{"id":29954,"date":"2021-02-11T09:48:39","date_gmt":"2021-02-11T09:48:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=29954"},"modified":"2021-02-11T10:11:56","modified_gmt":"2021-02-11T10:11:56","slug":"memorias-do-comercio-perdido-da-historica-vila-de-constancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/memorias-do-comercio-perdido-da-historica-vila-de-constancia\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias do com\u00e9rcio perdido\u00a0da hist\u00f3rica vila de Const\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Lembram-se? Dos cartuchos? Do papel pardo (desperd\u00edcio da velha reciclagem)? Eram usados nas mercearias da vila de Const\u00e2ncia e um pouco por todo o lado.\u00a0 \u00a0Na vila,\u00a0 podiam ser encontrados\u00a0 no \u00abJo\u00e3o Costa\u00bb, na \u00abMari Lopes\u00bb, na \u00abMarineta\u00bb, no \u00abZ\u00e9 Rebimbas\u00bb,\u00a0 no Sr Raimundo, na Drogaria do Sr Aur\u00e9lio e, depois de usados, faz\u00edamos &#8220;gatos&#8221; na escola com eles, consumidas as especiarias\u00a0 que os mesmos acondicionavam.<\/p>\n<figure id=\"attachment_29955\" aria-describedby=\"caption-attachment-29955\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29955 size-full\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-3.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-3.jpg 433w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto-3-315x420.jpg 315w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-29955\" class=\"wp-caption-text\">Antiga mercearia do Isidoro Burguete nos anos 20 ou 30 do s\u00e9culo XX, cujo edif\u00edcio perdeu recentemente a sua trapeira t\u00edpica e bem assim, perdeu um fresco do pintor Joaquim Santos agraciado por dois chefes de Estado. Tudo no centro hist\u00f3rico protegido por lei.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas compras, \u00a0gostava de sentir o cheiro do colorau, da pimenta, da canela, \u00a0da erva doce, eu sei l\u00e1. \u00a0\u00a0Era uma verdadeira miscel\u00e2nea dos sabores que emanava dos arm\u00e1rios da Mari Lopes, ali,\u00a0 a meio da Rua de S\u00e3o Pedro, junto \u00e0 casa do O\u2019 Neill. Eu gostava das texturas e adorava \u00absentir o som\u00bb do papel vegetal com que se embrulhava a marmelada.. A\u00e7\u00facar ao peso, era ao peso. Agora&#8230; j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 \u00a0aromas. Vem tudo embalado, selado, cerrado, escondido, aprazado e legalizado. Pronto! \u00a0Estamos integrados na Uni\u00e3o. E o sab\u00e3o? Aquelas barras imensas azuis e cor-de-rosa que eram cortadas na l\u00e2mina, na medida que se pedia e queria. \u00abQuem est\u00e1 a seguir, por favor?!\u00bb, apelava a minha prima Lurdes, funcion\u00e1ria exemplar da loja do \u00abJo\u00e3o Costa\u00bb (l\u00e1 em casa assim\u00a0 se continuava a chamar a loja do primo\u00a0. O pai dele,\u00a0 foi um dia ao Coliseu ver a revista \u00abO fim do Mundo\u00bb e\u2026 morreu de ataque card\u00edaco, n\u00e3o sei bem se em 1934). Os clientes eram tratados com gentileza, com fineza, em todas as lojas do burgo. \u00a0Sempre. Sim!, a vila era habitada na maioria das casas. Vivia-se a \u00abPrimavera marcelista\u00bb e depois. despontava a Revolu\u00e7\u00e3o. \u00a0Essa foi a minha inf\u00e2ncia. \u00a0Uma inf\u00e2ncia em