{"id":19873,"date":"2020-05-28T07:43:21","date_gmt":"2020-05-28T06:43:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=19873"},"modified":"2020-05-28T07:43:21","modified_gmt":"2020-05-28T06:43:21","slug":"manuela-poitout-a-maconaria-no-entroncamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-a-maconaria-no-entroncamento\/","title":{"rendered":"MANUELA POITOUT | A ma\u00e7onaria no Entroncamento"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1174\" aria-describedby=\"caption-attachment-1174\" style=\"width: 271px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1174\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelaPoitout.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"292\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1174\" class=\"wp-caption-text\">Manuela Poitout manuelapoitout@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o sei se h\u00e1 ma\u00e7ons no Entroncamento, mas se os houver, n\u00e3o s\u00e3o os primeiros. A ma\u00e7onaria chegou aqui na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX, por iniciativa de um espanhol, Luiz Mayaffre Borrego, de M\u00e1laga, um empreiteiro de obras p\u00fablicas que andava ent\u00e3o ocupado na constru\u00e7\u00e3o da segunda via da linha do Leste.<\/p>\n<p>Com estrangeiros e portugueses se formou a loja <em>Fraternidade Universal<\/em>, em 1891.<\/p>\n<p>Tinha, no seu in\u00edcio, 18 membros, a saber: o pr\u00f3prio Mayaffre, que era o Vener\u00e1vel; Frutuoso Santarino, natural da Mealhada, subchefe, iniciado no Entroncamento; Ant\u00f3nio Joaquim Dinis, de Alf\u00e2ndega da F\u00e9, chefe montador, que \u00e9 poss\u00edvel ainda tenha descend\u00eancia no Entroncamento, o qual vinha de uma outra loja, a <em>1\u00ba de Dezembro de 1640<\/em>, de Lisboa, do <em>Grande<\/em> <em>Oriente Lusitano Unido<\/em> (GOLU); Ant\u00f3nio Joaquim Afonso, de Terras do Bouro (Braga), maquinista principal, que vinha tamb\u00e9m da loja 1.\u00ba de Dezembro de 1640; Jo\u00e3o Jos\u00e9 da Silva, de Lisboa, encarregado da tenda da Companhia (armaz\u00e9m de v\u00edveres), vindo da mesma loja dos anteriores; Augusto Nogueira Soares, de G\u00f3is, subchefe de dep\u00f3sito, iniciado no Entroncamento; Jos\u00e9 Fran\u00e7ois Borios, natural da Covilh\u00e3, subchefe de dep\u00f3sito, iniciado no Entroncamento; Manuel Gon\u00e7alves Silveira, de Rio de Moinhos, chefe de esta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m aqui iniciado; Lucien Guillaume Mathiotte , de Metz, Alemanha (atualmente Metz \u00e9 cidade francesa), chefe de dep\u00f3sito, iniciado na Loja <em>L\u00b4Hospitali\u00e8re<\/em>, em Madrid, cujos membros eram na sua maioria franceses; Joaquim Magro Folgado, de Salvaterra, farmac\u00eautico, provavelmente o primeiro farmac\u00eautico do Entroncamento, iniciado em 1891; Joaquim Valente J\u00fanior, de Pardilh\u00f3, ferrovi\u00e1rio; Arthur Westwood, de Manchester, Inglaterra, ferrovi\u00e1rio; Jo\u00e3o Santos Godinho, de Elvas , ferrovi\u00e1rio; Ant\u00f3nio Silva Alfaro J\u00fanior, do Entroncamento, ferrovi\u00e1rio, este seguramente com fam\u00edlia no Entroncamento atual; Jos\u00e9 Pedro dos Santos, do Barreiro, ferrovi\u00e1rio; Francisco da Silva, de Elvas, ferrovi\u00e1rio, os seis \u00faltimos iniciados em 1891, ano de funda\u00e7\u00e3o da loja; Agustin Hennaut, de Charleroi, B\u00e9lgica, chefe maquinista, vindo da loja <em>Alian\u00e7a Latina<\/em>, tal como\u00a0 o Vener\u00e1vel Mayaffre; e David da Silva Nat\u00e1ria, de Ovar, ferrovi\u00e1rio, iniciado em 1891, de que talvez haja descend\u00eancia no Entroncamento.<\/p>\n<p>A loja <em>Fraternidade Universal<\/em> do Entroncamento, fundada em 25 de outubro de 1891, estava filiada no <em>Grande Oriente Nacional de Espanha<\/em> (GONE), fa\u00e7\u00e3o do visconde de Ros. Nesse tempo, havia em Portugal 22 lojas e 5 cap\u00edtulos portugueses de obedi\u00eancia espanhola, distribu\u00eddos por 4 obedi\u00eancias.