{"id":28730,"date":"2021-01-15T08:30:55","date_gmt":"2021-01-15T08:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=28730"},"modified":"2021-01-15T08:30:55","modified_gmt":"2021-01-15T08:30:55","slug":"manuela-poitout-e-por-causa-de-um-roubo-de-material-militar-no-entroncamento-se-descobriu-um-rombo-consideravel-nos-armazens-do-quartel-de-engenharia-de-tancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-e-por-causa-de-um-roubo-de-material-militar-no-entroncamento-se-descobriu-um-rombo-consideravel-nos-armazens-do-quartel-de-engenharia-de-tancos\/","title":{"rendered":"MANUELA POITOUT | E por causa de um roubo de material militar no Entroncamento, se descobriu um rombo consider\u00e1vel nos armaz\u00e9ns do Quartel de Engenharia de Tancos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1174\" aria-describedby=\"caption-attachment-1174\" style=\"width: 248px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1174\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelaPoitout.jpg\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"267\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1174\" class=\"wp-caption-text\">Manuela Poitout manuelapoitout@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Isto que vou contar passou-se em 1919. Tinha acabado a primeira grande guerra em novembro de 1918, ano terr\u00edvel, em que al\u00e9m das baixas da guerra, e do n\u00famero de feridos e inv\u00e1lidos que ela causou, houve tamb\u00e9m epidemias de gripe broncopneum\u00f3nica e tifo exantem\u00e1tico.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o das tropas que iam para a Flandres tinha tido lugar em Tancos, e n\u00e3o estamos a falar de centenas, mas de milhares de pessoas, o que exigiu uma log\u00edstica tremenda, que come\u00e7ou logo pela necessidade de arranjar tendas para toda aquela gente, mantas, leitos, etc.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o vinha da Manuten\u00e7\u00e3o Militar de Lisboa, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da carne, servindo de apoio o matadouro da Barquinha e a Quinta da Cardiga, alugada para esse fim, com um parque de rezes de 300 bois e 1.500 carneiros.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o alimentar era feita do seguinte modo: os alimentos vinham de comboio de Lisboa, diariamente, havia uma linha direta que os levava at\u00e9 ao Dep\u00f3sito de Materiais do Entroncamento, constru\u00eddo em 1916, no lugar onde est\u00e3o hoje as instala\u00e7\u00f5es militares, e da\u00ed seguiam em comboios autom\u00f3veis para Tancos.<\/p>\n<p>Essas instala\u00e7\u00f5es militares do Entroncamento, que foram as primeiras, nasceram por causa da Primeira Guerra.<\/p>\n<p>Acabado o conflito, ficou nos armaz\u00e9ns do Entroncamento todo o material militar trazido de Fran\u00e7a, e em Tancos, no Quartel de Engenharia, o material que ficou da mobiliza\u00e7\u00e3o para a guerra.<\/p>\n<p>Em julho de 1919, deu-se pela falta de muito material nos armaz\u00e9ns do Entroncamento que serviam de dep\u00f3sito do Material de Guerra. O encarregado dos referidos armaz\u00e9ns, capit\u00e3o Cust\u00f3dio Vicente, comunicou o facto ao general Correia Barreto, diretor do Arsenal do Ex\u00e9rcito, e vieram dois agentes da pol\u00edcia, Cust\u00f3dio das Dores e Hermano da Fonseca, fazer as devidas averigua\u00e7\u00f5es. Com tanta felicidade, que passados tr\u00eas dias tinham descoberto os gatunos.<\/p>\n<p>Os agentes foram encontrar, na Goleg\u00e3, sacas de trincheira, rolos de cordas de tirantes, cabe\u00e7adas, arreios, mantas, panos de tenda, cobrej\u00f5es e outros artigos.<\/p>\n<p>Como ainda faltavam bens dos que tinham sido subtra\u00eddos, os mesmos agentes voltaram ao Entroncamento num autom\u00f3vel fornecido pelo minist\u00e9rio da guerra, e foram por \u00c1rgea e Lamarosa \u00e0 procura de arreios, fazendo buscas domicili\u00e1rias. Para seu grande espanto, o que lhes apareceu em todas as casas foi lona branca, grandes panos de lona pr\u00f3pria para barracas de campanha. Suspeitando do achado, confiscaram a lona toda e deixaram-na guardada em casa do regedor.