{"id":17828,"date":"2020-03-25T17:24:42","date_gmt":"2020-03-25T17:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=17828"},"modified":"2020-03-25T17:25:34","modified_gmt":"2020-03-25T17:25:34","slug":"luis-filipe-antunes-presidente-da-assembleia-municipal-do-entroncamento-covid-19-um-surpreendente-regresso-a-um-passado-improvavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/luis-filipe-antunes-presidente-da-assembleia-municipal-do-entroncamento-covid-19-um-surpreendente-regresso-a-um-passado-improvavel\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Filipe Antunes | Presidente da Assembleia Municipal do Entroncamento | &#8220;COVID 19: Um surpreendente regresso a um passado improv\u00e1vel!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da humanidade conheceu nos \u00faltimos mil anos v\u00e1rios epis\u00f3dios de epidemias mais ou menos localizadas, mais ou menos devastadoras e dram\u00e1ticas (peste negra, var\u00edola, gripe espanhola, c\u00f3lera, febre amarela, gripe asi\u00e1tica e, mais recentemente, o VIH\/Sida, Gripe A\u2026). Habitu\u00e1mo-nos a olhar para estas epidemias como coisa do passado, de momentos em que a ci\u00eancia e os sistemas de sa\u00fade n\u00e3o tinham atingido os n\u00edveis de progresso, qualidade e efic\u00e1cia que conhecemos hoje; ou decorrentes de contextos de elevado subdesenvolvimento, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida e de higiene. Tememos ainda um certo n\u00famero de doen\u00e7as que nos podem tocar individualmente, mas quanto ao efeito de v\u00edrus e bact\u00e9rias, sent\u00edamo-nos muito seguros e tranquilos\u2026 at\u00e9 h\u00e1 pouco mais de duas semanas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Inesperadamente, a 11 de mar\u00e7o, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade declarou estarmos perante uma pandemia. N\u00e3o era, portanto, um problema da \u00c1sia ou de territ\u00f3rios distantes, a que poder\u00edamos continuar indiferentes. De repente, sentimo-nos voltados \u00e0 idade m\u00e9dia. Atordoados por este brutal soco no est\u00f4mago, sentimo-nos, \u00e0 escala global, reconduzidos \u00e0 original inseguran\u00e7a, fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis como os nossos antepassados. Com uma diferen\u00e7a significativa que nos coloca perante uma encruzilhada nunca antes sentida: ao contr\u00e1rio do passado, em que o drama se reduzia ao pavor da morte, os n\u00edveis de desenvolvimento eram est\u00e1ticos, vivemos hoje numa sociedade de grande mobilidade, progresso e dinamismo, uma economia e uma tecnologia que oferecem n\u00edveis de bem-estar surpreendentes, um n\u00edvel de consumo cont\u00ednuo e crescente. E, em poucos dias, fomos obrigados a viver o essencial e a prescindir de todos os recursos e possibilidades que, agora, espreitamos pela janela ou virtualmente apenas. E o essencial passou a ser a sobreviv\u00eancia, podermos continuar vivos, num espa\u00e7o m\u00ednimo, com o menor n\u00famero de contactos poss\u00edvel. Surpreendente!<\/p>\n<p>Inquieta-nos tamb\u00e9m perceber que, mesmo no meio cient\u00edfico est\u00e1 instalada a d\u00favida e a incerteza sobre a natureza e evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus: quem o transmite? durante quanto tempo? sofre muta\u00e7\u00f5es? a que ritmo? uma pessoa pode ser infetada v\u00e1rias vezes? quanto tempo dura a imunidade ao v\u00edrus? haver\u00e1 uma nova onda de infe\u00e7\u00f5es no outono? at\u00e9 quando as medidas de reclus\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rias?<\/p>\n<p>Rompido o equil\u00edbrio entre Homem e Natureza, perguntamo-nos: como evoluir\u00e3o os microrganismos perante altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas t\u00e3o c\u00e9leres? que adapta\u00e7\u00f5es ou muta\u00e7\u00f5es sofrer\u00e3o? a que ritmo se ir\u00e1 adaptando o ser humano, as suas defesas, face a amea\u00e7as novas e surpreendentes? D\u00favidas e mais d\u00favidas!<\/p>\n<p>Perante t\u00e3o dram\u00e1tico e inesperado contexto, face a um inimigo invis\u00edvel, mas amea\u00e7ador e fatal que podemos transportar sem saber, temos assistido a um desfile de consequ\u00eancias: arrasadores n\u00edveis de mortalidade por cada 24 horas nunca antes vistos, funerais em massa sem calor humano, o caos nos hospitais, sistemas de sa\u00fade que quase claudicam, distanciamento, a\u00e7ambarcamento, desconfian\u00e7a, cidades vazias, fecho de fronteiras, queda das bolsas, dos investimentos e dos neg\u00f3cios, desemprego, pessimismo, desorienta\u00e7\u00e3o, crise (outra vez!)\u2026 E o planeta Terra vai aproveitando para se regenerar, respirando melhor!