{"id":30458,"date":"2021-02-20T12:22:35","date_gmt":"2021-02-20T12:22:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=30458"},"modified":"2021-02-20T12:24:38","modified_gmt":"2021-02-20T12:24:38","slug":"o-porto-fluvial-da-antiga-punhete-e-a-memoria-do-velhinho-foral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/o-porto-fluvial-da-antiga-punhete-e-a-memoria-do-velhinho-foral\/","title":{"rendered":"O Porto fluvial da antiga Punhete e a mem\u00f3ria do velhinho foral"},"content":{"rendered":"<p>Com as \u00faltimas conquistas no territ\u00f3rio algarvio em 1253 e a consequente estabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds, o rio Tejo assumia, enquanto eixo de comunica\u00e7\u00f5es, uma import\u00e2ncia crescente. Este facto acentuou-se pela circunst\u00e2ncia de Lisboa se ter tornado a capital do Reino e a sua principal pot\u00eancia econ\u00f3mica. Dom Dinis ao promover as obras do Tejo e o seu sistema adjuvante, fundou Salvaterra de Magos e Muge, incrementando de alguma forma as navega\u00e7\u00f5es fluviais, facto a que n\u00e3o deixar\u00e1 de ser alheio o surto da capital lisbonense (1).<\/p>\n<p>Dos portos do m\u00e9dio Tejo, Santar\u00e9m, Abrantes e Punhete (2) eram sem d\u00favida os mais importantes. O sal, o peixe (seco, salgado, fumado ou fresco) e os panos, al\u00e9m de outros produtos de uso menos frequente, eram as mercadorias que subiam o Tejo desde Lisboa at\u00e9 aqueles portos. Para a capital transportavam-se madeiras, azeite, vinho, coiros, mel, cera, ferro e mesmo peixe do rio (s\u00e1vel, azevias, lampreias) (3).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30459 alignright\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Porto-da-Cova__.bmp\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"496\" \/>No ano de 1552, de 1490 barcos de navega\u00e7\u00e3o fluvial que existiam em Lisboa e nos restantes portos do Tejo, 180 pertenciam a Abrantes (100 eram de carreira e 80 andavam na pesca), 100 a Tancos, 120 a Punhete, Asseiceira e Carvoeira e 100 a Santar\u00e9m, que constitu\u00edam os principais portos do Tejo (4).<\/p>\n<p>Os produtos transportados seriam sensivelmente os mesmos do s\u00e9culo anterior com uma novidade: a grande quantidade de mel\u00f5es provenientes das lez\u00edrias de Santar\u00e9m e de Abrantes (5). O vinho que chegava a Lisboa por via fluvial, pelo que se depreende do \u00abPranto de Maria Parda\u00bb, deveria ter muita import\u00e2ncia e tomava o nome dos portos de embarque Santar\u00e9m: Abrantes e Punhete (6).<\/p>\n<p>A raiz de todo o desenvolvimento de Punhete esteve sempre, estou ciente, na sua privilegiada posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Sabe-se, foi objeto de abundante legisla\u00e7\u00e3o r\u00e9gia, sendo de referir que por alvar\u00e1 de D. Pedro I, Punhete era ponto obrigat\u00f3rio de embarque de todas as mercadorias daquela zona que se destinassem a Lisboa (7).<\/p>\n<p>Abundante legisla\u00e7\u00e3o se pode encontrar em seu favor, e mesmo contra. Por exemplo, numa carta do rei D. Pedro I, dada em 13 de abril de 1358 (era de 1396), o monarca, considerando que a vila de Santar\u00e9m, \u00abhe huu dos boons e dos mjlhoores lugares do meu senhorio\u00bb, e estava despovoada de \u00abcompanhas\u00bb e de mais coisas necess\u00e1rias para o servi\u00e7o r\u00e9gio, resolve atalhar a essas car\u00eancias. O lugar de Punhete era um porto ativo, o que causava preju\u00edzo ao crescimento populacional de Santar\u00e9m. Por tal motivo o rei ordenava: 1) \u00abque nenhuas barca nom pasem de santarem pera cima com nenhuas mercadorias saluo com panos e com al que comprir pera mantijmento daqueles que esse mantijmento leuarem pera ssy ou pera outrem\u00bb (8)<\/p>\n<p>Num documento encontrado na Chancelaria de D. Jo\u00e3o I tem-se not\u00edcia da aten\u00e7\u00e3o da Dinastia de Avis dispensada a Punhete, ent\u00e3o Lugar. Ver\u00edssimo Serr\u00e3o d\u00e1-nos a conhecer uma carta do monarca, dada a 23 de Agosto de 1390 a Afonso Pires, Juiz em Abrantes: \u00ab\u2026Sabede que os homes boons e poboradores de punhett nos enviaron dizer antigamente que a memoria\u00a0 dos homes non era em contrario per seus privil\u00e9gios e seu foral que lhes foi dado&#8230; pelos rex os que antes nos foram E outrosy per\u00a0 nos atee o tempo dora ouveram seus ju\u00edzes e jurdi\u00e7am no dicto loguo de todollos feitos crimes\u2026\u00bb(9).