{"id":37934,"date":"2021-07-28T17:59:16","date_gmt":"2021-07-28T16:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=37934"},"modified":"2021-07-28T17:59:16","modified_gmt":"2021-07-28T16:59:16","slug":"manuel-fernandes-vicente-a-macarronica-falta-de-autocarros-entre-a-barquinha-e-o-entroncamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-a-macarronica-falta-de-autocarros-entre-a-barquinha-e-o-entroncamento\/","title":{"rendered":"MANUEL FERNANDES VICENTE | A macarr\u00f3nica falta de autocarros entre a Barquinha e o Entroncamento"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1176\" aria-describedby=\"caption-attachment-1176\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1176\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelVicente.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"228\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1176\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Fernandes Vicente manuelvicente@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 habitual e j\u00e1 costume antigo deslocar-me, e por diferentes raz\u00f5es, at\u00e9 \u00e0 vila pr\u00f3xima da Barquinha, seguramente mais vezes ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da p\u00e9rola ambiental de lazer e de esculturas que \u00e9 o seu Parque Ribeirinho, a que o Turismo do Centro prefere pomposamente chamar de Parque de Escultura Contempor\u00e2nea, que tamb\u00e9m o \u00e9. E, pelo impacto que gerou e mobilizou, transformando o decr\u00e9pito centro hist\u00f3rico da vila de ontem num espa\u00e7o em not\u00e1vel renova\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m lhe podia agora chamara de Autoeuropa da Barquinha, embora falte ainda algum investimento privado a acompanhar o esfor\u00e7o do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>E, nestas desloca\u00e7\u00f5es, vejo o que o comum das pessoas pode reparar, por ser evidente e cada vez mais: \u00e9 cada vez maior o n\u00famero de pessoas que do munic\u00edpio da Barquinha transita a p\u00e9 at\u00e9 ao Entroncamento, e n\u00e3o estou a falar de pedestrianistas militantes ou de andarilhos de fim de dia, que fazem das caminhadas a atividade f\u00edsica da sua prefer\u00eancia. O que me motiva a escrever \u00e9 outra coisa, e fa\u00e7o-o pelo dever \u00e9tico e o compromisso social de o fazer, porque decerto n\u00e3o o podem fazer essas pessoas que encontro pelo caminho, e que o fazem ou cumprem por obriga\u00e7\u00e3o e, por n\u00e3o terem outra alternativa, muito sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>\u00c9 habitual, e, com os anos, sempre mais, encontrar no trajeto que une o Entroncamento \u00e0 Barquinha, e tamb\u00e9m ao Cardal, \u00e0 Moita do Norte e \u00e0 Atalaia (sobretudo aos s\u00e1bados), deparar com pessoas, gente humilde, j\u00e1 com uma idade consider\u00e1vel ou com fragilidades bem vis\u00edveis, a fazer o percurso, sob calor intenso ou debaixo de chuva copiosa e vento agreste. N\u00e3o o fazem certamente por ser esse o seu desporto predileto ou eleito. Fazem-no de forma penosa, arrastados pela obriga\u00e7\u00e3o, e porque \u00e9 assim a sua vida. E mesmo pessoas mais jovens, mulheres que conduzem carrinhos com os seus beb\u00e9s l\u00e1 dentro ou ao colo e crian\u00e7as pela m\u00e3o, ou jovens estudantes, que s\u00e3o obrigados a completar as viagens com dificuldades, cansa\u00e7os, e decerto grandes sacrif\u00edcios\u2026<\/p>\n<p>Acredito, como deve acreditar o comum das criaturas, que estas s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es de dif\u00edcil entendimento. Num mundo em que a mobilidade das pessoas \u00e9 um dado adquirido e uma necessidade imposta ao seu quotidiano, \u00e9 dif\u00edcil de entender esta insensibilidade dos poderes competentes perante mulheres e homens, jovens ou arrastando-se, porque a idade j\u00e1 n\u00e3o permita que seja de outro modo, que se condenam a tais esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a sugest\u00e3o mais \u00f3bvia seria a de criar uma estrutura leve capaz de solucionar o caso com carreiras regulares de autocarros a pre\u00e7os m\u00f3dicos que pudessem subtrair o sacrif\u00edcio consider\u00e1vel a que se obrigam pessoas desvalidas, e eventualmente proporcionar uma forma de transporte