<\/p>\n<p>Horas depois, estes agentes, que se mostraram bastante eficientes, encontraram os gatunos e recetadores, e foram todos para a Administra\u00e7\u00e3o de Torres Novas, para um interrogat\u00f3rio. Apuraram, ent\u00e3o, que a referida lona tinha sido retirada dos dep\u00f3sitos de material do aquartelamento de engenharia, em Tancos.<\/p>\n<p>Contaram os detidos que, efetivamente, tinham furtado uma grande por\u00e7\u00e3o de barracas de campanha, entrando nos armaz\u00e9ns de Tancos pelo telhado, onde serraram os barrotes, e o material era depositado numa carro\u00e7a, que depois levavam para \u00c1rgea.<\/p>\n<p>E o mais interessante desta hist\u00f3ria \u00e9 que a sangria j\u00e1 durava h\u00e1 seis meses, sem que as autoridades militares tivessem descoberto o que se passava. S\u00f3 souberam quando os agentes entregaram o processo. Ou seja, durante 6 meses, a carro\u00e7a entrou e saiu descansadamente do Quartel de Engenharia, sem que lhe acontecesse qualquer lance desagrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os culpados foram presos, incluindo as recetadoras, duas mulheres que andavam a vender o roubo pelas povoa\u00e7\u00f5es. Os agentes ainda conseguiram apreender 6 contos de lonas e material de guerra no valor de 1.500 escudos, mas tiveram de recolher a Lisboa, por necessidades de servi\u00e7o, sem terem recuperado todo o material. No fim de tudo isto, feitas as devidas verifica\u00e7\u00f5es, ainda faltavam 400 barracas de campanha. Sendo um material com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e conhecidas, para que quereriam os compradores tantas tendas de campanha? Parece, pelos achados em \u00c1rgea e na Lamarosa, que as tendas eram desmanchadas para aproveitamento dos panos de lona.<\/p>\n<p>Subtra\u00e7\u00e3o de bens de instala\u00e7\u00f5es militares ou uso indevido t\u00eam havido ao longo dos tempos, com turbul\u00eancia ou sem ela, por dinheiro ou por pol\u00edtica, aproveitando falhas do sistema.<\/p>\n<p>Quando das manobras de prepara\u00e7\u00e3o para a Primeira Grande Guerra, os soldados aquartelados no acampamento de Santa Margarida andavam pelas tabernas de Tancos, do Entroncamento e das redondezas, a vender latas de atum e de sardinha a 10 centavos, mas isso n\u00e3o era roubo, era uso indevido, porque se privavam de comer esses alimentos para os venderem.<\/p>\n<p>No tempo do reviralho, entre 1931 e 1933, foram retiradas armas dos quart\u00e9is, para as m\u00e3os dos reviralhistas, mas de Tancos apenas ter\u00e1 sa\u00eddo uma metralhadora Wichers de calibre 7,7, e a pessoa que a pediu a uns sargentos, e que depois a passou a um revolucion\u00e1rio, um m\u00e9dico que ainda exerceu cl\u00ednica no Entroncamento, mas por espa\u00e7o de tempo muito curto, porque foi preso, respondeu em tribunal militar especial e foi deportado para Angra do Hero\u00edsmo durante dois anos.<\/p>\n<p>Se o castigo do caso contempor\u00e2neo fosse proporcional a este, contando-se o n\u00famero de armas desviadas, dava deporta\u00e7\u00e3o para a vida toda.<\/p>\n<p>Nota: Grande parte das informa\u00e7\u00f5es contidas neste texto foram retiradas de um \u00f3rg\u00e3o de imprensa de curta dura\u00e7\u00e3o, que se chama mesmo \u201cA Imprensa\u201d. Durou de 21 de junho a 3 de julho de 1919, enquanto estiveram autossuspensos os jornais Capital, Di\u00e1rio de Not\u00edcias, \u00c9poca, Jornal do Com\u00e9rcio, Jornal da Tarde, Luta, Manh\u00e3, Mundo, Opini\u00e3o, Portugal, Rep\u00fablica, O S\u00e9culo, Vanguarda e Vit\u00f3ria, por diverg\u00eancias com a Federa\u00e7\u00e3o do Livro e do Jornal, na qual se inclu\u00eda o pessoal das gr\u00e1ficas, numa \u00e9poca intensa de greves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-e-por-causa-de-um-roubo-de-material-militar-no-entroncamento-se-descobriu-um-rombo-consideravel-nos-armazens-do-quartel-de-engenharia-de-tancos\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isto que vou contar passou-se em 1919. 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