{"id":26762,"date":"2020-11-28T21:01:07","date_gmt":"2020-11-28T21:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=26762"},"modified":"2020-11-28T21:01:07","modified_gmt":"2020-11-28T21:01:07","slug":"punhete-e-a-restauracao-de-portugal-vestigios-e-lacos-de-historicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/punhete-e-a-restauracao-de-portugal-vestigios-e-lacos-de-historicidade\/","title":{"rendered":"Punhete e a Restaura\u00e7\u00e3o de Portugal |\u00a0Vest\u00edgios e la\u00e7os de historicidade"},"content":{"rendered":"<p><b>No anivers\u00e1rio dos 380 anos da Restaura\u00e7\u00e3o de Portugal (1\u00ba de Dezembro) tomemos nota de alguns ind\u00edcios de resist\u00eancia popular ao dom\u00ednio filipino, no caso, em Punhete. Uma vila a que tamb\u00e9m andam ligados talvez indiretamente, \u00a0nomes famosos da Restaura\u00e7\u00e3o. Descubra aqui\u2026 lendo.<\/b><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dificilmente se poderia repetir hoje em dia (?), tempos de uma Uni\u00e3o Europeia em que o conceito cl\u00e1ssico de Estado j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que era e o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio, com excep\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de 1975, em particular, parece adormecido\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 precisamente 380 anos ocorria a chamada \u00a0\u00ab<strong>Restaura\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia de Portugal\u00bb como pa\u00eds pretensamente soberano. Com efeito, nesse dia, o grupo denominado de \u00abOs Quarenta Conjurados\u00bb chefiou o golpe de estado revolucion\u00e1rio. Miguel de Vasconcelos, o traidor, era atirado pela janela, no Pa\u00e7o da Ribeira.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A revolta dos portugueses alastrou-se ent\u00e3o por todo o Reino culminando com a instaura\u00e7\u00e3o da 4\u00aa Dinastia Portuguesa da \u00abCasa de Bragan\u00e7a\u00bb em que D. Jo\u00e3o IV \u00e9 aclamado Rei. Na vila de Const\u00e2ncia, ent\u00e3o designada Punhete, existia um foco de resist\u00eancia ao dom\u00ednio filipino, como se infere do relato do historiador Oliveira Marques e se ver\u00e1 sumariamente a seguir.<\/strong><\/p>\n<p>Ligado \u00e0 Restaura\u00e7\u00e3o temos, por exemplo, D. Miguel de Almeida, Conde de Abrantes e Alcaide-Mor de Abrantes, de Punhete e da Am\u00eandoa, no caso, um dos Quarenta Conjurados : \u00ab(\u2026) com que valor se portou no acto de aclama\u00e7\u00e3o de El Rey Dom Jo\u00e3o Quarto (\u2026)\u00bb (1)<\/p>\n<p>Vale a pena recordar aqui o epis\u00f3dio famoso protagonizado por uma descendente de Dona Guiomar Freire (2), castel\u00e3 de Punhete, no caso, Dona Filipa de Vilhena, a fazer f\u00e9 na genealogia da antiga Conservadora do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Diz-nos o \u00abPortal do Dicion\u00e1rio Hist\u00f3rico\u00bb que Dona Filipa \u00abteve conhecimento de todos os preparativos da revolu\u00e7\u00e3o de 1 de Dezembro de 1640\u00bb, tendo aconselhado a seus filhos que \u00aba ela aderissem e partilhassem os perigos de seus irm\u00e3os em fidalguia e em nacionalidade\u00bb. Na madrugada de 1 de Dezembro, pode ler-se,\u00a0 \u00abcingiu ela pr\u00f3pria as armas aos seus dois filhos, e mandou-os combater pela p\u00e1tria, dizendo-lhes que n\u00e3o voltassem sen\u00e3o honrados com os louros da vit\u00f3ria\u00bb. Adianta ainda esta fonte que\u00a0 \u00abn\u00e3o foi ela s\u00f3 que procedeu assim nessa madrugada c\u00e9lebre. O mesmo fez D. Mariana de Lencastre\u00bb. N\u00e3o se conhece (?) o motivo pelo qual ficou apenas no esp\u00edrito popular o nome de D. Filipa de Vilhena.