{"id":44764,"date":"2021-12-25T19:46:17","date_gmt":"2021-12-25T19:46:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=44764"},"modified":"2021-12-25T19:46:17","modified_gmt":"2021-12-25T19:46:17","slug":"o-natal-na-vila-de-constancia-era-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/o-natal-na-vila-de-constancia-era-assim\/","title":{"rendered":"O Natal\u00a0na Vila \u00a0de Const\u00e2ncia&#8230; era assim!"},"content":{"rendered":"<p>O Natal faz parte do imagin\u00e1rio de todas as crian\u00e7as. A ele andam associados o pres\u00e9pio e a ideia do pai natal. No tempo da minha inf\u00e2ncia era assim, pelo menos. Na v\u00e9spera da Natal \u00edamos \u00e0 Missa do Galo e ao \u00abmadeiro\u00bb -a \u00abfogueira\u00bb &#8211; ocasi\u00e3o de reencontro dos filhos da terra e de celebra\u00e7\u00e3o da Natividade. Havia nestes \u00abelementos\u00bb um sentimento de perten\u00e7a a valores comuns.\u00a0 Somos crist\u00e3os e uma comunidade, um s\u00f3 Corpo. O nascimento de Jesus, O Filho de Deus, gerado e n\u00e3o criado, (j\u00e1 previsto nas entrelinhas de um texto dos manuscritos do mar morto, segundo opini\u00f5es de peritos) \u00e9 o acontecimento central desta \u00e9poca natal\u00edcia.\u00a0 Natal, sem o nascimento de Jesus, n\u00e3o \u00e9 Natal. Recentemente, uma Comiss\u00e1ria da Uni\u00e3o Europeia com liga\u00e7\u00f5es \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana (segundo acusa\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a) tentou apagar quaisquer refer\u00eancias ao Natal e aos nomes das figuras do Sagrada Fam\u00edlia nos documentos oficiais, sob o argumento de que nem todos ser\u00e3o crist\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>A nossa matriz \u00e9 judaico-crist\u00e3 e sob ela assenta a nossa civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Uma s\u00f3 voz nada pode contra milh\u00f5es e milh\u00f5es de crist\u00e3os ou n\u00e3o crentes, que se rev\u00eaem no Natal, nos seus valores e costumes tradicionais ou, no m\u00ednimo, os respeitam.\u00a0 \u00abEm Roma, s\u00ea romano\u00bb.<\/p>\n<p>Sobre esta dita comiss\u00e1ria de cujo nome me esqueci, s\u00f3 desejo que n\u00e3o surja mais nenhum disparate (h\u00e1 outros, graves, sobre os Direitos do Homem, que agora n\u00e3o v\u00eam ao caso).<\/p>\n<p>\u00abAdelante\u00bb.<\/p>\n<p>O Natal na minha inf\u00e2ncia? L\u00e1 em casa, o pres\u00e9pio estava reservado para mim e a \u00e1rvore de Natal tamb\u00e9m, em certa medida.\u00a0 Mas deixem-me falar do pres\u00e9pio da Igreja matriz.\u00a0 Era magn\u00edfico. O sacrist\u00e3o, o Z\u00e9 Medroa, ia connosco ao musgo \u00e0 Charneca. Perto da casa da Ti Rita, mais al\u00e9m do Moinho de Vento. As mantas de musgo, espessas, podiam arrancar-se da terra fria e enrolar-se em pesados tapetes que depois se colocavam nos cestos duplos da sua motorizada. J\u00e1 na Igreja, era montada uma estrutura em madeira e panos a cobri-la, para dar relevo e forma ao pres\u00e9pio. Ao fundo, o velho castelo de madeira (que entretanto levou sumi\u00e7o da Igreja), surgia altaneiro e bem caracter\u00edstico. Havia o moinho do Helder, \u00a0o \u00abBotija\u00bb, com motor, hidr\u00e1ulico (tamb\u00e9m ganhou asas, entretanto). Era motivo de grande atrac\u00e7\u00e3o. Ainda hoje se fala disso. As figuras (quantas ganharam pernas\u2026) &#8211; \u00a0anjos, pastores, ovelhas, c\u00e3es, fontes, casas, lavadeiras, patos, outros moinhos, outros pequenos castelos \u2013 eu sei l\u00e1 \u2013 povoavam, vales e montes, e era uma alegria de todas as crian\u00e7as e adultos ver aquele pres\u00e9pio. As ramagens e as bagas vermelhas hoje praticamente extintas, compunham o resto. Os caminhos eram feitos de serradura e neles se colocavam os reis magos.\u00a0 A cabana do Menino Jesus era feita de troncos.