{"id":42060,"date":"2021-10-30T17:34:08","date_gmt":"2021-10-30T16:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=42060"},"modified":"2021-10-30T17:34:08","modified_gmt":"2021-10-30T16:34:08","slug":"meira-burguete-um-ribatejano-no-lusitania-expresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/meira-burguete-um-ribatejano-no-lusitania-expresso\/","title":{"rendered":"Meira Burguete, um ribatejano no \u00abLusit\u00e2nia Expresso\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A morte do jornalista Max Stahl traz-nos \u00e0 mem\u00f3ria a miss\u00e3o \u00abPaz em Timor\u00bb\u00a0<em>do ferry boat<\/em>\u00a0\u00abLusit\u00e2nia Expresso\u00bb, em 1992. A embarca\u00e7\u00e3o desafiou na altura a autoridade Indon\u00e9sia e foi not\u00edcia mundialmente. Nela viajava Meira Burguete, jornalista de Const\u00e2ncia, ent\u00e3o director do di\u00e1rio \u00abMacau Hoje\u00bb \u00a0e, mais tarde, cronista do jornal \u00abGazeta do Tejo\u00bb.\u00a0 Na sua vivenda de Const\u00e2ncia (antiga propriedade do Conde de Tomar) \u00a0cheg\u00e1mos a trocar impress\u00f5es sobre a viagem que contou, como \u00e9 sabido, com uma figura de relevo \u00a0da nossa democracia, Ramalho Eanes, ex-Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Para avivar a mem\u00f3ria, recordemos que os promotores da viagem do\u00a0\u00ab<em>Lusit\u00e2nia Expresso\u00bb<\/em>\u00a0a Timor, da revista \u00abF\u00f3rum Estudante\u00bb, pretendiam sensibilizar a opini\u00e3o p\u00fablica internacional para a causa de Timor.\u00a0A bordo estiveram ainda estudantes de 23 pa\u00edses, 25 jornalistas portugueses e 34 estrangeiros.<\/p>\n<p>Na cerim\u00f3nia de evoca\u00e7\u00e3o dos 25 anos do \u00abLusit\u00e2nia Expresso\u00bb e da \u00abF\u00f3rum Estudante\u00bb, o actual Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa, \u00a0chegou a afirmar que &#8220;n\u00e3o houve uma portuguesa, um portugu\u00eas, que n\u00e3o tivesse vibrado convosco, com a vossa aud\u00e1cia, com a vossa coragem, com a vossa juventude, com o vosso destemor&#8221;.<\/p>\n<p>Correndo o fita do tempo, sabemos que meses antes da iniciativa da F\u00f3rum, mais concretamente \u00a0a 12 de Novembro de 1991, Max Stahl, \u00a0jornalista brit\u00e2nico agora falecido,\u00a0\u00a0filmava o massacre de Santa Cruz. Essa coragem e ousadia acabaram por contagiar os promotores da viagem at\u00e9 Timor, impulsionados pela \u00fanica e verdadeira\u00a0\u00a0\u00abvoz dos timorenses, nesse tempo de trevas\u00bb \u2013 tomando de empr\u00e9stimo a express\u00e3o a Rui Marques, respons\u00e1vel pela miss\u00e3o. \u00c0 data dos factos encontrava-me a chefiar a redac\u00e7\u00e3o do \u00abJornal de Abrantes\u00bb e vivi, como qualquer jornalista da \u00e9poca, o desenrolar dos acontecimentos, num tempo ausente de internet.<\/p>\n<p>O relato que mais tarde ouvi a Meira Burguete, director do di\u00e1rio \u00abMacau Hoje\u00bb, sobre os factos de 1992, em nada difere \u00a0do essencial do que \u00e9 sobejamente conhecido pela opini\u00e3o p\u00fablica, com um sen\u00e3o: quer Meira Burguete, quer Eanes, n\u00e3o temeram uma eventual repress\u00e3o militar f\u00edsica por parte dos indon\u00e9sios.\u00a0 Os receios que sentiram n\u00e3o os tinham impedido de embarcar donde, o cen\u00e1rio da captura, nunca esteve afastado. O esp\u00edrito era de aventura e de bravura.<\/p>\n<p>O barco foi interceptado a 11 de Mar\u00e7o de 1992 (malfadado 11 de Mar\u00e7o\u2026), quando realizava a sua \u00faltima etapa, ap\u00f3s largarem de Darwin, tr\u00eas dias antes. Nessa etapa foram sendo sobrevoados por avi\u00f5es indon\u00e9sios e, inevitavelmente, acabaram impedidos de entrar nas \u00e1guas territoriais de Timor (sob administra\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e0 luz da ONU) por navios de guerra indon\u00e9sios. A coroa de flores que intentavam colocar no local do massacre, acabara lan\u00e7ada ao mar, em mem\u00f3ria dos mortos de Timor-Leste. E o \u00abLusit\u00e2nia\u00bb foi obrigado a regressar a Portugal continental. \u00abEh p\u00e1! Olha, e, depois, volt\u00e1mos para tr\u00e1s. Eh !, Eh!