{"id":37159,"date":"2021-07-11T10:31:33","date_gmt":"2021-07-11T09:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=37159"},"modified":"2021-07-11T10:31:33","modified_gmt":"2021-07-11T09:31:33","slug":"ring-a-ring-o-roses-em-constancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/ring-a-ring-o-roses-em-constancia\/","title":{"rendered":"\u00abRing a Ring o&#8217; Roses\u00bb\u00a0em Const\u00e2ncia\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Dizem existir nas obras de Paula Rego uma hist\u00f3ria a ser contada, o suspense, para l\u00e1 da obra em si \u2013 origjnal &#8211; que lhe serve de inspira\u00e7\u00e3o. As hist\u00f3rias alimentam-na e ela alimenta-as, por sua vez.\u00a0 Ainda que de forma ef\u00e9mera e subtil, o poder da arte est\u00e1 presente nas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, com as suas influ\u00eancias no ser humano.<\/p>\n<p>A criadora Paula Rego, \u00e9 sabido, tem-se inspirado desde cedo, na literatura oral ou escrita, nas artes pict\u00f3rica, musical ou mesmo cinematogr\u00e1ficas. Em 1990 aceitou ser a primeira artista associada da \u00abNational Gallery\u00bb londrina.<\/p>\n<p>No ano anterior \u00a0a esta sua ascens\u00e3o esteve exposta na \u00abGaleria de Const\u00e2ncia\u00bb de boa mem\u00f3ria, a sua obra \u00abRing-a-Ring o\u2019Roses (1989). As imagens, fortemente desenhadas integram o\u00a0portef\u00f3lio \u200e<em>\u200ede \u00abRimas \u200e<\/em>\u200edo ber\u00e7\u00e1rio\u00bb decorrente dos desenhos que Paula Rego criou para o segundo anivers\u00e1rio\u00a0da sua neta Carmen.<\/p>\n<p>As rimas inspiradoras\u2026<\/p>\n<p><em>\u00abRing a Ring O&#8217; Roses,<\/em><em><br \/>\nA pocketful of posies,<br \/>\nAtishoo! Atishoo!<br \/>\nWe all fall down!\u00bb<\/em><\/p>\n<h6>Traduzindo<\/p>\n<p>Ring-a-ring o\u2019Roses<br \/>\nUm bolso cheio de \u00abposies\u00bb<br \/>\nA-tishoo! A-tishoo<br \/>\nTodos n\u00f3s ca\u00edmos (1)<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Acredita-se que esta rima foi uma par\u00f3dia macabra alusiva \u00e0 Grande Peste que varreu as Ilhas Brit\u00e2nicas em 1665.<\/p>\n<p>Segundo o sum\u00e1rio da obra \u00abRing-a-Ring o\u2019Roses (1989)\u00bb, a autora j\u00e1 em pequena ter\u00e1 sentido um prazer especial em ver as gravuras de Gustave Dor\u00e9, do \u00abInferno\u00bb de Dante\u2026<\/p>\n<p>Existem pelo menos tr\u00eas vers\u00f5es diferentes da m\u00fasica para\u00a0\u00abRing a Ring o&#8217; Roses\u00bb. Todas elas constru\u00eddas numa l\u00f3gica de quadratura simples, de roda.\u00a0Melodias simples, assim como letras f\u00e1ceis e padr\u00f5es sil\u00e1bicos, ajudam a m\u00fasica a ficar na nossa mente.\u00a0A imagem daquele quadro tamb\u00e9m ficou na minha mente, desde o primeiro momento\u2026<\/p>\n<p>A sua autora continua ainda hoje a suscitar tanto a admira\u00e7\u00e3o quanto o embara\u00e7o.<\/p>\n<p>Desde a sua primeira exposi\u00e7\u00e3o em Lisboa nos anos 60 na Sociedade Nacional de Belas Artes que se encontram presentes nas suas cria\u00e7\u00f5es, de forma subjacente, leia-se, alguns princ\u00edpios de que ser\u00e3o exemplos: desmontar jogos de poder, denunciar o autoritarismo dos pol\u00edticos, a hipocrisia, expor o sofrimento no amor e a sexualidade encapotada, exaltar o poder feminino, entre outros.<\/p>\n<p>\u00abSe tivesse ficado em Portugal possivelmente teria sido uma b\u00eabada profissional\u00bb (sendo homem, claro, teria sido um b\u00eabado importante). Palavras que Paula Rego \u00abdesenhou\u00bb \u00b4para uma entrevista a Livingstone, ent\u00e3o comiss\u00e1rio da retrospectiva realizada no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em 2007. Eu acrescentaria at\u00e9: se tivesse ficado em Portugal e em particular na vila de Const\u00e2ncia, onde exp\u00f4s em 1991 a sua dan\u00e7a macabra, a autora teria sido uma autarca ou, qui\u00e7\u00e1, consultora cultural municipal.<\/p>\n<p>Ocorre-me aqui citar bem a jeito, algumas senten\u00e7as escritas pela saudosa amiga, Manuela de Azevedo, fundadora da Associa\u00e7\u00e3o da Casa de Cam\u00f5es. (2009), cuja divulga\u00e7\u00e3o devemos ao Museu Nacional da Imprensa em particular. \u00c9 assim que, sem meias palavras e de forma assertiva, a antiga escritora e jornalista, dizendo o que lhe vai na alma sobre a actualidade pol\u00edtica da vila de Const\u00e2ncia, diz tamb\u00e9m muito do que \u00e9 a vis\u00e3o limitada e por vezes corporativa dos meios pequenos em que vigora com alguma facilidade o caciquismo tradicional. Raz\u00f5es de uma outra grande mulher que, ao inv\u00e9s de ter sido acolhida por um pa\u00eds estrangeiro, persistiu em ficar por c\u00e1\u2026<\/p>\n<p>Oi\u00e7amos:<\/p>\n<p>\u00abO