{"id":35243,"date":"2021-06-02T15:05:54","date_gmt":"2021-06-02T14:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=35243"},"modified":"2021-06-02T22:35:20","modified_gmt":"2021-06-02T21:35:20","slug":"manuel-fernandes-vicente-a-fundacao-do-entroncamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-a-fundacao-do-entroncamento\/","title":{"rendered":"MANUEL FERNANDES VICENTE | A funda\u00e7\u00e3o do Entroncamento\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1176\" aria-describedby=\"caption-attachment-1176\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1176\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelVicente.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"228\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1176\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Fernandes Vicente manuelvicente@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 j\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 20 deste m\u00eas que o Entroncamento comemora os 30 anos da sua eleva\u00e7\u00e3o a cidade, coroando o caso, que julgo singular, de, no mesmo s\u00e9culo, um pequeno burgo territorial se ter tornado freguesia (1926), vila (1932), munic\u00edpio (1945) e cidade (1991).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que foi ao longo do s\u00e9culo XX que o Entroncamento se refor\u00e7ou como comunidade e centro urbano de excel\u00eancia em alguns setores da atividade econ\u00f3mica e social, mas na realidade a sua matriz como urbe ficou praticamente determinada na segunda metade do s\u00e9culo XIX. E, neste ponto, valer\u00e1 a pena analisar as circunst\u00e2ncias que levaram \u00e0 escolha do local onde assentariam alicerces as primeiras habita\u00e7\u00f5es e lojas do nosso burgo ferrovi\u00e1rio. \u00c9 certo que houve o seu qu\u00ea de aleat\u00f3rio na escolha, mas a conjuga\u00e7\u00e3o de objetivos pol\u00edticos e interesses econ\u00f3micos, aliados aos condicionalismos f\u00edsicos e geogr\u00e1ficos e \u00e0s limita\u00e7\u00f5es financeiras, tornaram o s\u00edtio do Entroncamento da Ponte da Pedra n\u00e3o s\u00f3 como o lugar inevit\u00e1vel da constru\u00e7\u00e3o de uma futura esta\u00e7\u00e3o e centro ferrovi\u00e1rio, como tamb\u00e9m o lugar geom\u00e9trico onde se maximizavam todas as vantagens e se reduziam as custos devidos ao lan\u00e7amento da rede de caminho de ferro pelo Reino de Portugal. Entre o acaso, as circunst\u00e2ncias e as necessidades, o Entroncamento tornou-se no lugar natural para se tornar nesse centro nervoso e nevr\u00e1lgico do novo mundo anunciado dos comboios portugueses.<\/p>\n<p>Na equa\u00e7\u00e3o preliminar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das ferrovias no pa\u00eds, j\u00e1 defendidas pelos pol\u00edticos mais progressistas e liberais, havia que considerar um triplo objetivo estrat\u00e9gico: a liga\u00e7\u00e3o de Lisboa ao Porto, as duas principais cidades do reino, por um meio de transporte r\u00e1pido, c\u00f3modo e econ\u00f3mico; a uni\u00e3o ferrovi\u00e1ria com a Espanha e a Europa (n\u00e3o estando ainda definido o ponto da fronteira em que as duas linhas se encontrariam, mas a raia entre Elvas e Badajoz ganhava j\u00e1 um certo consenso); e o desenvolvimento da Beira Interior e do Alto Alentejo, oferecendo-lhes um meio de transporte estimulante, eficiente e capaz.<\/p>\n<p>Ao partir de Lisboa, rumo ao Porto, e com a preocupa\u00e7\u00e3o de se internalizar para o apoio ferrovi\u00e1rio ao Centro Interior do pa\u00eds, a linha procurou acompanhar a margem direita do Tejo, j\u00e1 que a aus\u00eancia de serranias e de estrangulamentos orogr\u00e1ficos facilitava a constru\u00e7\u00e3o da via e a penetra\u00e7\u00e3o f\u00e1cil dos comboios na dire\u00e7\u00e3o nordeste. Esta orienta\u00e7\u00e3o possibilitava responder aos tr\u00eas objetivos enunciados num \u00fanico tro\u00e7o de caminho de ferro. Foi nesta perspetiva regeneradora que o comboio chegou inicialmente ao Carregado e assim se prosseguiu, acompanhando de perto a margem do rio e a sua orienta\u00e7\u00e3o. Esta linha, assim delineada, fazia a aproxima\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea ao Porto, a Espanha e ao Interior, sem necessidade de grandes e custosas obras, como pontes, t\u00faneis ou grandes movimenta\u00e7\u00f5es de terras, exceto j\u00e1 na zona de Santar\u00e9m. Na verdade, esta op\u00e7\u00e3o natural seria refor\u00e7ada por outro aspeto complementar: sa\u00eddo de Lisboa, e logo a norte do Tejo, a linha f\u00e9rrea encontraria uma barreira dissuasora logo na Serra de Montejunto, e, pouco depois, nas Serras de Aire e