{"id":28460,"date":"2021-01-09T07:46:50","date_gmt":"2021-01-09T07:46:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=28460"},"modified":"2021-01-09T07:46:50","modified_gmt":"2021-01-09T07:46:50","slug":"sao-juliao-em-punhete-uma-hipotese-a-explorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/sao-juliao-em-punhete-uma-hipotese-a-explorar\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Juli\u00e3o em Punhete?\u00a0Uma hip\u00f3tese a explorar"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-28462 alignright\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/juliao.jpg\" alt=\"\" width=\"302\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/juliao.jpg 422w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/juliao-300x420.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/>Nem todos os santos constar\u00e3o da lista do calend\u00e1rio romano. Ser\u00e1 o caso de alguns santos denominados de \u00abS\u00e3o Juli\u00e3o\u00bb. Sabemos que o Conc\u00edlio mandou que s\u00f3 constassem no calend\u00e1rio apenas as festas com ineg\u00e1vel import\u00e2ncia universal, remetendo-se assim para o direito particular as restantes celebra\u00e7\u00f5es. Segundo o martirol\u00f3gio romano (\u00faltimos ajustes) celebra-se a 6 de Janeiro o dia de S\u00e3o Juli\u00e3o e Santa Basilissa. S\u00e3o estes santos que se veneram na igreja matriz da vila de Const\u00e2ncia. Na minha opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 certo que este casal tenha sido sempre aqui venerado. H\u00e1 um outro S\u00e3o Juli\u00e3o que poder\u00e1 ter sido casado com Ireneia, nome depois contra\u00eddo em Iria, opini\u00e3o publicada por gente entendida na mat\u00e9ria. Em Punhete, actual vila de Const\u00e2ncia, h\u00e1 efectivamente mem\u00f3rias escritas de S\u00e3o Gi\u00e3o, contrac\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Juli\u00e3o, e de Santa Iria (orat\u00f3rio do Pal\u00e1cio da Torre, antigo Castelo templ\u00e1rio). E, \u00e0 semelhan\u00e7a de outras localidades, haver\u00e1 eventual confus\u00e3o com outro S\u00e3o Juli\u00e3o como j\u00e1 referi.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o preliminar se coloca ent\u00e3o: quem foi este orago, S\u00e3o Juli\u00e3o, da par\u00f3quia de Const\u00e2ncia? H\u00e1 v\u00e1rios santos com este nome.<\/p>\n<p>No que concerne a S\u00e3o Juli\u00e3o e Santa Basilissa (s\u00e9culo III), estes ter\u00e3o feito voto de castidade por\u00e9m, Juli\u00e3o, ter\u00e1 sido for\u00e7ado pela fam\u00edlia a casar-se com Basilissa. O casal transformou a sua casa num hospital, onde chegaram a atender mais de mil pessoas. Durante as persegui\u00e7\u00f5es de Diocleciano, Juli\u00e3o foi decapitado ap\u00f3s ter sido preso pelo governador de Antioquia, no Egipto. Basilissa morreu pacificamente. (1)<\/p>\n<p>S\u00e3o Juli\u00e3o \u00e9 o padroeiro de v\u00e1rias freguesias como S\u00e3o Gi\u00e3o. Essa denomina\u00e7\u00e3o aparece em Const\u00e2ncia, por exemplo, em 1536. (2)<\/p>\n<p>Curiosamente,. em 27 de Mar\u00e7o de 1822, a prop\u00f3sito da traslada\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia para o actual templo (na sequ\u00eancia das invas\u00f5es francesas), somente existe refer\u00eancia oficial \u00e0 traslada\u00e7\u00e3o da imagem de S\u00e3o Juli\u00e3o: \u00abcontinuando como orago da par\u00f3quia\u00bb (3)<\/p>\n<p>As actuais imagens existentes na Igreja Matriz (S\u00e3o Juli\u00e3o e Santa Basilissa) ter\u00e3o sido oferecidas no s\u00e9culo XIX por uma fam\u00edlia do Alentejo, por via de uma promessa. A encomenda a Lisboa ter\u00e1 resultado no envio por barco de duas imagens? (4)<\/p>\n<p>Por todos estes motivos ter\u00e1 sido o nosso S\u00e3o Juli\u00e3o origin\u00e1rio confundido com um dos seus hom\u00f3nimos? O problema \u00e9 intrincado, tem solu\u00e7\u00e3o can\u00f3nica, mas a hist\u00f3ria tem outros des\u00edgnios e motiva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na lista dos santos que nos \u00e9 facultada pela \u00abLegenda Dourada\u00bb de Jacques de Voragine (5) surgem-nos v\u00e1rios santos com este nome entre os quais um S\u00e3o Juli\u00e3o, hospital\u00e1rio.