{"id":39809,"date":"2021-09-12T01:30:52","date_gmt":"2021-09-12T00:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=39809"},"modified":"2021-09-12T01:34:28","modified_gmt":"2021-09-12T00:34:28","slug":"manuela-poitout-a-saida-da-compal-do-entroncamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-a-saida-da-compal-do-entroncamento\/","title":{"rendered":"MANUELA POITOUT | A sa\u00edda da COMPAL do Entroncamento"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1174\" aria-describedby=\"caption-attachment-1174\" style=\"width: 271px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1174\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelaPoitout.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"292\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1174\" class=\"wp-caption-text\">Manuela Poitout manuelapoitout@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 vi escrito em coment\u00e1rio, e por isso penso que ser\u00e1 convic\u00e7\u00e3o de algumas pessoas, que a COMPAL saiu do Entroncamento por culpa da C\u00e2mara Municipal de ent\u00e3o, que n\u00e3o teria propiciado as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 sua perman\u00eancia.<br \/>\nA nenhuma C\u00e2mara interessaria dificultar a vida a uma empresa com o n\u00edvel e as dimens\u00f5es da COMPAL, mas a ideia parece ser antiga, e s\u00f3 andando para tr\u00e1s, e lendo documentos da \u00e9poca e da pr\u00f3pria empresa, se ver\u00e1 at\u00e9 que ponto uma tal afirma\u00e7\u00e3o ter\u00e1 uma base de verdade.<br \/>\nA COMPAL nasceu no Entroncamento em 1952, e afirmou-se desde logo como uma empresa relevante na ind\u00fastria nacional. Saiu da ent\u00e3o vila ferrovi\u00e1ria em 1972, vinte anos de perman\u00eancia que aqui se evocar\u00e3o nos seus aspetos essenciais, n\u00e3o s\u00f3 para relembrar uma parte da Hist\u00f3ria Industrial do Entroncamento, mas tamb\u00e9m para aclarar algumas \u201cnebulosidades\u201d que persistem. Durante esse tempo, a empresa contactou com tr\u00eas presidentes da C\u00e2mara, Jos\u00e9 Duarte Coelho at\u00e9 1959, Manuel Pedroso Gon\u00e7alves, de 1959 a 1961, e Eug\u00e9nio Poitout no tempo restante.<br \/>\nPara enquadrar devidamente o nascimento da COMPAL, \u00e9 mister recuar at\u00e9 fevereiro de 1948, quando foi inaugurada, no Entroncamento, uma f\u00e1brica conhecida por Frut\u00e1lia, cujo produto era a Grapina, sumo natural de uva, e a empresa Sociedade Produtora de Fruta L\u00edquida. Estava ligada \u00e0 fam\u00edlia Agostinho, e funcionava no espa\u00e7o industrial da firma Jos\u00e9 Marques Agostinho, Filhos &amp; C.\u00aa. Tecnologia estrangeira da mais moderna, engenheiro su\u00ed\u00e7o a dirigir a maquinaria, larga campanha publicit\u00e1ria, nada faltou, numa \u00e9poca de p\u00f3s-guerra bem dif\u00edcil. A f\u00e1brica foi pioneira. O mentor era Ant\u00f3nio Marques Agostinho, que veio a faleceu 2 anos depois, em 1949.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-39810 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/OE-20-5-1969.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/OE-20-5-1969.jpg 555w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/OE-20-5-1969-495x420.jpg 495w\" sizes=\"auto, (max-width: 555px) 100vw, 555px\" \/><br \/>\nA empresa continuou com os restantes s\u00f3cios, mas ressentiu-se seriamente da falta de Ant\u00f3nio Agostinho. Em 1952, surgiu a grande oportunidade &#8211; a funda\u00e7\u00e3o da COMPAL, utilizando o espa\u00e7o fabril da antiga Frut\u00e1lia. Sobre a funda\u00e7\u00e3o e os primeiros anos de funcionamento da nova empresa, transcrevo um texto publicado online, em 17 de mar\u00e7o de 2010, na p\u00e1gina da CUF.