{"id":22452,"date":"2020-08-18T22:47:29","date_gmt":"2020-08-18T21:47:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=22452"},"modified":"2020-08-19T13:17:57","modified_gmt":"2020-08-19T12:17:57","slug":"joao-fanha-vieira-os-portugueses-e-a-praia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/joao-fanha-vieira-os-portugueses-e-a-praia\/","title":{"rendered":"JO\u00c3O FANHA VIEIRA | Os portugueses e a praia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_22454\" aria-describedby=\"caption-attachment-22454\" style=\"width: 261px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22454\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Jo\u00e3oVieira1.jpg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"158\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22454\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Fanha Vieira joao.vieira@entroncamentoonline.pt<strong style=\"font-size: 15px; color: #222222;\">\u00a0<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>At\u00e9 meados de 2020, na sua generalidade, os portugueses gostavam de praia, gostavam de \u201capanhar bons ares\u201d, de \u201crefrescar as ideias\u201d ou de \u201capanhar um solinho\u201d. Entretanto, este sentimento quase nato de qualquer portugu\u00eas, desapareceu!<\/p>\n<p>De repente, o mar deixou de lhes pertencer, os imensos areais deixaram de ser seus! Como \u00e9 poss\u00edvel?? Foi daqui, deste mar infinito, que tinham partido \u00e0 conquista do mundo!<\/p>\n<p>Pois \u00e9\u2026 Devido a um v\u00edrus (que \u00e9 invis\u00edvel, ainda por cima!), devido \u00e0 lavagem cerebral feita pelos <em>media<\/em> que, todos os dias, a todas as horas, foi inibindo os portugueses de poderem desfrutar das macias e brancas areias e do seu mar. As for\u00e7as de seguran\u00e7a impediam a livre circula\u00e7\u00e3o dos portugueses. A praia era uma miragem! E o governo concordava! E o Presidente, entre as muitas coisas que dizia, tamb\u00e9m aparentava concordar! E agora?<\/p>\n<p>O portugu\u00eas, a partir desse momento, percebeu que n\u00e3o gostava apenas de praia\u2026! Afinal estava dependente da praia e n\u00e3o sabia! Tornou-se obcecado!<\/p>\n<p>De repente, de um dia paro o outro, tudo mudou, como se de um milagre se tratasse (n\u00e3o estou a pensar em Marcelo Rebelo de Sousa&#8230;)<\/p>\n<p>O imposs\u00edvel tornou-se poss\u00edvel! Com cuidadinho j\u00e1 se podia ir \u00e0 praia! O v\u00edrus est\u00e1 a ser vencido! N\u00e3o \u00e9 por acaso que o hino diz que s\u00e3o \u201cher\u00f3is do mar\u201d! Os <em>media<\/em> j\u00e1 diziam, todos os dias, a todas as horas, que se podia ir \u00e0 praia. As for\u00e7as de seguran\u00e7a deixavam que se circulasse normalmente! O governo apoiava a medida e o Presidente, entre as muitas coisas que dizia, tamb\u00e9m aparentava concordar!<\/p>\n<p>Para tudo ficar confirmado, entrevistam banhistas portugueses e de outras nacionalidades e estes dizem que est\u00e1 tudo bem. H\u00e1 seguran\u00e7a!<\/p>\n<p>J\u00e1 podem ir a banhos e at\u00e9 \u00e9 f\u00e1cil: dist\u00e2ncia social, m\u00e1scara e desinfec\u00e7\u00e3o das m\u00e3os! As praias v\u00e3o voltar a ser conquistadas!<\/p>\n<p>E foram mesmo! Sabe-se que o forte do portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 o civismo e, ent\u00e3o quando pisam a areia, essa palavra desaparece do seu vocabul\u00e1rio. Regressou a malta nova com a sua forma de estar muito peculiar: correm que nem loucos por entre \u201cos distanciamentos sociais\u201d e enchem toda a gente de areia. Depois, jogam \u00e0 bola, trocando o pobre objecto entre p\u00e9s bastante aselhas, cujos toques v\u00e3o normalmente incomodar algu\u00e9m que est\u00e1 no seu sossego. Depois de v\u00e1rias vezes avisados, l\u00e1 tentam continuar, mais moderadamente, a trocar a bola entre eles, mas a aselhice persiste\u2026 Se calhar, o melhor \u00e9 ir dar um mergulho!