{"id":14918,"date":"2020-01-02T15:35:19","date_gmt":"2020-01-02T15:35:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=14918"},"modified":"2020-01-02T15:35:19","modified_gmt":"2020-01-02T15:35:19","slug":"punhete-de-um-te-deum-na-matriz-a-citacao-da-republica-em-1820","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/punhete-de-um-te-deum-na-matriz-a-citacao-da-republica-em-1820\/","title":{"rendered":"Punhete: de um TE DEUM na Matriz\u00a0\u00e0 cita\u00e7\u00e3o da \u00abRep\u00fablica\u00bb em&#8230;. 1820"},"content":{"rendered":"<p>No dia 16 de Janeiro de 1868, segundo as actas, ao receber-se em Const\u00e2ncia (ent\u00e3o Punhete), passo a citar, \u00aba not\u00edcia da revoga\u00e7\u00e3o da ominosa lei&#8221;, todos os habitantes desta vila, &#8220;sem distin\u00e7\u00e3o de classes ou de pol\u00edtica&#8221;, diz o escriv\u00e3o, &#8220;levantaram um grito de alegria, que manifestava pura e sinceramente o estado de uma alma. Nesse dia, o povo percorreu as ruas da vila, dando calorosas vivas a Sua Majestade, El Rei D. Lu\u00eds Primeiro, e \u00e0 Ilustre Casa de Bragan\u00e7a\u00bb. Motivo?<\/p>\n<p>Trata-se aqui da restitui\u00e7\u00e3o do arquivo municipal o qual, em execu\u00e7\u00e3o da lei de administra\u00e7\u00e3o civil, fora removido para a ent\u00e3o vila de Abrantes. O Concelho de Const\u00e2ncia tinha sido suprimido pela primeira vez (a segunda supress\u00e3o viria a acontecer em 1895) e anexado ao de Abrantes, pelo decreto de divis\u00e3o territorial.<\/p>\n<p>\u00abNa manh\u00e3 daquele dia o povo da vila e da freguesias rurais enchia a pra\u00e7a p\u00fablica, que se achava cercada de bandeiras. Eram dez horas, achando-se o presidente e vereadores na sala das sess\u00f5es da c\u00e2mara (\u2026) todos na suas respectivas reparti\u00e7\u00f5es, quando deram entrada nesta vila, acompanhados por uma banda filarm\u00f3nica marcial, e seguidos por um grande n\u00famero de homens do povo, os arquivos do munic\u00edpio. \u00c0 sua chegada subiram ao ar in\u00fameros foguetes, e o povo rompeu em calorosas vivas e aclama\u00e7\u00f5es de entusiasmo pela independ\u00eancia deste concelho.\u00bb<\/p>\n<p>Recebidos que foram os arquivos, ficou tamb\u00e9m exarado que \u00abtodas as autoridades eclesi\u00e1sticas, administrativas e judiciais, os empregados p\u00fablicos e o povo, dirigiram-se logo \u00e0 igreja matriz desta freguesia, onde se cantou um solene Te Deum em ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela reintegra\u00e7\u00e3o do Concelho de Const\u00e2ncia.\u00bb<\/p>\n<p>Na acta, em plena descri\u00e7\u00e3o euf\u00f3rica, fala-se dum \u00abestado de uma alma\u00bb, a do povo de Const\u00e2ncia. Por\u00e9m, cerca de trinta anos mais tarde aquando da segunda supress\u00e3o do concelho, face \u00e0 apatia da popula\u00e7\u00e3o, seria gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de um funcion\u00e1rio das finan\u00e7as que o povo acordaria para a necessidade de restaurar o concelho e, diga-se em abono da verdade, foi o Conde de Arnoso que ter\u00e1 metido uma cunha ao Rei Dom Carlos. O pedido escrito da popula\u00e7\u00e3o entregue ao monarca foi a formalidade. Estes factos ouvi-os ao cronista Joaquim dos M\u00e1rtires Neto Coimbra de saudosa mem\u00f3ria o qual os registou na sua monografia da vila.