João Fanha Vieira joao.vieira@entroncamentoonline.pt

Este assunto não é novo, mas existem situações que não devem cair no esquecimento…

Com 19 ministros e 50 secretários de Estado (!), este governo surpreendeu tudo e todos pela quantidade de governantes e pela complexidade de governação que só poderia haver com tantos ministérios e secretarias de estado. A Marcelo Rebelo de Sousa, como é normal, e desde que venha do governo, nada lhe faz impressão e aprovou o desmando. Entretanto, muita coisa mudou e o planeta foi devastado por uma pandemia que não vou aqui comentar. O mundo entrou em convulsão, as economias entraram em colapso e tudo foi repensado. Tudo? Não! O Governo de Portugal manteve-se inalterado, como se nada tivesse mudado! Se, antes da pandemia, esta quantidade de ministérios era absurdamente exagerada, o que dizer agora sobre estes dias de angústia e inquietação? Para António Costa, “tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”.

Obviamente que os milhares de euros gastos nestes ministérios não fazem um país cair na bancarrota, mas, convenhamos, é um péssimo exemplo para quem pede tantos sacrifícios aos portugueses e que tem uma das piores médias salariais da Europa.

Os leitores (ou)viram com que frequência os nomes Nelson de Souza, Manuel Heitor, Ana Abrunhosa ou Ricardo Serrão Santos? Pois… mas são ministros! E o que dizer das secretarias de estado?

Só como exemplo, temos um secretário de estado adjunto e da administração interna e uma secretária de estado da administração interna, mas não devem ser confundidos com o secretário de estado da descentralização e da administração local, e muito menos com o secretário de estado do ordenamento do território que, naturalmente, não se confunde com o secretário de estado do planeamento nem com o secretário de estado das infraestruturas, sendo os dois diferentes do secretário de estado da mobilidade, mas também do secretário de estado do desenvolvimento regional, totalmente distinto da secretária de estado da valorização do interior que, em qualquer caso, em momento nenhum pode ser associada ao secretário de estado do desenvolvimento rural…
É certo que os órgãos de comunicação social andam extasiados com a Covid-19 e com as eleições nos Estados Unidos, mas e que tal olharmos um pouco para a nossa realidade? Preocuparmo-nos mais com o que fazem os nossos ministros do que com o tamanho da gravata de Donald Trump?

Sei que se iriam perder muitos abonos para os “boys and girls” deste governo, mas não seria aconselhável dar o exemplo, e reestruturar este governo descomedido, disfuncional e nada adaptado à nova realidade? Pelo menos fingiam que se preocupavam com este tão fustigado país…

 

(O autor não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)