<\/p>\n<p><strong>Mas o rastilho mais importante da revolu\u00e7\u00e3o parece remontar a 21 de Agosto de 1637, tr\u00eas anos antes, com a conhecida \u00abRevolta do Manuelinho ou \u00abRevolta do Manelinho\u00bb\u00a0 em \u00c9vora, de cariz popular. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O an\u00fancio de novos impostos (\u00e1gua e sisas) estar\u00e1 na origem\u00a0 dos acontecimentos eborenses que come\u00e7ou nas ruas e levou a que incendiassem as moradias de nobres e de representantes locais da coroa espanhola.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 ent\u00e3o institu\u00edda uma Junta Governativa popular, de auto-governo, a qual passa a emitir comunicados assinados pelo \u00abManuelinho\u00bb um \u00ablouco\u00bb bem conhecido que vagueava pela cidade\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta revolta tomou rapidamente grandes propor\u00e7\u00f5es, alastrando-se a outros pontos do Reino. Oliveira Marques (3) relata-nos: \u00ab(\u2026) a famosa Revolta do Manuelinho, em \u00c9vora (Agosto de 1637) deu a fa\u00edsca para cerca de 70 motins, a partir de Setembro daquele ano, em todo o Algarve e o Alentejo, e at\u00e9 a norte do rio Tejo, em Santar\u00e9m, Goleg\u00e3, Punhete, Abrantes, Sardoal, Ma\u00e7\u00e3o, Envendos, Ferreira, Sobreira Formosa, \u00c1guas Belas e Beco, com extens\u00f5es no tempo at\u00e9 Mar\u00e7o de 1638. Mau-grado a repress\u00e3o das autoridades, voltou a haver motins em 1639 e em 1640 (\u2026)\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No ano seguinte (1639) Filipe II de Portugal via-se obrigado a mobilizar dois ex\u00e9rcitos com cerca de 10 mil homens para subjugar as regi\u00f5es revoltadas.<\/strong><\/p>\n<p><em>Segundo o \u00abAvante\u00bb, \u00f3rg\u00e3o oficial do PCP \u2013 Partido\u00a0 Comunista Portugu\u00eas, \u00abConhecida como as Altera\u00e7\u00f5es de \u00c9vora, a revolta do Manuelinho \u00e9 apontada como precursora da conspira\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 independ\u00eancia em 1640\u00bb.\u00a0 Na s\u00famula editada pelo PCP l\u00ea-se ainda: \u00aba \u00e9poca \u00e9 de crise geral, afectando todo o homem, em todas as suas actividades: econ\u00f3mica, social, pol\u00edtica, religiosa, cient\u00edfica, art\u00edstica, e em todo o seu ser, no mais profundo da sua pot\u00eancia vital, da sua sensibilidade e da sua vontade\u00bb. Actual e sintom\u00e1tica esta recente publica\u00e7\u00e3o comunista?<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 tr\u00eas anos atr\u00e1s, numa encena\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em Santa Cruz, na ilha da Madeira, o povo, qual Torquemada dos dias correntes, atirou de novo o traidor pela varanda.\u00a0 N\u00e3o ser\u00e3o porventura reminisc\u00eancias do antigo esp\u00edrito inquisitorial\u00a0 que mandava desenterrar os mortos para os julgar ou mandava queimar as suas ef\u00edgies. Seria apenas uma divers\u00e3o, restaurado o feriado nacional\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Dizem os entendidos que foi o levante da Catalunha que proporcionou a ac\u00e7\u00e3o dos conjurados. \u00a0Da Catalunha ter\u00e1 sido importado \u00a0pelos Templ\u00e1rios o nome da vila de Punhete, como j\u00e1 escrevi noutro artigo. Dizem que n\u00e3o h\u00e1 coincid\u00eancias\u2026Defronte da vila de Punhete, na margem norte do \u00abRio\u00bb, no Outeiro da Concei\u00e7\u00e3o, no local do antigo castelo medieval, foi constru\u00edda uma\u00a0 fortaleza, restaurada para as guerras da Restaura\u00e7\u00e3o e para a Campanha do Conde de Lipe (5).