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo S\u00e3o Juli\u00e3o num acesso de ci\u00fame ter\u00e1 morto por engano os seus pais . Este parric\u00eddio tinha-lhe sido profetizado por um cervo, com cara humana, que ele perseguia e a que n\u00e3o dera valor. Decidiu Juli\u00e3o redimir-se deste crime e, mais a sua mulher (cujo nome Voragine n\u00e3o revela), retiraram-se os dois para as margens de um grande rio, onde muitos perdiam a vida, e a\u00ed estabeleceram um grande hospital, onde poderiam fazer penit\u00eancia. E estavam constantemente ocupados a fazer passar uma ribeira &#8211; \u00aba ribeira\u00bb &#8211; a todos os que ali se apresentavam. E a receber todos os pobres. Um dia Juli\u00e3o acolheu no seu pr\u00f3prio leito um homem que lhe apareceu e que morria de frio. De repente aquele que parecia coberto de lepra levantou-se branco como a neve para o c\u00e9u e disse ao seu h\u00f3spede: \u00abJuli\u00e3o, o Senhor enviou-me para vos advertir que ele aceitou a vossa penit\u00eancia e que brevemente ambos repousar\u00e3o no Senhor\u00bb. O que aconteceu segundo a lenda.<\/p>\n<p>Jorge Campos Tavares informa-nos que os pais deste Juli\u00e3o eram espanh\u00f3is. Mais acrescenta o autor que se ignora a \u00e9poca em que ele viveu. (6)<\/p>\n<p>Podemos sempre conjecturar como alguns j\u00e1 o fizeram com propriedade que S\u00e3o Juli\u00e3o e a mulher se fixaram no local onde actualmente existe Const\u00e2ncia. Nos textos em latim e em franc\u00eas atribu\u00eddos a Jacques Voragine h\u00e1 uma refer\u00eancia a um grande rio (o Tejo?) e, por outro lado, a uma ribeira (uma ribeira do Tejo, o Z\u00eazere?) referentes ao local onde S\u00e3o Juli\u00e3o se fixou com a esposa. Uma pesquisa aturada sobre a origem das palavras (esse desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria para este artigo) permite-nos esta conjectura \u00faltima. Quem reproduz e n\u00e3o conhece Const\u00e2ncia e deixou no texto duas express\u00f5es distintas \u00abgrande rio\u00bb e \u00abribeira\u00bb, d\u00e1-nos um ind\u00edcio de autenticidade! Uma ribeira n\u00e3o desagua no mar em princ\u00edpio&#8230;<\/p>\n<p>Certo, certo \u00e9 que n\u00e3o se pode confundir este casal (que n\u00e3o foi m\u00e1rtir, donde, sem palma) com o outro do Egipto (Juli\u00e3o e Basilissa). S\u00f3 por aproxima\u00e7\u00e3o ou semelhan\u00e7a se poder\u00e1 considerar m\u00e1rtir este casal cujos pais de Juli\u00e3o seriam espanh\u00f3is e se fixou onde havia um grande rio e uma ribeira &#8211; atenta a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>No recorte de uma gravura de Neale surge no tempo das invas\u00f5es francesas a velhinha igreja paroquial de S\u00e3o Juli\u00e3o que, parece, j\u00e1 existiria no s\u00e9culo XIII. A pia baptismal, de oitocentos anos, existe na actual matriz, para onde foi trasladada, segundo me contou o saudoso c\u00f3nego Jos\u00e9 Maria d&#8217;Oliveira Rodrigues.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>O autor n\u00e3o usa o\u00a0 dito AOLP.