Levi Fernandes levi.fernandes@entroncamentoonline.pt

O nervo mediano, localizado a nível do punho no túnel cárpico é responsável pela sensibilidade de alguns dedos da mão (do polegar até metade do anelar) e pela inervação motora de alguns músculos. O síndrome do túnel cárpico resulta da compressão do nervo mediano ao nível do punho.

É uma das patologias mais frequentes em Ortopedia, atingindo cerca de 0,1 a 10% da população. As mulheres com idade entre os 35 e os 65 anos são as mais afetadas.

Os principais sintomas são a dor e a dormência nos dedos que podem acordar o doente durante a noite ou serem reproduzidos com atividades repetidas durante o dia. À medida que a doença avança, os sintomas agravam-se, levando a dor constante, diminuição da força e perda de destreza da mão, com dificuldade em realizar tarefas que envolvam motricidade fina como apertar botões.

O diagnóstico da doença é clínico, com a realização de testes que visam reproduzir os sintomas, sendo que a eletromiografia é o exame que estuda a velocidade de condução dos nervos e confirma o diagnóstico.

O tratamento da doença quando numa fase inicial pode passar pelo uso de talas noturnas, vitaminas neurotrópicas, medidas posturais e modificação do tipo da atividade que provoca os sintomas.

Quando o tratamento conservador não obtém resultados ou os sintomas iniciais são muito intensos, o tratamento cirúrgico surge como opção. A cirurgia é realizada em regime de ambulatório (sem internamento) e consiste numa incisão com cerca de 3 cm na palma da mão, sendo realizada a abertura do túnel cárpico (através da secção ligamento transversal do carpo).

No pós-operatório, a mão não é imobilizada; pelo contrário, o doente é estimulado a mobilizar ativamente os dedos, usar a mão nas tarefas básicas da vida diária (vestir, alimentar-se, tratar da sua higiene, pegar nos objetos, entre outras) evitando apenas pesos ou gestos muito repetitivos. Ao usar precocemente a mão, o doente terá uma rápida recuperação. O tempo de paragem ao trabalho é variável, mas geralmente ronda as 4 semanas; nos trabalhos pesados, a interrupção laboral poderá ser superior. 

Artigo redigido pelo Dr. Levi Reina Fernandes (OM:53498), Médico Ortopedista dedicado à Patologia do Joelho do Hospital da CUF Santarém e Clínica Sanus em Torres Novas.