{"id":16214,"date":"2020-02-11T14:49:05","date_gmt":"2020-02-11T14:49:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=16214"},"modified":"2020-02-12T10:00:11","modified_gmt":"2020-02-12T10:00:11","slug":"aeroporto-do-tejo-um-caminho-para-a-valorizacao-do-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/aeroporto-do-tejo-um-caminho-para-a-valorizacao-do-interior\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o | Aeroporto do Tejo | Um caminho para a valoriza\u00e7\u00e3o do interior"},"content":{"rendered":"<p>O Munic\u00edpio de Vila Nova da Barquinha, com o apoio da Comunidade Intermunicipal do M\u00e9dio Tejo, realizou no dia 5 de fevereiro o primeiro debate sobre a reativa\u00e7\u00e3o da base a\u00e9rea de Tancos como aeroporto civil de companhias a\u00e9reas low cost e transporte de mercadorias. Esta iniciativa surge na sequ\u00eancia da not\u00e1vel vontade un\u00e2nime de todos os autarcas da regi\u00e3o do M\u00e9dio Tejo se agregarem em torno desta causa comum: a da valoriza\u00e7\u00e3o do interior, potenciando esta infraestrutura militar com uma localiza\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica \u00edmpar, e consequentemente alavancando uma din\u00e2mica econ\u00f3mica sem precedentes, considerando em primeiro lugar a conveni\u00eancia ao fluxo de milh\u00f5es de pessoas que visitam F\u00e1tima e a regi\u00e3o, e a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que garantiria grande efic\u00e1cia a entreposto de mercadorias.<\/p>\n<p>Para dar suporte a essa miss\u00e3o, a Comunidade Intermunicipal do M\u00e9dio Tejo encomendou um estudo para avaliar o potencial de Tancos como grande porta de entrada de turistas e mercadorias no centro do pa\u00eds, atrav\u00e9s do modo a\u00e9reo, criando um grande Hub-log\u00edstico na regi\u00e3o centro em torno da plataforma ferrovi\u00e1ria do Entroncamento e da plataforma terrestre log\u00edstica (Riachos-Torres Novas-Entroncamento).<\/p>\n<p>Este momento de grande consenso regional, dos nossos governantes locais e das for\u00e7as vivas da regi\u00e3o, possibilita n\u00e3o s\u00f3 criar uma vis\u00e3o de desenvolvimento territorial, mas tamb\u00e9m um des\u00edgnio regional na valoriza\u00e7\u00e3o do interior do Pa\u00eds que h\u00e1 muito n\u00e3o se sentia.<\/p>\n<p>Se fizermos uma leitura pelas disparidades regionais, dos sistemas urbanos existentes em Portugal, no que diz respeito \u00e0s grandes infraestruturas de transportes e comunica\u00e7\u00f5es, sentimos que \u00e9 essencial, para garantir uma perspetiva integrada e estrat\u00e9gica sobre aeroporto, termos uma vis\u00e3o de escala macro do nosso territ\u00f3rio nacional, considerando uma perspetiva temporal (p\u00f3s crise recente, internacional e zona euro). Essa leitura constitui a refer\u00eancia base para a necess\u00e1ria descentraliza\u00e7\u00e3o que urge acontecer.<\/p>\n<p>Para que seja poss\u00edvel formular solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis no que diz respeito quer \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o e de atribui\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias para os n\u00edveis interm\u00e9dios, quer \u00e0 dimens\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de regi\u00f5es administrativas competentes para cumprirem a sua miss\u00e3o, (num contexto nacional marcado por tend\u00eancias de forte retra\u00e7\u00e3o populacional e envelhecimento demogr\u00e1fico, sistemas urbanos insuficientemente polic\u00eantricos, ecossistemas regionais for\u00e7ados e incipientes e d\u00e9fices de mobilidade e conectividade persistentes), \u00e9 preciso articular uma pol\u00edtica nacional de desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica nacional de desenvolvimento regional deve fazer o caminho das pedras e prosseguir com objetivos de coes\u00e3o, competitividade e equidade, sem optar por um deles em detrimento dos restantes, nem valorizar regi\u00f5es e cidades em desfavor de outras. Deve tomar em considera\u00e7\u00e3o o contributo das entidades regionais, sub-regionais e locais, para que os processos de decis\u00e3o de \u00e2mbito nacional possam compatibilizar os interesses do pa\u00eds com os interesses dos respetivos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o passa por saber at\u00e9 onde se quer levar a valoriza\u00e7\u00e3o do interior e o quanto isso \u00e9 efetivamente importante acontecer j\u00e1 neste pr\u00f3ximo quadro comunit\u00e1rio de 2030. O interior do pa\u00eds vive \u201cespartilhado\u201d entre o excesso de centralismo e o excesso de localismo, isto \u00e9, por um lado a gest\u00e3o municipal garante a proximidade aos mun\u00edcipes, mas a sua pequena dimens\u00e3o n\u00e3o assegura economias de escala e aglomera\u00e7\u00e3o com dimens\u00e3o suficiente para inverter o ciclo de despovoamento e abandono do interior.