{"id":17716,"date":"2020-03-22T10:44:37","date_gmt":"2020-03-22T10:44:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=17716"},"modified":"2020-03-22T10:44:37","modified_gmt":"2020-03-22T10:44:37","slug":"manuel-fernandes-vicente-que-saudades-das-multidoes-e-de-uma-boa-trapalhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-que-saudades-das-multidoes-e-de-uma-boa-trapalhada\/","title":{"rendered":"MANUEL FERNANDES VICENTE | Que saudades das multid\u00f5es e de uma boa trapalhada!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1176\" aria-describedby=\"caption-attachment-1176\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1176\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelVicente.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"228\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1176\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Fernandes Vicente manuelvicente@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando um sistema qu\u00edmico est\u00e1 em equil\u00edbrio, e esse equil\u00edbrio \u00e9 perturbado por uma causa exterior, o sistema reage \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o, e reage sempre de modo a contrariar essa perturba\u00e7\u00e3o, de tal modo que o sistema tender\u00e1 sempre a atingir de novo um estado de equil\u00edbrio. Este princ\u00edpio, que tem uma aplica\u00e7\u00e3o plena no dom\u00ednio das rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, ficou conhecido por Princ\u00edpio de Le Ch\u00e2telier, o brilhante qu\u00edmico franc\u00eas que o formulou em 1888.<\/p>\n<p>Na perspetiva pessoal que tenho deste postulado, a sua abrang\u00eancia ultrapassa largamente a esfera da ci\u00eancia qu\u00edmica, e acredito que mesmo nas ci\u00eancias sociais as suas determina\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante pertinentes. Numa sociedade, mesmo vista globalmente, quando o seu equil\u00edbrio (din\u00e2mico, claro) \u00e9 afetado por algo que lhe \u00e9 externo, a sociedade (o sistema) tender\u00e1 a mobilizar-se (reagir) de modo a contrariar os efeitos da altera\u00e7\u00e3o que a atingiu e afetou. E, julgo, que a mais situa\u00e7\u00f5es e universos se pode aplicar a lei formulada pelo ilustre qu\u00edmico. Vem esta introdu\u00e7\u00e3o que entendi apresentar a prop\u00f3sito, inevitavelmente, da nova estirpe do coronav\u00edrus e da COVID-19, a tem\u00edvel doen\u00e7a que causa, e que est\u00e3o a perturbar o pa\u00eds, a Europa e o mundo.<\/p>\n<p>Sublinhando desde j\u00e1 que \u00e0 preocupante pandemia que o novo coronav\u00edrus causou n\u00e3o se poder\u00e1 dar qualquer tr\u00e9gua nem baixar as defesas para a combater, devo esclarecer que n\u00e3o sou membro da comunidade de pessimistas militantes que tem dela vis\u00f5es b\u00edblicas e at\u00e9 apocal\u00edpticas, vendo a\u00ed uma condena\u00e7\u00e3o divina e profetizando uma enigm\u00e1tica, mas tem\u00edvel, cat\u00e1strofe. E aproveitam tamb\u00e9m o azo para guilhotinarem de uma s\u00f3 vez a sociedade globalizada mundial, que nesta manifesta\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus viria a mensagem de uma condena\u00e7\u00e3o moral, religiosa e social ao n\u00edvel do que h\u00e1 de mais sinistro no Antigo Testamento. \u00c9 pouco s\u00e9rio faz\u00ea-lo, sobretudo nesta altura, em que a sociedade humana tem uma miss\u00e3o dif\u00edcil e um obst\u00e1culo sombrio a transpor. E j\u00e1 se iniciaram algumas medidas de conting\u00eancia e emerg\u00eancia, talvez outras, mais duras e eficazes, ainda venham a ser necess\u00e1rias. Isolarmo-nos em casa para isolar o v\u00edrus e retirar-lhe o caminho para a sua progress\u00e3o logar\u00edtmica em alguns pa\u00edses, foi j\u00e1 uma medida introduzida de rea\u00e7\u00e3o \u00e0 (enorme) perturba\u00e7\u00e3o que o novo coronav\u00edrus (altamente contagioso entre seres humanos). O estabelecimento de quarentenas, o controlo e identifica\u00e7\u00e3o dos eixos de contamina\u00e7\u00e3o, o encerramento das fronteiras e de muitos voos foram outras medidas de rea\u00e7\u00e3o. Pararmos, isolarmo-nos, entrar quase em letargia\u2026 Um novo equil\u00edbrio ir\u00e1 surgir ap\u00f3s esta clausura, e \u00e9 natural que seja um mundo muito diferente, mais pobre e mais estranho. Mas o sistema reagir\u00e1 e a sociedade atingir\u00e1 um novo equil\u00edbrio e, qui\u00e7\u00e1 (sou um optimista estrutural, e j\u00e1 sem corre\u00e7\u00e3o nem emenda), sem muitas das injusti\u00e7as que a desumanizavam.