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A indisciplina nos estabelecimentos de ensino, geralmente falando ou, em específico, na sala de aula, não sendo um fenómeno recente, é hoje, conjuntamente com o insucesso escolar, um grave problema que se coloca às escolas portuguesas. É um fenómeno que se encontra presente em todo o processo educativo e se apresenta como a grande deficiência do processo pedagógico, comprometendo as aprendizagens dos alunos e contribuindo para a grande instabilidade emocional e profissional dos docentes que gastam uma parcela significativa do tempo de aula na eliminação de focos de indisciplina, resultando daí um grande desgaste físico e psicológico e uma permanente tensão na procura e construção de um clima relacional que lhes permita trabalhar. Este trabalho, quantas vezes inglório, provoca nos professores sentimentos de impotência, ansiedade, frustração, abandono, mergulhando-os num profundo stress.
Afinal, o professor geralmente não pode (nem consegue) controlar toda uma série de aspectos com diferentes composições genéticas, origens, histórias, famílias, expectativas, pensamentos, experiências, etc.
Voltando há algum tempo atrás, a família e a escola mudaram muito, sobretudo porque a família era cúmplice da escola! Nos dias actuais deposita as suas funções e delega as suas responsabilidades nessa mesma escola. Mas, porém, critica-a... Cada vez mais os alunos vêm para a escola com menos limites trabalhados pela família.
Os diversos governos também têm colaborado (e bastante!) na desautorização do professor e num proteccionismo, muitas vezes incompreensível, para com o aluno infractor e condicionando os mais elementares critérios que deveriam ser tomados contra quem prevarica até, por várias vezes, de forma deliberada e repetitiva.
Qualquer pessoa ligada às práticas escolares contemporâneas, seja como educador, seja como educando, ou público mais geral (pais, comunidade, etc.), consegue ter uma razoável clareza quanto àquilo que nos acostumamos a reconhecer como a "crise da educação". Sabemos todos diagnosticar a sua presença, ou até a sua origem, mas como a resolver com os meios tão limitados que existem à disposição do professor? Poder-se-ia dizer, inclusive, que há uma espécie de "mal-estar" pairando sobre a escola e o trabalho do educador hoje em dia. A própria imagem social da escola parece estar em xeque, de tal maneira que os profissionais da área acabam acometidos, por exemplo, de uma espécie de falta aguda de credibilidade profissional.
É certo, pois, que grande parte dos problemas que enfrentamos como categoria profissional, até no interior da sala de aula, parece ter relação imediata com essa lastimável falta de credibilidade da intervenção escolar e, por extensão, da atuação do educador. Além disso, se a imagem social da escola está ameaçada, algo de ameaçador está acontecendo também com a ideia de cidadania, uma vez que não há cidadania sustentável sem escola!
(O cronista não escreve com base no actual acordo ortográfico.)
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