{"id":48091,"date":"2022-03-08T04:32:41","date_gmt":"2022-03-08T04:32:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=48091"},"modified":"2022-04-18T17:29:56","modified_gmt":"2022-04-18T16:29:56","slug":"rui-madeira-pomba-branca-pomba-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/rui-madeira-pomba-branca-pomba-branca\/","title":{"rendered":"RUI MADEIRA | Pomba branca, pomba branca&#8230;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_47029\" aria-describedby=\"caption-attachment-47029\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-47029\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Rui_Madeira1.jpeg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"259\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-47029\" class=\"wp-caption-text\">Rui Madeira<br \/>rui.madeira@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00d3rbita Russa<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 for\u00e7a bra\u00e7al de martelo e picareta, o Muro de Berlim desabou em 1989, seguindo-se a surpreendente implos\u00e3o &#8211; no in\u00edcio dos anos 90 &#8211; da imperial Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS), feita em papas num nada. Estes acontecimentos desencadearam uma bomb\u00e1stica rea\u00e7\u00e3o em cadeia, causando irrepar\u00e1veis fissuras na Cortina de Ferro.<\/p>\n<p>A cis\u00e3o levou \u00e0 independ\u00eancia das 14 na\u00e7\u00f5es da ex-URSS, incluindo a Ucr\u00e2nia, o segundo maior pa\u00eds europeu &#8211; em termos territoriais &#8211; depois da R\u00fassia. A consequente ebuli\u00e7\u00e3o tornou-se escaldante e derreteu a glacial Guerra Fria. Num \u00e1pice, o Pacto de Vars\u00f3via evaporou-se no \u00e9ter e, desde ent\u00e3o, n\u00e3o deixou saudades. Depressa a foice e o martelo foram descartados para as prateleiras do v\u00e3o da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas nem tudo foi mau. Afrouxaram as tens\u00f5es entre os pa\u00edses de leste, com orienta\u00e7\u00e3o comunista, na \u00f3rbita da R\u00fassia e os pa\u00edses ocidentais, de matriz capitalista, com centro de gravidade europeu e americano.<\/p>\n<p>Entretanto, o espa\u00e7o deixado vago, pelos ondulantes v\u00e9us vermelhos, que abdicaram de dar bandeira, foi preenchido pelos atores da nova era da Globaliza\u00e7\u00e3o, com americanos e chineses \u00e0 cabe\u00e7a, fo\u00e7ando \u00e0 fossanga por influ\u00eancia neste ins\u00f3lito calhau esf\u00e9rico, que indiferente \u00e0 espuma dos dias teima em rodopiar, numa roda-viva, \u00e0 volta do Sol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>China muda a agulha e embarca no neocomunismo<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a China deitou borda fora o Grande Salto em Frente e tentou envergonhada disfar\u00e7ar a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural de m\u00e1 mem\u00f3ria. \u201cEnterrou\u201d \u00e0 lei da bala e, literalmente, a tiro de canh\u00e3o, os seus violentos guardas vermelhos. Eram irredut\u00edveis defensores da cartilha Maoista &#8211; conhecida por Livro Vermelho \u2013 onde Mao deu \u00e0 estampa o pato\u00e1 da sua cosmovis\u00e3o pol\u00edtica. Curiosamente, t\u00e3o do agrado de alguma juventude europeia, dos idos de 68. Mesmo em Portugal e, \u00e0 data, at\u00e9 com ramifica\u00e7\u00f5es na nossa cidade, atrav\u00e9s da c\u00e9lula do MRPP, com tentacular influ\u00eancia Mao\u00edsta.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia at\u00e9 a China mudou a agulha. Finalmente, deu o definitivo salto em frente, sem complexos e na dire\u00e7\u00e3o do socialismo de mercado \u2013 o neocomunismo, a sua nova bitola de refer\u00eancia \u2013 por onde surfa a ocidentalizada atra\u00e7\u00e3o pelo fetiche das mercadorias. Adaptou-se aos tempos e evitou uma reedi\u00e7\u00e3o das grandes fomes chinesas, permitindo \u00e0 generalidade da sua popula\u00e7\u00e3o viver com o m\u00ednimo de dignidade.<\/p>\n<p><strong>Banz\u00e9 de l\u00e9s a l\u00e9s e o escaqueirado carrinho de legumes de Bouazizi<\/strong><\/p>\n<p>Na aus\u00eancia da influ\u00eancia dos antigos atores imperialistas e \u00e0 boleia de anteriores revolu\u00e7\u00f5es, muitos povos do Mundo apanharam a mar\u00e9 da autodetermina\u00e7\u00e3o, com as pessoas a tomarem a r\u00e9dea dos acontecimentos nas suas vidas.