A preparação do futuro faz-se no presente e este deve ter em conta os êxitos alcançados, assim como os desaires sofridos. É que o presente é o melhor juiz do passado e o fiador mais esclarecido do futuro. Tendo isto por garantido, já dispomos duma base sólida para podermos votar no próximo mês de outubro.
 
Durante a campanha eleitoral, que está prestes a terminar, os candidatos esforçaram-se por deixar claro os princípios orientadores das suas condutas. Mas, sejamos claros. O que está em causa é a defesa dos interesses pessoais, partidários e só depois virão os interesses da comunidade. Há que satisfazer os interesses dos grupos de interesses e de pressão, embora os candidatos digam que se comprometem com o desenvolvimento das infraestruturas camarárias; da proteção do ambiente; da criação de zonas de lazer e que contribuirão para o desenvolvimento das pessoas, através da apresentação de programas e encontros culturais específicos, na prossecução dos fins essenciais da comunidade.
 
Muito bem! Será mesmo assim? Não, o que é preciso é conquistar o voto do eleitor e depois logo se verá! E para o conseguir vale tudo. Veja o caro leitor o que acontece numa vila transmontana, isolada geograficamente e parada no tempo, durante a atual campanha eleitoral. Candidatos duma força política à Câmara do Concelho, oferecem eletrodomésticos aos eleitores da referida vila para votarem nos candidatos dessa força política. Não sei o que acontecerá no momento dos eleitores enfrentarem a urna… Uma coisa é certa, este episódio repudia-me. Encara-se o voto como uma qualquer transação comercial.
 
Este episódio foi-me comunicado, hoje mesmo, num restaurante da vila, onde me desloquei para almoçar. Fiquei incrédulo, pensando que à minha frente estava alguém a querer enganar-me. Mas, parece-me que é mesmo assim… Até se falou que ofereceram um cavalo…
 
Que dizer!? Assim não há futuro que resista. Estamos perante uma corrupção de valores. Uma inversão egoísta, que torna aceitável o que devia repudiar-se; que leva a rejeitar-se o que é íntegro e puro, como é o bem comum; adere-se a um ideal que ainda há pouco se repudiava e combatia, e tudo isto só porque está em jogo, aqui e agora, defender interesses mesquinhos, perdida que está a ideia de bem comum.
 
Nestas condições, votar não é um dever, é, antes, ir a jogo, para ganhar ou perder. Os valores que os meus pais e professores me ensinaram como o respeito pelo outro e por si, a dignidade das coisas, o direito e a ética, sofreram grandes alterações, porque encontraram a barreira duma outra cultura da leviandade que põe a nu a atitude de dirigentes que dão o dito por não dito, como quem bebe um copo de água, numa generalizada irresponsabilidade.