A CP, Comboios de Portugal, bateu no fundo em toda a sua dimensão no que diz respeito à sua missão, que se presumia ser nobre, de prestar bons serviços à população portuguesa, utilizando para o efeito, os meios de que dispõe e que continua a ignorar.
 
O Conselho de Administração da mesma empresa, liderado por Carlos Nogueira tem feito “orelhas moucas” aos conselhos que de diversos quadrantes têm surgido no sentido de aconselhar, para que não se chegasse a esta situação nunca vista, de supressão de circulações por falta de material circulante.
 
Há precisamente um ano, e já o atual conselho de administração se encontrava em funções, teve lugar no Entroncamento um dos maiores abates de material circulante, de automotoras diesel e carruagens tipo Sorefame, que a ser suspenso, poderia ter evitado o que inevitavelmente se tornou uma realidade.
 
Os conselhos de administração, as tutelas, continuam a revelar um total desconhecimento da realidade e das potencialidades, que não sendo as melhores, poderiam, como o foram ao longo de muitos anos até que novas condições fossem criadas, de prestar serviços de passageiros sem supressão.
 
Tem sido um “dó de alma” a forma como os gestores ferroviários têm lidado e continuam, com a gestão do material circulante. Pode dizer-se, que a CP tem mandado para o lixo, dezenas de carruagens em excelentes condições de durabilidade e reaproveitamento, sob a alçada de duvidosos concursos de abate, por certo com muitos interesses à mistura, em desfavor da imagem de uma empresa centenária que sempre se orgulhou da abundância de material circulante fosse diesel ou elétrico, via estreita ou via larga.
 
Para não falar das séries de locomotivas, diesel e elétricas, inexplicavelmente retiradas de circulação, ostracizadas no Entroncamento, à mercê da delapidação, como é vulgo, para que um dia mais tarde, e quando se forem pelas ditas, haja motivos para que as mesmas não possam ser recuperadas ou esse investimento, não o justifique. É assim em Portugal.
 
Não se pode aceitar a mensagem que se procurou passar, de que a CP estará a sofrer das dores de crescimento! Absurdo, por se tratar do contrário. Só de quem não conhece as realidades do país!
Cabe recordar que das antigas carruagens Sorefame, excelente material, a CP recuperou em tempos algumas dezenas que modernizou e continuam e ter excelentes desempenhos.
 
Ainda há bem pouco tempo chegou a ser anunciada a recuperação de cerca de três dezenas de unidades para colmatar as falhas existentes, mas tal não passou do papel ou das intenções.
 
Não viria mal ao mundo se a CP pusesse em circulação algumas das carruagens Sorefame que dispõe no parque de Contumil. Pelo fato de não terem climatização, não pode constituir motivo para que este recurso não possa ser utilizado.
 
Chegou-se ao cúmulo de ter que se recorrer a uma composição turística, com carruagens Schindler a operar na linha do Minho e Douro, para obviar a falta de material. E mesmo sem climatização, não vem mal ao mundo por isso. Elas lá andam apesar da idade.
 
Como diria um antigo dirigente da CP, é preciso fazer ver aos “homens das facas longas da CP”, que para além da presunção, existe aquilo o se chama humildade de saber fazer com aquilo que dispomos. A CP dispõe de excelentes recursos que teima em não querer utilizar.
 
Francisco Lameiras
Alto da Lousa
Castelo Branco