{"id":1181,"date":"2018-12-08T09:15:11","date_gmt":"2018-12-08T08:15:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=1181"},"modified":"2018-12-08T17:46:06","modified_gmt":"2018-12-08T16:46:06","slug":"os-enganos-da-historia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/os-enganos-da-historia-2\/","title":{"rendered":"Os enganos da Hist\u00f3ria \u2013 2"},"content":{"rendered":"<div>Abordei este tema numa primeira cr\u00f3nica, falando sobre o busto que se encontra na rua Infante de Sagres, junto ao Jardim-Parque do Entroncamento, e sobre uma palestra do Dr. Manuel Gandra, segundo o qual a figura normalmente identificada como sendo o infante D. Henrique, \u00e9 na realidade o seu irm\u00e3o D. Duarte. Na altura dei algumas explica\u00e7\u00f5es, baseadas na mesma fonte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois disso, continuei a ler sobre o tema, que acho interessante, j\u00e1 que vai ser dif\u00edcil ou quase imposs\u00edvel substituir uma imagem que foi replicada milhares de vezes em livros, e muitas tamb\u00e9m em esculturas e pinturas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Batalha tem, desde o dia 14 de novembro de 2010, um busto do Infante D. Henrique, na pra\u00e7a que tem o seu nome, junto ao mosteiro, escultura que reproduz o rosto da est\u00e1tua jacente do mesmo Infante, sobre o seu t\u00famulo, que este teria mandado fazer em vida. Olhando-a, n\u00e3o vemos grandes semelhan\u00e7as com o senhor do chap\u00e9u e do bigode.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>V\u00e1rios estudiosos se v\u00e3o debru\u00e7ando sobre o assunto, e alguns est\u00e3o mesmo convictos de que o senhor do chapeir\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o infante navegador.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E j\u00e1 agora, mais uma informa\u00e7\u00e3o: parece que a escola de Sagres nunca existiu. Quem o afirmou foi o historiador Lu\u00eds de Albuquerque, na sua obra \u201cD\u00favidas e certezas na hist\u00f3ria dos descobrimentos portugueses\u201d. Considera essa ideia um mito que tem perdurado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O brasileiro F\u00e1bio Pestana Ramos foi pelo mesmo caminho, aprofundando a pesquisa hist\u00f3rica e arqueol\u00f3gica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo ele, tanto os arquivos portugueses como os estrangeiros, contempor\u00e2neos da suposta escola ou imediatamente posteriores a ela, n\u00e3o fazem refer\u00eancia nem citam a referida escola uma \u00fanica vez.<\/div>\n<div>Escava\u00e7\u00f5es realizadas no promont\u00f3rio de Sagres nunca localizaram vest\u00edgios que comprovassem a exist\u00eancia ali de uma escola de navega\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para justificar esse vazio de informa\u00e7\u00e3o, os defensores da escola de Sagres atribuem-no \u00e0 pol\u00edtica de sigilo que ent\u00e3o imperava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enquanto duram estas discuss\u00f5es acad\u00e9micas, acho muito mais interessante a informa\u00e7\u00e3o de, em abril de 1415, se estarem a construir galeotas de 60 remos cada uma, nas margens do Z\u00eazere, entre as Limeiras e Cafuz, para se incorporarem numa armada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quem descobriu uma tal empreitada foi um espi\u00e3o espanhol (conhecemos um pouco da hist\u00f3ria destas rivalidades, tanto que acabaram por dividir em mundo em dois por causa disso). O tal espi\u00e3o enviou um relat\u00f3rio para D. Fernando I de Arag\u00e3o, a dar-lhe conta dos preparativos nas margens do Z\u00eazere.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A viagem mar\u00edtima realizada em 1415 foi a expedi\u00e7\u00e3o a Ceuta. Num pa\u00eds que sa\u00edra de uma guerra de 5 anos com Castela, era natural que tivesse faltas de tudo, inclusive de barcos para uma expedi\u00e7\u00e3o que tinha como finalidade a conquista de Ceuta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A prepara\u00e7\u00e3o da expedi\u00e7\u00e3o foi rodeada de grande segredo. Agora pergunta-se: \u201cE qual \u00e9 o fio condutor que explica a constru\u00e7\u00e3o longe de Lisboa, de onde partiria a armada?\u201d Eu arrisco uma explica\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 1415 era gr\u00e3o-mestre da Ordem de Cristo D. Lopo Dias de Sousa, o 7.\u00ba gr\u00e3o-mestre e \u00faltimo antes do infante D. Henrique, que por ser membro da fam\u00edlia real assumiu o comando da ordem como administrador, em 1417.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>D. Lopo era sobrinho de Leonor Teles e filho da tr\u00e1gica Maria Teles que foi assassinada em Coimbra pelo marido. Na luta que op\u00f4s D. Jo\u00e3o I ao rei de Castela, ele assumiu o apoio ao rei portugu\u00eas, e de acordo com essa postura foi seu companheiro de armas em todas as lutas. Pelo seu empenhamento e lealdade, o rei nomeou-o mordomo-mor da rainha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pela posi\u00e7\u00e3o privilegiada que ocupava no reino, D. Lopo estava por dentro do segredo, tanto que foi um dos que combateu em Ceuta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pertenciam \u00e0 Ordem os castelos de Almourol e de Oz\u00eazere. Bastamente sabia D. Lopo que havia na zona muita madeira para barcos, carpinteiros e calafates, gente ligada ao rio e \u00e0s suas fainas, e lugares seguros para montar um estaleiro. Era o seu contributo para o empreendimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como escreveu o Dr. Fernando Freire no seu blog Atalaia-Barquinha, a epopeia das descobertas tem tamb\u00e9m a sua g\u00e9nese no territ\u00f3rio da Barquinha. E se o leitor desejar saber mais pormenores, consulte o blog referido, no cap\u00edtulo \u201cVila Nova da Barquinha na g\u00e9nese dos descobrimentos&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Manuela Poitout<\/div>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/os-enganos-da-historia-2\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abordei este tema numa primeira cr\u00f3nica, falando sobre o busto que se encontra na rua Infante de Sagres, junto ao Jardim-Parque do Entroncamento, e sobre uma palestra do Dr. Manuel Gandra, segundo o qual a figura normalmente identificada como sendo o infante D. 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