{"id":36143,"date":"2021-06-20T22:02:35","date_gmt":"2021-06-20T21:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=36143"},"modified":"2021-06-21T22:58:46","modified_gmt":"2021-06-21T21:58:46","slug":"entroncamento-as-viagens-como-inspiracao-de-tres-autores-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/entroncamento-as-viagens-como-inspiracao-de-tres-autores-portugueses\/","title":{"rendered":"Entroncamento | As viagens como inspira\u00e7\u00e3o de tr\u00eas autores portugueses"},"content":{"rendered":"<p>A ideia foi um belo e gratificante est\u00edmulo, a escolha dos convidados criteriosa e certeira, e o momento e o local dificilmente seriam mais apropriados para quem estava pronto para percorrer o vasto mundo conhecido e desconhecido da literatura de viagens. Com Carlos Vaz Marques no leme, como moderador, os escritores de viagens (e de outros temas) Raquel Ochoa, Francisco Jos\u00e9 Viegas e Afonso Cruz nos remos, e um vasto e interessado p\u00fablico a bordo de uma viagem que contou com epis\u00f3dios curiosos associados \u00e0s narrativas dos tripulantes, falou-se de viagens junto ao comboio real do Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio. E na data de 20 de junho, em que se comemoraram 30 anos certos da cidade que nasceu delas, das viagens, mesmo quando ainda seria escassa, na altura da sua funda\u00e7\u00e3o, a literatura que \u00e0s viagens aludia, talvez Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, que deu em livro em 1846, e, em Portugal, pouco mais, decerto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36147\" aria-describedby=\"caption-attachment-36147\" style=\"width: 622px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36147\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Francisco-Jose-Viegas-2.jpg\" alt=\"\" width=\"622\" height=\"401\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36147\" class=\"wp-caption-text\">Francisco Jos\u00e9 Viegas (Foto MF Vicente)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Carlos Vaz Marques, jornalista, escritor e reconhecido autor do programa de r\u00e1dio e mais tarde televisivo Governo Sombra, costuma fazer sempre os trabalhos de casa (hoje mat\u00e9ria ingrata e hostil para quem n\u00e3o gosta de trabalhar e se ufana disso), e isso fez a diferen\u00e7a, impulsionando o di\u00e1logo e o ambiente em que os tr\u00eas excelentes autores desceram do seu estatuto e mostraram o lado mais humano e hist\u00f3rias singulares e at\u00e9 mesmo picarescas<\/p>\n<figure id=\"attachment_36152\" aria-describedby=\"caption-attachment-36152\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36152\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Na-sala-do-Comboio-Real-o-comboio-foi-visto-com-simpatia-pelos-autores-presentes-4.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"161\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Na-sala-do-Comboio-Real-o-comboio-foi-visto-com-simpatia-pelos-autores-presentes-4.jpg 486w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Na-sala-do-Comboio-Real-o-comboio-foi-visto-com-simpatia-pelos-autores-presentes-4-356x220.jpg 356w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36152\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Vaz Marques (Foto MF Vicente)<\/figcaption><\/figure>\n<p>pr\u00f3prias de quem escreve. De quem escreve, nutrindo a inspira\u00e7\u00e3o com esse viajar, desde o andar a p\u00e9 ao papar fusos hor\u00e1rios sentado num avi\u00e3o, embora tamb\u00e9m n\u00e3o seja hoje de descartar a possibilidade do viajar \u201cimersivo\u201d, atrav\u00e9s de um mapa e sem sair do mesmo s\u00edtio, ou mesmo atrav\u00e9s da gastronomia e de bons vinhos, outras formas de evas\u00e3o, nem sempre sequer as muito baratas. Mas o melhor \u00e9 mesmo viajar, perambulando pelo pa\u00eds e pelo mundo\u2026 Sobretudo de comboio, meio de transporte, ou melhor, de viajar, um pouco esquecido, mas que qualquer dos escritores referiu com simpatia, ades\u00e3o e sentimento, ou n\u00e3o estivesse o velho Comboio Real ali mesmo ao lado para ser respeitado.<\/p>\n<p>Uma das coisas que Carlos Vaz Marques quis logo saber \u00e9 como se organiza um escritor de viagens que vai passar um m\u00eas ou mais pela Patag\u00f3nia e pela Am\u00e9rica do Sul, quer atravessar a \u00cdndia de l\u00e9s-a-l\u00e9s ou pretende surripiar os segredos na Groenl\u00e2ndia. A viagem faz-se com m\u00e9todo, tempo e planeada ao detalhe, ou deixa-se que o acaso aconte\u00e7a? E recorre-se a notas escritas ou fica antes tudo registado na mem\u00f3ria?