{"id":39032,"date":"2021-08-26T08:30:14","date_gmt":"2021-08-26T07:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=39032"},"modified":"2021-08-26T08:30:14","modified_gmt":"2021-08-26T07:30:14","slug":"dois-seculos-da-estrada-nova-e-da-ponte-de-punhete-obras-do-braco-real-de-grande-importancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/dois-seculos-da-estrada-nova-e-da-ponte-de-punhete-obras-do-braco-real-de-grande-importancia\/","title":{"rendered":"Dois s\u00e9culos da \u00abEstrada nova\u00bb e da \u00abponte de Punhete\u00bb obras do Bra\u00e7o Real de \u00abgrande import\u00e2ncia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro decorrer\u00e3o 195 anos sobre a conclus\u00e3o da obra da \u00abestrada nova\u00bb e da \u00abPonte de Punhete\u00bb (Ponte de Santo Antoninho, de Const\u00e2ncia), do primeiro quartel do s\u00e9culo XIX, a qual decorreu ao longo de 15 meses.\u00a0 Quase dois s\u00e9culos depois deste verdadeiro ordenamento da margem\u00a0 do \u00abrio\u00bb (Z\u00eazere) e da pr\u00f3pria vila, trazemos \u00e0 tona essa mem\u00f3ria escrita.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio da Reparti\u00e7\u00e3o das obras p\u00fablicas, publicado em Novembro de 1826 no jornal oficial, o comprimento da estrada foi de 1:200 bra\u00e7as (medida antiga de comprimento com 2,20m, segundo a wikip\u00e9dia), o que perfaz 2640 metros, desde a margem do Z\u00eazere, at\u00e9 diante da ponte, a qual \u00ab\u00e9 de alvenaria, com um grande arco de cantaria, tendo na entrada um padr\u00e3o bem constru\u00eddo\u00bb (ponte entretanto conhecida pelos locais imemorialmente por, Ponte de Santo Antoninho,\u00a0 anotamos). A import\u00e2ncia geral da despesa \u00absubiu a 7:059,182 r\u00e9is\u00bb os quais, \u00e9 dito, \u00absa\u00edram \u00abdo produto do imposto dos cereais estrangeiros\u00bb.\u00a0 Deixo a convers\u00e3o para os mel\u00f3manos\u2026<\/p>\n<figure id=\"attachment_39033\" aria-describedby=\"caption-attachment-39033\" style=\"width: 683px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-39033\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Foto5Constancia.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"383\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39033\" class=\"wp-caption-text\">Const\u00e2ncia numa Aguarela de Casanova. 1883. Reprodu\u00e7\u00e3o de original de Vicente Themudo de Castro. Com bom reparo, notam-se os contornos da dita \u00abestrada nova\u00bb pelo centro da vila, \u00e0 esquerda.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta obra, iniciada em Junho de 1825, obteve a sua conclus\u00e3o em Outubro do ano seguinte e foi assumida oficialmente como \u00abde grande import\u00e2ncia\u00bb devido \u00e0s cheias invernosas do Tejo que \u00abimpediam o tr\u00e2nsito, cobrindo a por\u00e7\u00e3o de estrada antiga, que ali existia\u00bb. Com este investimento deu-se nova direc\u00e7\u00e3o \u00e0 estrada, pelo centro da vila de Punhete, \u00absem causar preju\u00edzo aos seus habitantes\u00bb, anota-se no relat\u00f3rio. As interven\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e9poca consistiram numa grande por\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ada ao lado do Z\u00eazere, explicando-se que \u00abfoi preciso profundar o terreno em v\u00e1rios s\u00edtios, fortificando ao mesmo passo, uma consider\u00e1vel extens\u00e3o da barreira daquele rio\u00bb. No relat\u00f3rio detalha-se que em v\u00e1rios pontos \u00abfoi preciso levantar paredes para obstar ao precip\u00edcio dos viandantes, e em outros a fim de evitar atoleiros, se fizeram 1:114 varas de cal\u00e7ada\u00bb; uma bra\u00e7a (2,20m) dividia-se em 2 varas segundo a wikip\u00e9dia. O relat\u00f3rio contempla ainda outros detalhes, a n\u00e3o descurar: na totalidade da obra empregaram-se \u00ab912 bra\u00e7as de alvenaria\u00bb, \u00ab2486 de rocha cortada\u00bb, \u00ab1938 de entulho\u00bb, \u00ab2700 de desentulho\u00bb, sendo o comprimento geral da estrada de 2402 varas ou seja, 2642 metros. Foram colocados na extens\u00e3o da estrada, anote-se, \u00ab204 marcos de pedra\u00bb. Augusto Alves Soares, nascido em 1911, sobrinho do m\u00e9dico e agricultor\u00a0 Dr Augusto da Costa Falc\u00e3o\u00a0 contava-me hist\u00f3rias que ouviu sobre o uso de dinamite para cortar rochas, no caso,\u00a0 junto \u00e0 Pesqueira na Arrochela (por a\u00ed \u00e9 a estrada do Malvar, claro). Sabemos que a dita \u00abestrada nova\u00bb passava, antes, \u00abpelo centro da vila\u00bb. Nos anos 30 o seu tro\u00e7o correspondia ainda \u00e0 actual Rua Vicente Themudo de\u00a0 Castro (rua dos Correios actuais), diziam os antigos.