<br \/>\nSurge em 1952 a COMPAL \u2013 Companhia Produtora de Conservas Alimentares detendo um capital inicial de sete mil contos, dividido em a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias de mil escudos, fruto de uma fus\u00e3o de duas f\u00e1bricas: a Sociedade de Fruta L\u00edquida e a ENCA \u2013 Empresa Nacional de Conservas Alimentares. \u00c9 considerada desde logo uma empresa inovadora, apostando nos m\u00e9todos cient\u00edficos, o que muito nos diz do tipo de acionistas (nomes sonantes da agronomia, t\u00e9cnicos superiores e at\u00e9 professores do ISA \u2013 Instituto Superior de Agronomia, complementado por propriet\u00e1rios rurais). O local escolhido para a implanta\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica \u00e9 o Entroncamento, \u00e1rea forte de produ\u00e7\u00e3o hortofrut\u00edcola. A estrat\u00e9gia comercial da COMPAL nesta primeira fase \u00e9 especialmente dedicada ao concentrado de tomate, que estava em alta nos mercados internacionais. Por isso contacta com t\u00e9cnicos estrangeiros (alem\u00e3es e italianos) numa \u00f3tica de transfer\u00eancia e aquisi\u00e7\u00e3o de moderna tecnologia. Apesar dos normais problemas de funcionamento da nova unidade fabril, a COMPAL come\u00e7a a ganhar nome, cresce, tanto no mercado interno como no externo para onde exporta parte da sua produ\u00e7\u00e3o (Inglaterra e Noruega), e em 1957 dando o mercado grandes sinais de vitalidade, aumenta a sua capacidade fabril.<br \/>\nPelo exposto, \u00e9 \u00f3bvio que a atividade da f\u00e1brica era intensa e, consequentemente, o movimento de entrada da mat\u00e9ria-prima (na \u00e9poca, o tomate) e de sa\u00edda do produto industrializado processava-se ao mesmo ritmo. Para facilitar o acesso das viaturas \u00e0 f\u00e1brica, foi desativado da servid\u00e3o p\u00fablica um velho caminho que servia as Vaginhas e Ponte da Pedra, caminho que era usado h\u00e1 muito tempo, diziam os antigos que seria centen\u00e1rio.<br \/>\nA supress\u00e3o do caminho surpreendeu os utentes dele, habituados que estavam, h\u00e1 tantos anos, a passar por ali, e um vaginhense manifestou-se em carta para o jornal O Entroncamento:<br \/>\nComo vaginhense que me prezo, venho junto de V. pelo seguinte motivo: Existe, h\u00e1 perto de uma centena de anos, uma rua que liga o Largo do Freixo ao Bairro da Ponte da Pedra; mas, como a f\u00e1brica \u201cCompal\u201d abrisse para a citada rua uma serventia para seu governo e aterrasse (n\u00e3o sei com que direito) o restante tro\u00e7o que vai al\u00e9m da entrada da referida f\u00e1brica para o Bairro da Ponte da Pedra, foi o bom povo das Vaginhas obrigado a passar mais ao lado, pois as obras da f\u00e1brica apanharam a estrada quase toda. N\u00e3o era isso, por\u00e9m, o que nos faria mal.<br \/>\nO pior foi terem tapado a passagem com um taipal de madeira tosca, no princ\u00edpio do seu alinhamento. Houve algumas pessoas que protestaram, mas infelizmente sem \u00eaxito, pois o citado taipal continua na mesma a privar-nos do nosso caminho, que foi e ser\u00e1 sempre nosso. N\u00e3o se priva um povo de uma regalia que de direito lhe pertence h\u00e1 quase uma centena de anos.<br \/>\nComo a voz do Povo \u00e9 a voz de Deus, pedimos, por interm\u00e9dio do nosso jornal, que nos seja feita justi\u00e7a, pois assiste-nos esse direito.<br \/>\nAo que nos consta, parece que j\u00e1 houve quem dissesse que aquilo era um simples carreiro, mas n\u00e3o, n\u00e3o era, e n\u00e3o \u00e9; \u00e9, sim, uma estrada, tanto mais que nela foi assente a rede de \u00e1guas que abastece o Bairro da Ponte da Pedra.<br \/>\nComo prova de que ali sempre existiu a rua em quest\u00e3o, h\u00e1 na Ponte da Pedra duas pessoas de avan\u00e7ada idade que o podem testemunhar, e nas Vaginhas tamb\u00e9m existem algumas. (O Entroncamento n.