<\/p>\n<p>Uma vis\u00e3o integrada do nosso pa\u00eds pressup\u00f5e a recusa de pol\u00edticas centradas nas regi\u00f5es e aglomera\u00e7\u00f5es urbanas com maior potencial de desenvolvimento (l\u00f3gica de apoio priorit\u00e1rio aos \u201ccampe\u00f5es nacionais\u201d, na convic\u00e7\u00e3o de que a sua din\u00e2mica desencadear\u00e1 efeitos positivos de arrastamento nos restantes territ\u00f3rios), ou, no polo oposto, nas regi\u00f5es menos desenvolvidas (l\u00f3gica de pol\u00edtica assistencial de apoio priorit\u00e1rio aos perdedores nacionais, visando inverter espirais estruturais de subdesenvolvimento relativo ou absoluto).<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica nacional de desenvolvimento regional ter\u00e1 de considerar o conjunto do territ\u00f3rio do pa\u00eds numa \u00f3tica relacional, levando em considera\u00e7\u00e3o, de forma integrada, as potencialidades, as capacidades e as limita\u00e7\u00f5es das v\u00e1rias regi\u00f5es e sub-regi\u00f5es. E \u00e9 nesse contexto nacional que um subsistema urbano polic\u00eantrico do M\u00e9dio Tejo pode assumir-se como inovador na rede urbana de proximidade refor\u00e7ando a competitividade do territ\u00f3rio e da regi\u00e3o, criando uma plataforma comum alargada atrav\u00e9s da qual sejam discutidas, concertadas, implementadas e monitorizadas a\u00e7\u00f5es que reforcem a integra\u00e7\u00e3o da rede e a sua posi\u00e7\u00e3o competitiva \u00e0 escala regional e nacional.<\/p>\n<p>Este subsistema urbano polic\u00eantrico denominado de quadril\u00e1tero urbano do M\u00e9dio Tejo deve ser liderado pelos munic\u00edpios de Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Tomar, que t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se constituir como um laborat\u00f3rio de experi\u00eancias ao n\u00edvel de governan\u00e7a urbana e de gest\u00e3o de um territ\u00f3rio, onde a coopera\u00e7\u00e3o tira partido das interdepend\u00eancias existentes na regi\u00e3o. O futuro da base a\u00e9rea de Tancos pode ser o pontap\u00e9 de sa\u00edda.<\/p>\n<p>Esse passo exige inova\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o toda a regi\u00e3o, permitindo definir a distribui\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias e das responsabilidades a cada munic\u00edpio, valorizando os ganhos decorrentes deste modelo de gest\u00e3o e de interven\u00e7\u00e3o territorial, que ir\u00e1 evitar a competi\u00e7\u00e3o sem objetivos entre munic\u00edpios vizinhos e viabilizar a concerta\u00e7\u00e3o de acua\u00e7\u00f5es em \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a afirma\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio do M\u00e9dio Tejo na regi\u00e3o Centro e no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Acredito que somos capazes de criar as condi\u00e7\u00f5es para que o desenvolvimento da nossa regi\u00e3o aconte\u00e7a atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de um novo modelo de governan\u00e7a territorial, assente no quadril\u00e1tero urbano do M\u00e9dio Tejo, onde o futuro Aeroporto do Tejo ser\u00e1 propulsor de uma nova realidade, numa verdadeira afirma\u00e7\u00e3o da coes\u00e3o territorial do interior de Portugal. Trago<\/p>\n<p>o pensamento de Victor Hugo ao presente: \u201cO futuro tem muitos nomes. Para os fracos \u00e9 o inalcan\u00e7\u00e1vel, para os temerosos o desconhecido, para os valentes \u00e9 a oportunidade.\u201d<\/p>\n<h6><strong>Rui Serrano<\/strong><br \/>\n(Arquiteto, doutorando no doutoramento em Arquitetura dos Territ\u00f3rios Metropolitanos Contempor\u00e2neos do ISCTE-IUL, ex-vice-presidente dos Munic\u00edpios de Abrantes e de Tomar)<\/h6>\n<p>.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/aeroporto-do-tejo-um-caminho-para-a-valorizacao-do-interior\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Munic\u00edpio de Vila Nova da Barquinha, com o apoio da Comunidade Intermunicipal do M\u00e9dio Tejo, realizou no dia 5 de fevereiro o primeiro debate sobre a reativa\u00e7\u00e3o da base a\u00e9rea de Tancos como aeroporto civil de companhias a\u00e9reas low cost e transporte de mercadorias. 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