{"id":26803,"date":"2020-11-30T09:12:37","date_gmt":"2020-11-30T09:12:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=26803"},"modified":"2020-11-30T09:12:37","modified_gmt":"2020-11-30T09:12:37","slug":"raul-pires-a-trapalhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/raul-pires-a-trapalhada\/","title":{"rendered":"RAUL PIRES | A Trapalhada"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1175\" aria-describedby=\"caption-attachment-1175\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1175\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/RaulPires1.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"184\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1175\" class=\"wp-caption-text\">Raul Pires raul.pires@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 quarenta e seis anos que andamos nisto. Recordo, ainda, a az\u00e1fama dos primeiros tempos. Como aluno finalista do Liceu de Bragan\u00e7a e militante da UEC (Uni\u00e3o dos Estudantes Comunistas), sentia, nesses tempos iniciais, esperan\u00e7a e alegria. Esperan\u00e7a num futuro promissor e alegria porque pol\u00edtica era alegria e dava alegria. O regime democr\u00e1tico trouxe-nos a liberdade e permitia o conv\u00edvio social, o que possibilitava uma sociedade pluralista e tornava poss\u00edvel resolver os conflitos pelo di\u00e1logo e pela justi\u00e7a. Pois! A democracia \u00e9 um lugar do consenso e do descenso.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a \u00e2nsia de protagonismo dos que se julgavam iluminados, a reparti\u00e7\u00e3o injusta das mordomias e, acima de tudo, a incoer\u00eancia entre o que se dizia e o que se fazia, depressa me sugeriram outros caminhos. A democracia permite caminhos distintos. Mas, h\u00e1 dois que marcaram a democracia ao longo destes quarenta e seis anos: direita\/esquerda. A direita polariza solu\u00e7\u00f5es baseadas na propriedade privada, na menor interven\u00e7\u00e3o do Estado na vida das pessoas, na ordem e na conformidade. Enquanto a esquerda polariza as solu\u00e7\u00f5es dum maior dom\u00ednio do Estado (da\u00ed a febre pelas nacionaliza\u00e7\u00f5es), da liberdade, da igualdade e de um maior Estado social.<\/p>\n<p>Esta bipolariza\u00e7\u00e3o teve sentido em tempos passados. Hoje, \u00e9 um erro. A atual realidade \u00e9 complexa, comporta direita e esquerda, esquerda e direita, suscitando um pensamento hol\u00edstico acerca dos problemas que nos afetam. No \u00faltimo dia do debate do Or\u00e7amento, na Assembleia da Rep\u00fablica, partidos ditos de \u201cdireita\u201d apoiaram uma proposta apresentada por um partido de \u201cesquerda\u201d, o que acabou por causar uma \u201ctrapalhada\u201d, segundo se disse.<\/p>\n<p>O sistema pol\u00edtico que nos conduziu a uma d\u00edvida p\u00fablica colossal e a uma carga fiscal que massacra aqueles que mais trabalham, encontra-se cada vez mais divorciado do regime pol\u00edtico; se n\u00e3o entender a realidade atual, se continuar a procurar solu\u00e7\u00f5es, ora na esquerda ora na direita, ambas divorciadas entre si, ent\u00e3o, n\u00e3o se enganar\u00e3o aqueles que dizem que h\u00e1 muitos portugueses que ir\u00e3o engrossar as fileiras dos partidos mais radicais. As solu\u00e7\u00f5es justas, isto \u00e9, a igualdade e equidade est\u00e3o muito para al\u00e9m da simples dicotomia direita\/esquerda.<\/p>\n<p>H\u00e1 um partido que ainda n\u00e3o entendeu que o capital entendido na \u00e9poca de Marx nada tem a ver com o capital dos nossos dias. As multinacionais marcam os fluxos financeiros internacionais. O pr\u00f3prio conceito de \u201ctrabalho\u201d \u00e9 entendido doutra maneira: o saber constitui um fator de diferencia\u00e7\u00e3o no trabalho. O trabalho qualificado e criativo n\u00e3o se compara ao trabalho, \u00e0 f\u00e1brica, \u00e0 terra e ao pr\u00f3prio capital da \u00e9poca de Marx.\u00a0 Com a intensifica\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o a partir da queda do muro de Berlim (1989), o papel do poder pol\u00edtico \u00e9 de compreender o internacional e criar condi\u00e7\u00f5es estruturais para que possamos competir \u00e0 escala global.<\/p>\n<p>Em vez de se tratarem destes assuntos, h\u00e1 um partido que s\u00f3 porque a lei positiva lhe permite, desafia a pr\u00f3pria democracia com a realiza\u00e7\u00e3o de congresso em \u00e9poca de confinamento, violando valores t\u00e3o essenciais \u00e0 democracia como \u00e9 o caso do respeito para com os cidad\u00e3os que n\u00e3o podem (coercivamente) sair de suas casas. Tal comportamento, embora l\u00edcito, \u00e9, por\u00e9m, ileg\u00edtimo. Legalidade e legitimidade s\u00e3o coisas diferentes. Uma desconsidera\u00e7\u00e3o para quem tem de cumprir o Estado de Emerg\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/raul-pires-a-trapalhada\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quarenta e seis anos que andamos nisto. Recordo, ainda, a az\u00e1fama dos primeiros tempos. Como aluno finalista do Liceu de Bragan\u00e7a e militante da UEC (Uni\u00e3o dos Estudantes Comunistas), sentia, nesses tempos iniciais, esperan\u00e7a e alegria. 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