Ouvi, com espanto e indignação, a conferência de imprensa do senhor ex-primeiro-minisro José Sócrates sobre o seu atribulado passado, assim que soube que Joana Marques Vidal, Procuradora Geral da Repúlica, iria sair do cargo que desempenhou. 
Atacou, falou o que sempre falou, mas só falou de banalidades no que a ele diz respeito e contra quem investigou as trapalhadas em que se meteu. 
Vou aqui só lembrar alguns episódios sobre esta pessoa que parece não ter memória e quer que os portugueses também não a tenham. 
Então, vamos lá:

 
Universidade Independente
 
Os títulos emitidos não seguiram o procedimento e que quatro das cinco disciplinas académicas foram dadas na universidade privada pelo mesmo professor, António José Morais. A quinta disciplina, "inglês técnico", foi dada pelo reitor da Independente. Entre outras questões, um exame foi enviado por fax e o diploma de Sócrates foi emitido no Domingo, dia 8 de Abril, um dia antes da universidade ser fechada.
 
Ordem dos Engenheiros
 
A Ordem dos Engenheiros comunicou aos associados e alertou a Assembleia da República para que retirasse a referência ao título de Sócrates da nota biográfica no respetivo portal. 
Conforme o comunicado emitido pela Ordem "Nos termos da alínea b), do nº 2, do Art. 4º, do Estatuto da Ordem dos Engenheiros (lei 123/2015, de 2 de Setembro), cabe a esta associação profissional atribuir, em exclusivo, o título profissional de Engenheiro. O ex primeiro-ministro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa não está, nem nunca esteve, inscrito na Ordem dos Engenheiros”. 
A 17 de Dezembro de 2015, as equivalências de José Sócrates na Universidade Independente foram consideradas nulas por Despacho do Ministério Público.
 
Caso Freeport
 
O processo Freeport voltaria a estar na ordem do dia, quando no verão de 2011 a investigação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) é concluída, mas com os procuradores a alegarem “falta de tempo” para ouvirem em inquérito o antigo ministro do Ambiente (José Sócrates), o que levaria a Procuradoria-Geral da República (PGR) a abrir um inquérito à diretora e aos dois procuradores, que deixaram por escrito as 27 perguntas que queriam ter feito a Sócrates e não fizeram. 
O caso seguiria para julgamento em 2012 no Tribunal do Barreiro e o Ministério Público voltou a não ouvir José Sócrates.
 
Operação Marquês
 
A Procuradoria-Geral da República anunciou que José Sócrates estava acusado de 31 crimes: três de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três de fraude fiscal qualificada. O Ministério Público especifica que o antigo primeiro-ministro acumulou na Suíça 24 milhões de euros "com origem nos grupos Lena, Espírito Santo e Vale de Lobo". 
 
Estes são alguns exemplos, mas só por estas situações aqui apresentadas, ainda alguém pode acreditar que José Socrates está inocente de tudo?? 
No passado dia 22 de Setembro, o antigo primeiro-ministro, disse que o Ministério Público está a ser usado pela direita para afastar adversários políticos. 
No entanto, o ex-primeiro-ministro, em recente entrevista ao jornal brasileiro “Folha de São Paulo”, considerava que o Partido Socialista o traiu ao não o defender durante o processo... 
 
Afinal, em que ficamos? 
 
Num pequeno aparte, lembro que Portugal é visto como tendo das administrações públicas mais corruptas do que, por exemplo, o Chile, os Emirados Árabes Unidos ou o Qatar e que é visto como um dos paises mais corruptos da União Europeia, de acordo com o Índice de Perceção da Corrupção que foi divulgado pela organização não governamental Transparency International, a Transparência e Integridade. 
O seu presidente, João Paulo Batalha disse, num comunicado da organização, que Portugal não tem evoluído significativamente no índice ao longo dos anos em que este é gerado. “Esta estagnação é o retrato da falta de vontade política em adoptar uma abordagem frontal a este problema crítico para o bom funcionamento das instituições e para a capacidade de a nossa economia ser competitiva e captar investimento e gerar emprego”, lamentando que Portugal continue “cronicamente abaixo da média da Europa Ocidental no combate à corrupção”.
 
Concluindo:
 
Sim, foi o actual primeiro-ministro quem apresentou uma “solução alternativa” a Joana Marques Vidal e o Presidente da República quem assinou por baixo... 
Portugal não precisa de um governo de política barata, onde tudo está bem, mas tudo piora, desde a educação à saúde. 
Portugal não precisa de um Presidente da República de selfies, que passa o Verão de calções de banho, rodeado de guarda-costas a banhar-se nas praias do interior, de ir a correr para apagar fogos já apagados ou de se expor a momentos caricatos que só tiram dignidade à Presidência da República. 
Deixemo-nos de simpatias falsas que têm como único objectivo os interesses dos próprios e dos cargos que ocupam. 
Precisamos de pessoas rectas, fortes de carácter e de personalidade e que ajam de acordo com os mais altos interesses do país, como é o caso da (ainda) Procuradora Geral da República. Ela não fazia parte do compadrio político que continua a coexistir neste país.
 
Claro que tinha que sair...