Peço imensas desculpas se for ofender alguém com estas palavras:
 
- Já manifestei (e reitero) a minha profunda consternação face ao atentado de 7 de Janeiro de 2015, em Paris, do qual resultaram (até ao momento) 12 vítimas mortais.
 
- Contudo, devo afirmar que o Charlie Hebdo é um pasquim abjecto, de acordo com as minhas referências pessoais.
 
- Mas, também de acordo com as minhas referências pessoais, os pasquins abjectos fazem parte integrante do conceito de Liberdade de Expressão.
 
- E, ainda de acordo com as minhas referências pessoais, a Liberdade de Expressão sobrepõe-se aos meus gostos pessoais.
 
- Assim, se porventura chegar um tempo em que um número significativo de pessoas achar que o Charlie Hebdo é um pasquim abjecto - e apenas nessa circunstância - ele acabará por fechar naturalmente por falta de compradores, e não fruto dos caprichos do meu gosto pessoal.
 
- Até lá, se esse momento algum dia chegar, o Charlie Hebdo tem toda a legitimidade para existir, tal como os Porsche cor-de-rosa, tal como a música pimba, tal como as camas com espelhos nas paredes, tal como a mini-saia em certas pessoas gordas, tal como etc., etc., etc.
 
- Deste modo, abater seres humanos porque produzem ou escrevem coisas de que alguém não gosta é dos actos mais lamentáveis que se possam imaginar, pois significa o fim de uma obrigação ainda mais importante do que o direito à Liberdade de Expressão: A obrigação de respeitar a diferença entre os seres humanos, os seus gostos, as suas culturas e os seus projectos de vida pessoais.
 
- Sob pena, se assim não for, de regressarmos à barbárie de que levámos tantos séculos a libertar-nos.
 
Tenho dito.
 
PS: Como sempre, o autor mantém a grafia anterior ao (des)acordo ortográfico.