<\/p>\n<p>Cita\u00e7\u00e3o da \u00abRep\u00fablica\u00bb<\/p>\n<p>Na acta\u00a0 o escriv\u00e3o interino, como que em post-scriuptim (?) p\u00f4s ainda a popula\u00e7\u00e3o a dar \u00abvivas \u00e0 carta constitucional\u00bb. Em artigo anterior j\u00e1 publicado por este jornal, de minha autoria, dei conta de uma s\u00e9rie de factos que entendo, abonam em favor da tese de que a popula\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncia foi partid\u00e1ria do Rei Dom Miguel\u00a0 aquando das lutas liberais. A posi\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o c\u00e2mara de Punhete em 1836 (pedido para adquirir o t\u00edtulo de \u00abNot\u00e1vel\u00bb em raz\u00e3o de alegados factos ocorridos em Tomar em 1833)\u00a0 &#8211; anote-se que estamos a falar de uma verea\u00e7\u00e3o prendada por uma rainha imposta em parte pela for\u00e7a das armas estrangeiras &#8211; s\u00f3 se poderia entender ao arrepio da factualidade descrita em registos militares aos quais se acrescenta\u00a0 a pr\u00f3pria mem\u00f3ria de Dom Manuel Martinini o \u00abHespanhiol\u00bb publicada pela edilidade tomarense p qual, embora residindo na vila de Punhete,\u00a0 arregimentou mil\u00edcias fora dela para aclamar a filha do regente que nunca foi aclamado efectivamente rei de Portugal. A Cr\u00f3nica Constitucional do Porto, insuspeita na mat\u00e9ria, coloca a mil\u00edcia que suspeitamos ser bra\u00e7o armado dos jacobinos, mormente, nos arredores de Punhete; e n\u00f3s sabemos por outras fontes j\u00e1 reveladas que foi no&#8230; Seival,actual concelho de Barquinha que tudo se ter\u00e1 organizado \u00e0 pressa&#8230; com pessoas aliciadas de v\u00e1rias partes.<\/p>\n<p>Sabemos que h\u00e1 actas de Punhete do tempo da chamada \u00abrevolu\u00e7\u00e3o liberal\u00bb com cita\u00e7\u00f3es a Dom Jo\u00e3o VI e \u00e0 \u00abcarta constitucional\u00bb, textos completamente riscados. A mossa pesquisa isso constatou. Constat\u00e1mos, outrossim que num auto de elei\u00e7\u00e3o de dois vereadores de 2 de Janeiro de 1820 , por um despacho de um ministro que fica no cart\u00f3rio (cujo nome n\u00e3o se cita ali) \u00abfoi mandado \u00abdeitar-se preg\u00e3o por toda a vila, para que todas as pessoas que t\u00eam servido na Rep\u00fablica viessem \u00e0s Casas da C\u00e2mara para votarem em dois vereadores(&#8230;)\u00bb. Pela contagem de votos que ficou exarada estiverem presentes 34 pessoas na vota\u00e7\u00e3o. Sobre a refer\u00eancia \u00e0 \u00abRep\u00fablica\u00bb em 1820, Caetano Beir\u00e3o na sua Hist\u00f3ria do Estado diz-nos que h\u00e1 provas da projec\u00e7\u00e3o de uma constitui\u00e7\u00e3o duma Rep\u00fablica Ib\u00e9rica e adianta que delegados da ma\u00e7onaria do pais vizinho vieram a Portugal antes de estalar no Porto a dita revolu\u00e7\u00e3o liberal. Mas h\u00e1 outros autores que dissertam sobre a ideia do iberismo e da rep\u00fablica nesta \u00e9poca concreta.\u00a0 Adiante&#8230;<\/p>\n<p>Em 7 de Abril de 1821 a c\u00e2mara de Punhete dirigia.-se ao \u00abSoberano Congresso\u00bb nomeadamente da dita sess\u00e3o\u00a0 extraordin\u00e1ria resultante da revolu\u00e7\u00e3o dando \u00abfelicidades ao soberano augusto congresso nacional\u00bb (ler di\u00e1rio).Havia na \u00e9poca em Portugal o governo militar de Beresford pois a corte estava no Brasil. Aconteceu que no of\u00edcio atr\u00e1s mencionado da c\u00e2mara de Punhete h\u00e1 uma cr\u00edtica impl\u00edcita a esse governo ingl\u00eas quando se alude ao \u00abmonstro da anarquia\u00bb, adita-se, \u00abpor n\u00e3o ter asilo neste harmonioso pa\u00eds\u00bb.