que o meu pai andava na guerra al\u00e9m mar. Mas o a\u00e7\u00facar \u2013 as crian\u00e7as adoram a\u00e7\u00facar &#8211; era mascavado e amarelo. \u00a0\u00a0As sombrinhas da Dona Beatriz, ali dependuradas na montra verde da papelaria. Os arm\u00e1rios de parede da Mari Lopes, aqueles arm\u00e1rios com gaveta aberta e folgada em baixo, \u00a0eram um mimo. Aquele sobrado, um espelho. O atendimento, esmerado. At\u00e9 o timbre da voz da Mari Lopes era o adequado para a fun\u00e7\u00e3o (a voz \u00e9 o retrato da pessoa, da sua alma) Era assim na vila. Descia-se o Arco e, l\u00e1 em baixo, quase defronte da antiga mercearia do s\u00e9culo XVIII , entrava-se na loja do \u00abZ\u00e9 Rebimdas e da mulher a Dona Mariana. O trato antigo \u00a0que dispensavam e a conta no papel pardo com a prova dos nove, o \u00abdeve e haver\u00bb cheio de p\u00e1ginas&#8230; esse ambiente, essa \u00abpel\u00edcula do tempo parado\u00bb. Anteriormente havia ali, paredes meias, a loja do Z\u00e9 Baptista e da mulher, a Dona Elisa, dos c\u00e9lebres queijinhos do c\u00e9u. Mais tarde foi pronto-a-vestir. Ah! E havia a fabrica das camisas. E a Dona Teresa do \u00abCa\u00e7\u00e3o\u00bb? Onde mais tarde morou o escritor Baptista Bastos, pegado com a casa onde no despontar do s\u00e9culo tinha nascido o grande Poeta Tomaz Vieira da Cruz &#8211; olvidado localmente pela estupidez e ignor\u00e2ncia dos homens e da inveja que sempre acompanhou os patr\u00edcios de toda a terra. Maldito pecado de Caim. O bacalhau do Natal da Dona Teresa era uma obriga\u00e7\u00e3o. Que maravilha!\u00ab Embrulhado \u00e0 antiga\u00bb. \u00a0\u00abVai l\u00e1 \u00e0 Marineta!\u00bb (a Maria Neto tinha sido a sogra da Dona Teresa, \u00a0com loja no Olival, e o nome ficou na mem\u00f3ria dos locais). Natal! O pres\u00e9pio da Dona Teresa, minha primeira catequista, era um primor. As suas figuras de barro faziam o encanto das crian\u00e7as que por l\u00e1 passavam v\u00e1rias vezes ao dia.\u00a0 Os caminhos eram feitos com farinha (l\u00e1 em casa tamb\u00e9m era assim).\u00a0 A cabana do Menino Jesus, um encanto. No \u00abSantos Costa\u00bb (\u00abVai l\u00e1 abaixo ao Jo\u00e3o Costa!\u00bb dizia a minha m\u00e3e), era um mundo de gente de todo o lado. \u00a0Ia l\u00e1 tamb\u00e9m ao petr\u00f3leo, num piso inferior (o meu primo Jo\u00e3o Costa, filho do fundador, Manoel, tinha sido o empres\u00e1rio das antigas bombas onde havia um dep\u00f3sito de \u00e1gua que a minha av\u00f3 Flora (sobrinha do fundador da grande empresa) enchia com c\u00e2ntaros, num eterno e pesado labor, mal pago. Ficou essa mem\u00f3ria para heran\u00e7a. Na loja, passava pelo escrit\u00f3rio dos meus primos Galiano e Angelina, onde se faziam as &#8220;letras&#8221; e todos os contratos da grande ind\u00fastria secular das redes de pesca. Vinha gente do Minho encomendar as alvitanas, as narsas, os tresmalhos, Tamb\u00e9m fiz muitas alvitanas em crian\u00e7a. Aquele escrit\u00f3rio\u2026 ficou-me gravado o\u00a0 \u00absom do seu sil\u00eancio\u00bb. \u00a0Os meus primos\u2026 falava um de cada vez. \u00a0Com uma flu\u00eancia e cad\u00eancia coordenadas. \u00a0Recebiam-nos (a minha e \u00e0 minha m\u00e3e). Primeiro toc\u00e1vamos uma campainha \u00a0no r\u00e9s-de-ch\u00e3o e a ordem era logo para subir. A