{"id":36104,"date":"2021-06-19T22:46:57","date_gmt":"2021-06-19T21:46:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=36104"},"modified":"2021-06-20T08:21:46","modified_gmt":"2021-06-20T07:21:46","slug":"entroncamento-emocao-e-historias-na-apresentacao-do-novo-livro-de-manuela-poitout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/entroncamento-emocao-e-historias-na-apresentacao-do-novo-livro-de-manuela-poitout\/","title":{"rendered":"Entroncamento | Emo\u00e7\u00e3o e hist\u00f3rias na apresenta\u00e7\u00e3o do novo livro de Manuela Poitout"},"content":{"rendered":"<p>Maria Manuela Assun\u00e7\u00e3o Poitout, investigadora de Hist\u00f3ria Local e Regional e antiga professora, apresentou nesta tarde de s\u00e1bado no Cineteatro S\u00e3o Jo\u00e3o do Entroncamento, com a plateia muito bem composta de autarcas, convidados, amigos e antigos colegas do ensino, o seu novo livro <em>Ensaios de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Ribatejo<\/em>, uma edi\u00e7\u00e3o da \u00c2mago da Quest\u00e3o. Tratou-se de uma not\u00e1vel apresenta\u00e7\u00e3o, emotiva, evocativa e, sobretudo, hist\u00f3rica, assim mesmo. Primeiro, foi um momento de homenagem da cidade a uma mulher que quer ao ensino, quer, mais recentemente, \u00e0 pesquisa hist\u00f3rica local e regional tem dedicado muito estudo, gosto e investiga\u00e7\u00e3o. E, depois, porque o canto emocionado e ainda vibrante de Francisco Fanhais, cantor de interven\u00e7\u00e3o que viveu ainda jovem durante alguns anos no Entroncamento e desde 1984 vive no Alentejo, se quis juntar \u00e0 homenagem a Manuela Poitout. O caso teve algo de simb\u00f3lico, que a autora, com os seus habituais detalhes cheios de uma inten\u00e7\u00e3o minuciosa n\u00e3o quis deixar passar em claro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36107\" aria-describedby=\"caption-attachment-36107\" style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36107\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Francisco-Fanhais-realizou-51-anos-depois-um-concerto-anulado-em-1970.jpg\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Francisco-Fanhais-realizou-51-anos-depois-um-concerto-anulado-em-1970.jpg 577w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Francisco-Fanhais-realizou-51-anos-depois-um-concerto-anulado-em-1970-560x420.jpg 560w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Francisco-Fanhais-realizou-51-anos-depois-um-concerto-anulado-em-1970-80x60.jpg 80w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Francisco-Fanhais-realizou-51-anos-depois-um-concerto-anulado-em-1970-265x198.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36107\" class=\"wp-caption-text\">Foto MF Vicente<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1970, no final do m\u00eas de maio, Francisco Fanhais tinha uma apresenta\u00e7\u00e3o musical prevista para este mesmo Cineteatro S\u00e3o Jo\u00e3o, mas o concerto foi anulado por falta de autoriza\u00e7\u00e3o, e sobretudo falta de vontade, das autoridades respons\u00e1veis por analisar o report\u00f3rio dos artistas, vulgo censura, que com a tenebrosa pol\u00edcia pol\u00edtica, zelavam pela manuten\u00e7\u00e3o da \u201cordem\u201d e do salazarismo. Francisco Fanhais, hoje presidente da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso, n\u00e3o p\u00f4de cantar ent\u00e3o, mas cantou este s\u00e1bado, 51 anos depois, em homenagem \u00e0 amiga de juventude, \u201c\u00e0s grandes mem\u00f3rias que eu tenho desta terra\u201d, e porque acredita naquilo que t\u00e3o admiravelmente continua a cantar num timbre ainda fresco e sem m\u00e1cula.<\/p>\n<p>\u201cEste livro nunca esteve na minha cabe\u00e7a\u201d, confessou em certa altura Manuela Poitout. A verdade \u00e9 que nasceu na cabe\u00e7a de Jo\u00e3o Carlos Lopes, que se tornou no coordenador da edi\u00e7\u00e3o desta not\u00e1vel obra de hist\u00f3ria sobre o Entroncamento e a regi\u00e3o, e fez todo o trabalho log\u00edstico, de sapa e burocracia, at\u00e9 sair impresso da Gr\u00e1fica Almondina. Os ensaios foram inicialmente publicados a partir de 2007 na revista de cultura regional <em>Nova Augusta<\/em>, mas Jo\u00e3o Carlos Lopes, pegou em 400 p\u00e1ginas com os textos de Manuela Poitout, levou-os at\u00e9 \u00e0 sua casa e pediu-lhe que os revisse e atualizasse, se fosse o caso. E assim se fez a nova obra com textos t\u00e3o not\u00e1veis e pertinentes como <em>Clementina Relvas e a condi\u00e7\u00e3o feminina no seu tempo (1857\/1934)<\/em>, <em>A emancipa\u00e7\u00e3o do Entroncamento do concelho de Torres Novas<\/em> e <em>O Entroncamento e as lutas ferrovi\u00e1rias na Primeira Rep\u00fablica. As greves<\/em>, al\u00e9m de trechos alusivos \u00e0s invas\u00f5es franceses na regi\u00e3o, entre outros ensaios e pesquisas.