{"id":38329,"date":"2021-08-07T17:13:34","date_gmt":"2021-08-07T16:13:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=38329"},"modified":"2021-08-07T17:14:03","modified_gmt":"2021-08-07T16:14:03","slug":"para-um-roteiro-literario-de-constancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/para-um-roteiro-literario-de-constancia\/","title":{"rendered":"Para um Roteiro liter\u00e1rio de Const\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<h6>Elviro da Rocha Gomes, ilustre constanciense, poeta, escritor, tradutor e publicista, \u00e9 reconhecido como respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds de poetas de l\u00edngua alem\u00e3. Depois da nossa cr\u00f3nica sobre outro poeta de renome da mesma vila, Tomaz Vieira da Cruz, com honras na enciclop\u00e9dia brit\u00e2nica, destaque para um outro literato, Elviro, filho e neto das nossas gentes, autor de diferentes g\u00e9neros liter\u00e1rios.<\/h6>\n<p>Elviro Augusto da Rocha Gomes nasceu em Const\u00e2ncia em 28 de Outubro de1918 e faleceu em Agosto de 2009. Era filho de Isidoro da Silva Gomes (escritor e autor de \u00ab\u00cdmpetos Naturais\u00bb sobre Const\u00e2ncia) e de Georgina Rocha, filha do mar\u00edtimo Jo\u00e3o Rocha, a qual ter\u00e1 falecido aos 36 anos de idade, em Macedo de Cavaleiros.<\/p>\n<p>O autor licenciou-se em filologia germ\u00e2nica pela Universidade de Coimbra. Foi professor do Liceu em Lisboa, Coimbra, Funchal (para onde foi \u00abdesterrado\u00bb segundo alguns), Viana do Castelo e Faro (cidade onde se dedicou apenas \u00e0 literatura).<\/p>\n<p>Elviro Gomes foi poeta, escritor, tradutor e publicista, tendo sido \u00a0respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds de poetas de l\u00edngua alem\u00e3. Foi Director do C\u00edrculo Cultural do Algarve e dinamizador de ciclos de confer\u00eancias que marcaram a vida cultural da regi\u00e3o na primeira metade do s\u00e9culo XX. Escreveu para jornais e revistas, real\u00e7ando-se: \u201cDi\u00e1rio do Norte\u201d, \u201cAurora do Lima\u201d, \u201cGazeta do Sul\u201d, \u201cAlgarve Ilustrado\u201d e \u201cO Algarve\u201d, entre outros. \u00a0\u00a0Segundo o Jornal \u00abRegi\u00e3o Sul, que vimos seguindo de perto, Elviro Gomes marcou, \u00abpela sua forma diferente de ensinar, gera\u00e7\u00f5es de alunos que passaram pelo Liceu de Faro\u00bb.\u00a0 Em 1990, foi-lhe mesmo atribu\u00edda a Medalha de M\u00e9rito, Grau Ouro, pelo Munic\u00edpio, \u00abpelos servi\u00e7os relevantes nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da cultura\u00bb.\u00a0 De acordo com o mesmo \u00a0\u00f3rg\u00e3o de imprensa, \u00abElviro \u00a0publicou dezenas de obras de poesia, boa parte com ilustra\u00e7\u00f5es de capa de Vicente de Brito e de Jos\u00e9 Maria Oliveira, sempre em edi\u00e7\u00f5es de autor, que pontualmente oferecia a amigos, com a devida dedicat\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 1953 a 1969 ter\u00e1 beneficiado de uma bolsa de estudos no estrangeiro, atrav\u00e9s do Instituto de Alta Cultura.<\/p>\n<p>Seguindo de perto a informa\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fico-liter\u00e1ria do pr\u00f3prio autor (que procurei actualizar) com quem tive o prazer de trocar correspond\u00eancia, podemos assim inventariar:<\/p>\n<p>Com efeito, \u00a0Elviro Gones \u00e9 autor de v\u00e1rios livros, tendo cultivado os seguintes g\u00e9neros:<\/p>\n<p>Ensaio &#8211; \u00abA alma nos grandes romances de Hermann Stehr, (1943).Albert Scheweizer (1957), O que eles disseram de Portugal, (1960), Vulpes Fabulosa (1960), Astros com luz pr\u00f3pria (1961), Goethe (1962), A rosa na poesia (1962), Aves po\u00e9ticas (1963), Apontamentos de literatura alem\u00e3 (1966), Dificuldade de pensamento (1968), Impress\u00f5es sobre poetas (1972), A ilha de Man (1973), Luz e lume na obra de Teixeira Gomes (1980), Hitler (1981), O riso de Fialho d\u2019Almeida (1981), A cr\u00edtica social na obra de Assis Esperan\u00e7a (1981, Enredando enredos (1982).<\/p>\n<p>Poesia \u2013 Deixaste cair uma rosa (1955), Rua Longa (1956), Jos\u00e9 (1958), O longe e o perto (1960), O sul do meu pa\u00eds (1960), Helen Keller (1961), Entre par\u00eantesis (1961), Bom tom (1963), Desenhos de alma (1964), Aceitar (1965), Sorridente (1968), Com licen\u00e7a (1969), O dia do pai (1969), A bruxa (1973), 25 de Abril (1974). Entender (1987). Ilus\u00e3o (1988). Tr\u00e9guas (2000).<\/p>\n<p>Fic\u00e7\u00e3o em prosa \u2013 Libelinha (1962), Nem sempre (1967), Nel (1971).<\/p>\n<p>Teatro \u2013 Crueldade (1959), Leopoldo Salvaterra (1959).