{"id":43851,"date":"2021-12-04T13:16:07","date_gmt":"2021-12-04T13:16:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=43851"},"modified":"2021-12-04T13:16:07","modified_gmt":"2021-12-04T13:16:07","slug":"memoria-da-inauguracao-do-orfeao-de-constancia-e-notas-sobre-o-cev","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/memoria-da-inauguracao-do-orfeao-de-constancia-e-notas-sobre-o-cev\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria da inaugura\u00e7\u00e3o do Orfe\u00e3o de Const\u00e2ncia e notas sobre o CEV"},"content":{"rendered":"<p>A ideia da cria\u00e7\u00e3o de um orfe\u00e3o em Const\u00e2ncia come\u00e7ou a surgiu\u00a0 em conversas que tive com o maestro Carlos Amadeu Saraiva Silvares de Carvalho (antigo s\u00f3cio do CEV que anda esquecido). Dele guardo religiosamente uma carta de 1982 a incentivar a forma\u00e7\u00e3o do orfe\u00e3o, com v\u00e1rios conselhos de mestre. O projecto, por\u00e9m, s\u00f3 seria tornado realidade, no primeiro semestre de 1984, atrav\u00e9s do Clube Estrela Verde de Const\u00e2ncia. O presidente da direc\u00e7\u00e3o da altura era o advogado Carlos dos Santos Nunes, afilhado do pintor Joaquim dos Santos,\u00a0 o qual desde cedo resolveu apoiar a iniciativa que lhe propus mais a coralista Ana Paula Cunha. Relembro que nos anos 40 o maestro Carlos Silvares j\u00e1 tinha formado um orfe\u00e3o no mesmo edif\u00edcio do actual clube, grupo em que participou por exemplo o pintor Fernando Santos, irm\u00e3o do outro pintor<\/p>\n<p>Os primeiros testes de admiss\u00e3o dos coralistas de 1984 decorreram no antigo cine-teatro tinha eu ainda a idade de 16 anos. A ades\u00e3o foi total. Aderiram\u00a0 ent\u00e3o cerca de 30 pessoas.<\/p>\n<p>Influenciado pelo repert\u00f3rio religioso e ap\u00f3s troca de impress\u00f5es com o padre Jo\u00e3o Rodrigues Vermelho, decidi investir em can\u00e7\u00f5es populares maioritariamente natal\u00edcias, de vozes paralelas e, em alguns c\u00e2nones (melodias desencontradas).<\/p>\n<p>Os ensaios come\u00e7aram de imediato na antiga Aula Falconina, na sede do Clube. Constitu\u00eddos os quatro naipes de vozes iniciei religiosamente uma disciplina de trabalho.Havia chamada, contagem, prepara\u00e7\u00e3o vocal, aprendizagem coral por naipes, jun\u00e7\u00e3o de naipes e um curto intervalo para irem ao bar do Clube no primeiro piso. E, mais tarde, decorreram ainda aulas de forma\u00e7\u00e3o musical b\u00e1sica.<\/p>\n<p>A inaugura\u00e7\u00e3o do Orfe\u00e3o de Const\u00e2ncia (Grupo Orfe\u00f3nico Estrela Verde) veio a acontecer na Igreja da Irmandade da Miseric\u00f3rdia, precisamente no dia em que se costuma comemorar o anivers\u00e1rio do Clube. Era grande a novidade e a expectativa.<\/p>\n<p>Fizemos o aquecimento vocal na sacristia, com o tecto completamente escorado e em vias de abater (na altura a Mesa Administrativa cujo Provedor era o Sr Aur\u00e9lio Dias Nogueira procedia a obras de recupera\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Recordo com particular emo\u00e7\u00e3o aqueles momentos e o concerto inaugural. A igreja estava cheia e conseguimos o agrado geral. O padre Vermelho foi orador e associou-se ao evento.<\/p>\n<p>1984 era um tempo em que a vila ainda preservava parte significativa da sua popula\u00e7\u00e3o tradicional. Todos os cerca de trinta coralistas tinham ra\u00edzes em Const\u00e2ncia de uma maneira em geral. O ambiente era efectivamente o de uma comunidade.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o dos coralistas para adoptarem rotinas e disciplina coral constituiu\u00a0 um objectivo bem sucedido. Aquando da inaugura\u00e7\u00e3o eu j\u00e1 tinha 17 anos. O Orfe\u00e3o era composto por pessoas at\u00e9 aos 80 anos,\u00a0 havendo uma maioria de idosos. Recordo-me do Sargento Porto, meu primo, j\u00e1 octogen\u00e1rio ent\u00e3o.<\/p>\n<p>1984 foi tamb\u00e9m o ano em que inaugur\u00e1mos no Clube o nosso primeiro Conjunto Musical de baile &#8220;Estrela Verde&#8221;.<\/p>\n<p>Este orfe\u00e3o\u00a0 mobilizou e formou algumas dezenas de coralistas durante cerca de tr\u00eas anos. No ano de 1985 fui convidado pelo ent\u00e3o presidente da direc\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Ramoa Ferreira de saudosa mem\u00f3ria, a ouvir alguns singles e \u00e1lbuns com can\u00e7\u00f5es sobre poemas de Vasco de Lima Couto.