<\/p>\n<p>Todas as outras lojas portuguesas, filiadas no GONE, estavam em cidades, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de uma na Figueira da Foz, j\u00e1 ent\u00e3o um centro urbano razoavelmente desenvolvido. Para al\u00e9m do facto de o Entroncamento ser ent\u00e3o uma pequena aldeia que se resumia quase s\u00f3 \u00e0s instala\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, havia, na exist\u00eancia desta loja ma\u00e7\u00f3nica entroncamentense, outra singularidade, a de ser inteiramente formada por pessoas ligadas ao caminho de ferro. O farmac\u00eautico Folgado parece estar fora dessa lista, mas num antigo jornal se menciona o sr. Folgado, enfermeiro da Companhia, que parece ser a mesma pessoa.<\/p>\n<p>Com o correr do tempo houve algumas altera\u00e7\u00f5es, sa\u00edram Mayaffre Borrego e Augusto Nogueira Soares, e entraram Henrique Tourn\u00e9, Grande Delegado da Ordem em Portugal, com o grau 33, Jos\u00e9 Duarte e Silva e Miguel Carneiro. Tourn\u00e9 era o representante em Portugal do GONE e j\u00e1 tinha passado pelas lojas <em>Confedera\u00e7\u00e3o Peninsular<\/em> e <em>Confedera\u00e7\u00e3o<\/em>, onde foi Vener\u00e1vel Mestre.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o existente sobre a loja <em>Fraternidade Universal<\/em> (que teve de ser pedida ao Centro Documental de la Memoria Hist\u00f3rica de Salamanca) cessa em 1893. A presen\u00e7a de grande parte dos membros do grupo no Entroncamento tamb\u00e9m deixa de estar documentada noutros arquivos (paroquiais, municipais), a partir de 1893\/1894. Pelos deveres da pr\u00f3pria profiss\u00e3o, ter-se-\u00e3o deslocado do Entroncamento para outros s\u00edtios.<\/p>\n<p>Passaram-se estes factos em tempo da monarquia e em fim de s\u00e9culo, depois veio a Primeira Rep\u00fablica, e a esta seguiu-se uma Ditadura Militar.<\/p>\n<p>A ma\u00e7onaria, que tinha ganho for\u00e7a com a Rep\u00fablica, em 1929 viu a sua sede, o Pal\u00e1cio Ma\u00e7\u00f3nico no Bairro Alto, em Lisboa, ser invadida pelas for\u00e7as da ordem e encerrada. Os tempos tinham mudado, come\u00e7ava um tempo de persegui\u00e7\u00e3o aos ma\u00e7ons, que culminaria com uma lei do Estado Novo, de 21 de maio de 1935, que determinava a imediata dissolu\u00e7\u00e3o de todas as associa\u00e7\u00f5es secretas.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, rodearam-se os ma\u00e7ons de todas as cautelas, para n\u00e3o serem denunciados e perseguidos. Uma das medidas foi decidir a triangula\u00e7\u00e3o das lojas existentes, que consistia em dividirem-se as mesmas em grupo de cinco obreiros, para poderem reunir-se sem atrair as aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-19874 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fraternidade-Universal-2-800x200.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fraternidade-Universal-2-800x200.jpg 800w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fraternidade-Universal-2-768x192.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fraternidade-Universal-2-696x174.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Fraternidade-Universal-2.jpg 998w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>Foi nestas circunst\u00e2ncias que foi criado um tri\u00e2ngulo ma\u00e7\u00f3nico no Entroncamento, com pessoas que n\u00e3o eram da terra, nem aqui trabalhavam, com exce\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico, o Dr. Raul Wheelhouse, que aqui veio a ter um consult\u00f3rio m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Raul Wheelhouse era um competente cirurgi\u00e3o no Hospital da Miseric\u00f3rdia do Sardoal, onde operou Ant\u00f3nio Marques Agostinho, eminente figura do poder local e da vida empresarial entroncamentenses.