<\/p>\n<p>Algumas ondas de choque foram involuntariamente originadas pelo desconhecido e ocasional Mohamed Bouazizi, um vendedor ambulante tunisiano. Ganhava o seu sustento nas ruas, comercializando, porta-a-porta, frutas e legumes transportados num escaqueirado carrinho.<\/p>\n<p>Era um simples pe\u00e3o no xadrez da Hist\u00f3ria, mas as caprichosas manig\u00e2ncias do destino cismaram sofisticados planos ocultos, decidindo atribuir-lhe o papel de m\u00e1rtir, em toda a amplitude do palco do mundo.<\/p>\n<p>A 16 de dezembro de 2010 a pol\u00edcia confiscou-lhe o carrinho, os produtos e uma balan\u00e7a eletr\u00f3nica. Invocaram falta de licen\u00e7a, para a sua atividade de vendedor. Segundo consta, adicionalmente esbofetearam-no publicamente e cuspiram-lhe na cara, de modo humilhante.<\/p>\n<p>Inconformado foi procurar um funcion\u00e1rio p\u00fablico local, para reclamar e solicitar a devolu\u00e7\u00e3o dos seus pertences. Mas n\u00e3o foi atendido. Frustrado regou-se com gasolina e ateou labaredas de fogo a si pr\u00f3prio. Enquanto se imolava pelas chamas gritava de forma excruciante: &#8211; Como esperam que ganhe a vida?<\/p>\n<p>Este dram\u00e1tico desfecho desencadeou tumultuosas algazarras nos pa\u00edses vizinhos e lan\u00e7ou incendi\u00e1rias l\u00ednguas de fogo pelo mundo \u00e1rabe, ficando registado nos canhenhos da Hist\u00f3ria como a Primavera \u00c1rabe. Um m\u00eas ap\u00f3s o incidente o sistema pol\u00edtico da Tun\u00edsia implodiu, devido \u00e0 grande agita\u00e7\u00e3o social no pa\u00eds e ao generalizado banz\u00e9 instalado de l\u00e9s a l\u00e9s.<\/p>\n<p><strong>Rastilho de ressentimento pelo v\u00edcio da gan\u00e2ncia e da carne para canh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Bouazizi n\u00e3o era um advers\u00e1rio pol\u00edtico do regime, n\u00e3o era um implac\u00e1vel preso pol\u00edtico, agrilhoado no degredo de uma f\u00e9tida pris\u00e3o, esquecida nos confins das des\u00e9rticas areias das ar\u00e1bias. Nem sequer era um ativista de causas, em manifesta e an\u00e1rquica a\u00e7\u00e3o de protesto. Era apenas uma pessoa simples a tentar sobreviver, provavelmente \u00e0 custa de expedientes pouco ortodoxos, mas \u00e0 imagem de milh\u00f5es de outras pessoas nas sociedades \u00e1rabes.<\/p>\n<p>O seu ato desesperado foi sentido como algo simb\u00f3lico e representativo do sentimento de injusti\u00e7a dos regimes onde viviam e trabalhavam muitos \u00e1rabes. Estas pessoas manifestaram-se contra governos autorit\u00e1rios, pol\u00edticos corruptos e magnatas cleptocr\u00e1ticos, todos eles viciados em gan\u00e2ncia e prontos para utilizarem os seus povos \u00e0 laia de servid\u00e3o econ\u00f3mica, como indiferenciada carne para canh\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois da Tun\u00edsia seguiram-se tumultuosos protestos no Egito, na L\u00edbia, no I\u00e9men, no Bahrain e na S\u00edria. As pessoas assumiram as cr\u00edticas aos seus regimes autorit\u00e1rios, contra o ressentimento, a humilha\u00e7\u00e3o, o desrespeito e a falta de dignidade dos seus governantes.<\/p>\n<p><strong>Batata quente rebenta na Ucr\u00e2nia, mesmo \u00e0s portas de Moscovo<\/strong><\/p>\n<p>Em 2013 tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o ucraniana se revoltou, atrav\u00e9s do movimento de resist\u00eancia conhecido pela Revolu\u00e7\u00e3o da Dignidade. Aconteceu quando o ent\u00e3o presidente Viktor Yanukovych desistiu da candidatura da Ucr\u00e2nia, para entrar na Uni\u00e3o Europeia (EU).<\/p>\n<p>Como alternativa prop\u00f4s um entendimento com a Federa\u00e7\u00e3o Russa e com a Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Euroasi\u00e1tica, sob uma b\u00ean\u00e7\u00e3o cozinhada com Vladimir Putin.<\/p>\n<p>Esta marcha-atr\u00e1s, entendida como um indesejado retrocesso e um inadequado regresso \u00e0 esfera de influ\u00eancia da Grande M\u00e3e Russa, do per\u00edodo sovi\u00e9tico, desencadeou v\u00e1rios protestos na Pra\u00e7a Maidan, situada em Kiev.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de simpatia pela op\u00e7\u00e3o da EU, levadas a cabo pelo movimento Euromaidan, foram violentamente reprimidas e resultaram na morte de uma centena de manifestantes.