Candeeiros. Seguir confortavelmente e numa v\u00e1rzea verdejante e plana junto ao leito do Tejo era, portanto, o seu destino natural e l\u00f3gico. Este tronco comum da ferrovia permitia uma poupan\u00e7a consider\u00e1vel \u00e0 Fazenda do Reino, cada quil\u00f3metro feito valeria por tr\u00eas. E era importante prolong\u00e1-lo at\u00e9 onde fosse aceit\u00e1vel e poss\u00edvel\u2026<\/p>\n<p>Como protagonista deste progresso estiveram indelevelmente Fontes Pereira de Melo, e o fontismo, a sua filosofia positivista de melhoramentos materiais para o pa\u00eds, em particular nos transportes, seguindo o lema do engenheiro e pol\u00edtico liberal franc\u00eas Michel Chevalier segundo a qual \u201co Governo mais econ\u00f3mico n\u00e3o \u00e9 o que gasta menos gasta, mas o que gasta melhor\u201d. E esta ideia inteligente do tronco comum ilustrava-o em absoluto. Mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m salientar o papel de D. Jos\u00e9 de Salamanca y Mayol, um aventureiro pol\u00edtico espanhol, empres\u00e1rio abastado e empreendedor vision\u00e1rio, experiente e tecnicamente muito bem preparado para o mundo dos caminhos de ferro. Jos\u00e9 de Salamanca teve um contributo decisivo para dar agilidade ao fontismo, no que aos comboios dizia respeito, e, de certo modo, foi ele, com todas as vicissitudes que ultrapassou, o criador do Entroncamento.<\/p>\n<p>Ao ser o principal respons\u00e1vel pelas grandes decis\u00f5es sobre as linhas do Norte e do Leste, foi Jos\u00e9 de Salamanca quem decidiu o local preciso para o fim do tronco comum \u2013 o ponto em que era necess\u00e1ria uma bifurca\u00e7\u00e3o, com uma linha a dirigir-se ent\u00e3o para o Porto e a outra partindo para Espanha. O Entroncamento foi o local cr\u00edtico e certo dessa filosofia, a zona at\u00e9 onde era poss\u00edvel maximizar os proveitos do tronco comum, avan\u00e7ando para todos os alvos em simult\u00e2neo e a baixo custo. A partir daqui j\u00e1 n\u00e3o era vi\u00e1vel manter os tr\u00eas objetivos em harmonia e conciliados numa s\u00f3 linha. Avan\u00e7ando para uns, a via afastava-se dos outros. Era a altura da separa\u00e7\u00e3o, e, al\u00e9m disso, a linha aproximava-se tamb\u00e9m do Z\u00eazere. E era preciso tomar decis\u00f5es de investimento antes de l\u00e1 chegar\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 que era necess\u00e1rio atravessar o Tejo para sul, rumo a Elvas \/Badajoz, quando pareceu claro que a alternativa da liga\u00e7\u00e3o a Espanha por Monfortinho, Coria e Plasencia era desinteressante para o Governo espanhol. E, sendo assim, era natural que a transposi\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria do Tejo se fizesse antes de Const\u00e2ncia, evitando assim os custos da constru\u00e7\u00e3o de uma outra ponte sobre o Z\u00eazere. Da\u00ed a escolha da Praia do Ribatejo para alcan\u00e7ar a outra margem. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o mais detalhada e minuciosa do \u201centroncamento\u201d, h\u00e1 que recorrer \u00e0 topografia regional e ao papel do planalto da Atalaia que se levanta a nordeste da cidade ferrovi\u00e1ria. Foi a raz\u00e3o pela qual se deu a disjun\u00e7\u00e3o das linhas: contornando-o pelo sul seguiria a Linha do Leste, e pelo lado poente a Linha do Norte. Estava criado o Entroncamento, uma cidade fundacional da ferrovia, assente numa antiga zona pantanosa, e para cuja cria\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribuiu a opini\u00e3o dos \u201c40 senadores\u201d da Barquinha que rejeitaram o comboio pela amea\u00e7a que ele j\u00e1 prenunciava em rela\u00e7\u00e3o aos interesses e aos neg\u00f3cios das embarca\u00e7\u00f5es no Tejo.<\/p>\n<p>Anunciava-se uma nova era, outra ficava pelo caminho, e o Entroncamento parecia j\u00e1 trazer o an\u00fancio de uma nova sociedade fundada pelos caminhos de ferro.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-a-fundacao-do-entroncamento\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 j\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 20 deste m\u00eas que o Entroncamento comemora os 30 anos da sua eleva\u00e7\u00e3o a cidade, coroando o caso, que julgo singular, de, no mesmo s\u00e9culo, um pequeno burgo territorial se ter tornado freguesia (1926), vila (1932), munic\u00edpio (1945) e cidade (1991). \u00c9 verdade que foi ao longo do s\u00e9culo XX [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[55,66],"tags":[],"class_list":{"0":"post-35243","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-cronica","7":"category-manuel-fernandes-vicente"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}