\u00a0 Estas tert\u00falias deram aso a que viessem a integrar no repert\u00f3rio do orfe\u00e3o algumas composi\u00e7\u00f5es que harmonizei com temas de Ant\u00f3nio Sala, Gina Maria, Ver\u00f3nica (mulher do maestro Jorge Machado da orquestra ligeira) e outros autores. Os nossos concertos chegaram ao Concelho de Abrantes,\u00a0 Vila Nova da Barquinha, Tomar e Lisboa, com chave de ouro no Pal\u00e1cio das Galveias, pelo menos.<\/p>\n<p>O orfe\u00e3o interpretou ainda pe\u00e7as dos compositores Manuel Faria, Joel Canh\u00e3o, Fernando Lopes Gra\u00e7a, Mozart, a t\u00edtulo de exemplo.<\/p>\n<p>O nosso orfe\u00e3o interpretou algumas composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de minha autoria, criadas para a Proposi\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Lus\u00edadas&#8221;, composi\u00e7\u00f5es escrutinadas\u00a0 pelo professor de composi\u00e7\u00e3o Ant\u00f3nio Guimar\u00e3es Duarte. Naquele tempo n\u00e3o havia a facilidade de hoje na divulga\u00e7\u00e3o de som e de imagens. Fica o registo sobre os factos&#8230;<\/p>\n<p>Passados que s\u00e3o 37 anos sobre esta inaugura\u00e7\u00e3o\u00a0 olhamos para tr\u00e1s e reparamos que muitos dos nossos coralistas j\u00e1 partiram, e \u00e9 grande a saudade que fica e a ternura.<\/p>\n<p>O orfe\u00e3o constituiu um meio eficaz e um espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o numa comunidade do interior em que ainda se estava \u00e0 lareira e s\u00f3 havia dois canais de televis\u00e3o. Nem toda a gente tinha televis\u00e3o. Quantos n\u00e3o iam ver TV para casa de um vizinho? O telefone? Poucos havia. Estas conting\u00eancias tornavam as pessoas mais pr\u00f3ximas, mais solid\u00e1rias e menos ego\u00edstas? \u00c9 um tema interessante&#8230;<\/p>\n<p>Neste anivers\u00e1rio do\u00a0 Clube Estrela Verde de Const\u00e2ncia recordo que o Clube tinha herdado h\u00e1bitos do tempo da Legi\u00e3o Portuguesa (o edif\u00edcio foi cedido\u00a0 por testamento para usufruto de escola feminina por Jacintho da Silva Falc\u00e3o), com os seus espa\u00e7os de entretenimento. Havia sala com TV, de jogos de cartas, biblioteca, bar, sala com ping Pong, snooker.<\/p>\n<p>As nossas festa eram feitas com a prata da casa: fanfarra dos bombeiros, deporto do CEV,\u00a0 conjunto\u00a0 musical do CEV, orfe\u00e3o do CEV, grupo de teatro do CEV e grupo de variedades do CEV.<\/p>\n<p>A noite em Const\u00e2ncia era passada no Clube. &#8220;Onde vais? Vou para o clube&#8221; era recorrente ouvir-se.<\/p>\n<p>A colectividade mobilizava a popula\u00e7\u00e3o da Vila.<\/p>\n<p>E cumpria uma fun\u00e7\u00e3o insubstitu\u00edvel de socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O associativismo \u00e9 a agrega\u00e7\u00e3o livre dos cidad\u00e3os, por forma a prosseguir objectivos sociais, de forma democr\u00e1tica, sem interfer\u00eancia das autoridades p\u00fablicas na sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>As nossas actividades e fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram subsidiadas pela C\u00e2mara Municipal de Const\u00e2ncia. Todo o trabalho era volunt\u00e1rio. Os estatutos do Clube proibiam expressamente a inger\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O clube, hoje, adaptou-se a uma nova modalidade desportiva e tem feito os seus cr\u00e9ditos. M\u00e9rito da direc\u00e7\u00e3o e dos jovens atletas. Mas a chamada socializa\u00e7\u00e3o e solidariedade entre gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 mais a mesma.<\/p>\n<p>A comunidade mudou e os tempos s\u00e3o outros?<\/p>\n<p>As novas gera\u00e7\u00f5es em geral n\u00e3o foram educadas para a solidariedade nem para o esfor\u00e7o e sacrif\u00edcio pessoais. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o cultural que s\u00f3 os pais podem inverter.<\/p>\n<p>H\u00e1 jovens que conseguem passar horas numa esplanada a beber cerveja a quem n\u00e3o passaria pela cabe\u00e7a ter de abrir o clube todos os dias, varr\u00ea-lo, servir no bar e depois ir ensaiar um orfe\u00e3o, um conjunto, ou teatro, regressando a casa de madrugada. Voc\u00eas sabem l\u00e1!<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS- n\u00e3o uso o dito AOLP<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/memoria-da-inauguracao-do-orfeao-de-constancia-e-notas-sobre-o-cev\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia da cria\u00e7\u00e3o de um orfe\u00e3o em Const\u00e2ncia come\u00e7ou a surgiu\u00a0 em conversas que tive com o maestro Carlos Amadeu Saraiva Silvares de Carvalho (antigo s\u00f3cio do CEV que anda esquecido). 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