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Segunda-feira, 16 de julho de 2018.
Após uma verdadeira maratona de seis semanas a caminhar para a escola, para cumprimento das diversas convocatórias de reuniões de avaliação, inviabilizadas pela greve, e para iniciar bem a semana, a convocatória para as primeiras horas da manhã, surtiu efeito. Hoje, a greve deu descanso e a maioria dos professores respiraram de alívio, ainda que muito insatisfeitos pela incerteza, sustentada nas negociações entre sindicatos e Ministério da Educação (ME).
O protesto, obrigou a escalas e fundos de greve, um pouco por todo o país, fazendo transparecer união entre os “mestres” do ensino.
No entanto, e ainda que agradada pela luta encetada, muito me entristece que aquando dos cortes salariais a que fomos obrigados (muito para além do exigido, diria até do necessário), ninguém se tenha indignado ou lutado, aceitando pacificamente o que alguns impuseram, só para “ficar bem na fotografia”.
O assunto é polémico, todos sabemos. Alguém, algures, questionava… e os outros? A transversalidade do congelamento da progressão nas carreiras, atinge muitos setores, é certo. Porém, as exceções também existiram ao longo destes anos de “aperto orçamental”, em algumas carreiras, as quais me escuso de referir e os professores ficaram para trás.
Por um lado, muitos lá iam dizendo “que assim é que é” tentando acicatar os ânimos daqueles que, ainda que certos de que a greve é o caminho, duvidavam se a sua força seria suficiente para quebrar a certeza dos governantes sobre a impossibilidade do propósito da reclamação. Por outro lado, aqueles a quem a greve não convenceu, ainda que a considerem uma arma importante e legítima, lá iam andando de braço dado com a esperança de uma solução satisfatória para todos. Para estes últimos, o boicote às avaliações já ia longe e a negociação também longe de satisfazer o desiderato, mais do que justo, de recuperar todo o tempo de serviço para que a progressão na carreira seja uma realidade. Em abono da verdade, não me apercebi de que a vontade daqueles que nos representam, fosse tão veemente na mobilização daqueles que são os verdadeiros focos da sua intervenção. Esta minha perceção, em nada diminui a minha convicção de que o propósito destas acções reivindicatórias, é mais do que justo e sem margem para dúvidas deve ser considerado nas decisões governativas. Nove anos, quatro meses e dois dias pesam definitivamente na vida de todos! Como fazer para resolver o problema da contagem integral deste tempo de serviço prestado pelos docentes, não sei, muito menos me compete saber. Mas sei que não é justo, que esse tempo se apague das nossas vidas!
As tão desejadas férias que, não sendo só um direito inalienável, são também essenciais no repor de energias daqueles que em “burnout”, tanto as merecem, estão à porta. Outros há, ainda, que guiados pelo novo sindicato dizem “STOP” e persistem na luta. Até quando? E será verdadeiramente possível alcançar o pretendido? Estou em crer que TODOS (os deste e do outro lado da luta) se esforçarão por chegar a bom porto. O recente compromisso (possível) entre ME e alguns sindicatos, leva a crer que nem tudo está perdido.
É imperativo que se encontrem soluções, é imperativo negociar mas é também imperativo que a sustentabilidade orçamental guie as nossas pretensões.
Em Setembro, logo se verá! Por agora fica a sensação de dever cumprido.
Nós os professores, habituados a lutar todos os dias pelos nossos alunos, formando-lhes o pensamento, construindo-lhes o carácter, desenvolvendo-lhes o espírito crítico, continuaremos a luta, com dignidade. O governo, tenho a certeza, fará o seu melhor para o futuro dos professores, sem pôr em causa o futuro do país.
Aguardemos!
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