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 ponte de Punhete, l\u00ea-se no relat\u00f3rio da Intend\u00eancia que o arco de cantaria da ponte tem 24 palmos de largura e 31 de alto (um palmo teria cerca de 0,20m, segundo a wikip\u00e9dia) o que perfaz 4,8 metros de largura e 6,2 metros de altura.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o, boa economia e direc\u00e7\u00e3o dos trabalhos ficou a cargo do Comendador Jos\u00e9 de Sousa Falc\u00e3o, acaso um dos benem\u00e9ritos da Capela de Santa Ana de Const\u00e2ncia, a t\u00edtulo de exemplo. No relat\u00f3rio enaltece-se os \u00abrelevantes servi\u00e7os\u00bb prestados \u00abgratuitamente\u00bb pelo nosso conterr\u00e2neo nesta e noutras obras (Pontes de Tancos, S\u00f4r e outras), registando-se o desenvolvimento \u00abdo maior patriotismo, zelo, actividade e desinteresse em utilidade da Fazenda e do p\u00fablico\u00bb. O Padre Ver\u00edssimo tamb\u00e9m d\u00e1 conta disto. A obra foi fiscalizada pela Intend\u00eancia, pelo Major e Engenheiro, Raymundo Peres de Mil\u00e3o, por acaso, autor da planta do quartel do regimento de Infantaria 20 da pra\u00e7a de Abrantes.<\/p>\n<p>Em 1830, o padre Ver\u00edssimo, na sua monografia manuscrita, a qual veria apenas a luz do dia pela m\u00e3o do\u00a0 ilustre m\u00e9dico Dr Jos\u00e9 Godinho em 1947, descreve assim a nova estrada: \u00abTem outra estrada mais central, a que chamam a \u00abestrada nova\u00bb, que \u00e9 a mais frequentada de inverno, quando as chuvas e inunda\u00e7\u00f5es do Tejo, tornam a estrada do Malvar intransit\u00e1vel; \u00e9 na mesma direc\u00e7\u00e3o para a vila de Abrantes, feita com toda grandeza pelo Bra\u00e7o Real; \u00e9 larga, plana, c\u00f3moda e bem andamoza, pois cautelosamente se lhe removeram todos os obst\u00e1culos que podiam ocasionar ainda algum leve impedimento no seu tr\u00e2nsito. Come\u00e7a no Z\u00eazere junto \u00e0 bela quinta de Milharada, \u00e0 fonte chamada do Vig\u00e1rio, tem no seu come\u00e7o uma bacia com meias laranjas e assentos com cantarias; tem tr\u00eas pontes em tr\u00eas ribeiros, a primeira no fim do campo de Prianes, a segunda pr\u00f3xima \u00e0 quinta de S\u00e3o Vicente e sobranceira \u00e0 quinta das Almas, e ambas t\u00eam assentos de cantaria para recreio e descanso, dos que transitam, com tr\u00eas fontes pr\u00f3ximas, a que chamam do \u00abGameiro\u00bb, da \u00abCapareira\u00bb e de \u00abPrazeres\u00bb. \u00c9 a \u00faltima, ou a terceira ponte, no Ribeiro de Caldelas, pr\u00f3ximo \u00e0 quinta do Pinhal, a que vulgarmente chamam de \u00abSanto Antoninho\u00bb. Aquele cultor das antiguidades d\u00e1-nos ainda uma descri\u00e7\u00e3o desta \u00faltima ponte, objecto do presente artigo: \u00ab\u00e9 de bel\u00edssima constru\u00e7\u00e3o, e mui extensa, pois abrange de um a outro monte; tem um majestoso arco, e guardas, tudo de cantaria gateada de ferro; tem no fim, para o lado oriental, um soberbo e elevado padr\u00e3o de ordem D\u00f3rica, com esta legenda: \u00abNo ano de 1825, reinando o muito Alto e poderoso Imperador e Rei o Senhor D. Jo\u00e3o Sexto se mandou construir para utilidade p\u00fablica esta ponte\u00bb\u00bb.<\/p>\n<p>A estas obras n\u00e3o ser\u00e1 alheia a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fico-militar de Const\u00e2ncia se tivermos em considera\u00e7\u00e3o a Fortaleza do Outeiro da Concei\u00e7\u00e3o,\u00a0 a sul do \u00abrio\u00bb onde, em 1823, por ocasi\u00e3o das crises revolucion\u00e1rias e debaixo da inspec\u00e7\u00e3o do Tenente Coronel Jos\u00e9 Carlos, se mandou mais uma vez, arranjar a dita fortaleza edificada inicialmente pelo Conde de Lipe, na guerra contra a Espanha.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS \u2013 n\u00e3o uso o dito AOLP.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/dois-seculos-da-estrada-nova-e-da-ponte-de-punhete-obras-do-braco-real-de-grande-importancia\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro decorrer\u00e3o 195 anos sobre a conclus\u00e3o da obra da \u00abestrada nova\u00bb e da \u00abPonte de Punhete\u00bb (Ponte de Santo Antoninho, de Const\u00e2ncia), do primeiro quartel do s\u00e9culo XIX, a qual decorreu ao longo de 15 meses.\u00a0 Quase dois s\u00e9culos depois deste verdadeiro ordenamento da margem\u00a0 do \u00abrio\u00bb (Z\u00eazere) e da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-39032","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39032"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39032\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}