<\/p>\n<p>E conhecemos diariamente as mais diversas rea\u00e7\u00f5es ao fen\u00f3meno: pol\u00edticos que aproveitam para especular, que j\u00e1 sabiam tudo antes de acontecer, teriam decidido sempre melhor, aproveitando-se das piores circunst\u00e2ncias para fazer um brilharete; pa\u00edses que aproveitam para atacar outros pa\u00edses e refor\u00e7ar um nacionalismo insensato e perigoso; cidad\u00e3os irrespons\u00e1veis (para n\u00e3o falar dos imbecis que, ostensivamente, desafiam as regras\u2026) que, apesar de todos os avisos iniciais, fazem f\u00e9rias e cruzeiros, ou que continuam a conviver em grupo nas pra\u00e7as e nas marginais, tranquilamente, exigindo um refor\u00e7o de meios para os repatriar ou para os dispersar; e os otimistas que, na sua segura ignor\u00e2ncia, nos tranquilizam dizendo que n\u00e3o \u00e9 motivo de alarme, que s\u00f3 est\u00e1 em risco quem tem mais de 70 anos ou problemas de sa\u00fade associados.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m tantos gestos de altru\u00edsmo surpreendente e de entrega abnegada entre cidad\u00e3os an\u00f3nimos, vizinhos; pa\u00edses que se disp\u00f5em a um efetivo de apoio solid\u00e1rio, com equipamento e pessoal m\u00e9dico\u2026<\/p>\n<p>E agora? \u00c9 verdade que a ci\u00eancia vai encontrar um ant\u00eddoto para mais este v\u00edrus. Mas haver\u00e1 ainda tempo para os respons\u00e1veis pol\u00edticos e os cientistas, cooperarem e acertarem estrat\u00e9gias que assegurem qualidade de vida para todos e n\u00e3o apenas para nos alarmar em situa\u00e7\u00f5es limite como a que vivemos estes dias? Haver\u00e1 tempo para restaurar a confian\u00e7a no progresso das economias e das sociedades? Vamos esperar que tudo se resolva espontaneamente ou que algu\u00e9m fa\u00e7a por n\u00f3s?<\/p>\n<p>Responsabilidade e cumprimento das orienta\u00e7\u00f5es oficiais, serenidade e prud\u00eancia s\u00e3o, no imediato, as palavras de ordem que se nos imp\u00f5em. Prudente \u00e9 ter a humildade de reconhecer que nenhum pa\u00eds do mundo dispunha de manual de instru\u00e7\u00f5es para este cen\u00e1rio, sendo o atual contexto prop\u00edcio a muitas decis\u00f5es n\u00e3o acertadas, erros que servir\u00e3o de muito para situa\u00e7\u00f5es futuras, mas n\u00e3o para jogadas pol\u00edticas. Prudente \u00e9 seguir rigorosamente as instru\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es dadas pelas autoridades de sa\u00fade e \u00f3rg\u00e3os de poder central e local. Prudente \u00e9 disponibilizar aos cientistas e t\u00e9cnicos todos os meios quer para responder \u00e0s imperiosas necessidades de socorro imediatas, quer para promover os necess\u00e1rios progressos a bem da sa\u00fade p\u00fablica e de cada um de n\u00f3s, sem pensar no lucro que v\u00e3o poder sacar desta pandemia global! Nos tempos dif\u00edceis em que vamos convivendo, prudente \u00e9 tornar verdade as palavras solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o! E que se guarde bem a grande li\u00e7\u00e3o desta pandemia, a li\u00e7\u00e3o da disponibilidade, da humildade, da coopera\u00e7\u00e3o entre os povos e na\u00e7\u00f5es em prol do bem comum das sociedades e do meio ambiente. O planeta n\u00e3o tem dono, \u00e9 de todos n\u00f3s, e s\u00f3 na partilha respons\u00e1vel de recursos, de conhecimentos, de vontades e energias, sem pensar em interesses nacionalistas, crit\u00e9rios contabil\u00edsticos, ou em rentabilidade financeira de poucos, poderemos sobreviver&#8230;uma nova ordem econ\u00f3mica e social, uma nova Humanidade.<\/p>\n<p>Finalmente, uma palavra de reconhecimento a tanta gente, heroicos soldados de um combate duro e dif\u00edcil, soldados j\u00e1 com assinal\u00e1veis baixas, e tantas vezes v\u00edtimas de desconsidera\u00e7\u00e3o, desrespeito e ign\u00f3bil agress\u00e3o: m\u00e9dicos, enfermeiros e outros t\u00e9cnicos de sa\u00fade, bombeiros e for\u00e7as de seguran\u00e7a, transportadores e trabalhadores do com\u00e9rcio, da limpeza urbana, entre outros.<\/p>\n<p>Da minha parte, da nossa parte, o melhor contributo e apoio a dar-lhes ser\u00e1 tudo fazer para n\u00e3o lhes dar trabalho&#8230; permanecendo em casa!<\/p>\n<p>Lu\u00eds Filipe Alves Ribeiro Antunes<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/luis-filipe-antunes-presidente-da-assembleia-municipal-do-entroncamento-covid-19-um-surpreendente-regresso-a-um-passado-improvavel\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da humanidade conheceu nos \u00faltimos mil anos v\u00e1rios epis\u00f3dios de epidemias mais ou menos localizadas, mais ou menos devastadoras e dram\u00e1ticas (peste negra, var\u00edola, gripe espanhola, c\u00f3lera, febre amarela, gripe asi\u00e1tica e, mais recentemente, o VIH\/Sida, Gripe A\u2026). 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