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A pressão arterial, ou tensão arterial (TA), é a força que o sangue exerce sobre as paredes das artérias do nosso corpo. Existem dois tipos de pressões arteriais: a diastólica (TAD), conhecida na gíria como “mínima”, que reflecte o momento em que o coração se enche de sangue; e a sistólica (TAS), também conhecida como “máxima”, que corresponde ao momento de contracção do coração. Idealmente, os valores de TA não devem ultrapassar os 140 mmHg de TAS e 90mmHg de TAD para a população em geral.
Hipertensão Arterial (HTA) é o nome que se dá quando estas pressões se encontram aumentadas, existindo uma classificação em graus de acordo com a elevação absoluta. Segundo a Direcção Geral de Saúde, até 40% da população pode sofrer de HTA, sendo este um problema de especial atenção uma vez que não só é um dos factores de risco mais importantes para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), como também aumenta o risco de Enfarte Agudo do Miocárdio, Cardiopatia Isquémica/Hipertensiva com Insuficiência Cardíaca e Doença Renal Crónica.
A maioria dos casos de HTA, cerca de 90%, não têm uma causa única identificada, ou seja, resultam de vários factores hereditários ou ambientais, como a alimentação, muitas vezes rica em sal, característica da população portuguesa. Outros factores de risco incluem: idade, história familiar de doenças cardiovasculares ou diabetes, níveis elevados de colesterol ou triglicéridos, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
A HTA é uma doença silenciosa, pois nas fases iniciais muitas vezes os doentes não apresentam sintomas, sendo essencial o diagnóstico precoce. Com a progressão da patologia, surgem as dores de cabeça, a visão desfocada, as tonturas, o cansaço, o inchaço das pernas ou a falta de ar. Infelizmente, não é incomum a ocorrência de patologia macrovascular como primeira manifestação de HTA tendo como exemplo o AVC, que por vezes resulta numa incapacidade considerável em indivíduos com idade inferior a 65 anos.
A primeira acção contra a HTA é a PREVENÇÃO e, sendo assim, que medidas devemos adoptar?
1. Diminuição da ingestão de sal e substituição por outros condimentos como especiarias ou ervas aromáticas - O rim excreta vários produtos do nosso organismo, sendo um deles o sal. Quando este se encontra em excesso, o rim não consegue eliminá-lo, e este acumula-se no sangue. O problema é que juntamente com o sal, acumula-se água, de forma a equilibrar e não tornar o sangue “salgado”. É aqui que reside a base para o aumento da TA. As nossas artérias mantêm o mesmo calibre, mas o volume resultante que nelas circula está aumentado, exercendo uma maior força e originando a HTA.
2. Diminuição da ingestão de alimentos ricos em gordura saturada como as carnes vermelhas, queijos, produtos de charcutaria, refeições rápidas ou manteiga - A gordura saturada aumenta os níveis de colesterol e de triglicéridos no sangue, potenciando o risco cardiovascular
3. Aumento do consumo de vegetais e fruta - Permitem a eliminação do colesterol no caso dos vegetais e fruta através das fibras alimentares
4. Preferir hidratos de carbono complexos como o pão ou a massa integral em vez dos hidratos de carbono simples como o pão branco - Os hidratos complexos têm baixo índice glicémico e absorção lenta, permitindo um maior tempo de saciedade, e possuem fibras que auxiliam na eliminação de colesterol
5. Controlar o peso corporal através do Índice de Massa Corporal (IMC) que deve variar entre 18,5 e 25 - A obesidade aumenta o risco de HTA
6. Praticar exercício físico adaptado à sua condição física, focando a importância da regularidade, 3-5 vezes por semana, e da duração, 30 a 60 minutos - O exercício físico demonstrou estar associado à diminuição da pressão arterial e ao controlo de outros factores de risco cardiovascular
7. Eliminar o consumo de tabaco - O tabaco aumenta o risco de diversas doenças, incluindo diversos tipos de cancro
É comum os doentes referirem que a TA se apresenta mais elevada quando vão ao hospital ou ao centro de saúde. Por esse motivo, e dada a disponibilidade universal de aparelhos de medição da TA, é aconselhável manter uma avaliação periódica em casa, que muitas vezes se pode revelar bastante útil. Esta avaliação deve ser realizada, idealmente, de manhã, após 5 minutos de repouso, sentado e antes do consumo de estimulantes como café. Os valores devem ser registados com a data e a hora e apresentados à equipa de saúde sempre que forem solicitados.
Quando o diagnóstico de HTA é feito pelo médico assistente, o tratamento depende do grau da doença. Apesar disso, as medidas preventivas devem ser SEMPRE adoptadas, pois não só funcionam como ajudantes da terapêutica farmacológica que pode ser necessária aplicar, como protegem contra outras doenças que potenciam os efeitos deletérios da HTA seja a Diabetes Mellitus, seja a Hipercolesterolemia.
O texto não é escrito de acordo com o Acordo Ortográfico
O autor dá a escolher aos leitores o tema da próxima crónica:
1. Diabetes Mellitus
2. Acidente Vascular Cerebral
3. Obesidade Infantil
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