Segundo os resultados de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), 22% dos portugueses têm obesidade e 34% pré-obesidade. Ou seja, seis em cada dez portugueses (60% da população) são pré-obesos ou obesos.
 
Segundo Andreia Oliveira, investigadora da Unidade de Investigação em Epidemiologia, as prevalências de obesidade estão a aumentar consideravelmente em todo o mundo, podendo a situação daqui a uns anos tornar-se "mesmo caótica".
 
Em entrevista ao Público, José Graziano da silva, diretor-geral da FAO, foi no mesmo sentido: “neste momento, nos países de renda média e alta, preocupa-nos mais o problema da obesidade do que o da fome”. Lamentavelmente, a fome ainda subsiste no nosso país. Não podemos esquecer, por exemplo, as crianças que tomam nas escolas portuguesas a sua única refeição do dia.
 
De uma forma ou de outra, a conclusão é a de que existe, no nosso país, um grave problema de alimentação inadequada, a enfrentar por quem tem responsabilidades políticas.
 
“Nós desenvolvemos sistemas alimentares fortemente concentrados nas cadeias agroalimentares. Agora quem alimenta o mundo são as grandes agroindústrias. Temos de mudar isso”, afirma o alto responsável da FAO.
 
Ora a Agricultura Familiar já fornece grande diversidade de alimentos, frescos e em proximidade. Deverá fazê-lo cada vez mais.
 
Em Portugal, 284.000 mil explorações agrícolas são familiares, o que representa 93% do total das explorações, 49% da Superfície Agrícola Utilizada e mais de 80% do trabalho total agrícola. As pequenas explorações representam mais de 90% do número dessas explorações agrícolas familiares. Têm, portanto, uma enorme valia económica, ambiental e social.
 
É muito importante o novo Estatuto da Agricultura Familiar, ainda em preparação, cujo debate público terminou no final de janeiro e para o qual o Bloco de Esquerda contribuiu com diversas propostas. Assim como é essencial que a nova Política Agrícola Comum (PAC) pós-2020, já em discussão na União Europeia, reconheça e apoie esta agricultura.
 
Urge, também, a criação de uma Lei de Bases para uma Alimentação Adequada, um diploma já existente em diversos países, mas ainda inexistente entre nós.
 
As autarquias, em especial as Câmara Municipais, terão um papel crescente nestas matérias. Neste sentido, é positiva a recente promessa eleitoral da maioria que atualmente governa o Entroncamento de que iria retomar o projeto das hortas municipais --- depois de o ter desdenhado ostensivamente, durante todo o mandato anterior. “Só” falta concretizá-lo.