{"id":30794,"date":"2021-02-26T21:06:25","date_gmt":"2021-02-26T21:06:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=30794"},"modified":"2021-02-27T10:54:54","modified_gmt":"2021-02-27T10:54:54","slug":"manuel-fernandes-vicente-cronica-de-uma-reflexao-amarga-sobre-tantas-boas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-cronica-de-uma-reflexao-amarga-sobre-tantas-boas-noticias\/","title":{"rendered":"MANUEL FERNANDES VICENTE | Cr\u00f3nica de uma reflex\u00e3o amarga sobre tantas boas not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1176\" aria-describedby=\"caption-attachment-1176\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1176\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelVicente.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"228\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1176\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Fernandes Vicente manuelvicente@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os \u00faltimos dias, as \u00faltimas semanas, t\u00eam trazido boas e promissoras not\u00edcias para o Entroncamento, de tal modo impressivas que conseguiram furar o nevoeiro informativo que tem sido toda a complexa nova realidade e\u00a0 a nova cultura promovida pela pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias fic\u00e1mos conhecedores da venda em hasta p\u00fablica de quatro lotes de terreno no parque empresarial do Entroncamento, um total de cerca de tr\u00eas hectares para a instala\u00e7\u00e3o de uma empresa da \u00e1rea alimentar de grande express\u00e3o exportadora que, aproveitando a centralidade e as facilidades log\u00edsticas da cidade, aqui passar\u00e1 a produzir a \u201cbebida do futuro\u201d, o Captain Kombucha, uma \u201cinspira\u00e7\u00e3o ligada aos Descobrimentos portugueses\u201d, um investimento de 53 milh\u00f5es de euros e a previs\u00e3o de se poderem criar cerca de 200 postos de trabalho nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>A par do Captain Kombucha h\u00e1 tamb\u00e9m que assinalar o novo impulso para a Reabilita\u00e7\u00e3o Urbana do Bairro do Boneco, inscrita na valoriza\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o dos bairros ferrovi\u00e1rios do Entroncamento, secundando as reabilita\u00e7\u00f5es noutros locais hist\u00f3ricos do nosso urbanismo ferrovi\u00e1rio. \u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o de enorme pertin\u00eancia para o estudo sistem\u00e1tico de documentos da ferrovia nacional, sendo o abandonad\u00edssimo e decadent\u00edssimo Bairro do Boneco convertido num futuro j\u00e1 pr\u00f3ximo em Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Nacional Ferrovi\u00e1rio, Centro de Ci\u00eancia Viva e n\u00facleo museol\u00f3gico incidindo sobre os elos entre os caminhos de ferro e a realidade militar que se instalou na cidade a partir da log\u00edstica ferrovi\u00e1ria com que se conjugou. E h\u00e1 que admitir que esta nova estrutura, que ser\u00e1 uma \u201ctorre do tombo\u201d da ferrovia, abrindo perspetivas aos investigadores e historiadores dos caminhos de ferro, n\u00e3o ser\u00e1 algo marginalmente integrado na nossa vida cultural, mas sim parte da sua ess\u00eancia e identidade. E ainda ser\u00e1 poss\u00edvel acrescentar os diversos e sucessivos (e merecidos) reconhecimentos que t\u00eam contemplado a joia que \u00e9 o Museu Nacional Ferrovi\u00e1rio (MNF) nos \u00faltimos tempos, como a sua integra\u00e7\u00e3o no Top 10 do Pr\u00e9mio Nacional de Turismo 2020 (categoria de Turismo Aut\u00eantico). Pouco tempo antes, o MNF, um museu de hist\u00f3ria, de ci\u00eancia, de um acervo espantoso e de muitas emo\u00e7\u00f5es, j\u00e1 fora distinguido com o Travellers\u2019 Choice Awards 2020, com base na impress\u00e3o que dele deram eco os utilizadores da plataforma Tripadvisor. O museu \u00e9 algo que proporciona uma visita acompanhada com pessoas com muita compet\u00eancia e que sentem o que dizem, podendp apenas lamentar-se a escassa divulga\u00e7\u00e3o que tem, incluindo as placas informativas dentro da cidade e fora dela. Por fim, e para n\u00e3o ser exaustivo, h\u00e1 ainda que incluir a da pr\u00f3xima instala\u00e7\u00e3o na zona noroeste da cidade de um novo restaurante da uma cadeia de <em>fast food<\/em>. \u00c9 uma instala\u00e7\u00e3o que tem envolvido alguma pol\u00e9mica, sobretudo pela localiza\u00e7\u00e3o escolhida, mas, saltando sobre esse aspeto \u2013 o que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil por que vive perto \u2212, \u00e9 sempre um factor de valoriza\u00e7\u00e3o do Entroncamento.