\u00ba 183, 30-08-1954)<br \/>\nEm contracorrente com as queixas, Jos\u00e9 Duarte Coelho foi implac\u00e1vel. Em 25 de novembro desse ano de 1954, decidiu o elenco camar\u00e1rio desafetar do uso p\u00fablico o tal caminho que ligava a Rua Ant\u00f3nio Marques Agostinho aos arrabaldes da Ponte da Pedra, convidando todas as pessoas interessadas a apresentar as suas reclama\u00e7\u00f5es, quando justas, na referida C\u00e2mara, para o que foram afixados os respetivos editais.<br \/>\nN\u00e3o se sabe se algu\u00e9m foi \u00e0 C\u00e2mara reclamar, mesmo estando os afetados convictos da justi\u00e7a das suas raz\u00f5es. Os tempos n\u00e3o eram prop\u00edcios a reclama\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os, mesmo as justas.<br \/>\nUma parte do tal caminho, julgo, a que foi desafetada, passaria no espa\u00e7o situado entre os chamados port\u00f5es da Compal, espa\u00e7o hoje privado. Vaginhenses e passantes de ocasi\u00e3o passaram a ter de contornar as instala\u00e7\u00f5es das f\u00e1bricas Agostinhos, pela estrada Nacional 3, para chegarem \u00e0 Ponte da Pedra. Retirava-se. assim, ao povo, um privil\u00e9gio antigo, uma passagem p\u00fablica, para favorecer a nova empresa.<br \/>\nApesar do crescimento progressivo, a COMPAL teve problemas, que o cronista designou de fragilidades financeiras, e aqui retomamos o texto com o historial da empresa, dando-lhe continuidade:<br \/>\nMas desde cedo o projeto COMPAL revelou fragilidades financeiras em termos de capitais, fundamentais para uma ind\u00fastria deste tipo, que necessita de constante investimento na moderniza\u00e7\u00e3o das suas unidades, dinheiro esse que a empresa s\u00f3 consegue atrav\u00e9s de empr\u00e9stimos banc\u00e1rios. O ano de 1958 e seguintes ir\u00e3o marcar um ponto de viragem, com um abrandamento das suas vendas, acumula\u00e7\u00e3o de stocks e problemas financeiros, em que os acionistas que poderiam ajudar a empresa, acabam por se desligar dela.<br \/>\nA Administra\u00e7\u00e3o procura solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis, passando uma delas por encontrar um novo acionista de refer\u00eancia. Sabendo que a CUF se encontrava interessada em se expandir para o sector alimentar, come\u00e7aram as negocia\u00e7\u00f5es para a aquisi\u00e7\u00e3o maiorit\u00e1ria das a\u00e7\u00f5es da empresa em 1963, ap\u00f3s uma visita do Dr. Jorge de Mello e de outros t\u00e9cnicos da CUF \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da empresa.<br \/>\nIniciava-se assim um novo ciclo da COMPAL, agora inserida no grande e diversificado grupo empresarial da CUF que a vai salvar da ru\u00edna e transform\u00e1-la numa marca de refer\u00eancia no mercado nacional. A empresa passava a deter um maior acesso ao cr\u00e9dito (atrav\u00e9s do Banco Totta), chegam novos gestores e uma nova cultura empresarial. Logo de imediato \u00e9 discutido um plano de expans\u00e3o imediata pelo qual passava a constru\u00e7\u00e3o duma nova f\u00e1brica, que viria a [ser] constru\u00edda em Almeirim sob a supervis\u00e3o de outra empresa do grupo: a Profabril. Esta f\u00e1brica arranca a todo o vapor no ano de 1964, com os mais modernos equipamentos que vieram de It\u00e1lia (\u2026)<br \/>\nEm 1967 a empresa come\u00e7ou a comercializar doces de fruta, bem como sopas enlatadas (segmento onde estava na vanguarda), latas de favas e ervilhas, pur\u00e9 de gr\u00e3o, pur\u00e9 de feij\u00e3o, etc. A distribui\u00e7\u00e3o da COMPAL \u00e9 integrada na rede CUF\/SONADEL, o que significa chegar a zonas mais afastadas e menos rent\u00e1veis devido \u00e0 enorme e eficaz cobertura que tal rede possu\u00eda. Centra-se a produ\u00e7\u00e3o na F\u00e1brica de Almeirim.