{"id":37971,"date":"2021-07-29T17:18:52","date_gmt":"2021-07-29T16:18:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=37971"},"modified":"2021-07-30T09:22:29","modified_gmt":"2021-07-30T08:22:29","slug":"manuel-fernandes-vicente-populacao-do-entroncamento-diminui-pela-primeira-vez-nos-censos-de-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-populacao-do-entroncamento-diminui-pela-primeira-vez-nos-censos-de-2021\/","title":{"rendered":"MANUEL FERNANDES VICENTE | Popula\u00e7\u00e3o do Entroncamento diminui pela primeira vez nos Censos de 2021"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1176\" aria-describedby=\"caption-attachment-1176\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1176\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelVicente.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"228\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1176\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Fernandes Vicente manuelvicente@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pela primeira vez, desde que se realizam os Censos oficiais da popula\u00e7\u00e3o e da habita\u00e7\u00e3o em Portugal, o n\u00famero de residentes no concelho do Entroncamento sofreu uma redu\u00e7\u00e3o. De acordo com os resultados preliminares dos Censos de 2021 em Portugal, ontem publicados pelo Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), o munic\u00edpio do Entroncamento registou no momento censit\u00e1rio considerado (em 19 de abril deste ano) uma popula\u00e7\u00e3o de 20 140 pessoas, menos 0,3 por cento do que se verificava em 2011, altura em que o Entroncamento averbava a presen\u00e7a de 20 206 habitantes. Por territ\u00f3rios, e analisando a cidade pelas suas fra\u00e7\u00f5es a noroeste e a sudeste dos caminhos de ferro, verifica-se que a urbe apresenta uma dissemelhan\u00e7a na sua evolu\u00e7\u00e3o, o que se tem acentuado, ali\u00e1s, ao longo dos anos, e \u00e9 mais escrutin\u00e1vel desde que os seu territ\u00f3rios foram institucionalizados como freguesias. Assim, enquanto a freguesia de Nossa Senhora de F\u00e1tima, a freguesia a noroeste, resiste bem, com a sua popula\u00e7\u00e3o a crescer 1,7 por cento (de 12 630 habitantes, em 2011, para 12 851 atualmente, em boa parte desta popula\u00e7\u00e3o devido ao crescimento da popula\u00e7\u00e3o imigrante e de minorias \u00e9tnicas), a freguesia de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, mais vulner\u00e1vel, viu a sua popula\u00e7\u00e3o declinar 3,8 por cento (de 7 576 para 7289), arrastando assim o concelho para um saldo populacional global negativo, a primeira vez que isso sucede entre censos decenais, volte a sublinhar-se.<\/p>\n<p>T\u00eam sido diversos os fatores que t\u00eam contribu\u00eddo para a estagna\u00e7\u00e3o da cidade nos \u00faltimos anos. Por volta de 1975, trabalhavam na zona oficinal do complexo ferrovi\u00e1rio cerca de tr\u00eas mil funcion\u00e1rios, atualmente n\u00e3o s\u00e3o mais de 300 no mesmo per\u00edmetro. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 a CP que desinvestiu abnegadamente na \u201ccidade ferrovi\u00e1ria\u201d (e s\u00f3 n\u00e3o foi absolutamente porque houve uma aposta no Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio, uma obra not\u00e1vel mas em estado de orfandade e com uma estrat\u00e9gia que quase ignora a atra\u00e7\u00e3o de visitantes). \u00c0 ferrovia acrescenta-se a realidade castrense, hoje pouco mais que residual, n\u00e3o havendo at\u00e9 agora tamb\u00e9m capacidade para a cria\u00e7\u00e3o de mais empregos qualificados e atrativos para os jovens da cidade, embora eu acredite que isto depende de muitos fatores a convergir, sendo a perda ou aliena\u00e7\u00e3o do ensino superior no Entroncamento um dos principais.