<\/p>\n<p>Do seu c\u00edrculo de amizades faziam parte ma\u00e7ons, e por essa via foi o Dr. Wheelhouse iniciado na ma\u00e7onaria em agosto de 1931, em Arrifana, na linha do Vale do Vouga, e logo a seguir ajudou a fundar os tri\u00e2ngulos n.\u00ba 330 do Sardoal e n.\u00ba 331 do Entroncamento, todos no mesmo ano, o do Sardoal em setembro e o do Entroncamento em outubro.<\/p>\n<p>No primeiro ano, 1931, faziam parte do <em>Tri\u00e2ngulo n.\u00ba 331 do Entroncamento<\/em> um comerciante de Abrantes, Fernando Farinha Pereira, que ficou como respons\u00e1vel, dois funcion\u00e1rios p\u00fablicos, um de Lisboa e outro de Oliveira de Azem\u00e9is, um empregado de escrit\u00f3rio, tamb\u00e9m de Oliveira de Azem\u00e9is, um advogado de Lamas, concelho de S\u00e1t\u00e3o, e um industrial do Porto.<\/p>\n<p>Em 1932 sai Farinha Pereira, para ir preparar um tri\u00e2ngulo em Abrantes, e Raul Wheelhouse deixa o hospital do Sardoal e passa para o tri\u00e2ngulo do Entroncamento em novembro desse ano.<\/p>\n<p>Em 1933, entram Jos\u00e9 Lobato Falc\u00e3o, de Alvega, militar demitido pela Ditadura, ex-deportado; Joaquim da Silva Nuno, propriet\u00e1rio nas Lapas; Renato Roque Laia, engenheiro dos caminhos de ferro, que vinha da loja <em>Alian\u00e7a<\/em> de Lisboa; Manuel Machado Rocha, comerciante de Ma\u00e7\u00e3o; Francisco Violante, de Pernes, vindo de um outro tri\u00e2ngulo; e Francisco Moreira Pinto da Silva, este residente no Entroncamento, e vindo do Mo\u00e7ambique, onde pertencera \u00e0 loja <em>Ophir<\/em>, da Beira.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1933, o Dr. Wheelhouse veio exercer cl\u00ednica no Entroncamento, atividade de pouca dura, porque foi relacionado com uma rede conspirat\u00f3ria no Ribatejo, e logo deportado para Angra do Hero\u00edsmo nesse mesmo ano. Quando voltou, as atividades ma\u00e7\u00f3nicas, as que ainda existiam, apenas funcionavam na clandestinidade.<\/p>\n<p>Apesar de ter a sua resid\u00eancia e consult\u00f3rio em Lisboa, o Dr. Wheelhouse voltou ao Entroncamento em janeiro de 1936, retomando a cl\u00ednica m\u00e9dica, pelo menos durante esse ano. Funcionaria ainda o tri\u00e2ngulo ma\u00e7\u00f3nico na clandestinidade? N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre esse per\u00edodo, e ademais o m\u00e9dico, rec\u00e9m-vindo da deporta\u00e7\u00e3o, continuaria a ser vigiado. Sobre o tri\u00e2ngulo do Entroncamento escreveu Oliveira Marques no seu Dicion\u00e1rio da Ma\u00e7onaria Portuguesa, que esteve \u201cativo de 1931 at\u00e9 \u00e0 clandestinidade\u201d.<\/p>\n<p>Algures, no Entroncamento, talvez existam ainda os lugares onde algumas destas pessoas se reuniam. Em tempos idos, houve um consult\u00f3rio m\u00e9dico no 1.\u00ba andar por cima da relojoaria Reis.\u00a0 Esse edif\u00edcio ainda l\u00e1 est\u00e1, a relojoaria tamb\u00e9m. Mas dois anos antes do consult\u00f3rio do Dr. Wheelhouse, j\u00e1 o tri\u00e2ngulo ma\u00e7\u00f3nico n.\u00ba 331 existia.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-a-maconaria-no-entroncamento\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se h\u00e1 ma\u00e7ons no Entroncamento, mas se os houver, n\u00e3o s\u00e3o os primeiros. A ma\u00e7onaria chegou aqui na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX, por iniciativa de um espanhol, Luiz Mayaffre Borrego, de M\u00e1laga, um empreiteiro de obras p\u00fablicas que andava ent\u00e3o ocupado na constru\u00e7\u00e3o da segunda via da linha do Leste. Com estrangeiros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[55,65],"tags":[],"class_list":{"0":"post-19873","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-cronica","7":"category-manuela-poitout"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19873\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}