<br \/>\n\u00c9 evidente que, a partir de 1964, com a constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em Almeirim, muito mais moderna, com a produ\u00e7\u00e3o centrada l\u00e1, e com novos produtos, a f\u00e1brica do Entroncamento passa a segundo plano.<br \/>\nA not\u00edcia de uma poss\u00edvel mudan\u00e7a ter\u00e1 come\u00e7ado a circular na opini\u00e3o p\u00fablica no in\u00edcio de 1970, \u00e9poca que o cronista da COMPAL caracteriza como de decl\u00ednio do concentrado de tomate e necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o noutras \u00e1reas.<br \/>\nO boato sobre as culpas da C\u00e2mara ter\u00e1 circulado na mesma altura, o que vai motivar uma tomada de posi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria C\u00e2mara, e depois da empresa, traduzida em documento enviado \u00e0 edilidade do Entroncamento, e comentado em ata de 9 de abril de 1970, cujo conte\u00fado se reproduz:<br \/>\nEm seguida o Senhor Presidente apresentou o of\u00edcio n.\u00ba mil oitocentos e vinte e um, de vinte seis de mar\u00e7o \u00faltimo, remetido pela Companhia Produtora de Conservas Alimentares \u2013 Compal \u2013 e que \u00e9 a resposta ao of\u00edcio n.\u00ba quinhentos e tr\u00eas, de doze do mesmo m\u00eas, desta C\u00e2mara Municipal. Lido que foi este of\u00edcio, o Senhor Presidente prestou os seguintes esclarecimentos: &#8211; Tem sido voz corrente no Entroncamento, que a Compal ia mudar as suas instala\u00e7\u00f5es do nosso concelho para o de Almeirim, por virtude de exig\u00eancias feitas pela nossa C\u00e2mara e que esta Empresa n\u00e3o pode cumprir. Como estas afirma\u00e7\u00f5es, feitas a t\u00edtulo gratuito, sem qualquer veracidade e s\u00f3 com o intuito de comprometer a nossa administra\u00e7\u00e3o, [\u2026] do que se passava, dado que a C\u00e2mara Municipal do Entroncamento sempre se tem interessado pela manuten\u00e7\u00e3o e bem-estar da Compal nesta vila. O of\u00edcio ora recebido \u00e9 bem elucidativo neste sentido. Assim supondo acautelada a posi\u00e7\u00e3o do nosso Munic\u00edpio no caso em quest\u00e3o, proponho que se transcreva na ata desta reuni\u00e3o, o of\u00edcio que acabo de ler. Segue-se o teor do of\u00edcio: &#8211; \u201c\u00c0 C\u00e2mara Municipal do Entroncamento \u2013 Excelent\u00edssimos Senhores, Recebemos o prezado of\u00edcio de Vossas Excel\u00eancias n\u00famero quinhentos e tr\u00eas de doze do corrente, a cujo conte\u00fado dedic\u00e1mos a nossa maior aten\u00e7\u00e3o e que muito agradecemos. \u00c9 para n\u00f3s lament\u00e1vel verificar que a um assunto que tem como raz\u00e3o de ser motivos de ordem interna da empresa \u2013 o estudo da concentra\u00e7\u00e3o das nossas atividades industriais, tendo como eventual consequ\u00eancia a transfer\u00eancia dos nossos servi\u00e7os atualmente em explora\u00e7\u00e3o no Entroncamento \u2013 seja emprestado um significado diferente e totalmente errado. Mais nos desgosta saber que o boato levantado em torno deste problema aflora poss\u00edveis atitudes da Excelent\u00edssima C\u00e2mara para com a Compal, quando esta empresa se congratula por ter sempre recebido a melhor colabora\u00e7\u00e3o de Vossas Excel\u00eancias e dos seus servi\u00e7os. Nessa base de compreens\u00e3o t\u00eam decorrido as entrevistas havidas entre o signat\u00e1rio e Vossas Excel\u00eancias, sendo para n\u00f3s motivo do maior apre\u00e7o a forma como nos foram postos todos os assuntos relativos \u00e0 nossa f\u00e1brica no Entroncamento e a maneira como foram entendidos os problemas de ordem interna que nos sentimos no dever de expor abertamente para explica\u00e7\u00e3o do nosso procedimento. Por tudo isso e para os fins que Vossa Excel\u00eancia tiver por convenientes desejamos deixar expresso o nosso rep\u00fadio por quaisquer boatos em que se insinuem estarem eventuais decis\u00f5es administrativas da Compal relacionadas com