![]() |
Só atingimos o pleno desenvolvimento pessoal e espiritual na comunidade humana. Só na comunhão com o outro se constitui o mundo espiritual de cada um de nós. Só sabendo, querendo e agindo, atingimos a auto-realização pessoal.
É certo que nos sabemos insubstituíveis nos nossos modos de conhecer, querer e agir pessoais, conhecendo o carácter inalienável da própria decisão e responsabilidade individuais. Mas também é verdade que só no seio de um mundo humano comum nos encontramos com os outros e com nós próprios.
Nascemos da comunidade e crescemos nela de forma humana. Aprendemos a sua história e língua.
Vivemos as suas tradições e costumes, respeitamos o direito instituído e participamos no espírito da sua cultura. O mundo da cultura actua sobre nós, formando-nos: começando pelas formas mais simples de viver os usos e costumes que fazem parte de qualquer comunidade humana, passando por influenciar o próprio pensamento e vontade, acabando por influenciar a totalidade da compreensão que temos de nós mesmos, dos outros e do mundo histórico concreto.
É neste mundo humano que vivemos a nossa existência singular e finita, que conhecemos de modo incompleto e que a nossa vontade está sempre reduzida a um estreito campo de acção. Mesmo tão condicionados, apercebemo-nos que os valores saem ao nosso encontro a reclamar a sua aceitação e realização. Sentimos esse imperativo absoluto, mas quantas vezes, devido a outros comportamentos mais agradáveis e egoístas, deixamos de cumprir o bem que interessa a todos, procurando recalcar tal dever absoluto, afastando-o do nosso horizonte.
Trata-se duma experiência fundamental do ser humano, ou seja, estamos a falar do fenómeno ético. Por mais estranho que um povo seja, os seus elementos não deixarão de avaliar certas acções concretas como boas ou más, de exaltar certos comportamentos como nobres ou a condenar outros como crimes vergonhosos. Ainda que haja várias interpretações ao longo da história acerca da natureza do bem, do mal, da verdade, da mentira, da justiça, da injustiça, etc., e apesar das diferenças interpretativas, o certo é que sabemos distinguir o correcto do incorrecto.
Se assim é, como se explicam os comportamentos daqueles que se julgam acima dos demais? Aliás, acima da lei positiva e acima da própria moral. Como se avalia o comportamento daquele que constrói uma casa mortuária, sem respeitar as normas do direito de construção, lesando vários cidadãos, só para alterar costumes antigos ou agradar a um superior? E com que dinheiro se pagam tais despesas? Dinheiro ganho através de trabalho voluntário de outros e à margem do direito comercial. Como classificar este fenómeno? Para não dizer coisas mais graves, direi, apenas, que ético não será.
Pessoas que se julgam ilustres, mas que não passam de simples vulgares, dizendo coisas bem diferentes dos comportamentos que manifestam. Não são verdadeiros nem de confiança porque esperam que os outros façam o que dizem, mas desejam que não façam o que eles próprios fazem. Não precisamos desta gente, mas precisamos de políticos, padres e outros dirigentes que sejam capazes de levar a cabo a plena realização do nosso ser humano .
|
O EOL reserva-se no direito de apagar ou editar os comentários que não cumpram as regras de Conduta do Utilizador.
O EOL não é responsável pela conteúdo difamatório, ofensivo ou ilegal das mensagens no Fórum e/ ou nos comentários.”
Consulte aqui a Conduta de utilizador.