loja era um verdadeiro \u00abcentro de com\u00e9rcio\u00bb. A mercearia, as roupas do pronto-a-vestir, o armeiro (vinha gente de todo o pa\u00eds comprar armas), a sec\u00e7\u00e3o baixa das loi\u00e7as, quanta oferta no \u00abSantos Costa\u00bb &#8211; o \u00abJo\u00e3o Costa\u00bb -, passo o quase pleonasmo. At\u00e9 a velha cadeia onde metiam os caix\u00f5es. E quando a cheia amea\u00e7ava a loja, os seus funcion\u00e1rios accionavam um plano de emerg\u00eancia caseiro, habituados \u00e0quela rotina. \u00a0H\u00e1 registos das cheias desde pelo menos o tempo de Cam\u00f5es. \u00a0\u00c9 ver a \u00abMiscel\u00e2nia\u00bb.\u00a0 Cam\u00f5es teria estado preso na Torre, da Ordem, rodeado de \u00e1gua, esse cen\u00e1rio \u00e9 potencial! Alguns investigadores do s\u00e9culo XIX n\u00e3o viram o filme todo\u2026\u00a0 \u00c0 ind\u00fastria das redes aderiu a\u00a0 Drogaria (mercearia, drogaria, papelaria). A vila oferecia um \u00a0\u00a0quadro pitoresco aos visitantes, desde a Olaria ao Olival. \u00a0Era ver as mulheres da vila sentadas \u00e0 soleira da porta.\u00a0 No Olival, a Dona Ol\u00edvia ensinou gera\u00e7\u00f5es, diziam-me.\u00a0 Ainda\u00a0 vi durante v\u00e1rios anos,\u00a0 as artes\u00e3s Zulmira, a Jaquina da Ana Bogas, a Maria Morais, a mulher do \u00abCacilhas\u00bb, a Isabel da condu\u00e7\u00e3o,\u00a0 a Luci Barreiro, a minha m\u00e3e, a Dona Adelaide do \u00abSantos\u00bb taxista, a Mari Lena, a Manuela do Alfredo, tanta gente nessa ind\u00fastria. \u00a0Falava-se que o mestre das redes tinha sido o \u00abTonho Casca\u00bb que foi e veio da Grande Guerra . O nylon (dantes era algod\u00e3o) \u00a0cortava-nos os dedos, pois os n\u00f3s das malhas tinham de ser firmes. Quanto maior a malha, maior a dor produzida, dada a frequ\u00eancia \u00a0dos movimentos\u00a0 dos dedos.\u00a0 Recordo-me de um dia ter feito carreiras para uma cabe\u00e7a de 750 malhas.\u00a0\u00a0 Ainda tenho as agulhas e as palhetas da malhas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_29956\" aria-describedby=\"caption-attachment-29956\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29956 size-medium\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto1-800x285.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto1-800x285.png 800w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto1-768x274.png 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto1-696x248.png 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto1.png 856w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-29956\" class=\"wp-caption-text\">Antiga mercearia do s\u00e9culo XVIII, cujos arm\u00e1rios de parede foram destru\u00eddos recentemente aquando das obras de reconstru\u00e7\u00e3o, apesar dos meis sucessivos apelos na net. Desejo que o projecto, contudo, tenha o maior sucesso.