<\/p>\n<p>Questionado um dia sobre como seria uma eventual III Guerra Mundial, o genial f\u00edsico Albert Einstein comentou com a sua habitual verve: \u201cN\u00e3o sei com que armas se combater\u00e1 na III Guerra Mundial, mas na quarta sei, ser\u00e1 com paus e \u00e0 pedrada\u201d. Muitos analistas e colunistas t\u00eam encontrado na atual pandemia raz\u00f5es para ver tamb\u00e9m nela um conflito \u00e0 escala global. Um conflito bizarro, em que \u00e9 a totalidade da humanidade em confronto com um inimigo invis\u00edvel, cego e sinistro, que avan\u00e7a como um gigante sem estrat\u00e9gia, mas com um poder mort\u00edfero. O planeta est\u00e1 suspenso e atr\u00e1s de umas trincheiras que n\u00e3o existem para combater um inimigo que n\u00e3o v\u00ea. Mas j\u00e1 houve outras pandemias no mundo, e n\u00e3o havia a Ci\u00eancia, a intelig\u00eancia, o conhecimento e os meios (m\u00e9dicos, biotecnol\u00f3gicos, inform\u00e1ticos, antropol\u00f3gicos\u2026) que h\u00e1 hoje.<\/p>\n<p>Infelizmente, a origem e a propaga\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus parece ser o filme real de um an\u00e1tema criado h\u00e1 anos e que agora se revela como uma triste profecia para o que est\u00e1 a suceder. Era o hoje popular efeito borboleta, enunciado em 1963 pelo matem\u00e1tico e fil\u00f3sofo norte-americano Edward Lorenz, e que \u00e9 parte da mais global teoria do caos. A vers\u00e3o mais popular e coreogr\u00e1fica da ideia de Lorenz \u00e9 mais ou menos esta: \u201cUma borboleta ao bater as asas em Pequim pode causar um ciclone em Nova Iorque\u201d. A realidade a depender, e muito, das condi\u00e7\u00f5es que existiram no in\u00edcio\u2026 Dada a pertin\u00eancia da met\u00e1fora \u00e0 realidade que hoje testemunhamos, n\u00e3o deixa de haver raz\u00f5es para pensar nela, mesmo que obscurecidas por uma fauna, que se identifica com m\u00e9dicos e enfermeiros conhecedores, que selam o cavalo do medo e do p\u00e2nico nas redes sociais, e com ele espalham mais medo e um ambiente sinistro com a triste inven\u00e7\u00e3o de inacredit\u00e1veis <em>fake news<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 tudo um bocado bizarro. Abandonarmos as ruas para travar as batalhas. Trocar a luta de uma refrega pelo sil\u00eancio e pela aus\u00eancia. Lutar contra um gigante tem\u00edvel, insano e invis\u00edvel. Afastarmo-nos uns dos outros para estarmos juntos e vencer a guerra (sem faciliar nas medidas). Eu sou pela esperan\u00e7a, e agarro-me aos n\u00fameros que a trazem, como a estabiliza\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas na China e o facto do Instituto Pasteur de Paris mencionar que s\u00f3 em 20 por cento dos casos o v\u00edrus pand\u00e9mico \u00e9 maligno! S\u00e3o n\u00fameros e factos que ajudam a digerir esta dieta deprimente. E, a prop\u00f3sito, que saudades que j\u00e1 tenho de uma boa multid\u00e3o, das confus\u00f5es da pol\u00edtica, das pol\u00e9micas futebol\u00edsticas de fim de semana e at\u00e9 de alguma trapalhada do Andr\u00e9 Ventura e at\u00e9 da Joacine Katar Moreira!<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuel-fernandes-vicente-que-saudades-das-multidoes-e-de-uma-boa-trapalhada\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando um sistema qu\u00edmico est\u00e1 em equil\u00edbrio, e esse equil\u00edbrio \u00e9 perturbado por uma causa exterior, o sistema reage \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o, e reage sempre de modo a contrariar essa perturba\u00e7\u00e3o, de tal modo que o sistema tender\u00e1 sempre a atingir de novo um estado de equil\u00edbrio. 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