<\/p>\n<p>Estes infelizes acontecimentos aumentaram o desagrado das pessoas e a batata quente rebentou nas m\u00e3os do presidente Yanukovych, mesmo \u00e0s portas de Moscovo. Com o aumento da ades\u00e3o ao movimento Euromaidan, o presidente deixou de conseguir controlar a situa\u00e7\u00e3o e abandonou o poder, permitindo aos ucranianos escolher livremente o seu destino. At\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Pomba branca, pomba branca&#8230; <\/strong><\/p>\n<p>Falhadas todas as tentativas, para instalar um governo fantoche na Ucr\u00e2nia -manipulado a belo prazer por um n\u00facleo duro de cleptocratas &#8211; a \u201cintelig\u00eancia\u201d russa decidiu avan\u00e7ar para a solu\u00e7\u00e3o final da invas\u00e3o, atrav\u00e9s de uma eufem\u00edstica \u201copera\u00e7\u00e3o militar especial\u201d, cuja tradu\u00e7\u00e3o para bom portugu\u00eas \u2013 deixemo-nos de tretas &#8211; significa guerra imperialista.<\/p>\n<p>Putin &#8211; aparentemente apanhado do clima &#8211; perdeu a vergonha e a cintilante capa de verniz, da fantasiosa democracia russa, estalou e foi substitu\u00edda pelo brilho fosco da predat\u00f3ria pandilha mafiosa que capturou o estado russo, sob a desp\u00f3tica lideran\u00e7a de um manhoso figur\u00e3o que n\u00e3o vale uma ventosidade pelo \u00e2nus.<\/p>\n<p>\u00c0 pala de c\u00e2ndidas largadas de pombas brancas e de um enviesado discurso de paz, apelando \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 unidade do povo russo com o povo ucraniano &#8211; na al\u00e7ada da M\u00e3e R\u00fassia &#8211; iniciou-se unilateralmente um conflito fortemente armado, em nome da paz, numa atitude paradoxalmente contradit\u00f3ria e de c\u00ednica hipocrisia.<\/p>\n<p>Com botas militares no terreno a expetativa agora \u00e9 perceber como vai o Mundo descal\u00e7ar esta bota, numa guerra fratricida, onde o fantasma nuclear est\u00e1 bem vis\u00edvel e em prontid\u00e3o, para descer \u00e0 terra e semear os seus nefastos cogumelos at\u00f3micos.<\/p>\n<p>Desta vez, a simb\u00f3lica pomba branca da paz n\u00e3o bateu asa pelos c\u00e9us da Ucr\u00e2nia, com o ramo de oliveira no bico, anunciando as boas-novas. O que tem voado pelos c\u00e9us da Ucr\u00e2nia \u00e9 muito diferente e tragicamente vai trazer muito mais do que \u201c\u00e1gua no bico\u201d.<\/p>\n<p><strong>Comer a cauda<\/strong><\/p>\n<p>Depois do desastre comunista a R\u00fassia volta-se agora para dentro da sua antiga esfera de influ\u00eancia e come\u00e7a a comer a pr\u00f3pria cauda, num processo de autofagia ou autocanibalismo de insaci\u00e1vel apetite destrutivo e de dimens\u00e3o geogr\u00e1fica, social, econ\u00f3mica e pol\u00edtica imprevis\u00edvel, capaz de desencadear um Armaged\u00e3o de dimens\u00f5es b\u00edblicas.<\/p>\n<p>A bas\u00f3fia da \u201cblitzkrieg\u201d, ou da guerra rel\u00e2mpago, transformou-se numa guerra a passo de caracol, dirigida cobardemente contra uma popula\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, mas resistente e corajosa, apesar do c\u00e9u estar a cair-lhes em cima, como se fosse o fim dos tempos. Mas quem est\u00e1 hoje disposto a viver subjugado por uns quantos elementos da nova elite czarista, como quem quer, pode e manda?<\/p>\n<p>Pelo que temos visto os russos est\u00e3o dispostos a distribuir muita \u201cfruta\u201d a quem lhes fizer frente e por isso a Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m ter\u00e1 os seus muitos Bouazizis. Num contexto e numa \u00e9poca completamente diferentes, alguns ucranianos voltam a estar perante uma escolha bastas vezes conhecida do destino dos povos: p\u00e1tria ou morte.<\/p>\n<p>O seu exemplo de sacrif\u00edcio serve para mostrar que a dignidade ainda conta para muitas pessoas e n\u00e3o \u00e9 uma palavra v\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/rui-madeira-pomba-branca-pomba-branca\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00d3rbita Russa \u00c0 for\u00e7a bra\u00e7al de martelo e picareta, o Muro de Berlim desabou em 1989, seguindo-se a surpreendente implos\u00e3o &#8211; no in\u00edcio dos anos 90 &#8211; da imperial Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS), feita em papas num nada. 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