qualquer atitude menos pr\u00f3pria ou lesiva dos seus interesses por parte dessa Excelent\u00edssima C\u00e2mara. Mais desejamos reafirmar o grato prazer que temos tido na franca compreens\u00e3o da C\u00e2mara para com os nossos problemas, nomeadamente atrav\u00e9s do seu Excelent\u00edssimo Presidente. \u00c9 com o nosso agradecimento pelas aten\u00e7\u00f5es recebidas que nos subescrevemos apresentando a Vossas Excel\u00eancias os nossos melhores cumprimentos. Muito atentamente \u2013 Compal \u2013 o Administrador J. M. Sousa Catita. (Livro de atas camar\u00e1rias n.\u00ba 22, fls.82, 82 v. e 83)<br \/>\nSe o jornal O Entroncamento ainda existisse, a C\u00e2mara poderia ter dado alguma publicidade \u00e0 carta da COMPAL, atrav\u00e9s do cronista-mor Eduardo O. P. Brito. Mas o nosso peri\u00f3dico local tinha sido suspenso pela censura em novembro do ano anterior. Faz\u00ea-lo atrav\u00e9s dos numerosos jornais de que O. P. Brito era correspondente, seria outro meio de tentar combater o boato. Mas mesmo que esses meios tenham sido utilizados, \u00e0 dist\u00e2ncia de 50 anos n\u00e3o podemos avaliar a efic\u00e1cia da mensagem nos boateiros.<br \/>\nO que podemos avaliar \u00e9 a efic\u00e1cia do boato, porque ele persistiu ao longo de meio s\u00e9culo.<br \/>\nQuanto \u00e0 COMPAL, tal como se desenhava j\u00e1 nos seus projetos, em 1970, em 1972 mudou para Almeirim. Eis, o que sobre o assunto, se l\u00ea no Relat\u00f3rio de Contas da empresa, relativo a 1972:<br \/>\nCompal \u2013 Relat\u00f3rio e contas do exerc\u00edcio de 1972<br \/>\nSrs. Acionistas \u2013 Cumprindo os estatutos, vimos submeter a VV. Ex.as o relat\u00f3rio, balan\u00e7o e desenvolvimento da conta \u201cGanhos e perdas\u201d correspondentes ao exerc\u00edcio de 1972.<br \/>\nO volume total das vendas atingiu 166.425 contos. Verifica-se que n\u00e3o s\u00f3 se aumentaram as vendas totais em 14,5% sobre o exerc\u00edcio anterior, como se conseguiu minorar a nossa depend\u00eancia do concentrado de tomate.<br \/>\nNo que se refere propriamente ao concentrado de tomate, registou-se no final da campanha forte procura, provocada pelo mau ano agr\u00edcola nalguns pa\u00edses produtores, que esperamos venha a ter reflexos favor\u00e1veis no pr\u00f3ximo exerc\u00edcio.<br \/>\nLamentavelmente, e pelas raz\u00f5es de todos conhecidas, vimo-nos obrigados a cessar praticamente as nossas vendas para Angola e Mo\u00e7ambique, que se vinham desenvolvendo a ritmo muito satisfat\u00f3rio.<br \/>\nA conclus\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de centraliza\u00e7\u00e3o dos fabricos e armazenagens em Almeirim e o consequente encerramento das instala\u00e7\u00f5es no Entroncamento realizaram-se no exerc\u00edcio em aprecia\u00e7\u00e3o. Este facto que, conduzindo a racionaliza\u00e7\u00e3o dos fabricos, ir\u00e1 certamente permitir melhorar custos, provocou uma regulariza\u00e7\u00e3o de parcelas patrimoniais, o que se evidencia no balan\u00e7o.<br \/>\n(\u2026) Os resultados negativos do exerc\u00edcio, no montante de 65,886$70, s\u00e3o a express\u00e3o da atividade no ano de 1972. N\u00e3o se pode, pois, deixar de considerar que nos estamos situando no ponto de viragem da empresa.<br \/>\n(Di\u00e1rio do Governo n.\u00ba 161 III S\u00e9rie, 11-07-1973, p. 6068)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-a-saida-da-compal-do-entroncamento\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 vi escrito em coment\u00e1rio, e por isso penso que ser\u00e1 convic\u00e7\u00e3o de algumas pessoas, que a COMPAL saiu do Entroncamento por culpa da C\u00e2mara Municipal de ent\u00e3o, que n\u00e3o teria propiciado as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 sua perman\u00eancia. 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