de nove nacionalidades na freguesia de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista (SJB). Nesta freguesia do sul da cidade, a nacionalidade brasileira \u00e9 a mais representada (s\u00e3o 251 pessoas), seguindo-se, pelo n\u00famero de cidad\u00e3os j\u00e1 residentes, os angolanos (56), ucranianos (12), caboverdianos (sete), da Guin\u00e9-Bissau (sete), indianos (seis), colombianos (tr\u00eas), de S\u00e3o Tom\u00e9 (um) e da China (tamb\u00e9m um). Apesar de n\u00e3o dispormos de informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas da freguesia de NSF, \u00e9 plaus\u00edvel que o perfil destes cidad\u00e3os de outros pa\u00edses d\u00ea igualmente a predomin\u00e2ncia a cidad\u00e3os oriundos do grande pa\u00eds-irm\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, seguindo-se naturais dos Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa (PALOP), da Ucr\u00e2nia (na vaga de solidariedade da Europa depois da invas\u00e3o russa do pa\u00eds), e de outras origens. \u00c9 de acrescentar que estes s\u00e3o apenas os registos nas freguesias ao longo deste 2022. Outros ter\u00e3o efetuado os seus registos em anos anteriores, e outros ainda simplesmente residem na cidade e trabalham nela, ou fora dela, mas n\u00e3o est\u00e3o registados como tal. Se seguirem as estimativas e proje\u00e7\u00f5es que se fazem para o pa\u00eds, ser\u00e3o outros tantos. Rui Maur\u00edcio explica e esclarece o caso pela circunst\u00e2ncia de que a maioria destes novos entroncamentenses s\u00f3 procuram as juntas quando precisam de algum atestado ou documento indispens\u00e1veis para recorrerem \u00e0 frequ\u00eancia das escolas e dos centros de sa\u00fade e servi\u00e7os m\u00e9dicos ou outros, incluindo os de finan\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da junta de SJB, Rui Maur\u00edcio, o Entroncamento tornou-se um \u00edman de atra\u00e7\u00e3o de comunidades que escolheram Portugal para viver por duas raz\u00f5es fortes, convergentes e conjugadas. Por um lado, a cidade tem uma boa oferta de casas dispon\u00edveis e baratas, e os arrendamentos tamb\u00e9m est\u00e3o longe de ter os custos exorbitantes que se verificam noutros m\u00e9dios e grandes centros urbanos; e, por outro lado, a facilidade de desloca\u00e7\u00e3o nos caminhos de ferro do Entroncamento para Lisboa e toda a regi\u00e3o envolvente de capital foi ainda catapultada nos anos mais recentes pela consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos passes para viagens de comboio, o que estimulou bastante o bin\u00f3mio \u201ctrabalhar em Lisboa\/ residir no Entroncamento\u201d, o que os custos baixos das resid\u00eancias e dos transportes permitem.<\/p>\n<p>Um elevado n\u00famero de cidad\u00e3os opta mesmo pela compra de casa no Entroncamento e, n\u00e3o trabalhando na \u00c1rea Metropolitana de Lisboa, \u00e9 tamb\u00e9m comum que, com a resid\u00eancia na nossa cidade ferrovi\u00e1ria, optem por trabalhar em Torres Novas ou Tomar \u2013 e, antecipando-me um pouco, futuramente em Vila Nova da Barquinha, onde est\u00e1 previsto que, at\u00e9 ao final deste ano, algumas unidades industriais a criar gerar\u00e3o 500 novos empregos diretos (e possivelmente um n\u00famero semelhante de postos de trabalho indiretos).<\/p>\n<p>\u00c9 claro que todo este acr\u00e9scimo populacional na cidade, bem vis\u00edvel e evidente sobretudo nas ruas e pra\u00e7as de maior com\u00e9rcio, servi\u00e7os e centralidade, mudou o rosto do Entroncamento, transformado-o numa Babel de l\u00ednguas, num cosmos de culturas e condi\u00e7\u00f5es, e numa paleta de cores e de religi\u00f5es (sim, e s\u00e3o muitos j\u00e1 os templos de distintas f\u00e9s, credos e esperan\u00e7as que substitu\u00edram locais onde outrora prosperaram alfaiatarias, livrarias, sapatarias e os com\u00e9rcios tradicionais). Num curto per\u00edodo de tempo, que em rigor vem j\u00e1 de h\u00e1 uns anos para c\u00e1, o Entroncamento n\u00e3o s\u00f3 mudou como parece ter-se transfigurado, deixando para tr\u00e1s os ses tra\u00e7os paroquianos e familiares, onde quase todos se conheciam \u2013 e havia figuras de refer\u00eancia que todos conheciam e (quase) todos admiravam \u2013 para ser um espa\u00e7o cosmopolita, onde impera a indiferen\u00e7a e \u00e9 extraordin\u00e1ria a quantidade de pessoas desconhecidas com que nos cruzamos, e de idiomas nas pedovias, nalgum caf\u00e9 ou em esplanadas, que nos s\u00e3o completamente estranhos e bizarros.