{"id":19087,"date":"2020-05-04T19:51:37","date_gmt":"2020-05-04T18:51:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=19087"},"modified":"2020-05-04T21:13:03","modified_gmt":"2020-05-04T20:13:03","slug":"mario-balsa-pandemia-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/mario-balsa-pandemia-e-agora\/","title":{"rendered":"M\u00c1RIO BALSA | Pandemia\u2026 e agora?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_19089\" aria-describedby=\"caption-attachment-19089\" style=\"width: 294px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19089\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/MarioBalsaCorte.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"234\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19089\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Balsa<br \/>mario.balsa@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio do Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, pelo menos 256 milh\u00f5es de pessoas ser\u00e3o empurradas para uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema e fome na sequ\u00eancia dos desequil\u00edbrios econ\u00f3micos que todos reconhecemos existirem no mundo, de entre os quais, com muito peso, a contra\u00e7\u00e3o da economia provocada pela Covid-19 e pelo \u201cencerramento econ\u00f3mico\u201d dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>O crescimento do desemprego \u00e9 hoje uma realidade global que j\u00e1 afeta milh\u00f5es, tomemos a t\u00edtulo de exemplo o que se verifica em Portugal por estes dias: Crescimento de cerca de 60\u00a0mil desempregados nas \u00faltimas semanas. 92 mil empresas submeteram pedidos de layoff ao estado, situa\u00e7\u00e3o com o potencial de afetar um milh\u00e3o cento e cinquenta mil trabalhadores, muitos dos quais poder\u00e3o vir a engrossar a fileira de desempregados.<\/p>\n<p>Rapidamente percebemos que a onda que nos vai atingir inevitavelmente ainda se est\u00e1 a formar. Arrisco-me a dizer que ainda ningu\u00e9m conhece a dimens\u00e3o real do problema que se aproxima da nossa porta de entrada, que n\u00e3o vai bater e pedir para entrar, mas sim impor-se e levar consigo o que n\u00e3o estiver bem seguro.<\/p>\n<p>Um dos poucos lados positivos da crise de sa\u00fade p\u00fablica que vivemos \u00e9 o ambiente, a natureza, a Vida no nosso planeta. Com o recuo da presen\u00e7a humana no mundo, em virtude do encerramento da atividade econ\u00f3mica e do isolamento a que as pessoas se submeteram, a natureza reclamou um espa\u00e7o que h\u00e1 muito lhe tinha sido retirado.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da polui\u00e7\u00e3o nas cidades europeias \u00e9 de cerca de 50%, Lisboa apresenta a melhor qualidade do ar desde o in\u00edcio do S\u00e9c. XXI \u2013 dados recolhidos pela frota de sat\u00e9lites ambientais europeus Sentinel. Vemos os golfinhos a regressar a Veneza, o \u00c1rtico a formar gelo novo, os veados a passear em Odivelas ou as cobras a apanhar sol, tranquilamente, no terreiro do pa\u00e7o. Tudo relatos que nos dizem que a natureza reclama o seu espa\u00e7o e se recomp\u00f5e assim que lhe damos o tempo e as condi\u00e7\u00f5es para tal.<\/p>\n<p>Estima-se que em 2020, fruto deste recuo da atividade humana, se assista a uma redu\u00e7\u00e3o de 4% das emiss\u00f5es de gases com efeitos de estufa para a atmosfera. \u00c9 no entanto e segundo o professor da Universidade de Lisboa, Filipe Duarte Santos, necess\u00e1ria uma redu\u00e7\u00e3o de 6% ao ano para tornar a nossa vida em sociedade ambientalmente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ficou provado que os desequil\u00edbrios ambientais que vivemos t\u00eam m\u00e3o humana. Sabemos, hoje, tamb\u00e9m, que o planeta tem uma grande capacidade de regenera\u00e7\u00e3o, mas para isso temos de abandonar o modelo econ\u00f3mico que nos trouxe \u00e0 beira do abismo. Aprendemos da pior maneira\u2026 Fome, pragas, doen\u00e7as\u2026 guerra pelos esca\u00e7os recursos que o nosso modelo social exige. Mas j\u00e1 sab\u00edamos que assim era, como diz o ditado popular: <em>\u201ca melhor maneira de aprender \u00e9 errando\u201d<\/em>. <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>E agora\u2026 o que fazemos?\u00a0 Insistimos no erro?\u00a0 Emendamos a m\u00e3o e recome\u00e7amos?\u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Esta necessidade imperiosa de reconstru\u00e7\u00e3o social d\u00e1-nos a oportunidade de corrigir erros do passado e iniciar uma nova era de equil\u00edbrio com o meio que nos rodeia. Uma oportunidade \u00fanica de agir, de alterar o que temos de alterar, de construir o que temos de construir.<\/p>\n<p>Como referi anteriormente, vivemos uma era de recuo econ\u00f3mico, escassez de meios e aumento forte do desemprego, das desigualdades e da pobreza.<\/p>\n<p>Para fazer face ao desemprego, \u00e0 queda da produtividade e \u00e0 necessidade de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, \u00e9 imperativo que os Estados invistam somas avultadas. Mas n\u00e3o o devem fazer indiscriminadamente. A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica alavancada pelos estados deve assentar na promo\u00e7\u00e3o de um novo modelo empresarial verde.<\/p>\n<p>O Estado deve privilegiar investir os seus parcos recursos em modelos de neg\u00f3cio ambientalmente sustent\u00e1veis ou que garantam um compromisso com a sustentabilidade atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o de metas de neutralidade carb\u00f3nica de curto prazo.<\/p>\n<p>Toda a economia que destrua o ambiente deve ser impelida a adaptar-se. Estes neg\u00f3cios devem passar a contribuir na medida necess\u00e1ria para cobrir na integra os custos de reposi\u00e7\u00e3o ambiental necess\u00e1ria \u00e0 sua opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desafio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 portugu\u00eas. Ao contr\u00e1rio de outras crises a que tivemos de atender e onde a receita de pedir dinheiro a outros estados ou entidades foi a solu\u00e7\u00e3o e pagar muito mais foi a consequ\u00eancia\u2026 agora temos de ter a consci\u00eancia que todos vamos precisar de pedir. Uns mais, outros menos, mas se Portugal precisa o que dizer de Espanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a\u2026 at\u00e9 os Estados Unidos \u2013 com n\u00edveis de desemprego superiores aos da grande depress\u00e3o de 1929, considerada at\u00e9 hoje como a mais devastadora crise econ\u00f3mica dos EUA. \u00c9 por isso imperativo ter a consci\u00eancia de que n\u00e3o podemos gastar os poucos recursos de que dispomos onde n\u00e3o haja retorno sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Precisamos de dinamizar as economias locais, de investir nas nossas comunidades ao lado da porta, assumindo os munic\u00edpios um papel preponderante nestes tempos. \u00c9 preciso (re)construir local, \u00e9 urgente consumir local. Vamos regar as sementes de uma economia em comunidade e proximidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/mario-balsa-pandemia-e-agora\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; De acordo com um relat\u00f3rio do Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, pelo menos 256 milh\u00f5es de pessoas ser\u00e3o empurradas para uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema e fome na sequ\u00eancia dos desequil\u00edbrios econ\u00f3micos que todos reconhecemos existirem no mundo, de entre os quais, com muito peso, a contra\u00e7\u00e3o da economia provocada pela Covid-19 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[55,80],"tags":[],"class_list":{"0":"post-19087","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-cronica","7":"category-mario-balsa"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19087"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19087\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}