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Normalmente \u00a0as alvitanas eram de 12 vint\u00e9ns, 250 malhas e doze carreiras. Aos pares e\u00a0 entran\u00e7adas. Voltando \u00e0 loja\u2026 as enormes pe\u00e7as de fazenda,\u00a0 as montras. A vila do meu tempo de crian\u00e7a e de juventude. \u00a0Const\u00e2ncia era assim! \u00a0Vista Por Dentro! As tabernas, da Concei\u00e7\u00e3o Coimbra, do meu primo M\u00e1rio Barbisco, da Mari Dona \u2013 o cheiro do peixe e das favas fritas era um chamaril na pra\u00e7a. \u00a0A barraca do Cuchinho, de canas, junto ao Tejo. A pra\u00e7a, de semana. E ao Domingo? Cheia de gente. \u00a0Levantava-me ced\u00edssimo\u00a0 pois \u00e0s sete de matina\u00a0 os suspiros e as ferraduras j\u00e1 quase se esgotavam. E os vendedores ambulantes? Vinham de Martinchel, das Limeiras, de Montalvo, das Amoreiras, eu sei l\u00e1. A nossa vila era t\u00e3o diferente. Est\u00e1 pior! Ah! E havia a loja do primo Raimundo com os amendoins e o aniz. Havia com\u00e9rcio. A loja do Jo\u00e3o Pereira , que montava as antenas e vendia televis\u00f5es. O saudoso Erc\u00edlio que tudo resolvia. A Dona Elvira, com a sua paci\u00eancia para dar conta de tanta variedade de produtos. O Talho da Salcheiro na pra\u00e7a, o do Manel do Caf\u00e9, \u00a0o do casal dos porcos constru\u00eddo junto \u00e0s ru\u00ednas da antiga pra\u00e7a de toiros de que h\u00e1 registo escrito no s\u00e9culo XIX. \u00a0\u00a0E o restaurante da Arro\u00e7ada- sA padaria da dona Lu\u00edsa. \u00a0Ah! A padeira ambulante que vinha duas vezes por semana do Alentejo. \u00a0O p\u00e3o, de quatro canto, vinha quentinho.\u00a0 Qu del\u00edcia logo que\u00a0 barrado da geleia, ou do doce de tomate, ou do doce de peda\u00e7os de marmelo. Tudo acompanhado com uma grande caneca de caf\u00e9. \u00a0Bem composto no est\u00f4mago l\u00e1 voltava \u00e0s minhas recolhas das antigas tradi\u00e7\u00f5es, de porta a porta. Guardo zelosamente esses cadernos. O caf\u00e9 da Ponte, perto da antiga \u00abtaberna\u00bb das velhas Burguetes, tias das velhas Burguetes que conheci,, o caf\u00e9 do bairro dos bailes tradicionais onde a minha fam\u00edlia foi ver a ida do homem \u00e0 lua (beb\u00e9 inclu\u00eddo). O caf\u00e9 \u00abEstrela\u00bb na pra\u00e7a que nos anos 20 e 30 era a mercearia do Isidoro Burguete, pai do escritor Meira Burguete autor do \u00abCaso de Rio Maior\u00bb, da fam\u00edlia do escritor \u00a0Elviro da Rocha Gomes. O Clube Estrela Verde, t\u00e3o concorrido \u00e0 noite para as cartas, para o orfe\u00e3o, para o teatro, para a biblioteca, para o ping pong, para o bilhar, para a sala da televis\u00e3o, para o bar. A Casa da Sopa, com as aulas de m\u00fasica do padre Jo\u00e3o, com o pingo pong (onde havia antigamente a \u00a0Associa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9. As lojas do Salgueiro, com muitas novidades. \u00a0As barbearias do \u00abCa\u00e7\u00e3o\u00bb e do Lino. E a Nanda cabeleileira. A Mimi cabeleileira. A dona Beatriz Gouveia cabeleileira.. As vendedoras de ovos., de galinhas e de coelhos. A Mari do Peixe do Cagar\u00e9u, gente muito honesta, trabalhadora e humilde. A taberna da Ti Cesaltina, onde ia ao carv\u00e3o. A J\u00falia do Sapateiro que tinha tamb\u00e9m pronto-a-vestir. A oficina dos mec\u00e2nicos na Jo\u00e3o Chagas onde o Elias tinha em tempos o armaz\u00e9m, ao lado do velho e desaparecido \u00abSport Club Str\u00eala Verde\u00bb. O fotogr\u00e1fo na Lu\u00eds de Cam\u00f5es defronte da antiga c\u00e2mara. \u00a0\u00a0Na farm\u00e1cia, o Godinho (que n\u00e3o passava sem a sua aguardente purificadora) e o sr Henrique da farm\u00e1cia, irm\u00e3o do poeta Tomaz. O relojoeiro Ramos. A oficina do Z\u00e9 David que em tempos recuados teria sido um celeito. E os antigos celeiros do Dr Godinho. Os tendeiros. A venda de arraiolos, particular.