<\/p>\n<p>Regressemos atr\u00e1s&#8230;.\u00a0 \u00e0 data de Janeiro de 1820 da tal elei\u00e7\u00e3o de vereadores de Punhete em que se refere em acta a palavra \u00abRep\u00fablica\u00bb parece que os revolucion\u00e1rios por aqui em terras lusas adoptaram uma constitui\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria espanhola origin\u00e1ria do Tri\u00e9nio Constitucional de Espanha. Fracassado o liberalismo nos nossos vizinhos pessoas como Manuel Martinini fugiram de Espanha e vieram para c\u00e1 prosseguir a sua senda jacobina. Este assentou em Punhete e casou com uma mulher da fam\u00edlia Falc\u00e3o.<\/p>\n<p>Muito est\u00e1 por esclarecer mas, para mim, h\u00e1 uma conclus\u00e3o \u00f3bvia: uma ala radical dos revolucion\u00e1rios, jacobina, acaso partidaria do \u00abSin\u00e9drio\u00bb teria adeptos em Punhete ainda que n\u00e3o fossem\u00a0 todos dali necessariamente origin\u00e1rios. Um deles, de Santar\u00e9m,\u00a0 teve cargos importantes no Reino e heran\u00e7a de um Conde&#8230;<\/p>\n<p>Essa ala jogava nos dois tabuleiros consoante os ventos. \u00c9 v\u00ea-los a participar voluntariamente na chamada \u00abGuarda Nacional\u00bb a qual mais tarde n\u00e3o inspiraria grande confian\u00e7a a Dona Maria II como se v\u00ea pela Gazeta de Madrid, excepto alguns casos como o de&#8230; Punhete. Algumas elites lutavam pela sua sobreviv\u00eancia pol\u00edtica o que \u00e9 dizer-se&#8230; pela sua sobreviv\u00eancia econ\u00f3mica propriamente dita.<\/p>\n<p>A mim n\u00e3o me interessa tanto a \u00abraz\u00e3o \u00bb mas os factos que v\u00e3o emergindo&#8230; Todos os jogos partid\u00e1rios s\u00f3 provam que o ser humano \u00e9 fraco de convic\u00e7\u00f5es e forte em afirma\u00e7\u00f5es e que a ma\u00e7onaria internacional conseguiu o seu objectivo ao afastar com coac\u00e7\u00e3o militar o Rei Dom Miguel. Para esta rede n\u00e3o interessava a quest\u00e3o jur\u00eddica da sucess\u00e3o (Dom Jo\u00e3o VI, que morreu envenenado segundo pesquisa recente cient\u00edfica, n\u00e3o cita o nome do herdeiro no seu testamento), interessava-lhes sim, destruir a Igreja cat\u00f3lica. \u00c9 o Poder. E isto conclui-se, sem tomar partido de causas. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio chegar a tanto neste escrito.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz (Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>Nota 1 &#8211; In Acta dos acontecimentos dos dias 16 e 21 de Janeiro de 1868, do arquivo da cmc.<\/p>\n<p>Nota 2 \u2013 Actualizei a escrita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/punhete-de-um-te-deum-na-matriz-a-citacao-da-republica-em-1820\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 16 de Janeiro de 1868, segundo as actas, ao receber-se em Const\u00e2ncia (ent\u00e3o Punhete), passo a citar, \u00aba not\u00edcia da revoga\u00e7\u00e3o da ominosa lei&#8221;, todos os habitantes desta vila, &#8220;sem distin\u00e7\u00e3o de classes ou de pol\u00edtica&#8221;, diz o escriv\u00e3o, &#8220;levantaram um grito de alegria, que manifestava pura e sinceramente o estado de uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14919,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14918","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14918\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}