<\/p>\n<p>Outro dos motivos que nos prendia magicamente ao Natal era a fogueira. Recordo-me de andarmos a empurrar ra\u00edzes e troncos de oliveiras com o meu vizinho Carlos dos Santos Nunes e o saudoso Z\u00e9 Pedro, at\u00e9 ao adro da Igreja.\u00a0 Empilhavam-se bastantes troncos com a for\u00e7a de v\u00e1rios homens e o braseiro, aceso com muito petr\u00f3leo e jornais, era o orgulho da terra a rivalizar com o do Terreiro, de Montalvo. No final da Missa do Galo o adro enchia-se de conterr\u00e2neos e, mais noite adentro, n\u00e3o faltavam os devotos de baco\u2026 que pela sua vozearia eram bem identificados nas casas da vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>A Missa do Galo era \u00e0 meia-noite.\u00a0 Momento alto e sagrado. C\u00e2nticos obrigat\u00f3rios? Noite feliz, Terra Inteira, Gloria in excelsis Deo, Alegrem-se os c\u00e9us e a terra, Adeste Fideles. Ao fole, tive muitas vezes a ajudar-me o sr Manuel Loureiro. O \u00f3rg\u00e3o de tubos era o nosso encanto.\u00a0 Jesus, a nossa adora\u00e7\u00e3o, a nossa cren\u00e7a. E, temos, ent\u00e3o, os tr\u00eas requisitos que nos identificam aos crist\u00e3os: sentimento de perten\u00e7a, Unidade\/Corpo, a mesma cren\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos anos 30, a minha fam\u00edlia morava na pra\u00e7a. L\u00e1 me casa, sempre me contaram, pelas nove horas da noite comia-se caldo verde. A ceia, era \u00e0 meia-noite. Comiam bacalhau com batatas e couves, cozinhados num velhinho fog\u00e3o de lenha. Doces?\u00a0 Fatias douradas (uma receita com segredo, que guardo), fritos de ab\u00f3bora e coscor\u00f5es.<\/p>\n<p>Na minha inf\u00e2ncia, anos 70, passava horas \u00e0 lareira da vizinha C\u00e2ndida onde se faziam os fritos de Natal numa panela de ferro. Nesses dias santos, as vizinhas trocavam doces em travessas.<\/p>\n<p>Em anos mais recuados havia na Vila a tradi\u00e7\u00e3o da festa do Menino Jesus. A Imagem do Menino, ainda existente, era entregue\u00a0a uma fam\u00edlia durante um ano para se fazerem oferendas de vestes bordadas a oiro. No ano seguinte, essa casa passava o testemunho. Esta tradi\u00e7\u00e3o levou a que existisse um esp\u00f3lio riqu\u00edssimo que inclui tamb\u00e9m roupa interior e uma cama, o qual est\u00e1 exposto na nossa matriz.<\/p>\n<p>A \u00faltima festa foi de pompa e circunst\u00e2ncia e realizou-se sob os ausp\u00edcios do ateu Ant\u00f3nio Pir\u00e3o, pai da minha prima Maria do C\u00e9u Pir\u00e3o, casada com o meu primo Ac\u00e1cio Alves Costa. Talvez nos anos 40 ou 50?<\/p>\n<p>Nos anos 90 foi descoberta na igreja matriz uma pintura mural, por ocasi\u00e3o de um restauro do altar de Nossa Senhora da Piedade, onde apareceu um fresco supostamente da Natividade de Jesus. Pode vislumbrar-se uma cabana? E at\u00e9 uma estrela de Vergina (?) Ao que se apurou na altura, haver\u00e1 por l\u00e1 uma data contempor\u00e2nea do quadro de Jos\u00e9 Malhoa (de 1899). Columbano tamb\u00e9m trabalhou para esta igreja nesta altura, embora a sua obra acabasse por n\u00e3o figurar no templo.<\/p>\n<p>\u00c9 deveras singular a circunst\u00e2ncia de ter existido em Const\u00e2ncia uma estrela de Vergina. Sabe-se que a sua utiliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos anos 70 do s\u00e9culo XX se resumia a elementos decorativos. Ora, este \u00edcone religioso em Const\u00e2ncia, aparenta ser mais do que isso. Um s\u00edmbolo religioso?\u00a0 Da Virgem Maria? O Sol (Jesus)? O fresco ser\u00e1 da Natividade? H\u00e1 que estudar o assunto. E inserir este tema na hist\u00f3ria da nossa igreja. A cristianiza\u00e7\u00e3o de um s\u00edmbolo da realeza maced\u00f3nica?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/o-natal-na-vila-de-constancia-era-assim\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal faz parte do imagin\u00e1rio de todas as crian\u00e7as. A ele andam associados o pres\u00e9pio e a ideia do pai natal. No tempo da minha inf\u00e2ncia era assim, pelo menos. 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