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que, a par deste lado mais feliz e lampejante, a urbe tem igualmente um lado mais crepuscular, que j\u00e1 se intensificara nos tempos sombrios da <em>troika<\/em> (mas vinham de antes) e agora se prolongam com todo este ambiente depressivo da malfadada pandemia Covid-19, cujos preju\u00edzos n\u00e3o s\u00f3 sanit\u00e1rios mas em muitas outras dimens\u00f5es, estamos ainda muito longe de poder avaliar.<\/p>\n<p>Sai-se de casa (e tem de haver alguma raz\u00e3o para o fazer), e \u00e9 deprimente o conjunto de lojas, espa\u00e7os e servi\u00e7os fechados, uns por for\u00e7a deste confinamento, outros que j\u00e1 n\u00e3o abriram depois do primeiro confinamento h\u00e1 um ano atr\u00e1s. Aqui, uma ourivesaria, um quiosque de jornais, revistas e jogos e uma frutaria, mais \u00e0 frente uma florista, um talho, uma cabeleireira e dois restaurantes, um pouco por toda a cidade (e pelo pa\u00eds) o primeiro confinamento encerrou lojas e servi\u00e7os \u2013 uns por dois meses, outros para sempre, e agora \u00e9 poss\u00edvel que mais estabelecimentos se acrescentem \u00e0 necrologia comercial. S\u00e3o por\u00e7\u00f5es do Entroncamento que se est\u00e3o a extrair \u00e0 faca, e n\u00e3o vale a gritar pois o pa\u00eds tamb\u00e9m est\u00e1 todo aos berros. Mas, para al\u00e9m desta tem\u00edvel conjuntura, o concelho apresenta fragilidades estruturais pr\u00f3prias, umas mais dif\u00edceis de entender que outras.<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o dos caminhos de ferro \u00e9 hoje uma p\u00e1lida imagem do que era h\u00e1 40 ou 50 anos, quando se enchia de comboios e de gente que chegava e partia rumo a mil dire\u00e7\u00f5es, mais parecendo um ventr\u00edculo do pa\u00eds, sendo a sua passagem met\u00e1lica superior uma caricatura humilhante para todos; a constru\u00e7\u00e3o civil que, entre muitos atropelos urban\u00edsticos, foi o pulsar do seu crescimento durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, colapsou h\u00e1 muito, deixando muitos apartamentos e lojas por vender;\u00a0 a zona industrial lan\u00e7ada h\u00e1 mais de 30 anos foi frustrante, e o seu acesso \u00e0 A23 \u00e9 ainda um estrangulamento completo; a cidade n\u00e3o tem resposta para empregos mais t\u00e9cnicos e qualificados; o ambiente cultural e associativo \u00e9 agora um amargor. Perdemos tamb\u00e9m muitas coisas. A cidade tem o carisma equivalente a um molho de br\u00f3colos cozidos, n\u00e3o tem nem ter\u00e1 livrarias com dimens\u00e3o que se possam considerar como tal, n\u00e3o tem cinemas, falta \u00e2nimo, prevalece a opini\u00e3o avulsa com a solu\u00e7\u00e3o dos problemas na ponta da l\u00edngua, mas as m\u00e3os n\u00e3o saem das algibeiras.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma parte enigm\u00e1tica, e at\u00e9 il\u00f3gica e irracional, do nosso comportamento que nos leva a valorizar bastante mais o que perdemos do que aquilo que ganh\u00e1mos. Perder mil euros ou ganh\u00e1-los tem obviamente o mesmo valor absoluto. Mas n\u00f3s detestamos muito mais perd\u00ea-los do que adoramos ganh\u00e1-los, a nossa natureza psicol\u00f3gica \u00e9 aversa \u00e0s perdas, isto faz parte da \u00e1rea da economia comportamental, e foi estudado por Daniel Kahneman, Amos Tversky e Dan Ariely, entre outros economistas.<\/p>\n<p>Podemos ficar contentes com as not\u00edcias que p\u00f5em o Entroncamento numa rota de progresso, investimento e emprego \u2013 das boas not\u00edcias e das promessas delas de um futuro com sol e dias luminosos. Mas o que prevalece para o cidad\u00e3o comum s\u00e3o sempre as m\u00e1s not\u00edcias, o que perde \u00a0e a tristeza e o nevoeiro com que o nosso quotidiano esbarra por todos estes dias de confinamento. O pessimismo come o otimismo logo ao pequeno-almo\u00e7o.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-cronica-de-uma-reflexao-amarga-sobre-tantas-boas-noticias\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos dias, as \u00faltimas semanas, t\u00eam trazido boas e promissoras not\u00edcias para o Entroncamento, de tal modo impressivas que conseguiram furar o nevoeiro informativo que tem sido toda a complexa nova realidade e\u00a0 a nova cultura promovida pela pandemia da Covid-19. 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