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que estes resultados que o INE torna agora p\u00fablicos, e que t\u00eam apenas um car\u00e1cter preliminar, n\u00e3o s\u00e3o totalmente surpreendentes, e o que neles \u00e9 mesmo mais marcante \u00e9 o aparente fim de uma era em que o Entroncamento permanecia estoicamente entre os concelhos do pa\u00eds que maior crescimento da popula\u00e7\u00e3o apresentava, sendo mesmo um dos rar\u00edssimos munic\u00edpios fora da faixa litoral do pa\u00eds que apresentava um crescimento.<\/p>\n<p>De resto, a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, sofre tamb\u00e9m um decr\u00e9scimo, com menos 214 milhares de habitantes que em 2011. \u00c9ramos em 2011 cerca de 10, 56 milh\u00f5es de residentes, e agora vivem em Portugal 10,35 milh\u00f5es. Mas tamb\u00e9m nestes n\u00fameros h\u00e1 uma disparidade not\u00e1vel, como se o pa\u00eds estivesse montado num plano inclinado, e em que o Interior, mais montanhoso e elevado, vai perdendo popula\u00e7\u00e3o, que \u201cdesce\u201d para o litoral \u00e0 procura de mais oportunidades de trabalho e de melhor qualidade de vida. Na regi\u00e3o do M\u00e9dio Tejo todos os concelhos veem baixar o n\u00famero dos seus moradores, alguns com perdas n\u00e3o inferiores a 10 por cento, como Alcanena (-10 por cento), Tomar (-10,4), Sardoal (-10,5) e Abrantes (-12,6). Temos j\u00e1 todo o direito de invocar para o M\u00e9dio Tejo o estatuto leg\u00edtimo de Interior, estamos h\u00e1 muitos anos em decl\u00ednio e, com o h\u00e1bito, chegar\u00e1 a fase em vias de encerramento. A Barquinha perdeu 3,9 por cento das pessoas, e tem agora 7 035 habitantes, e Torres Novas perdeu sete por cento, tendo atualmente 34 149 habitantes. Noutras regi\u00f5es, todavia, o caso \u00e9 ainda mais deprimente, \u00e9 como se houvesse uma for\u00e7a estranha a sug\u00e1-las, at\u00e9 ficar apenas algu\u00e9m para apagar no final a luz. Concelhos como Nisa, Torre de Moncorvo, Mes\u00e3o Frio, Tabua\u00e7o e Barrancos viram a sua popula\u00e7\u00e3o decrescer em cerca de 20 por cento em apenas 10 anos, prosseguindo assim a sua sangria no que t\u00eam de mais vital. Quanto mais rural, interior e menor for o munic\u00edpio maior \u00e9, em propor\u00e7\u00e3o, o dano. Apenas 51 dos 308 munic\u00edpios (um em cada seis) viram a sua popula\u00e7\u00e3o aumentar na \u00faltima d\u00e9cada, a maioria deles no litoral, no Algarve ou rebordando as \u00e1reas metropolitanas de Lisboa e do Porto.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Costa\u00a0\u00a0\u00a0 tem-se esfor\u00e7ado por transmitir \u00e0 plebe a vontade dos seus governos em corrigir o nefasto plano inclinado da nacionalidade, e at\u00e9 criou uma Unidade de Miss\u00e3o para a Valoriza\u00e7\u00e3o do Interior e viu concluir um Programa Nacional para a Coes\u00e3o Territorial. Mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o sa\u00edram do ovo, nem tiveram grandes efeitos pr\u00e1ticos. Est\u00e1 tudo \u00e0 vista, e basta olhar. Ali\u00e1s, segundo noticiou recentemente o seman\u00e1rio <em>Expresso<\/em>, era o tristemente medi\u00e1tico ministro Eduardo Cabrita quem se encarregava de n\u00e3o dar \u201cmeios nem autonomia para desenvolver o plano para o Interior\u201d. As verbas da Europa podem chegar ao pa\u00eds, mas n\u00e3o chegam onde faz mais falta. Os n\u00fameros do Censos 2021 agora divulgados pelo INE falam por si. Era de esperar outra coisa?<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-populacao-do-entroncamento-diminui-pela-primeira-vez-nos-censos-de-2021\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, desde que se realizam os Censos oficiais da popula\u00e7\u00e3o e da habita\u00e7\u00e3o em Portugal, o n\u00famero de residentes no concelho do Entroncamento sofreu uma redu\u00e7\u00e3o. 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