<\/p>\n<p>Francisco Jos\u00e9 Viegas, professor, editor, autor de livros como Comboios Portugueses \u2013 Um Guia Sentimental (com fotografias de Maur\u00edcio Abreu) e A Luz de Pequim, e natural do Pocinho, relevou logo no in\u00edcio da sua interven\u00e7\u00e3o o seu ADN ferrovi\u00e1rio. \u201cO meu av\u00f4 era ferrovi\u00e1rio e, para ele, o Entroncamento era a capital portuguesa\u201d, referiu, notando ainda que Pocinho era a \u00faltima esta\u00e7\u00e3o (ou a primeira, dependia) da linha do Douro. \u201cA primeira viagem de que me lembro foi de comboio, exatamente por esta linha do Douro, com a minha m\u00e3e e o meu av\u00f4, para ir buscar o meu pai, que eu ainda n\u00e3o conhecia a Lisboa\u201d, recorda, esclarecendo da chegada do pai, combatente vindo da guerra colonial ao cais de Alc\u00e2ntara. \u201cO mapa de Portugal \u00e9 o mapa da ferrovia portuguesa, com as suas linhas e ramais a acompanharem os rios e as serras, a orografia nacional. H\u00e1 povoa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 existiram porque existiram essas linhas, quando fecharam as linhas, acabaram as povoa\u00e7\u00f5es; mas eu ainda gostaria de fazer um a viagem por essas linhas abandonadas\u201d, observa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36144\" aria-describedby=\"caption-attachment-36144\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36144\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Afonso-Cruz-2.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"399\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36144\" class=\"wp-caption-text\">Afonso Cruz (Foto MF Vicente)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Afonso Cruz, escritor, designer e m\u00fasico (guitarra, banjo e ukulele), que vive habitualmente no Alentejo, autor de Jalan, Jalan- uma leitura do mundo, \u00e9 um n\u00f3mada que, admite, gosta de viajar, que \u201c\u00e9 uma maneira de pensar, de refletir\u201d. \u201cQuando viajo, quase sempre tomo notas, se n\u00e3o escrevermos logo, as nossas impress\u00f5es, as nossas notas, desaparecem, e isso, por vezes, \u00e9 uma pena. Ao princ\u00edpio eu viajava sem m\u00e1quina fotogr\u00e1fica, tinha uma ideia rom\u00e2ntica das viagens. Agora levo a m\u00e1quina e um bloco de apontamentos. Nas viagens e a escrever, mesmo s\u00f3s, nunca nos sentimos sozinhos, e eu tamb\u00e9m gosto de teorizar sobre elas, e gosto de escrever sobre as pessoas que encontro\u201d, acrescenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36145\" aria-describedby=\"caption-attachment-36145\" style=\"width: 611px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36145\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Raquel-Ochoa-2.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"409\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36145\" class=\"wp-caption-text\">Raquel Ochoa (Foto MF Vicente)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nascida em Lisboa, escritora e cronista, galardoada com o Pr\u00e9mio Agustina Bessa-Lu\u00eds pelo livro A Casa-Comboio, com apenas 29 anos, Raquel Ochoa \u00e9 um valor emergente da nossa literatura, e as viagens s\u00e3o para os seus romances uma inesgot\u00e1vel fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Viajou pela Am\u00e9rica do Sul e, tr\u00eas vezes, pela \u00cdndia. \u201cFui tr\u00eas vezes \u00e0 \u00cdndia, e acabei por escrever um livro, era pecado se n\u00e3o o fizesse. Neste pa\u00eds, as linhas ferrovi\u00e1rias s\u00e3o como o sangue no nosso corpo, e os comboios chegam a ter um quil\u00f3metro de extens\u00e3o, s\u00e3o portentos de ferro, de tr\u00eas classes, cheios de pessoas, embora a sua cultura seja a de ningu\u00e9m invadir o espa\u00e7o do vizinho\u201d, conta a jovem autora, notando que s\u00f3 a viagem de comboio de Goa a Calcut\u00e1 demora tr\u00eas dias. \u201cAs duas primeiras classes s\u00e3o m\u00e1s, mas a terceira classe n\u00e3o tem nome, a\u00ed as pessoas v\u00e3o no ch\u00e3o, e levam animais consigo, pode dizer-se que descemos ao inferno\u201d, observa, notando, no entanto, que, ela assistiu, \u201cquando uma senhora estrangeira precisou de ajuda, foi l\u00e1 que foi ajudada por todos, todos a ajudaram. A \u00cdndia \u00e9 assim\u201d. Quanto \u00e0 toma de notas, Raquel Ochoa diz que escreve freneticamente sobre o que v\u00ea e o que sente. \u201cSe n\u00e3o for no momento, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\u201d.<\/p>\n<p>Manuel Fernandes Vicente<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/entroncamento-as-viagens-como-inspiracao-de-tres-autores-portugueses\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia foi um belo e gratificante est\u00edmulo, a escolha dos convidados criteriosa e certeira, e o momento e o local dificilmente seriam mais apropriados para quem estava pronto para percorrer o vasto mundo conhecido e desconhecido da literatura de viagens. Com Carlos Vaz Marques no leme, como moderador, os escritores de viagens (e de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":36146,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54,26,32],"tags":[],"class_list":{"0":"post-36143","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cultura","8":"category-entroncamento","9":"category-noticias"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}