p\u00fablico a quem agora s\u00f3 o pode fazer num autom\u00f3vel particular. Os concelhos do Entroncamento e de Vila Nova da Barquinha, pela hist\u00f3ria, pela proximidade e pela sua interdepend\u00eancia social, econ\u00f3mica e cultural, mereciam que essa realidade partilhada fosse igualmente compartilhada por uma rede de transportes p\u00fablicos compat\u00edvel. A simples cria\u00e7\u00e3o de um itiner\u00e1rio unindo com um transporte p\u00fablico as povoa\u00e7\u00f5es referidas e o Entroncamento geraria, por certo, novos p\u00fablicos interessados. A Barquinha atrai para visitas as gentes do Entroncamento por diversos motivos, e pelos mesmos, e eventualmente alguns mais, o Entrancamento \u00e9 atrativo para os barquinhenses. Isto \u00e9 assim na teoria e, racionalmente, n\u00e3o h\u00e1 grandes argumentos para o contestar com fundamentos minimamente aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas uma coisa \u00e9 a teoria, e at\u00e9 o bom senso, talvez at\u00e9 a compaix\u00e3o pelos que s\u00e3o mais dignos dela. Outra, muito distinta, \u00e9 a realidade de mentalidades feudais e ideias obscuras que veem fantasmas e amea\u00e7as onde h\u00e1 apenas cavaleiros e oportunidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, alguns cidad\u00e3os, incluindo autarcas do Entroncamento e da Barquinha (honra lhes seja feita), sugeriram em f\u00f3runs p\u00fablicos a possibilidade de se criar estes transportes interurbanos para resolver constrangimentos e melhorar a mobilidade entre os dois concelhos. Mas logo surgiram figuras a proclamar, com raz\u00f5es macarr\u00f3nicas, que n\u00e3o. Que esses transportes iriam arruinar ainda mais o com\u00e9rcio barquinhense, e que o concelho iria perder a sua identidade.<\/p>\n<p>Fico abismado com estes argumentos, se \u00e9 que merecem esta designa\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o outra coisa. Arruinar o com\u00e9rcio? Amea\u00e7ar a identidade? Por favor\u2026 Estamos no s\u00e9culo XXI. E atualmente, argumentos desses n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 anacr\u00f3nicos, mas neles eivam, desculpem, alguma m\u00e1 vontade. E, em respons\u00e1veis, s\u00e3o graves. \u00c9 f\u00e1cil ficar de bra\u00e7os cruzados e permanecer indiferente perante as situa\u00e7\u00f5es, sobretudo quando para nos deslocarmos temos \u00e0 porta de casa um Audi, um BMW S\u00e9rie 5 ou um outro ve\u00edculo topo de gama, possivelmente com um condutor \u00e0 nossa espera para ir para as autoestradas a faver derrapagens. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil quando o mundo \u00e9 duro, hostil, e tudo o que se faz tem de ir a esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>Compreendo, perfeitamente, que por este caso, que est\u00e1 longe de ser um mero <em>fait-divers<\/em>, corre a quest\u00e3o do efeito de fronteira, e as inibi\u00e7\u00f5es das autarquias em se envolverem em quest\u00f5es administrativas, burocr\u00e1ticas e log\u00edsticas que envolvam outros concelhos. Se os dois concelhos fossem apenas um, tenho quase a certeza que o caso estava resolvido com uma carreira intraurbana h\u00e1 muito tempo. Mas o dito efeito de fronteira cria abje\u00e7\u00f5es terr\u00edveis, complicando em labirintos burocr\u00e1ticos solu\u00e7\u00f5es que podiam ser simples, naturais e imediatas. \u00c9 verdade que sim. Mas tamb\u00e9m \u00e9 para resolver esses problemas que elegemos pessoas inteligentes, abnegadas e capazes, sobretudo capazes de se sentarem \u00e0 volta de uma mesa e resolverem problemas que mexem com os cidad\u00e3os mais vulner\u00e1veis e com o seu quotidiano.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-a-macarronica-falta-de-autocarros-entre-a-barquinha-e-o-entroncamento\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 habitual e j\u00e1 costume antigo deslocar-me, e por diferentes raz\u00f5es, at\u00e9 \u00e0 vila pr\u00f3xima da Barquinha, seguramente mais vezes ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da p\u00e9rola ambiental de lazer e de esculturas que \u00e9 o seu Parque Ribeirinho, a que o Turismo do Centro prefere pomposamente chamar de Parque de Escultura Contempor\u00e2nea, que tamb\u00e9m o \u00e9. 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