<\/p>\n<p>Estudos lingu\u00edsticos \u2013 Gloss\u00e1rio sucinto para compreender Emiliano da Costa (1956), Gloss\u00e1rio sucinto para compreender Aquilino Ribeiro (s.d.), Como falam os alem\u00e3es (1974), Mostra a l\u00edngua (1982).<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00f5es \u2013 Em Prosa: Educa\u00e7\u00e3o e ensino nas escolas secund\u00e1rias alem\u00e3es (1943), A aranha negra, de Jeremias Gotthelf (s.d.), Um \u00edntimo furor, de Kamala Markandaya (s.d.); em verso_ Ramo de flores ex\u00f3ticas (1959), Poetas que a guerra emudeceu (1964).<\/p>\n<p>In\u00e9ditos \u2013 Henrique Verde (romance de Gottfried Keller (tradu\u00e7\u00e3o), O jardim\u00a0 sem esta\u00e7\u00f5es do ano (contos orientais de Max Dauthendey, (tradu\u00e7\u00e3o), O candeeiro (Com\u00e9dia).<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 1953 a 1969 ter\u00e1 beneficiado de uma bolsa de estudos no estrangeiro, atrav\u00e9s do Instituto de Alta Cultura.<\/p>\n<p>O meu interesse pela obra de Elviro Gomes surgiu a prop\u00f3sito de uma visita que fiz nos anos 80 (entre muitas) a uma saudosa amiga, Liberdade da P\u00e1tria Livre, amiga do autor e por acaso, afilhada da Republicano Bernardino Machado. A Dona Liberdade era uma mulher de esquerda, seguidora de Maria Lamas. N\u00e3o estranhei a amizade com Elviro, ele pr\u00f3prio considerado como \u00abhomem de esquerda\u00bb por disc\u00edpulos seus.<\/p>\n<p>Da dona Liberdade recebi um poema de Elviro, em homenagem \u00e0 M\u00f3nica Canhoto de Const\u00e2ncia, publicado em &#8220;O S\u00e9culo&#8221;, na rubrica &#8220;Pim, pam pum'&#8221;.<\/p>\n<p>C\u00e1 vai:<\/p>\n<p>\u00abOctopa, octopa!<br \/>\nM\u00f3nica canhoto,<br \/>\nmulher prazenteira,<br \/>\nera j\u00e1 velhinha<br \/>\nm\u00e3e trabalhadeira.<\/p>\n<p>Sendo testemunha,<br \/>\nsegundo se diz<br \/>\nl\u00e1 no tribunal<br \/>\ndisse-lhe o juiz:<\/p>\n<p>-Em que \u00e9 que se ocupa<br \/>\nDiga l\u00e1, mulher!<br \/>\nE ent\u00e3o prontamente<br \/>\np\u00f4s-se a responder:<\/p>\n<p>-Ai, octopa octopa!<br \/>\nQue of\u00edcio esquisito!<br \/>\n(lhe diz o juiz)<br \/>\nDeve ser bonito!<\/p>\n<p>Qu\u00ea? Octopa? Octopa?<br \/>\nEm que \u00e9 que trabalha?<br \/>\nVai ela, explicou:<br \/>\n-\u00d3 que topa! \u00d3 calha.\u00bb<\/p>\n<h6>Elviro Gomes \u00e9 considerado como um dos vultos incontorn\u00e1veis da cultura farense.\u00a0 Tal reconhecimento levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o em 2019, pela \u00a0\u00a0Uni\u00e3o das Freguesias de Faro (S\u00e9 e S\u00e3o Pedro), Concurso Liter\u00e1rio da Uni\u00e3o das Freguesia de Faro \u2013 \u201cElviro da Rocha Gomes\u201d.\u00a0 O objetivo \u00e9, cita-se, \u00a0\u00abincentivar a criatividade e a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em poesia e prosa, contribuindo-se assim para a defesa e enriquecimento da L\u00edngua Portuguesa e tamb\u00e9m para homenagear o poeta, professor e escritor Elviro da Rocha Gomes\u00bb.<\/h6>\n<p>Jaime Gomes, filho do literato, tem procurado recolher e divulgar atrav\u00e9s do seu blog, \u00a0a obra do pai. \u00abMuitos s\u00e3o versos c\u00f3micos, com uma inoc\u00eancia e candura que espelham a personalidade \u00fanica do autor, que adorava \u201centreter\u201d. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 os poemas sentidos, que nos fazem sonhar e os poemas cr\u00edticos \u00e0s injusti\u00e7as do mundo que nos fazem pensar\u00bb.<\/p>\n<p>Exemplo desses versos c\u00f3micos? Jo\u00e3o Villaret \u00a0leu na TV o poema \u00abVou de coche\u00bb, de Elviro, que repesquei do blog de um seu sobrinho. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 os poemas cr\u00edticos que n\u00e3o perdem a sua actualidade\u2026<\/p>\n<p>\u00abOs enganadores\u00bb<\/p>\n<p>Agora os que nos mentem<br \/>\ne dizem que n\u00e3o mentem<br \/>\nos do conto do vig\u00e1rio,<br \/>\nos de lindas falas que induzem em erro<br \/>\ne os or\u00e1culos de Delfos<br \/>\nque eram vozes de pessoas escondidas:<br \/>\na esses o desprezo.<br \/>\nDigam todos comigo:<br \/>\nAbaixo a explora\u00e7\u00e3o da boa f\u00e9!\u00bb<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS \u2013 n\u00e3o uso o dito AOLP. Na presente cr\u00f3nica procuro apenas compilar dados existentes \u00a0e dispon\u00edveis.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/para-um-roteiro-literario-de-constancia\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elviro da Rocha Gomes, ilustre constanciense, poeta, escritor, tradutor e publicista, \u00e9 reconhecido como respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds de poetas de l\u00edngua alem\u00e3. 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