<\/em><\/p>\n<p><em>As guerras sempre acompanharam a hist\u00f3ria da humanidade e at\u00e9 constam da B\u00edblia.<\/em><\/p>\n<p><em>Uma outra informa\u00e7\u00e3o muito curiosa: Diogo Soares, Senhora da vila de Punhete e Comendador da Ordem de Cristo \u00e9 apontado como Secret\u00e1rio de Estado, em Madrid, de Filipe IV de Espanha e Portugal (6). Ora, Miguel da Cunha (6) afirma que Miguel de Vasconcelos, \u00a0o traidor, anote-se, era o sogro deste Diogo Soares, Senhor de Punhete. Nesta obra tamb\u00e9m consta, em nota de rodap\u00e9 que \u00abDiogo Soares casou, segundo os geneal\u00f3gicos, pelo menos tr\u00eas vezes, a \u00faltima com Dona Ant\u00f3nia de Melo, filha herdeira do famoso \u2018desfenestrado\u2019, de quem houve gera\u00e7\u00e3o (\u2026)\u00bb.<\/em><\/p>\n<p><em>Na vila de Const\u00e2ncia existia uma banda filarm\u00f3nica 1\u00ba de Dezembro no 1\u00ba quartel do s\u00e9culo XX, do Mestre Brito (onde tocava bombardino o meu bizav\u00f4 paterno, Francisco da Luz, sapateiro na Praia do Ribatejo). A esta banda sucedeu outra, com a mesma designa\u00e7\u00e3o, cujo maestro era o meu av\u00f4 materno Carlos Amadeu Saraiva Silvares de Carvalho. No dia 1\u00ba de Dezembro a banda fazia a arruada pela vila com o hino da restaura\u00e7\u00e3o e eram recebidos pelos populares\u00a0 A m\u00fasica dava o mote: \u00abTragam passas e aguardante, c\u00e1 pra gente, c\u00e1 pra gente\u00bb.<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/strong><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<ul>\n<li>\u00abHist\u00f3ria Geneal\u00f3gica da Casa Real Portuguesa\u00bb, R\u00e9gia Oficina Sylviana, e da Academia Real, MDCCXLIX<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Pereira da Costa, Maria Clara, \u00abDa investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sobre a casa de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia\u00bb, Fundo de Fomento Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, 1977.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>(1)Marques, Oliveira, \u00abHist\u00f3ria de Portugal, desde os tempos mais antigos, at\u00e9 \u00e0 presid\u00eancia do Sr General Eanes: Do Renascimento at\u00e9 \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es liberais\u00bb, Palas Editores, 1984<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Jornal Avante, edi\u00e7\u00e3o 2410, de 6 de Fevereiro de 2020.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Almeida, Jo\u00e3o, \u00abRoteiro dos Monumentos Militares Portugueses\u00bb, Tomo II, Instituto de Alta Cultura, Anos 40.<strong>\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>\u00abPor linhas direitas (2): A ascend\u00eancia Correia da Silva de Carvalho (1), <\/strong>Por Miguel Gorj\u00e3o-Henriques da Cunha, academia-edu, 2012.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/punhete-e-a-restauracao-de-portugal-vestigios-e-lacos-de-historicidade\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No anivers\u00e1rio dos 380 anos da Restaura\u00e7\u00e3o de Portugal (1\u00ba de Dezembro) tomemos nota de alguns ind\u00edcios de resist\u00eancia popular ao dom\u00ednio filipino, no caso, em Punhete. 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