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Já faz algum tempo que não tenho o prazer de escrever para o Entroncamentoonline como articulista...
O tempo não tem abundado, mas também tenho andado num conflito sobre o que escrever. No entanto, ideias não faltam, como os vários leitores verão de seguida:
- Educação: É um tema infindável. No entanto, caso fizesse qualquer comentário, arriscar-me-ia a um processo (por algo que escrevesse sobre o que fosse...) e, em momentos de despedimentos, RECEIO que poderia arriscar-me a um processo disciplinar com todas as consequências inerentes...
- Saúde: Estando ligado à Santa Casa da Misericórdia de forma completamente gratuita e cívica, RECEIO que qualquer comentário poderia prejudicar a maior Instituição do Entroncamento.
- Justiça: Não é possível comentar sobre algo que sabemos que, a existir, não compreendemos como funciona. Quais são os critérios? Tão célere em casos de nenhuma importância, tão lenta em casos de importância extrema... Não sabemos como funcionam as justezas das decisões aplicadas sendo um dos grandes males da nossa sociedade, mas RECEIO que dizer mais que isto, me poderá levar a algum processo judicial...
- Governo/Políticos: Falar mal do Governo ou dos políticos? O que poderia comentar? Já existem comentadores a comentar comentadores! RECEIO que qualquer comentário meu caisse em saco roto, que não trouxesse nada de novo ou que fosse acusado de pleonasmo...
- Casamento homossexual e (eventual) adopção: Também não serão necessários, nem aconselháveis grandes comentários. Sendo heterossexual, RECEIO que seria acusado de homofobia, ou outro tipo de terminologia negativa à opção sexual de cada um, desde de que seja um mero, simples e normal hetero.
- Direitos e deveres das chamadas minorias: Nem pensar! RECEIO que seria logo apelidado de xenófobo, racista ou outras coisas que tais...
- Futebol: Teria que falar do meu Benfica, do treinador e, "partanto", ai Jesus(!) RECEIO que os meus rivais se aproveitassem logo desse momento...
Só espero, caros leitores, que estes meus RECEIOS não sejam interpretados como cobardias, mas sobre uma forma (tristemente) irónica de mostrar que não temos democracia e temos medo de falar sobre tudo (ou quase...), porque, senão, recebemos as consequências de pensarmos ou, pior ainda(!), de ter uma opinião sobre o que pensamos.
Se melhor exemplo queremos, basta lembrar o episódio do indivíduo que mandou um outro ir trabalhar. Que gravidade! Que acusação! Nada como uma coima de 1.300 euros por tal ofensa. É grave, muito grave, dizer a alguém neste país para ir trabalhar...
No entanto, os receios, tal como os problemas, são para ser enfrentados e, se possível, resolvidos.
Espero, por isso, e em breve, voltar com um novo artigo, independemente do RECEIO que o mesmo me possa trazer em termos de consequências pessoais.
Quando voltarmos a ter democracia, que não passa só pelo direito de votar em partidos, mais ou menos cúmplices uns dos outros, mas também por podermos expressar os nossos sentimentos sem ser punidos pelo que pensamos ou dizemos (com o devido respeito, claro...) a conversa poderá ser outra. Sem RECEIOS!
Como referiu Voltaire em pleno século XVIII(!): “... não haverá homem razoável que não conclua que devemos ter indulgência para com as opiniões dos outros, e também merecê-la”.
Continuamos um país adiado!
(O cronista não escreve com base no actual acordo ortográfico.)
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