programa cultural da Casa de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia merecia que as duras turbul\u00eancias pol\u00edticas dos \u00faltimos anos o n\u00e3o atingissem. Todavia sempre vai havendo verba para festivais de m\u00fasica \u00abpop\u00bb, a que ocorrem milhares de festivaleiros, fortalecendo o que de mais minimizante possui a cultura de um povo deixando sem resposta a boa vontade do esfor\u00e7o de quem tenta que Portugal suba a par do conceito das na\u00e7\u00f5es civilizadas. Na verdade, valham-nos os c\u00e9rebros portugueses que no estrangeiro sobem ao grau de classifica\u00e7\u00e3o dos primeiros\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos se a nossa fundadora estaria a citar a Paula, mas pode depreender-se que n\u00e3o a excluiria do seu pensamento, por certo. A \u00abGaleria de Const\u00e2ncia\u00bb ficava mesmo ali ao lado da Casa-Mem\u00f3ria.\u00a0 A obra de Paula Rego esteve exposta na Primavera de 1991.\u00a0 Tratou-se de mais uma exposi\u00e7\u00e3o colectiva, em que participaram ainda: Cruzeiro Seixas, Ra\u00fal Perez, S\u00e9rgio Telles, Augusto Barros, Luc\u00edlia Moita e Santos Lapa. A d\u00e9cada de 90 foi uma esp\u00e9cie de per\u00edodo dourado cultural, em que estiveram muito activos quer a \u00abGaleria de Const\u00e2ncia\u00bb de Jos\u00e9 Ram\u00f4a Ferreira, quer o Centro Internacional de Estudos Camonianos. Foi tamb\u00e9m a d\u00e9cada da emerg\u00eancia e explos\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social local.<\/p>\n<p>Manuela de Azevedo, j\u00e1 no final da sua vida activa cultural, continuava a sonhar com uma comiss\u00e3o de especialistas e mecenas, \u00abcapaz de transformar a formosa Const\u00e2ncia num grande centro de estudos e turismo como o \u00e9 hoje Stratford-upon-Avon capaz de envergonhar uma senhora da actual Direc\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria ao dizer que esta \u00e9 uma obra do 25 de Abril\u2026\u00bb. 2009 !<\/p>\n<p>Hoje (!) como ontem, sempre podemos cantar, dan\u00e7ando, para evitar as pragas\u2026<\/p>\n<p><em>\u00abRing a Ring O&#8217; Roses,<br \/>\nA pocketful of posies,<br \/>\nAtishoo! Atishoo!<br \/>\nWe all fall down!\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS \u2013 N\u00e3o uso o dito AOLP.\u00a0 A Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares capturou no seu in\u00edcio, a v\u00e1rios bancos, as verbas que poderiam ter sido destinadas \u00e0 futura Funda\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es (revela\u00e7\u00e3o de M.A nas suas mem\u00f3rias). O conceito cultural e tur\u00edstico que existe na Casa-museu de Shakespeare, gerida por uma sociedade, foi discutido na associa\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncia por diversas vezes.\u00a0 Infelizmente, os intentos da Manuela de Azevedo e de outros membros dos \u00f3rg\u00e3os sociais, de se criar um conceito local semelhante para Cam\u00f5es, n\u00e3o chegaram a ser realizados nunca. A Manuela foi substitu\u00edda e outros j\u00e1 se afastaram, de cansa\u00e7o. N\u00e3o h\u00e1 cultura colaborativa. Sem predisposi\u00e7\u00e3o pessoal para a inova\u00e7\u00e3o, nunca haver\u00e1 mudan\u00e7a.\u00a0 Nem com influ\u00eancias dominantes ao sabor dos partidos pol\u00edticos. A cultura n\u00e3o pode estar ao servi\u00e7o das ideologias. Esse erro paga-se caro.<\/p>\n<p>(1)\u00a0H\u00e1 quem afirme que a rima do ber\u00e7\u00e1rio &#8216;Ring-a-ring-o&#8217;-roses&#8217; \u00e9 sobre a praga londrina de 1665:<\/p>\n<p>-As &#8220;rosas&#8221; s\u00e3o as manchas vermelhas na pele.<br \/>\n-Os &#8220;posies&#8221; s\u00e3o as flores que as pessoas carregavam para tentar afastar a praga.<br \/>\n-&#8220;Atishoo&#8221; refere-se aos ataques de espirro de pessoas com peste pneum\u00f3nica.<br \/>\n-&#8220;Todos n\u00f3s ca\u00edmos&#8221; refere-se a pessoas morrendo.<\/h6>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/ring-a-ring-o-roses-em-constancia\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem existir nas obras de Paula Rego uma hist\u00f3ria a ser contada, o suspense, para l\u00e1 da obra em si \u2013 origjnal &#8211; que lhe serve de inspira\u00e7\u00e3o. As hist\u00f3rias alimentam-na e ela alimenta-as, por sua vez.\u00a0 Ainda que de forma ef\u00e9mera e subtil, o poder da arte est\u00e1 presente nas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, com as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37160,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-37159","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37159"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37159\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}