<\/p>\n<p>Num relat\u00f3rio do espi\u00e3o castelhano Rui Dias de Vega ao rei Dom Fernando I de Arag\u00e3o em 1415, este faz saber a Castela dos preparativos que em Portugal se faziam para-a conquista de Ceuta\u00bb: \u00ab(&#8212;) El Prior et los maestres mandan fazer sendas geleotas de sessenta rremos cada uma, salvo el maestre de Santyago. Et fazenlas en el ryo de Sesar, que es cerca de Punhete, et entra en Tajo aquel rio a syete leguas de Santarem (\u2026)\u00bb. (10)<\/p>\n<p>Punhete, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, a recordar tempos passados, mantinha-se pr\u00f3spera, e continuava a atrair a aten\u00e7\u00e3o r\u00e9gia. Em outubro de 1505, aquando da desloca\u00e7\u00e3o de D. Manuel I, de Lisboa para Almeirim, por motivos da peste, parte da sua comitiva instalou-se ali; mais con\u00accretamente, a 12 de Maio de 1507, quando se assentou a cisa dos vinhos de Lisboa, a corte encontrava-se em Punhete (11).<\/p>\n<p>No ano de 1571, Dom Sebasti\u00e3o concede a Punhete \u00abque seja vila\u00bb, declarando-se no respectivo docu\u00acmento que no dito lugar j\u00e1 havia \u00abcasa e audiencia da camara e cadea e pelourinho com suas argolas e cepo e a\u00e7ougue\u00bb (12).<\/p>\n<p>A Casa dos Sandes, senhores e alcaides do burgo e donos de quase todo o com\u00e9rcio no s\u00e9culo XVI, crescera e atin\u00acgira um desenvolvimento tal que, em 1620, o filho de D. Jo\u00e3o, o Dou\u00actor Francisco de Sande, j\u00e1 institu\u00eda, \u00abcom cabe\u00e7a na sua casa da Torre e da Amoreira\u00bb, o morgado de Punhete. (13)<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<h6>(1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Finisterra, Centro de Estudos Geogr\u00e1ficos, Universidade de Lisboa.<br \/>\n(2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Decreto de 7 de dezembro de 1836.<br \/>\n(3)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Documentos para a Hist\u00f3ria da cidade de Lisboa. Vide nota (1).<br \/>\n(4)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jo\u00e3o Brand\u00e3o, \u00abTratado da magestade, grandeza e abastan\u00e7a da cidade de Lisboa, na segunda metade do s\u00e9culo XVI (estat\u00edstica de Lisboa de 1552)\u00bb, publicado por Braancamp Freire, com notas de Gomes de Brito, Lisboam, 1923.<br \/>\n(5)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vide nota (4).<br \/>\n(6)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Gil Vicente, \u00abO Pranto de Maria Parda\u00bb.<br \/>\n(7)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Oliveira Marques, \u00abIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria da Agricultura em Portugal\u00bb, 1968.<br \/>\n(8)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chancelaria de Dom Pedro I, Instituto Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, Lisboa, 1984.<br \/>\n(9)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chartularium Universitatis citado em apontamentos in\u00e9ditos editados em polic\u00f3pia pelo Centro Internacional de Estudos Camonianos da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia, ent\u00e3o Associa\u00e7\u00e3o Para a Reconstru\u00e7\u00e3o e Instala\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia, de autoria do saudoso Professor Doutor Ver\u00edssimo Serr\u00e3o, Julho de 1991.<br \/>\n(10)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Arquivo da Coroa de Arag\u00e3o, \u00abCartas Reales\u00bb, in Monumenta Henricina. Vide nota (9).<br \/>\n(11)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vide nota (9)<br \/>\n(12)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A.N.T.T., Chancelaria de Dom Sebasti\u00e3o, Privil\u00e9gios, citada em \u00abCasa de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia, maria Clara Pereira da Costa 1977.<br \/>\n(13)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A.N.T.T., Registos\u00a0 vinculares, Santar\u00e9m, n\u00ba 21, vide nota (12).<\/h6>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/o-porto-fluvial-da-antiga-punhete-e-a-memoria-do-velhinho-foral\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com as \u00faltimas conquistas no territ\u00f3rio algarvio em 1253 e a consequente estabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds, o rio Tejo assumia, enquanto eixo de comunica\u00e7\u00f5es, uma import\u00e2ncia crescente. 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