{"id":28135,"date":"2021-01-01T12:02:40","date_gmt":"2021-01-01T12:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=28135"},"modified":"2021-01-01T12:02:40","modified_gmt":"2021-01-01T12:02:40","slug":"joao-bianchi-villar-o-amanha-de-todos-os-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/joao-bianchi-villar-o-amanha-de-todos-os-dias\/","title":{"rendered":"JO\u00c3O BIANCHI VILLAR | O amanh\u00e3 de todos os dias"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1237\" aria-describedby=\"caption-attachment-1237\" style=\"width: 247px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1237\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/jbianchi.jpg\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"247\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1237\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Bianchi Villar joao.bianchi.villar@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 uma apet\u00eancia humana pelo convencional desde que, pelo menos, o primeiro macho foi \u00e0 ca\u00e7a e a f\u00eamea ficou em casa a tratar das crias. Saltando de umas para as outras, que foram (e s\u00e3o) aos milhares, cheg\u00e1mos \u00e0 actualidade repletos de conven\u00e7\u00f5es mais ou menos elaboradas como o dinheiro, o vestu\u00e1rio, a diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, racial, religiosa, sexual, social, econ\u00f3mica, pol\u00edtica, cultural, etc., e ainda alguns h\u00e1bitos curiosos como a forma\u00e7\u00e3o das filas no supermercado ou a necessidade de cheirar os outros por interm\u00e9dio do beijo. H\u00e1 quem as tenha por indispens\u00e1veis, pois qualquer sistema tende para caos, e h\u00e1 quem tente fur\u00e1-las terminando a viver debaixo da ponte ou internado num asilo psiqui\u00e1trico.<\/p>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o, invertendo o pr\u00f3prio \u00e9timo da palavra, h\u00e1 muito que passou de partilha volunt\u00e1ria de liberdades para um sempiterno pretexto para impor obriga\u00e7\u00f5es. De entre as eticamente mais in\u00f3cuas, n\u00e3o esquecendo que a pr\u00f3pria \u00e9tica tamb\u00e9m \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o, temos a passagem do ano, um ritual catal\u00edtico que serve de motivo a divertimentos e a planos para o futuro. Sim, o futuro, essa dimens\u00e3o que o homo deus est\u00e1 cada vez mais convencido que domina, quando nem sequer \u00e9 capaz de perceber o presente, ou de aproveitar a li\u00e7\u00e3o do passado. Em 1958, Hannah Arendt, ao escrever o seu Condi\u00e7\u00e3o Humana, livro esgotad\u00edssimo e magistral, inspirou-se no lan\u00e7amento do Sputnik para o situar como o marco de uma nova hist\u00f3ria para a humanidade. O homem saia da sua esfera f\u00edsica e lan\u00e7ava-se para o espa\u00e7o sideral onde, ali\u00e1s, o seu esp\u00edrito j\u00e1 andava desde os prim\u00f3rdios do primeiro nascer do sol e da mais primitiva noite estrelada. J\u00e1 n\u00e3o eram s\u00f3 os outros deuses a poderem ascender aos c\u00e9us. Todavia, como atr\u00e1s se disse, continuamos a ter pretens\u00f5es bomb\u00e1sticas sobre o futuro, quando ainda nem sequer sabemos viver no presente. A express\u00e3o bomb\u00e1stica n\u00e3o vem por acaso. Vem de bomba at\u00f3mica, nuclear, de neutr\u00f5es, ou at\u00e9 biol\u00f3gica, se quisermos fazer uma incurs\u00e3o mais s\u00e9ria pela realidade.<\/p>\n<p>Regressando \u00e0s cavernas, onde esta pequena est\u00f3ria come\u00e7ou, imagine-se aquele casal dos prim\u00f3rdios a criar um sofisticado processo de defesa da sua gruta e onde se assegurava, em caso de invas\u00e3o, que todos os seus habitantes (e trespassantes) eram esmagados, em prol de ningu\u00e9m ter o sabor da vit\u00f3ria, e todos ficarem mortos na mesma derrota. \u00c9 neste clima que se vive. Uns est\u00e3o profundamente empenhados no evitar uma extin\u00e7\u00e3o lenta por conta de uma qualquer pandemia, enquanto outros est\u00e3o sentadinhos, curiosamente tamb\u00e9m em cavernas, \u00e0 espera de ordens para carregar no bot\u00e3o para promoverem a extin\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Tudo no mesmo presente, tudo no mesmo planeta, tudo na mesma realidade. E ainda querem que vos deseje um bom ano novo? N\u00e3o, meus queridos amigos e amigas, prefiro desejar-vos uma boa sexta-feira. Porque, ao contr\u00e1rio de outros tantos, n\u00e3o fa\u00e7o a mais pequena ideia de como vai ser o nosso dia de amanh\u00e3. Beijos e abra\u00e7os.<\/p>\n<p>(o autor n\u00e3o segue a grafia do novo (des)acordo ortogr\u00e1fico)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/joao-bianchi-villar-o-amanha-de-todos-os-dias\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma apet\u00eancia humana pelo convencional desde que, pelo menos, o primeiro macho foi \u00e0 ca\u00e7a e a f\u00eamea ficou em casa a tratar das crias. 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