\u00bb, rematava Meira Burguete, sem perder muito tempo com descri\u00e7\u00f5es, homem de s\u00edntese e de ironia, que sempre foi.<\/p>\n<p>Tenho aqui \u00e0 m\u00e3o um dossier digital que d\u00e1 pelo nome de \u00abDOCUMENTS ON EAST TIMOR MASSACRE FROM PEACENET AND ASSOCIATED NETWORKS\u00bb, o qual inclui por exemplo, as not\u00edcias da \u00abReuters\u00bb sobre o assunto. Numa delas, intitulada \u00abbarco da paz desafia Indon\u00e9sia\u00bb, consta o testemunho do nosso conterr\u00e2neo: \u00abPorque \u00e9 que a Indon\u00e9sia est\u00e1 a enviar navios da marinha para conhecer o barco, est\u00e3o a planear matar-nos? perguntou Meira Burguete do Macau Hoje jornal. &#8220;Ao elevarem a tens\u00e3o (os indon\u00e9sios, leia-se) est\u00e3o a atrair mais aten\u00e7\u00e3o do mundo. Dizem que o barco n\u00e3o est\u00e1 a cumprir a lei internacional ao vir para Timor Leste, quando eles pr\u00f3prios est\u00e3o em incumprimento por estar em Timor-Leste quando as Na\u00e7\u00f5es Unidas dizem que devem sair.&#8221;<\/p>\n<p>Sob outro t\u00edtulo, \u00abAmea\u00e7a militar indon\u00e9sia para evitar desembarque\u00bb, reproduziam-se \u00a0palavras id\u00eanticas do nosso conterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Meira Burguete nasceu em Const\u00e2ncia em 1931. \u00c9 autor de v\u00e1rias obras, entre as quais, \u00abO caso de Rio Maior\u00bb onde, segundo a cr\u00edtica do blog \u00abCidad\u00e3os por Abrantes\u00bb escreve sobre o \u00ablevantamento nacional anti-totalit\u00e1rio (Manuel Alegre) contra o \u00abanarco-populismo\u00bb (Zenha).<\/p>\n<p>Foi not\u00e1rio no continente e em Macau e colaborador da imprensa. Em Macau fundou o Di\u00e1rio \u00abMacau Hoje\u00bb. M\u00e1rio Soares escolheu-o para adjunto de um Governo Provis\u00f3rio e suspendeu-o do partido, devido a diverg\u00eancias com uma linha trotsquista\u2026<\/p>\n<p>Em Const\u00e2ncia, Meira Burguete, nos anos 50, escreveu a revista \u00abConst\u00e2ncia \u00e9 assim\u00bb.\u00a0 Chegou a ser Provedor da Miseric\u00f3rdia (2000) e colaborador da Gazeta do Tejo (anos 90). Faleceu nas Filipinas, embora tivesse feito dilig\u00eancias para acabar os seus \u00faltimos dias em Portugal, o que n\u00e3o conseguiu, para frustra\u00e7\u00e3o sua.<\/p>\n<p>J\u00e1 numa fase terminal da sua vida ainda escrevia no facebook (s\u00f3 com uma m\u00e3o, devido \u00a0a uma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica).\u00a0 Foi colega do meu saudoso pai na escola prim\u00e1ria e chegou a trabalhar com o meu av\u00f4 materno, Carlos Silvares de Carvalho, nos teatros e operetas.<\/p>\n<p>A sua morte passou inicialmente despercebida e tive de mandar uma nota para o munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Todas as pessoas que se cruzam connosco ao longo da vida, deixam uma marca. De Meira Burguete, saibamos enaltecer o esp\u00edrito cr\u00edtico, de homem livre, desinteressado, mesmo quando n\u00e3o se concordava com ele. Quem somos n\u00f3s para julgar<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (antigo Director da \u00abGazeta do Tejo\u00bb)<\/p>\n<p>PS \u2013 n\u00e3o uso o dito AOLP<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/meira-burguete-um-ribatejano-no-lusitania-expresso\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte do jornalista Max Stahl traz-nos \u00e0 mem\u00f3ria a miss\u00e3o \u00abPaz em Timor\u00bb\u00a0do ferry boat\u00a0\u00abLusit\u00e2nia Expresso\u00bb, em 1992. 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