<\/p>\n<p>D\u00e1-se o caso de ainda h\u00e1 poucos dias eu estar com um amigo numa esplanada da cidade com um magn\u00edfico lago polivalente que serve de bebedouro a c\u00e3es, gatos, pombos e toda a esp\u00e9cie de passarada, e de palco para banhos a crian\u00e7as e at\u00e9 a rapazolas que ali saltam gritam, se encharcam, e encharcam quem nas mesas tranquilamente bebe um caf\u00e9 ou uma caneca de cerveja com os amigos. Acontece que numa das mesas mais pr\u00f3ximas convivia animadamente um grupo de cinco jovens adultos quase de certeza indianos (n\u00e3o foi pela l\u00edngua que os identifiquei, pois n\u00e3o falavam em ingl\u00eas como \u00e9 habitual nas suas lojas de telem\u00f3veis, mas, deduzi sem qualquer rigor, pois s\u00e3o 1200 os idiomas que ornamentam o vasto pato\u00e1 do seu subcontinente). O caso n\u00e3o correu bem, pois os reparos dos indianos n\u00e3o foram aceite, os fedelhos abriam os bra\u00e7os, e gritavam com pretensa inoc\u00eancia:<\/p>\n<p>\u2212 Eu n\u00e3o <em>ti entiendo<\/em>!&#8230;<\/p>\n<p>E continuavam nas suas atividades hidr\u00e1ulicas e n\u00e1uticas fazendo saltar len\u00e7\u00f3is de \u00e1gua do lago sobre as mesas circundantes, agora j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 dos jovens indianos (que abanavam as cabe\u00e7as e acabaram por abandonar a mesa com as imperiais estragadas com a \u00faltima chapada de \u00e1gua), como tamb\u00e9m de nativos de outros subcontinentes, como o sul-americano, com um grupo de brasileiras a manifestar-se \u00e0 moda do nordeste, e o europeu, com tr\u00eas mulheres ucranianas a pronunciaram os que ter\u00e3o sido supostamente os mais genu\u00ednos improp\u00e9rios do seu vern\u00e1culo, at\u00e9 que por fim os pirralhos l\u00e1 foram chamados por quem de direito, mas j\u00e1 com um sabor a muito retardado.<\/p>\n<p>E h\u00e1 realmente epis\u00f3dios do dia a dia bastante pitorescos, sendo os supermercados, quais catedrais dos tempos modernos, <em>habitats<\/em> bem apetrechados e adequados para alguns acontecimentos. Ainda esta semana, na fila para a caixa de pagamento, a Babel de l\u00ednguas gerada foi fascinante, desde os mais efusivos crioulos africanos, \u00e0s espantosas <em>nuances<\/em> de sotaques da l\u00edngua de Cam\u00f5es e ao ingl\u00eas de um casal de nepaleses (sim, e de Katmandu, a capital dos <em>hippies<\/em>) que procuravam a conta certa em euros para pagar os seus consumos. \u00c0 minha frente um gigante africano exibia umas vestes coloridas, onde despontava um manto azul de cetim, raiado de exuberantes tons vermelhos e amarelos, mais pr\u00f3prios de algum sumo sacerdote indiano num cerimonial ou de um extraterrestre que de um simples humano com as mesmas car\u00eancias que todos os outros desgra\u00e7ados. A rapariga da caixa tamb\u00e9m, falava um expressivo portugu\u00eas de Minas Gerais, e atr\u00e1s de mim uma discreta e tranquila chinesa, come\u00e7o a sentir que estou a precisar de mudar alguns circuitos neuronais para a nova cidadania que j\u00e1 ondula por a\u00ed, mas se me congratulo por tanta cor e idiomas, tamb\u00e9m lamento o mundo tradicional que se est\u00e1 a perder todos os dias, temendo que no final n\u00e3o fique coisa nenhuma.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-o-entroncamento-tem-mais-826-estrangeiros-desde-janeiro-e-nao-sei-se-isto-nao-esta-a-mudar-rapidamente-demais\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por vezes os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o mais que n\u00fameros. 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