<\/p>\n<p>E l\u00e1 v\u00e3o eles, novamente, numa louca correria, enfrentado o todo-poderoso mar! Depois de molharem v\u00e1rios banhistas, l\u00e1 conseguem o seu mergulho! Rapidamente se levantam, atiram os cabelos para tr\u00e1s, limpam a \u00e1gua que lhes cobre a vista e olham para ver se algu\u00e9m apreciou a \u201cperformance\u201d. Mas, retirando os olhares reprovadores dos banhistas que foram molhados, n\u00e3o v\u00eaem nenhuma aprova\u00e7\u00e3o. Acabam por perceber que a parvo\u00edce ainda n\u00e3o tem direito a palmas\u2026<\/p>\n<p>E as meninas? Pois as meninas s\u00e3o diferentes! Contrariamente aos rapazes que s\u00f3 pensam na bola, elas pensam nelas pr\u00f3prias!<\/p>\n<p>Escolhem, normalmente, um biqu\u00edni que lhes realce as curvas j\u00e1 equivalentes \u00e0s de uma mulherzinha. Querem parecer mais maduras! E vestem-se assim porque aumenta o seu ego, mostram \u00e0s suas colegas que j\u00e1 t\u00eam corpo de mulherzinhas. Quando, em estilo de desfile, passam pelos rapazes da sua idade, a sedu\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente fraca. \u201cElas s\u00f3 gostam dos mais velhos\u2026\u201d pensam, interrompendo, por um pouco, os toques desastrados na bola.<\/p>\n<p>Mas elas l\u00e1 continuam os seus passeios \u00e0 beira-mar, orgulhosas do seu corpo de mulherzinhas, comandado por um c\u00e9rebro de adolescente\u2026<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s senhoras de meia-idade, na sua maioria, h\u00e1 muito que deixaram as linhas esculturais\u2026 Se h\u00e1 as que tentam, de uma forma bastante for\u00e7ada, esconder as suas formas vestindo um fato-de-banho, muitas delas n\u00e3o t\u00eam qualquer problema em se apresentarem de biqu\u00edni, mesmo que as suas curvas voluptuosas \u2013 a que alguns, de forma desdenhosa, chamam \u201cpneus\u201d \u2013 sejam bem vis\u00edveis. Para que isso tenha acontecido h\u00e1 sempre o facto do \u201cJ\u00e1 tive filhos, depois nunca ficamos na mesma\u2026\u201d dizem, esquecendo os anos em que andaram a comer entremeadas, fritos, ou bolos carregados de a\u00e7\u00facar, entre outras coisas saud\u00e1veis\u2026 Para seu ainda maior descanso dizem (ou pensam), quando v\u00eaem uma jovem elegante \u201cQuando tinha a idade dela, tamb\u00e9m era assim.\u201d<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o podemos esquecer os homens, sobretudo aqueles que j\u00e1 ultrapassaram os quarenta!<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o dos que mais gostam da areia e do mar. \u00c9 frequente v\u00ea-los deambular pelas cal\u00e7adas paralelas ao mar, com um ar perdido. Nitidamente, aquela n\u00e3o \u00e9 a sua praia\u2026 \u00c9 muito mais importante o conv\u00edvio com os amigos do que com a areia. Ent\u00e3o e a imperial? E um petisquinho? \u201cAntes quero tomar banho por dentro do que por fora!\u201d, dizem com ar de triunfo.<\/p>\n<p>No entanto, muitos t\u00eam que ir mesmo para a praia\u2026 \u201cN\u00e3o podes andar sempre na vadiagem! Nem aqui est\u00e1s comigo?\u201d refilam as suas adoradas esposas. Ou, ent\u00e3o, sobre a sua obesidade atiram \u201cJ\u00e1 viste essa barriga?\u201d ou, pior ainda, \u201cTens \u00e9 que ir fazer an\u00e1lises para ver como est\u00e1 essa mis\u00e9ria desse f\u00edgado!\u201d<\/p>\n<p>Respeitosamente, e para que a tormenta acabe depressa, aceitam as imposi\u00e7\u00f5es. Claro que v\u00e3o esperar por uma ocasi\u00e3o que se adivinhe favor\u00e1vel, para se escapulirem e beber um copito, nem que seja de gole!<\/p>\n<p>Os portugueses podem j\u00e1 n\u00e3o ser os conquistadores de mundos desconhecidos, mas as praias de Portugal voltaram a ser suas!<\/p>\n<p><em>(O autor n\u00e3o escreve segundo o novo acordo ortogr\u00e1fico)<\/em><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/joao-fanha-vieira-os-portugueses-e-a-praia\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 meados de 2020, na sua generalidade, os portugueses gostavam de praia, gostavam de \u201capanhar bons ares\u201d, de \u201crefrescar as ideias\u201d ou de \u201capanhar um solinho\u201d. 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