<\/p>\n<figure id=\"attachment_29957\" aria-describedby=\"caption-attachment-29957\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29957 size-full\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto2.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto2.jpg 433w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/foto2-315x420.jpg 315w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-29957\" class=\"wp-caption-text\">Antiga Loja \u00abManoel dos Santos Costa\u00bb, do tio da minha av\u00f3 Flora da Luz. As pedras seculares partiram numa camioneta. Desejo que regressem e que o projecto tenha o maior sucesso, enquanto requalifica\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel da baixa da vila, zona de protec\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Paz \u00e0 alma da Dona Etelvina, a grande mestre na vila dessa arte dif\u00edcil s\u00f3 para alguns, do ponto dois e tr\u00eas. As mulheres que faziam colchas de renda e n\u00e3o s\u00f3. Saudades da vila de Const\u00e2ncia. de uma vila feita de fam\u00edlias conhecidas e de parentes. Saudades de gente que se respeitava. Saudades das idas \u00e0 quinta de Santa B\u00e1rbara ao lagar, na minha bicicleta, \u00a0apeado, pelos antigos caminhos, transportando no veloc\u00edpede\u00a0 as saca sde azeitonas. Na quinta, havia venda farta de fruta variada, a saber,\u00a0 ameixas, p\u00earos (n\u00e3o s\u00e3o ma\u00e7\u00e3s), e outras maravilhas. Saudades da apanha da azeitona. De ver lavar no \u00abrio\u00bb. De ver vender o peixe \u00e0 porta, de ver vender os queijos que, depois se secavam e punham \u00abde azeite\u00bb.\u00a0 Saudades de ouvir esses quase preg\u00f5es: \u00abTeeenho fataaa\u00e7a!\u00bb, \u00abTeeenho \u00abboooga\u00bb. Saudades de ver esses fogareiros pela vila a ser acesos para a grelha do peixe. Saudades das noites de conv\u00edvio no Clube, no cine-teatro hist\u00f3rico (que substitu\u00edram pelo mamarracho in\u00fatil). Saudades dos ensaios permanentes, do rancho, do teatro, do orfe\u00e3o eu sei l\u00e1, Saudades da Const\u00e2ncia que perdemos! \u00a0Saudades de tantas marchas populares.<\/p>\n<p>Mem\u00f3ria de ouvir falar da carvoaria defronte da Casa da Dona Adelaide Sommer, da loja da Nazar\u00e9 nas escadas da S\u00e3o Pedro, do forno da Paralva, na Rua de S\u00e3o Pedro confinada com o Avelar Machado, das duas casas comerciais da Etelvina Gil, na pra\u00e7a, da taberna do primo Eduardo e do Talho do Leit\u00e3o de Abrantes, da loja da Sara, da Pens\u00e3o da Rebolas (Pens\u00e3o Central), da Pens\u00e3o da Jaquina Ferreira, pens\u00e3o Ribatejo, (a sobrinha que me disse que levava as refei\u00e7\u00f5es \u00e0 cabe\u00e7a para a base, para os militares.) Mem\u00f3ria ainda de tantas e mem\u00f3rias sem fim\u2026<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>PS &#8211; n\u00e3o uso o dito AOLP. este texto \u00e9 telegr\u00e1fico. Assim deve ser lido&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/memorias-do-comercio-perdido-da-historica-vila-de-constancia\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembram-se? Dos cartuchos? Do papel pardo (desperd\u00edcio da velha reciclagem)? 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