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Carlos Lopes elogiou a obra, \u201cinatac\u00e1vel no m\u00e9todo e rigorosa no conte\u00fado\u201d, e a pessoa, a quem \u201ca comunidade deve pelo seu exemplo como mulher, professora e cidad\u00e3, \u00e9 uma excelente escritora e uma magn\u00edfica historiadora\u201d. Para Lu\u00eds Batista, professor e autor do pref\u00e1cio ao livro, Manuela Poitout \u201c\u00e9 uma excelente escritora com alma de historiadora\u201d. Depois de enunciar o perfil familiar, profissional e acad\u00e9mico da autora, com quem trabalhou j\u00e1 em alguns ensaios e obras publicadas, Lu\u00eds Batista elevou igualmente a capacidade da investigadora, defendendo, todavia, que, sobre a Hist\u00f3ria do Entroncamento \u201cainda h\u00e1 muito para fazer\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_36108\" aria-describedby=\"caption-attachment-36108\" style=\"width: 633px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36108\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/O-painel-da-apresentacao-do-livro-de-ensaios-de-Manuela-Poitout-2.jpg\" alt=\"\" width=\"633\" height=\"394\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-36108\" class=\"wp-caption-text\">Foto MF Vicente<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA Manuela Poitout \u00e9 uma figura inspiradora, que merece a nossa admira\u00e7\u00e3o e afeto, uma cidad\u00e3 de corpo inteiro e que vive e gosta profundamente do Entroncamento\u201d, disse Jorge Faria, o presidente da C\u00e2mara do Entroncamento, sublinhando, por outro lado, que o livro \u201c\u00e9 uma homenagem \u00e0 cidade\u201d. Jorge Faria notou que os textos da autora, \u201cal\u00e9m de objetivos, t\u00eam sempre uma vis\u00e3o sobre as dimens\u00f5es sociais, s\u00e3o factos hist\u00f3ricos mas com a dimens\u00e3o da solidariedade, os nossos egos s\u00e3o feitos de her\u00f3is, como Madrugo, h\u00e1 nele hist\u00f3rias contadas e lutas sociais pela liberdade\u201d.<\/p>\n<p>Francisco Fanhais n\u00e3o escondeu a emo\u00e7\u00e3o de rever a amiga e de visitar de novo o Entroncamento, mas n\u00e3o foi isso que lhe fez desafinar a voz, a ele que era um proscrito do regime, um dos de report\u00f3rio n\u00e3o autorizado pela censura, como Jos\u00e9 Barata Moura, Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire, aqueles que tinham de apresentar no pedido de autoriza\u00e7\u00e3o para cantar as letras de cada can\u00e7\u00e3o. E Jos\u00e9 Afonso, tamb\u00e9m. O amigo Jos\u00e9 Afonso que o jovem Fanhais conheceu na noite de 28 de dezembro de 1968 nas grutas das Lapas, em Torres Novas. Um agente da PIDE (pol\u00edcia repressiva do Estado Novo) quis entrar para assistir ao concerto, mas, ironicamente, n\u00e3o o deixaram. \u201cAqui, a PIDE s\u00f3 entra por cima do meu cad\u00e1ver\u201d, ter\u00e1 proclamado o autarca de Torres Novas, Fernando Cunha. E assim se fez, e isso se respeitos, mas o agente n\u00e3o apreciou a discrimina\u00e7\u00e3o e fez um relat\u00f3rio contando o caso aos superiores. \u201cTenho esse relat\u00f3rio comigo. Deve ser a \u00fanica coisa que devo \u00e0 PIDE\u201d, ironizou o cantautor das can\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o, que terminou a sua atua\u00e7\u00e3o com a <em>Can\u00e7\u00e3o da Cidade Nova<\/em>, uma utopia com letra de Francisco Melro e baseada na <em>B\u00edblia<\/em>. \u201cSe me dissessem, s\u00f3 tens cinco minutos de vida e uma can\u00e7\u00e3o para cantar, era esta que cantava\u201d, disse, com emo\u00e7\u00e3o. \u201cA can\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda o mundo, um gr\u00e3o n\u00e3o enche o celeiro, mas ajuda o seu companheiro\u201d, sublinhou, citando em portugu\u00eas um prov\u00e9rbio castelhano ou at\u00e9 talvez universal \u201d. Terminava assim, com uma can\u00e7\u00e3o perfeita, e o seu gr\u00e3o foi tamb\u00e9m importante para a apresenta\u00e7\u00e3o do livro da amiga Manuela. <em>\u201cAo longe longe j\u00e1 aparece\/Uma cidade que resplandece\/Ao longe longe o sol j\u00e1 vem\/Eu j\u00e1 alcan\u00e7o Jerusal\u00e9m\u201d<\/em>\u2026<\/p>\n<p><em>Manuel Fernandes Vicente\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/entroncamento-emocao-e-historias-na-apresentacao-do-novo-livro-de-manuela-poitout\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Manuela Assun\u00e7\u00e3o Poitout, investigadora de Hist\u00f3ria Local e Regional e antiga professora, apresentou nesta tarde de s\u00e1bado no Cineteatro S\u00e3o Jo\u00e3o do Entroncamento, com a plateia muito bem composta de autarcas, convidados, amigos e antigos colegas do ensino, o seu novo livro Ensaios de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Ribatejo, uma edi\u00e7\u00e3o da \u00c2mago da Quest\u00e3o. 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