<\/p>\n<p>Post Scriptum &#8211; Se, efectivamente, os seus pais eram espanh\u00f3is e se, o nome de Punhete teve origem na Catalunha (7) e foi importado pelos templ\u00e1rios, percebe-se a devo\u00e7\u00e3o no Orat\u00f3rio do Pal\u00e1cio da Torre de Punhete, a Santa Iria, contrac\u00e7\u00e3o de Ireneia mulher de S\u00e3o Gi\u00e3o, Juli\u00e3o? Por sinal o nome da Comenda local e do Adro e Igreja que ali existiam junto ao Pal\u00e1cio. A terra do grande rio e do rio afluente desse grande rio. N\u00e3o sabemos a verdade. Mas \u00e9 apaixonante este assunto. H\u00e1 muitas coincid\u00eancias. \u00c9 h\u00e1 dados veross\u00edmeis. Ou ser\u00e1 que esta capela a Santa Iria de cuja exist\u00eancia temos registo tem a ver com a Santa Iria assassinada em Tomar e que estar\u00e1 na origem da lenda de Punhete sobre a terra do p\u00e9 torto? (8)<\/p>\n<p>A estalagem de S\u00e3o Juli\u00e3o pode ter existido no s\u00edtio do antigo castelo, depois Pal\u00e1cio da torre. E quanto \u00e0 dificuldade em se passar o rio, na \u00e9poca medieval essa dificuldade deve ter existido. N\u00f3s sabemos que esta zona at\u00e9 ao Almourol tem um historial nesse sentido. As barragens do s\u00e9culo XX e o assoreamento milenar alteraram a for\u00e7a das \u00e1guas. Leit\u00e3o de Andrada falava do \u00edmpeto das \u00e1guas em.. Punhete.<\/p>\n<p>(1)Enciclop\u00e9dia Cat\u00f3lica online, publicada por Kevin Knight in \u00abNew Advent\u00bb<\/p>\n<p>(2) Arquivo da fam\u00edlia Themudo de Castro, Livro V, citado em \u00abCasa de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia\u00bb, por Maria Clara Pereira da Costa e outros , 1977.<\/p>\n<p>(3) Livro de \u00abLan\u00e7amentos de Pastorais e cap\u00edtulos de Visita da Vila de Punhete\u00bb transcrito por Joaquim dos M\u00e1rtires Neto Coimbra em 1954.<\/p>\n<p>(4) Contava o c\u00f3nego Jos\u00e9 Maria.<\/p>\n<p>(5) La Legende Dor\u00e9e T.1, de Jacques De Voragine, Editor: FLAMMARION , Edi\u00e7\u00e3o ou reimpress\u00e3o: Janeiro de 1999<\/p>\n<p>(6) Jorge Campos Tavares, Dicion\u00e1rio de Santos, Lello &amp; Irm\u00e3os, Editores<\/p>\n<p>(7) Catalunha e Punhete.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o escrita sobre o per\u00edodo da nacionalidade regista in\u00fameros exemplos de importa\u00e7\u00e3o de top\u00f3nimos, de lugares hom\u00f3nimos que pertenciam a mil\u00edcias internacionais. Punhete, lembra o local de um mosteiro templ\u00e1rio na Catalunha, Punyalet e \u00e9 o caso trazido \u00e0 tona na obra monumental &#8220;Castelos Templ\u00e1rios&#8221; em Portugal, de Nuno Villamariz Oliveira, da \u00c9squilo, p\u00e1g 229, obra de disserta\u00e7\u00e3o apoiada pela Comiss\u00e3o Portuguesa de Hist\u00f3ria Militar.. O top\u00f3nimo Punyalet aparece de facto em &#8220;L&#8217; Arquitectura dels Templers a Catalunha&#8221;, de Fuguet, S, J, Universidade de Barcelona, departamento de hist\u00f3ria de arte, 1989.<\/p>\n<p>Sendo uma hip\u00f3tese acad\u00e9mica sobre a origem do nome do povoado de Punhete n\u00e3o pode ser ignorada pois assenta numa investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, com leis pr\u00f3prias desta ci\u00eancia. \u00c9 mais do que uma lenda ou uma pura especula\u00e7\u00e3o. O professor Jos\u00e9 Hermano Saraiva, numa das suas vindas a Const\u00e2ncia ( 2010) salientava o papel crucial dos Templ\u00e1rios no povoamento deste territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>(8) A lenda conhecida em Const\u00e2ncia e passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o assevera que vinha um \u00abtronco\u00bb rio abaixo e que algu\u00e9m lhe deu um pontap\u00e9, tendo ficado com o p\u00e9 torto.Era a santa ,afinal. e n\u00e3o um tronco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/sao-juliao-em-punhete-uma-hipotese-a-explorar\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem todos os santos constar\u00e3o da lista do calend\u00e1rio romano. 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