As situações de emergência acontecem nos momentos mais inesperados. Um acidente de carro em frente à nossa casa, um incêndio no nosso local de trabalho ou até mesmo uma vítima de doença súbita deixam-nos nervosos e perdidos, mas nestas situações precisamos ter calma e seguir alguns passos básicos para ajudar as vítimas.
O cidadão deve zelar pelo seu estado de saúde e pelo dos seus pares, deve procurar garantir o mais completo restabelecimento e participar na promoção da própria saúde e da comunidade em que vive.
É de todo importante que o cidadão saiba efetuar o chamado pré-socorro e iniciar imediatamente as medidas preventivas para a manutenção ou melhoria das condições iniciais da vítima que necessita de socorro até à chegada da ajuda diferenciada.
Desta forma, e ao longo dos próximos meses, irei deixar-vos alguns conselhos e medidas a tomar nas mais variadas situações de emergência.
Espero que vos sejam úteis.
 
PARAGEM CARDIORESPIRATÓRIA, O QUE FAZER?
 
Intervir no salvamento de uma vida envolve um conjunto de etapas em que cada uma delas tem um papel fulcral na sobrevivência da vítima.
Desta forma surge o Suporte Básico de Vida (SBV) como um conjunto de medidas e procedimentos técnicos utilizados para restabelecer a vida de uma vítima em paragem cardiorrespiratória, sem recurso a equipamentos específicos, tendo como objetivos principais a manutenção da vida e o ganho de tempo até à chegada da ajuda diferenciada (INEM e Bombeiros).
Existem diversas causas de paragem cardiorrespiratória (PCR), no entanto as mais frequentes são a obstrução da via aérea por corpo estranho, o afogamento, a eletrocussão (choque elétrico) e o traumatismo craniano.
O Suporte Básico de Vida (SBV) é vital até à chegada do Suporte Avançado de Vida (SAV), pelo que já é comprovado que um rápido Suporte Básico de Vida (SBV) proporciona até 60% de hipótese de sobrevivência.
 
SUPORTE BÁSICO DE VIDA: 4 ETAPAS ESSENCIAIS A TER EM CONTA
 
Intervir para salvar uma vida envolve uma sequência de etapas, todas de igual importância e determinantes para a sobrevivência.
 
1.ª Etapa - AVALIAÇÃO INICIAL
 
Verificar se existem as condições de segurança para se poder atuar, garantindo que não existe perigo para si, para a vítima ou para terceiros (exemplos de perigos possíveis: tráfego, eletricidade, gás, animais, etc.) e avaliar o estado de consciência da vítima, isto é, se ela responde a estímulos auditivos, táteis ou dolorosos;
 
 
2.ª ETAPA - RECONHECIMENTO PRECOCE E REALIZAÇÃO DE UM PEDIDO DE AJUDA
 
Os serviços de emergência devem ser chamados de imediato ligando 112.
Se a vítima for uma criança só deve ligar para o 112 após 1 minuto de suporte básico de vida, sendo que deverá iniciar o suporte básico de vida com 5 insuflações (cerca de 90% dos casos de paragem na criança são de origem ventilatória).
Da informação a transmitir aos profissionais que atendem o número 112 deve constar o seguinte:
• O tipo de situação (doença, acidente, etc.);
• O número de telefone de onde está a ligar;
• A localização exata e, sempre que possível com a indicação de pontos de referência;
• O número, sexo e a idade aparente das pessoas a necessitar de socorro;
• As queixas principais, as alterações que observam e a existência de qualquer situação que exija outros meios para o local, por exemplo, libertação de gases, perigo de incêndio, etc.
3.ª Etapa - PERMEABILIZAÇÃO DAS VIAS AÉREAS RESPIRATÓRIAS
A queda da língua pode obstruir, numa vítima inconsciente, a via aérea.
Devemos verificar se existe algum objeto a obstruir a via aérea e removê-lo, em seguida realizar extensão da cabeça e elevação do queixo, exceto em vítimas de trauma por suspeita de traumatismo da região cervical. Esta manobra vai fazer deslocar a língua para a frente.
No caso de a vítima estar inconsciente, mas verificamos que está a respirar e apresenta pulso, e não suspeitamos que sofreu trauma, devemos de colocá-la em Posição Lateral de Segurança.
Basicamente consiste em colocar a vítima de lado, prevenindo a aspiração de vómito e garantindo que a queda da língua não impede a passagem de ar para os pulmões.
 
4.ª Etapa - PARAGEM CARDIORRESPIRATÓRIA
 
Se ocorrer uma Paragem Cardiorrespiratória (o coração parou de trabalhar) deve de iniciar de imediato compressões no tórax, estas ajudam a manter o fluxo de sangue para o coração, cérebro e outros órgãos vitais.
Deve realizar em seguida ventilações/insuflações com ar expirado, através de uma máscara de bolso ou um insuflador manual, sendo que a ventilação “boca-a-boca” é uma maneira rápida e eficaz de fornecer oxigénio à vítima, pois o ar exalado pelo reanimador contém aproximadamente 17% de oxigénio e 4% de dióxido de carbono, o que é suficiente para suprir as necessidades da vítima.
Se não se sentir capaz ou sentir relutância em fazer ventilações, faça apenas compressões torácicas.
Existem algumas particularidades no Suporte Básico de Vida, sendo de extrema importância a formação nesta área antes de atuar. Por exemplo, no adulto a proporção de compressões torácicas/insuflações é de 30 compressões para 2 insuflações, a uma frequência de 100 compressões por minuto, não devendo ultrapassar as 120 compressões/minuto. Na criança (sensivelmente até aos 8 anos de idade) deverá realizar 15 compressões para 2 ventilações.
Há que salientar também que, no Suporte Básico de Vida existem diferenças entre bebés, crianças e adultos, sendo que nos bebés usam-se dois dedos para se fazer a compressão, nas crianças utiliza-se uma mão para se fazer a compressão e nos adultos as duas mãos. A semelhança é o processo de insuflação que é idêntico.
Em qualquer situação, mesmo no caso de aparente recuperação total, a vítima deve ser enviada ao Hospital, sendo considerada uma situação grave, com caráter de transporte urgente. Uma reanimação básica de qualidade amplia grandemente as hipóteses de sobrevivência da vítima.
Após iniciarmos as manobras de Suporte Básico de Vida apenas devemos parar as mesmas nas seguintes situações:
• após chegada da ajuda diferenciada;
• se o reanimador estiver fisicamente exausto;
• se a vítima recuperar sinais vitais.
 
A resposta pronta e rápida do cidadão é tão ou mais importante que a resposta dos serviços de emergência.
Todos juntos poderemos fazer a diferença.
 
Rodrigo Bertelo